quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Cientistas criam células hepáticas

Reuters

Por Kate Kelland

LONDRES (Reuters) - Cientistas criaram pela primeira vez células hepáticas humanas a partir de células cutâneas reprogramadas, abrindo caminho para o possível desenvolvimento de novos tratamentos para doenças do fígado, que matam milhares de pessoas por ano.

Cientistas da Universidade de Cambridge divulgaram os resultados na quarta-feira na revista Journal of Clinical Investigation, e relataram também que conseguiram evitar as polêmicas éticas e políticas em torno das pesquisas com células-tronco embrionárias.

"Esta tecnologia contorna a necessidade de usar embriões humanos", disse Tamir Rashid, do laboratório de medicina regenerativa de Cambridge, coordenador do estudo. "As células que criamos eram tão boas quanto se estivéssemos usando células-tronco embrionárias."

As células-tronco são uma espécie de "manual de instruções" do organismo, capazes de dar origem a qualquer tipo de tecido, o que pode no futuro levar à cura de diversas lesões e doenças degenerativas.

As células-tronco retiradas de embriões são consideradas mais maleáveis e poderosas, mas muitos se opõem às pesquisas com esse material por causa da necessidade de destruir os embriões.

Nesta semana, um juiz federal dos EUA concedeu liminar proibindo o uso de verbas públicas em pesquisas com células-tronco embrionárias.

As doenças hepáticas são a quinta principal causa de mortes nas nações desenvolvidas. Só nos EUA, são cerca de 25 mil óbitos anuais, e na Grã-Bretanha pesquisadores afirmam que a incidência entre jovens e pessoas de meia idade aumenta 8 a 10 por cento ao ano.

Rashid disse que, apesar de 40 anos de tentativas, os cientistas nunca haviam conseguido desenvolver células hepáticas em laboratório, o que tornava extremamente difícil as pesquisas sobre as doenças do fígado.

Devido à escassez de doadores de fígado, é urgente encontrar alternativas aos transplantes, disse Rashid.

O novo estudo aponta a possibilidade do desenvolvimento de novas drogas, ou de uma terapia à base de células - em que as células dos pacientes com doenças genéticas são "curadas" e transplantadas de volta para o organismo.

As doenças hepáticas podem ser herdadas, ou causadas por abuso do álcool ou infecções como a hepatite.

Para o estudo, a equipe de Rashid pegou amostras da pele de sete pacientes que sofriam de várias doenças hepáticas genéticas, e três de pessoas saudáveis, que serviram como comparação.

Eles reprogramaram as células cutâneas para se transformarem nas chamadas células-tronco pluripotentes induzidas, e então as reprogramaram para gerar células hepáticas que imitavam diversas doenças do fígado dos pacientes. Os cientistas usaram a mesma técnica para criar células hepáticas saudáveis a partir do grupo de comparação.


Claudio Costa
Grupo Amarantes

domingo, 22 de agosto de 2010

REDUZINDO A VELOCIDADE DE EVOLUÇÃO DA CIRROSE ENQUANTO SE PROCURA SUA REVERSÃO

Liver Health Today - Julho / Setembro 2010.

Pode a cirrose ser revertida? Pesquisadores têm declarado que atualmente mudanças fibróticas podem ser revertidas em laboratório e em estudos com animais, mas testes com drogas em humanos estão todavia muito distantes. Como com as drogas existentes que desaceleram a fibrose, pacientes com cirrose em estado avançado podem não ser capazes de tolerar as drogas na dosagem necessária. Todavia, pode ser possível para pacientes com cirrose avançada diminuir seus processos fibróticos utilizando as substâncias disponíveis existentes

Novas Ferramentas Diagnósticas.

O processo de formação de cicatrizes no fígado pode ser descrito como uma resposta à inflamação constante. Células hepáticas (radiadas, em forma de estrela) são ativadas e agem com a matriz extracelular (área entre as células) para começar o processo. Este processo é complexo e possui uma variedade de causas, mas basicamente, as células radiadas invadem a área entre as células com uma variedade de agentes de engrossamento. Este processo fibrogénico é dinâmico, e a fibrose pode ser revertida. A terapia para doenças específicas do fígado é uma medida anti-fibrótica, o tratamento para hepatites B ou C, por exemplo, podem levar à reversão da fibrose. Todavia, numerosos compostos anti-fibróticos desenvolvidos especificamente para reversão têm falhado em proporcionar alívio significativo.

O tratamento da fibrose deve focar em intervenções precoces, desde que pacientes com fibrose avançada têm menos chances de tolerar intervenções intensas, tendo índices de resposta menores. A biópsia é ferramenta padrão para determinar alterações na fibrose, mas a biópsia hepática é invasiva e acarreta maiores riscos para pacientes que mais precisam da intervenção. A biópsia também pode errar na leitura do nível de fibrose porque a amostra retirada de uma área pode não ser representativa do fígado como um todo.

Estamos aguardando o advento de novas tecnologias para acessar a cirrose hepática sem termos que confiar somente nas biópsias A elastografia transiente, tecnologia baseada em ultra-som, pode proporcionar uma alternativa não invasiva. Ela também cobre uma área cem vezes maior do que uma biópsia de fígado padrão. Embora a elastografia por ultra-som e a elastografia MRI (esta última mais acurada e mais custosa) ainda têm problemas a serem resolvidos, elas proporcionam a primeira oportunidade real de conduzir um teste não invasivo de possíveis tratamentos para a cirrose.

Tratamentos Atuais

Por no mínimo uma década, os pesquisadores têm tem procurado o “cálice sagrado” de um “gatilho” para a reversão da cirrose. Embora os pesquisadores tenham isolado caminhos mais específicos da inflamação que leva o fígado a formar cicatrizes a conversão de tal conhecimento em testes com uma droga piloto tem sido difícil.
Há dois anos, pesquisadores na Califórnia descobriram um ponto específico de ativação no processo de cirrose e utilizaram com sucesso um peptídeo (tipo de proteína) para bloquear a cirrose hepática. O peptídeo teve tanto sucesso que sujeitos que receberam o peptídeo quase não tinham mais cirrose. Logo a mídia divulgou amplamente que tínhamos descoberto a cura para cirrose, deixando de mencionar que os sujeitos do estudo eram ratos. Os pesquisadores consideraram começar testes clínicos em humanos, mas até agora o que nós temos são estudos exitosos sobre o peptídeo com ratos.

Existe atualmente um leque de possíveis tratamentos para diminuir o ritmo da fibrose, como documentado em resenha do Instituto Nacional de Saúde (NIH). Conforme o Dr. Dan C. Rockey, a colchicina mostrou ser bastante efetiva na inibição da síntese de colágeno, o que pode desacelerar a fibrose, mas os testes não exibiram um efeito significativo. O Interferon gama e angiotensin bloqueadores de receptor têm efeito sobre as células radiadas (stellate cells), diminuindo a ativação. O Interferon gama também pode ser muito efetivo para alguns subtipos de pacientes. O uso de “PPAR ligands” impacta as células radiadas por supressão de ativação, mas isto pode ser revertido quando a terapia é suspensa. A droga, Pirfenidona, pode reduzir a velocidade do processo fibrótico, mas tem efeitos colaterais significativos.

A resenha do Dr. Rockey também abrange alguns tratamentos fitoterápicos. Conforme a medicina chinesa, o ácido salvianólico B contido na sálvia pode desacelerar mudanças fibróticas. O mesmo extrato de sálvia tem demonstrado proteger o fígado e outros órgãos de uma variedade de agressões, e não há relatórios existentes de dano hepático provocado por ácido salvianólico. Todavia, o pesquisador ainda aconselha os leitores a evitar as ervas por causa de preocupações com a hepato-toxicidade. Suas preocupações sobre a possibilidade de hepato-toxicidade para aqueles realizando testes fitoterápicos com ervas desconhecidas são bem fundamentados. (Os pacientes devem verificar com seus médicos antes de ingerir qualquer remédio natural).
A única exceção que o Dr. Rockey faz entre as ervas é para a Silimarina (leite de cardo), que tem exibido efeito anti-fibrótico em múltiplos estudos com animais, mas precisa ser usado mais para prevenir a fibrose, mais do que para reverte-la. Ácidos ursodeoxicólicos (sais de bílis) também podem ser usados na prevenção, e seu uso extensivo no início da cirrose pode auxiliar a evitar fibrose.

Medicamentos Amplamente Disponíveis

A análise do Dr. Rockey de agentes preventivos da fibrose não se estendeu aos estudos com ratos. É curioso que um grande número de estudos com animais tem exibido reversão da fibrose com uma variedade de substâncias sem receber maior atenção da mídia. Muitas destas substâncias se encontram comumente disponíveis aos pacientes e têm demonstrado possuir outros efeitos benéficos no corpo humano. Os seguintes estudos sobre o fígado são baseados em animais, mas as substâncias são comumente usadas por humanos para outras propostas, dando a clínicos e pacientes um quadro estabelecido de efeitos colaterais.

1. N-acetyl cysteine (NAC): É um antioxidante usado por pacientes com fibrose cística crônica e para pacientes com overdose aguda de acetaminofeno. Um estudo recente mostrou que o NAC bloqueou o dano oxidante ao fígado e especificamente um agente pro-fibrótico. Na triagem, o grupo de controle tinha sete vezes mais cicatrizes do que o grupo tratado com NAC. Os pesquisadores recomendaram começar testes de controle de NAC para pacientes com cirrose.

2. Extrato de Alho Envelhecido: É freqüentemente utilizado por sua possível proteção contra doença cardiovascular. Topicamente, o extrato de alho envelhecido tem exibido a capacidade de aumentar o crescimento de vasos sanguíneos. Um estudo japonês sobre o extrato de alho envelhecido revelou que o mesmo teve um desempenho tão bom quanto o NAC contra a fibrose, com um terço de dosagem.

3. Extratos de Chá Verde: Testes para prevenir câncer oral se encontram em fase II, e os pacientes podem estar ingerindo chá verde para uma variedade de outros tipos de câncer, ou para benefícios cardiovasculares. A pesquisa do chá verde demonstra a prevenção de mudanças na fibrose hepática, seja química (envenenamento) ou mecanicamente (fechamento do duto biliar) induzida.

4. Resveratrol (extrato de semente de uvas) e curcumina (cúrcuma) têm demonstrado desacelerar as mudanças fibróticas em animais. . Mais amplamente, proantocianidinas, compostos achados em frutas e vegetais, tem amplos efeitos antiinflamatórios e funcionam para reduzir a ativação das células hepáticas radiadas.

5. Alcaçuz (Glycyrrhiza glabra): Pode provocar sérios efeitos colaterais, mas permanece amplamente disponível como alimentos. Os pacientes com freqüência não a associam com suas propriedades medicinais, a despeito de seu uso como medicamento por mais de 2000 anos. Uma ingestão alta de alcaçuz deve ser considerada como parte de um histórico amplo de saúde. O amor por alcaçuz pode ser associado com estresse crônico elevado, desde que o alcaçuz auxilia a manter níveis de cortisol altos no corpo, proporcionando aos que o ingerem energia aumentada. Pesquisadores japoneses têm utilizado um composto com alcaçuz por 60 anos como ingrediente ativo no tratamento de hepatite, oferecendo aos indivíduos que participaram nos testes um histórico de boa segurança clínica. As pesquisas apontam para uma possível participação do alcaçuz na prevenção de hepatite ativa e na conversão a câncer hepático.
Em outra nota, a planta de lúpulo (sem álcool) traz benefícios na prevenção de mudanças hepáticas em animais. Contrariamente, o uso de maconha, parece aumentar as chances de fibrose hepática. Muitas outras plantas têm demonstrado prevenir dano hepático em modelos animais e estão em triagens preliminares para humanos, para outras doenças.
A conversão de estudos em animais para testes reais em humanos está comprometida pela velocidade do desenvolvimento da fibrose e a dosagem das substâncias discutidas em esta secção. Os animais são “fibrosados” muito rapidamente em laboratório, e os compostos são ministrados em doses muito altas para deter a fibrose. Para testes em humanos, a dosagem requerida para obter um benefício significativo deve no mínimo aproximar o mesmo nível de dosagem, levando a substância fora da classificação de droga para o âmbito de alimento em termos de quantidade. Os animais são freqüentemente alimentados com as substâncias experimentais como um pequeno percentual de sua ingestão total de alimentos. Ou então eles recebem de 20 a 50 miligramas por quilograma do seu peso. Os médicos podem precisar considerar gramas em lugar de miligramas de substâncias para testes humanos e a dosagem dependendo do peso do paciente, mais do que aplicar uma dosagem padrão para pacientes gordos e magros, ou grandes e pequenos. Esta super-dosagem seria insustentável a curto prazo, sem um bom perfil de segurança. Adicionalmente, doses maiores podem ser insustentáveis do ponto de vista de custo em longo prazo, sem benefícios significativos.
O advento de um equipamento diagnóstico não invasivo auxiliará a tornar testes clínicos mais breves e definitivamente possíveis. A capacidade de acessar diretamente a fibrose hepática permitirá um monitoramente ativo de diversas intervenções clínicas. Enquanto testes com drogas continuarão sendo limitados a graus moderados de cirrose, o uso de agentes botânicos, particularmente aqueles dentro do setor de alimentos, guarda o potencial ainda não utilizado de auxiliar indivíduos com cirrose em estado mais avançado.

Texto traduzido pela Ong Transpática - SP

Claudio Costa

Grupo Amarantes






domingo, 15 de agosto de 2010

Falta medicamentos no RJ

Com previsão para outubro de chegada, os portadores de Hepatite C que foram aprovados para tratamento pela Câmara Técnica da SES, aguardam ansiosamente a sua medicação. "A falta de planejamento do MS aliada a subnotificação são os grandes causadores desta caótica situação", afirma Claudio Costa Presidente do Grupo Amarantes.

Claudio Costa
Grupo Amarantes

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Remédio contra hepatite C deve chegar ao Brasil em 2011

Boceprevir quase dobra as chances de cura da doença quando usado como coquetel

O laboratório MSD vai submeter o antiviral boceprevir, novo medicamento indicado para o tratamento da hepatite C, à aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) no início de 2011. A informação foi confirmada ao R7 pela matriz brasileira do laboratório.

Estudos realizados com pacientes nos Estados Unidos, Canadá e Europa mostraram que o medicamento, acrescido ao tratamento padrão da hepatite C, com peginterferon alfa 2-b e ribavirina, quase dobrou as chances de cura, por zerar a carga viral da doença.

Os resultados de dois estudos coordenados pelo professor Paul Kwo, da Faculdade de Medicina da Universidade de Indiana (EUA), mostraram que os pacientes que tomaram o coquetel com os três medicamentos por 48 semanas tiveram 66% de resposta imunológica sustentada detectada (ausência do vírus no organismo 24 semanas após o fim do tratamento, considerada como a cura para a hepatite C), ante os 38% dos que receberam os remédios padrão e um placebo (dose de "mentira").

Tipo mais difícil de tratar é o alvo

A terapia tripla é estudada para o tratamento de pacientes com infecção crônica por genótipo 1 do vírus da hepatite C, considerado o mais resistente, que não responderam a tratamentos anteriores e de pacientes nunca submetidos à terapia padrão.

A hepatite C é uma doença inflamatória do fígado, causada por um vírus chamado VHC (vírus da hepatite C). Sua transmissão acontece quando o sangue contaminado pelo vírus da hepatite C penetra na corrente sanguínea de uma pessoa sadia. Transfusões de sangue, acidentes profissionais e compartilhamento de seringas contaminadas são exemplos clássicos de transmissão. Se não for tratada, a infecção, que pode demorar bastante para causar sintomas, pode causar cirrose e câncer de fígado.

No Brasil, mais de 60 mil pessoas adquiriram a doença entre 1999 e 2009 e mais de 14 mil morreram. O índice de mortalidade pela doença é o maior entre os tipos de hepatite, totalizando 70,3% das mais de 20 mil mortes no período. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), cerca de 170 milhões de pessoas estão infectadas pela doença no mundo.

O boceprevir é um inibidor de protease, que bloqueia a reprodução do vírus da hepatite C, impedindo que novos vírus infectem outras células. O remédio está sendo desenvolvido pelo laboratório Schering-Plough, que, desde 2009, pertence à farmacêutica Merck Sharp & Dome.

A MSD deve apresentar um pedido de registro do medicamento ao FDA (The Food and Drug Administration), órgão regulador de alimentos e medicamentos dos Estados Unidos, e à União Europeia ainda neste ano.

Claudio Costa
Grupo Amarantes

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Testagem no Pam Neves





O Grupo Amarantes numa ação conjunta com o Grupo Genesis, realizou uma testagem no Pam Neves no dia 30/07/2010. Foram realizados mais ou menos uns 100 testes. Destes 100 testes 5 eram soropositivos, é o que pior, mulheres. É necessário que o governo invista, em testagens, campanhas de prevenção, e Cursos de Atualização em Esterelização para Profssionais da Área de Beleza. Só assim conseguiremos minimizar o problema.

Claudio Costa
Grupo Amarantes

quarta-feira, 21 de julho de 2010

SUS expande vacina contra hepatite B

21 de julho de 2010 | 0h 00
O Ministério da Saúde aumentou o número de grupos prioritários para a vacinação gratuita contra a hepatite B e o total de unidades públicas onde o imunizante pode ser aplicado.
•Fabiane Leite - O Estado de S.Paulo

Gestantes após o terceiro mês de gravidez, manicures, pedicures, podólogos, mulheres que fazem sexo com mulheres, travestis, portadores de doenças sexualmente transmissíveis e do sangue e populações de assentamentos e acampamentos são os novos beneficiados pela cobertura do imunizante via Sistema Único de Saúde (SUS).

Antes restrita, a vacina pode ser tomada agora em qualquer posto de saúde - são 60 mil novos locais.

Para dar conta da nova demanda, foram compradas mais 18 milhões de doses da vacina do Instituto Butantã, do Estado de São Paulo, além das 15 milhões que eram usadas todos os anos, segundo informações da pasta.

"Estamos aumentando gradativamente a população atendida e a ideia é tornar a vacinação universal", afirmou Ricardo Gadelha, coordenador de hepatites virais do Ministério da Saúde.

A hepatite B é uma doença que pode levar a lesões e câncer de fígado. Transmitida pelo sangue, esperma e secreção vaginal, atinge quem faz sexo sem camisinha ou compartilha objetos contaminados por sangue, como lâminas de barbear e alicates de unha.

A doença, que também pode ser transmitida da mãe para o bebê, é o único tipo de hepatite para o qual existe vacina específica. Mas a imunização também protege contra o vírus da hepatite D, que parasita o B. Existem ainda as hepatites causadas pelos vírus A (transmitido por água e alimentos contaminados) , C (pelo sangue, como a B, mas raramente por via sexual) e E (por alimentos e água contaminados) , que não têm vacina e também geram danos ao fígado.

O imunizante contra a hepatite B fazia parte do calendário de vacinação dos recém-nascidos e das crianças e adolescentes entre 1 e 19 anos, além de outros grupos vulneráveis, como homens que fazem sexo com homens.

Segundo Gadelha, no entanto, a vacina estava disponível somente em centros de referência, o que dificultava, por exemplo, o acesso à vacina nos pequenos municípios que não têm essas unidades. Agora ela estará disponível em todas as salas de vacina do Sistema Único de Saúde, promete a pasta.

A reportagem contatou postos de saúde na capital paulista nas últimas semanas e não teve dificuldade para encontrar a vacina disponível.

Cobertura baixa. O Ministério da Saúde registra, porém, coberturas ainda inadequadas da vacina entre adolescentes, população que deveria estar com a imunização em dia.

Segundo dados da própria pasta, apenas 71% estão imunizados contra a doença na faixa dos 11 aos 14 anos e somente 52% na dos 15 aos 19. Enquanto isso, entre crianças, as taxas são todas acima de 94%.

Questionado se não deveria ser priorizada a correção das coberturas atuais antes de se expandir os grupos prioritários, o Ministério da Saúde informou que a taxa ideal é difícil de ser atendida porque a aplicação da vacina ocorre em três doses.

"Por isso a estratégia de campanha (em massa) não é adequada para esse tipo de vacina. No entanto, os municípios têm buscado adotar medidas para intensificar a vacinação ", afirmou o ministério.

Ainda segundo a pasta, a ampliação dos grupos prioritários poderá auxiliar a melhora dos índices também nos grupos deficitários.

"Essa ampliação dos grupos atende uma solicitação que tínhamos feito", diz Raymundo Paraná Filho, presidente da Sociedade Brasileira de Hepatologia (que trata das doenças do fígado). De acordo com ele, a vacina é oferecida gratuitamente somente em cerca de 40% dos países, entre eles o Brasil.

"No entanto, a cobertura em determinadas faixas ainda é um desastre. Até na classe médica há desconhecimento sobre a necessidade da vacina. Faltam grandes campanhas na mídia", diz Paraná Filho, que enfatiza que é possível aumentar a cobertura com investimentos e vontade política dos gestores da saúde pública. "Era de se esperar mais esforços. Na gripe suína houve investimento e se conseguiu atingir as coberturas." / COLABOROU LUCIANA ALVAREZ

Cobertura
Crianças e adolescentes
Ao nascer e com 1 e 6 meses. E três doses, dos 11 aos 19 anos.

Públicos cobertos
Abusados sexualmente e acidentados com material infectado; pessoas que fizeram sexo com portador da doença; pessoal da saúde; doentes crônicos do fígado e rins; imunodeprimidos, doadores de sangue e receptores de muitas doações;transplantados e doadores; pessoas que vivem com portadores; pacientes com fibrose cística, doença autoimune, indígenas; usuários de drogas injetáveis; presidiários, reclusos em hospitais; carcereiros; homens que fazem sexo com homens; profissionais do sexo; coletores de lixo; atuantes em
resgates; policiais; pessoas sem baço.

Novos públicos
Gestantes após o 3º mês; manicures, pedicures, podólogos; mulheres que fazem sexo com mulheres; transgêneros; caminhoneiros; portadores de DSTs,doenças no sangue, hemofílicos,assentad os e acampados.

domingo, 18 de julho de 2010

Deu nos jornais - Tudo para o trem-bala, nada para a saúde

Brasília, 15 de julho de 2010 - Camara de deputados

O anúncio feito pelo Governo Federal de implantação de um sistema de trem-bala entre Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro deixou deputados e senadores da Frente Parlamentar da Saúde indignados. A obra vai custar R$ 36 bilhões de Reais, sendo que R$ 19,9 bilhões sairão do Tesouro Nacional, através do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - BNDES.

O problema é que, mais uma vez, o setor de saúde, que passa por uma das mais graves crises da história, continua sendo deixado à margem das prioridades e deve amargar um rombo de pelo menos R$ 4,8 bilhões em 2010, o que pode levar o Sistema Único de Saúde (SUS) à falência.

O presidente da Frente Parlamentar da Saúde, deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), lamentou que, no mesmo momento em que o presidente Lula anunciava o projeto do trem-bala, o líder do Governo na Câmara, deputado Cândido Vacarezza (PT-SP), sepultava de vez, na reunião das lideranças partidárias, a votação da regulamentação da Emenda Constitucional 29, considerada a solução para os desvios orçamentários da saúde, prática comum entre os Estados e a União, e para o desfinanciamento do SUS. A matéria está na Câmara e resta apenas a votação de um Destaque para que ela possa seguir para a apreciação do Senado.

“Será que nós vamos ter que colocar na mesa do Lula os 12 mil atestados de óbito das 12 mil mulheres que morreram de câncer de mama no ano passado no Brasil por falta de diagnóstico precoce e de tratamento? É muito triste. Ainda há tempo para o Governo Lula olhar para as dificuldades do Sistema Único de Saúde”, desabafou Darcísio Perondi.

Claudio Costa
Grupo Amarantes

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Aumentam os casos de câncer de fígado

Pesquisa dos centros de control e prevenção de doenças dos Estados Unidos (CDC) mostram um incremento nos casos de câncer no fígado superior aos 18% num curto período de cinco anos, um aumento de 3,5% a cada ano. O câncer de fígado já é a terceira causa de mortes por câncer no mundo.

No ano de 2001 eram diagnosticados 2,7 casos de câncer de fígado a cada 100.000 pessoas, aumentando para 3,2 casos a cada 100.000 pessoas no ano de 2006. O número deve ser maior, pois somente são incluídos no registro os casos confirmados por biopsia microscópica.

No seu informe o CDC estima que 75% dos casos de câncer de fígado sejam ocasionados pelas hepatites B e C. A estatística serve epidemiologicamente como comparação para o Brasil já que Estados Unidos e Brasil são países demograficamente similares. O número de infectados com hepatite C é praticamente o mesmo nos dois países, já no caso da hepatite B o número de infectados no Brasil e maior.

Os homens apresentaram um risco três vezes maior que as mulheres para desenvolver câncer de fígado (5 versus 1,3 por cada 100.000 pessoas) sendo a idade média do diagnostico de 62 anos para os homens e de 69 anos para as mulheres.

Em ambos os países e estimado que a cada ano morram mais de 10.000 indivíduos por culpa do câncer no fígado, um número alarmante que não para de crescer. As mortes por câncer de fígado ocasionado pelas hepatites B e C podem ser evitadas na maioria dos casos se fossem realizadas amplas campanhas para diagnosticar os infectados.

Utilizando uma projeção dos números da pesquisa do CDC podemos estimar que no mundo aconteçam umas 250.000 mortes por câncer de fígado a cada ano. Se em média 75% delas são ocasionadas por culpa das hepatites B e C, podemos atribuir às hepatites um total aproximado de 190.000 mortes. Como a OMS estima que 1,5 milhão de pessoas morram por culpa das hepatites B e C a cada ano, podemos deduzir que o câncer de fígado representa aproximadamente 13% das mortes nos infectados com as hepatites B e C e 87% das mortes aconteçam por complicações como descompensações causadas pela cirrose ou outras comorbidades diretamente relacionadas ao fígado.

Texto completo em: http://www.cdc.gov/mmwr/preview/mmwrhtml/mm5917a3.htm

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Morbidity and Mortality Weekly Report (MMWR) - Centers for Disease Control and Prevention - Hepatocellular Carcinoma --- United States, 2001-2006 - S O'Connor, JW Ward, M Watson, and others. Hepatocellular carcinoma -- United States, 2001-2006. Morbidity and Mortality Weekly Report (MMWR). 59(17): 517-520 - May 7, 2010.

Carlos Varaldo
Grupo Otimismo

sexta-feira, 25 de junho de 2010

EASL 2010 - O consumo de refrigerantes aumenta a gordura no fígado

A pesquisa acompanhou 120 pacientes que sofreram problemas cardíacos (estenose aórtica) entre os quais 70 consumiam refrigerantes de forma moderada e 50 deles bebiam refrigerantes em grande quantidade objetivando relacionar o uso dos refrigerantes e os problemas cardíacos. Durante a pesquisa foram recrutados mais 30 indivíduos que não bebiam refrigerantes.

Os pacientes que abusavam dos refrigerantes mostravam um risco de 70% de formação de plaquetas nas artérias (arteriosclerose), contra 30% que foi encontrado nos outros pacientes. A prevalência da estenose aórtica foi de 30% nos que bebiam refrigerantes acima do normal, contra somente 10% nos outros pacientes.

Os pacientes que consumem refrigerantes de forma excessiva apresentam maior resistência à insulina, entre os quais se encontrou um índice HOMA-IR médio de 3,8 (contra uma média de 2,6 no grupo controle). O nível dos triglicerídeos entre os que abusam dos refrigerantes foi em média de 208, contra somente 148 no grupo controle.

Muitos estarão se perguntando por que estou escrevendo de refrigerantes e problemas cardíacos, mas e que o resultado da pesquisa encontrou a relação que existe entre o consumo de refrigerantes e depósitos de gordura no fígado (esteatose), um problema que aparece muito em portadores de hepatite e que acelera a progressão da fibrose.

É aqui que entra a questão e motivo deste alerta sobre o consumo excessivo de refrigerantes. Foi encontrado que 71% dos indivíduos que consumiam refrigerantes em excesso apresentavam um fígado gorduroso em nível alto.

Concluem os autores que o consumo excessivo de refrigerantes está relacionado com maior risco de problemas no coração, do aparecimento da arteriosclerose e do aumento dos depositos de gordura no fígado (esteatose).

Assim, para quem já tem uma hepatite atacando o fígado, seja hepatite B ou C, a melhor recomendação que pode ser feita e beber refrigerantes de forma moderada, sem abusar.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:

EASL 2010 - Association between excessive soft drink consumption, non alcoholic fatty liver disease (nafld), and coronary artery disease - F. Nassar, A. Djibre, A. Marmor, N. Assy - Internal Medicine, Western Galilee Hospital, Naharyia, Liver Unit, Cardiology, Ziv Medical Centre, Safed, Faculty of Medicine, Technion Institute, Haifa, Israel - Abstract: 363 - Journal of Hepatology, Supplement No 1, Volume 52, 2010, Page S150

Carlos Varaldo

Grupo Otimismo

terça-feira, 15 de junho de 2010

Curiosidade: Começa a ser decifrado o enigma da cura espontânea da AIDS e da hepatite C

Aproximadamente 15% das pessoas que se infectam com os vírus da AIDS ou da hepatite C conseguem de forma espontânea eliminar a doença nos seis primeiros meses após a infecção. Muitos cientistas procuram descobrir o que diferente possuem essas pessoas, quais proteínas ou mecanismo de seu sistema imunológico faz delas seres praticamente diferentes da maioria dos seres humanos.

Uma equipe de pesquisadores do Hospital Geral de Massachusetts, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts - MIT e da Universidade de Harvard, reunidos no do Instituto Ragon, acredita ter chegado a compreender o mecanismo pelo qual alguns indivíduos conseguem eliminar o vírus de seu organismo, conforme publicado pela Revista Nature de 5 de maio último.

Eles encontraram que os indivíduos que conseguiam se livrar dos vírus da AIDS e da hepatite C possuem um gen chamado de HLA B57. Um gen é um segmento de ADN (o ARN no caso de alguns vírus) que indica ao organismo como produzir uma proteína especifica, sendo estimado que existam até 30.000 genes em cada célula do corpo humano, o que dificulta a investigação cientifica.

Os pesquisadores do Instituto Ragon encontraram que o gen HLA B57 induze o organismo a produzir células T mais potentes, especificas para combater o vírus invasor. As células T, chamadas de células assassinas, são geradas pelo sistema imunológico para combater invasores, como vírus e bactérias. Os pacientes com o gen HLA B57 conseguem produzir um número maior de células T, as quais combatem as proteínas que os vírus necessitam para sua reprodução, eliminando dessa forma o invasor e conseguindo a cura da doença ainda na fase aguda, imediatamente após a infecção.

O descobrimento parece ser um dos maiores acontecimentos científicos, mas esbarra no problema que o gen HLA B57 também faz com que o individuo fique susceptível a desenvolver doenças auto-imunes. Doenças auto-imunes são produzidas pelo sistema imunológico, quando o organismo passa a reconhecer como um invasor um órgão do próprio organismo, enviando células T para destruí-lo.

Sem ser um pesquisador tomo o atrevimento de fazer aqui uma observação pessoal, introduzindo a forma como o interferon atua no organismo, pois pode conseguir o mesmo beneficio do gen HLA B57 eliminando o vírus do organismo, deixando o paciente curado da hepatite C, mas também possui o mesmo perigo de causar ou "despertar" doenças auto-imunes, deixando o paciente com mais um problema, tal vez muito mais complicado de tratar, motivo pelo qual os pacientes devem ser criteriosamente selecionados antes de utilizarem o interferon.

O interferon e uma proteína produzida pelo próprio organismo ativando as células T para combater vírus invasores, tal qual foi colocado pelos autores do Instituto Ragon neste estudo em relação à ação positiva e negativa do gen HLA B57.

É amplamente conhecido que o tratamento da hepatite C utilizando o interferon provoca em um número significativo de pacientes o provável aparecimento de doenças, em geral as auto-imunes entre as quais podemos citar as doenças da tiróide, lúpus, psoríase, diabetes tipo 2, alterações no sistema nervoso central (depressão, irritabilidade, falta de concentração, perda de memória), distúrbio metabólico, hepatite auto-imune, síndrome de Sjogrens, síndrome do túnel do carpo, entre muitas outras.

É interessante o estudo publicado na Revista Nature, pois alerta com total propriedade que antes de se colocar um interferon no mercado, antes de ser autorizado seu uso pelas autoridades de saúde, deve ser obrigatório realizar exaustivos estudos clínicos, começando em animais e finalizando com as características três fases das pesquisas em seres humanos que são geralmente exigidas.

Querer registrar um produto como o interferon por uma simples via da comparabilidade ou por estudos de não-inferioridade poderá causar sérios danos, muitos irreversíveis, aos pacientes que utilizem tais produtos, não testados exaustivamente.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Effects of thymic selection of the T-cell repertoire on HLA class I-associated control of HIV infection - Andrej Kosmrlj, Elizabeth Read, Ying Qi, Todd Allen, Marcus Altfeld, Steven Deeks, Florencia Pereyra, Mary Carrington, Bruce Walker and Arup Chakraborty - Nature advance online publication 5 May 2010 doi:10.1038/nature08997; Received 13 October 2009; Accepted 11 March 2010; Published online 5 May 2010

Carlos Varaldo
Grupo Otimismo

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Juizados Especiais da Fazenda Pública

A Lei nº 12.153/2009 entrará em vigor no dia 23 de junho de 2010, mas a instalação dos Juizados poderá ocorrer até 23 de junho de 2012, sendo um novo e poderoso instrumento de acesso à saúde. Mais uma vez, ante a falta cronica de atendimento no SUS, o Poder Judiciário se apresenta como voz do paciente, cobrando tanto do Poder Executivo como do Poder Legislativo uma atuação mais eficiente no que se refere ao direito à saúde.

A Lei nº 12.153/2009 de 23 de dezembro de 2009 dispõe sobre a criação dos Juizados Especiais da Fazenda Pública (JEFP), que terão competência para processar e julgar ações contra os Poderes Públicos Estadual, Municipal e do Distrito Federal.

Os Juizados Especiais da Fazenda Pública poderão julgar causas ligadas ao acesso da população às ações e serviços de saúde, podendo obrigar o Poder Público (SUS) no fornecimento de medicamentos, suplementos alimentares, órteses e próteses, criação de vagas de UTIs e de leitos hospitalares, realização de cirurgias e exames, custeio de tratamento fora do domicílio e inclusive no exterior, entre outros.

Os Juizados Especiais da Fazenda Pública facilitarão o exercício da cidadania, sobretudo à parcela mais carente da população. Pacientes do SUS poderão ingressar com ações nos Juizados de forma gratuita e sem a necessidade de contratar advogado. A lei estabelecer que os JEFP são competentes para julgar causas que não ultrapassem o valor de 60 salários mínimos, mas nenhum tipo de ação contra o SUS poderá fugir da alçada dos Juizados Especiais da Fazenda Pública. Os serviços públicos de saúde não podem ser valorados como critério processual, isso porque o acesso ao SUS é inteiramente gratuito.

Ações judiciais relacionadas à saúde não poderão ser restringidas a partir da instalação dos Juizados, uma vez que o direito à saúde está incluído entre os direitos e garantias fundamentais e, portanto, tem aplicação imediata.

Os Juizados Especiais da Fazenda Pública farão parte do Sistema dos Juizados Especiais, que hoje já conta com os seguintes Juizados:

- Juizados Especiais Cíveis - Criados há quase 15 anos e que garantem o acesso à justiça de forma rápida e gratuita para causas cíveis envolvendo particulares com valores limitados a até 40 salários mínimos entre particulares. Estes Juizados podem ser acionados para questionar planos de saúde por recusas de cobertura.

- Juizados Especiais Criminais - Criados junto com o Juizados Especiais Cíveis, possuem competência para julgar processos criminais de menor potencial ofensivo.

- Juizados Especiais Federais - Criados há quase 9 anos, garantem o acesso à justiça em causas contra o Poder Público Federal, valendo destacar as ações de natureza previdenciária, como, por exemplo, concessão de auxílio doença e aposentadoria por invalidez.

- Defensoria Pública - A Defensoria Pública presta assistência judiciária às pessoas com renda familiar inferior a 3 (três) salários mínimos. Os Juizados Especiais da Fazenda Pública irão desafogar a demanda nas Defensorias Públicas. Enquanto os Juizados Especiais da Fazenda Pública não são instalados, a Defensoria Pública continuará sendo a principal via de acesso à justiça para as pessoas carentes em relação ao acesso ao SUS.

Carlos Varaldo
Grupo Otimismo

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Alarmantes números sobre a mortalidade nos infectados com hepatite C

Foram incluídos no estudo 18.541 pacientes sem hepatite C (Anti-HCV negativo) e 1.095 pacientes com hepatite C (Anti-HCV positivo) atendidos em hospitais de Taiwan nos anos de 1991 e 1992. Para se saber exatamente o índice de mortalidade pela hepatite C não foram incluídos indivíduos infectados com hepatite B em nenhum dos dois grupos.

Todas as mortes acontecidas desde 1991 até o final de 2007 foram pesquisadas na sua causa pelos códigos CID dos certificados de óbito.

O desenho do estudo e os dados coletados permitiram aos pesquisadores calcular o risco de mortes relacionadas ao fígado para cada 100.000 pessoas a cada ano.

Os resultados são os seguintes:

Por toda e qualquer causa relacionada a doenças no fígado, de cada 100.000 indivíduos, morrem 1.457 a cada ano se encontram infectadas com hepatite C, contra somente 679 pessoas a cada ano se não estão infectadas pela hepatite C.

As mortes por câncer no fígado a cada 100.000 indivíduos, matam 335 pessoas a cada ano se infectadas com hepatite C, contra somente 17 pessoas a cada ano se não estão infectadas pela hepatite C.

As mortes relacionadas à hepatite C crônica ou por culpa da cirrose em cada 100.000 indivíduos matam 87 pessoas a cada ano se infectadas com hepatite C, contra somente 18 pessoas a cada ano se não estão infectadas pela hepatite C.

Concluem os autores que a mortalidade dos infectados com hepatite C poderia ser reduzida se os infectados fossem diagnosticados e tratados adequadamente.

MEUS COMENTÁRIOS:

Ao se calcular os cocientes de risco de morte associados à hepatite C ajustando os dados por sexo e idade a probabilidade de aumento do risco de morte nos deparamos com resultados alarmantes.

A possibilidade de morte por toda e qualquer causa relacionada a doenças do fígado de um infectado com hepatite C se não for diagnosticado e receber tratamento adequado e 114% superior ao de uma pessoa não infectada, o que significa que um infectado com hepatite C tem o dobro de possibilidades de morte que uma pessoa sem hepatite C. A cada ano morrem 1,45% dos infectados com hepatite C não tratados e somente 0,68% das pessoas sem hepatite C.

Ao se considerar a possibilidade de morte por causa do câncer no fígado, o infectado com hepatite C se não for diagnosticado e receber tratamento e 1.800% superior ao de uma pessoa não infectada, o que significa que um infectado com hepatite C tem dezoito vezes mais possibilidades de desenvolver câncer no fígado que uma pessoa sem hepatite C.

Já a possibilidade de mortes relacionadas à hepatite C crônica ou por culpa da cirrose, o infectado com hepatite C se não for diagnosticado e receber tratamento e 460% superior ao de uma pessoa não infectada, o que significa que um infectado com hepatite C tem quatro vezes mais possibilidades de morte que uma pessoa sem hepatite C.

Os números estatísticos são incontestáveis por qualquer autoridade que alegue ser a hepatite C uma doença de menor importância, de pouca significância na população. Fica então a pergunta: Até quando os governos estarão censurando informações sobre o real tamanho da epidemia e deixando de diagnosticar todos os infectados?

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
EASL 2010 - Abstract: 1050 - Journal of Hepatology, Supplement No 1, Volume 52, 2010, Page S406 - HEPATITIS C VIRUS INFECTION AND MORTALITY FROM LIVER RELATED DISEASE - M.-H. Lee, H.-I. Yang, C.-L. Jen, S.-L. You, C.-J. Chen, R.E.V.E.A.L-HCV Study Group - National Taiwan University, Genomics Research Center, Academia Sinica, Taipei, Taiwan R.O.C

Carlos Varaldo
Grupo Otimismo

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Historia natural da progressão da cirrose causada pela hepatite C - O que acontece após a cirrose?

Atualmente 1 de cada 4 infectados com hepatite C (25% dos infectados), se não diagnosticados e tratados adequadamente, estará chegando a desenvolver cirrose antes da sua morte natural pela velhice, um número que assusta devido aos milhões de infectados que ainda desconhecem que estão doentes. Pior ainda, devido ao envelhecimento dos infectados e a progressão natural da doença e estimado que em 2020 até 40% dos infectados estarão com cirrose.

Por esse motivo e interessante a revisão sistemática de 12 publicações científicas realizada por um grupo de pesquisadores do Reino Unido que foi apresentada no último congresso da EASL.

Partindo do fato que muito já se conhece sobre a evolução natural da hepatite C, estudos esses que na maioria consideram a cirrose como ponto final, mas que existem poucas informações sobre a progressão a partir do ponto onde aparece a cirrose, os pesquisadores selecionaram os estudos para avaliar o que acontece com os pacientes com cirrose compensada (cirrose compensada e aquela que não apresenta sintomas, como ascite, hemorragias ou encefalopatia), que receberam o tratamento da hepatite C e comparando o que acontece com aqueles infectados não tratados.

No total foram incluídos dados de 2.138 pacientes com hepatite C e cirrose.

Nos pacientes com cirrose compensada se encontrou que a possibilidade de morte, ou da necessidade de um transplante de fígado, era de 4,75% ao ano, isto é, 1 de cada 21 cirróticos estaria morrendo ou sendo transplantado a cada ano.

A descompensação da cirrose atinge a 5,61% ao ano dos pacientes com cirrose compensada, assim, 1 de cada 18 pacientes com cirrose compensada chega a descompensar a cada ano.

Já o câncer no fígado aparece com uma probabilidade de 3,76% ao ano nos pacientes com hepatite C e cirrose compensada, isto é, 1 de cada 27 pacientes com cirrose compensada chega a desenvolver câncer no fígado a cada ano.

Em cinco dos doze estudos foi possível estimar as diferenças entre pacientes tratados e não tratados. A possibilidade de desenvolver câncer no fígado entre os tratados era de 2,51% contra 5,20% nos não tratados. A descompensação dos cirróticos compensados era de 5,34% nos que receberam tratamento contra 9,58% nos não tratados. Já a possibilidade de morte, ou da necessidade de um transplante de fígado entre os tratados era de 3,84% contra 4,76% entre os não tratados.

Os pesquisadores concluem que os resultados confirmam que a cirrose compensada possui uma progressão lenta, porém ressaltam a necessidade de manter uma vigilância continua devido à possibilidade do aparecimento do câncer no fígado, inclusive nos pacientes curados da hepatite C.

Já ou meu comentário, ou melhor, dito, a minha conclusão, e que em qualquer uma das possibilidades um infectado com hepatite C que não for diagnosticado precocemente e não receba o tratamento adequado, possui o dobro de possibilidades de descompensar a cirrose, necessitar de um transplante de fígado, ter um câncer ou morrer por culpa da hepatite C.

À medida que se conhece mais profundamente as conseqüências de não diagnosticar os infectados com hepatite C fica mais evidente a imediata necessidade de realizar campanhas de detecção dos infectados. É necessário chamar a população para a realização do teste de detecção quanto antes.

Estamos sentados acima de uma bomba viral que já se encontra com o pavio acesso. Lamentavelmente alguns gestores da saúde pública ainda tentar ignorar, ou esconder, o tamanho do problema.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
EASL 2010 - Abstract: 1038 - Journal of Hepatology, Supplement No 1, Volume 52, 2010, Page S402 - NATURAL HISTORY OF COMPENSATED CIRRHOSIS DUE TO CHRONIC HEPATITIS C INFECTION: A SYSTEMATIC REVIEW - W. Alazawi, M. Cunningham, J. Dearden2, G.R. Foster - Centre for Digestive Diseases, Barts & The London School of Medicine, Digestive Diseases Clinical Academic Unit, Barts & The London School of Medicine London NHS Trust, London, UK

Carlos Varaldo
Grupo Otimismo

19 de Maio - Dia Mundial da Luta contra as Hepatites













No dia 19 de maio, o Grupo Amarantes, o Grupo Génesis e o Grupo Otimismo, uniram-se no Shoping Grande Rio para uma Campanha de Detecção e Informação sobre as Hepatites Virais. Foi um excelente evento onde testamos mais de 1.000 pessoas e teve inclusive a participação voluntária da personagem Sandrinha (atriz global da novela Viver a Vida). Agradecemos ao parceiro Carlos Varaldo (Otimismo), pela organização do evento. Além de contribuirmos para um importante trabalho social, tivemos a oportunidade de rever os amigos do RJ.

























Claudio Costa

Grupo Amarantes




domingo, 16 de maio de 2010

Quando chegar o Telaprevir a maioria dos infectados com o genótipo 1 será tratado em somente 24 semanas

Um estudo apresentado durante o EASL 2010 realizado com 161 pacientes em diferentes centros médicos europeus resulta em uma agradável noticia para os infectados com o genótipo 1 da hepatite C, ao comprovar que 68% dos tratamentos poderão ser realizados em 24 semanas de terapia e uma possibilidade de cura superior aos 80% no total de tratados.

Parece mentira que para uma doença descoberta faz somente 20 anos a ciência tenha uma resposta para seu tratamento, não somente por conseguir curar 10% dos pacientes na década passada, mais por ter conseguido chegar atualmente a curar aproximadamente a metade e, que chegarão a percentuais de cura entre 80 e 90% de cura já em 2011.

O Telaprevir, um inibidor da protease, surpreende a cada dia e a cada nova divulgação dos ensaios clínicos. O estudo "C208" experimentou o Telaprevir em pacientes infectados com o genótipo 1 da hepatite C que nunca tinham recebido qualquer tratamento, sendo utilizado nas primeiras 12 semanas do tratamento junto com o interferon peguilado e a ribavirina, seguindo depois o tratamento só com o interferon peguilado e a ribavirina até completar 24 ou 48 semanas.

Os pacientes incluídos no ensaio podem ser considerados como difíceis de tratar já que 80% apresentavam alta carga viral (acima de 800.000 UI/ml) e 20% apresentam cirrose ou fibroses avançada.

Os pacientes foram divididos em 4 grupos de tratamento e nas primeiras 12 semanas dois dos grupos receberam o Telaprevir em dose de 750 mg três vezes ao dia (a cada 8 horas) e outros dois grupos receberam o Telaprevir em dose de 1.125 mg duas vezes ao dia (a cada 12 horas). Os quatro grupos receberam interferon peguilado, sendo que cada um dos grupos com dose de 8 ou 12 horas do Telaprevir recebeu o interferon peguilado Pegasys ou o PegIntron, para assim poder comparar os resultados. Todos receberam ribavirina conforme o peso do paciente.

Os pacientes na semana 4 do tratamento se encontravam indetectáveis (menos de 25 UI/ml) e assim permaneciam até a semana 20, deixaram o tratamento com 24 semanas de terapia, enquanto que aqueles que não cumpriam com estes critérios permaneceram recebendo interferon peguilado e ribavirina até completar as 48 semanas.

Os resultados são os seguintes:

- Somente 18% dos pacientes requereram tratamento por 48 semanas. A cura neste grupo foi de 79% dos pacientes.

- 68% apresentaram resposta rápida, encontrando-se indetectáveis na semana 4 e assim permanecendo até a semana 20 do tratamento, sendo tratados em 24 semanas. A cura neste grupo foi de 96% dos pacientes

- 14% interromperam o tratamento antes da semana 24, devido à falta de resposta virológica, pelos efeitos adversos em especial erupção cutânea e coceira, ou por outras razões.

Ao comparar o efeito do Telaprevir com os dois interferons peguilados os resultados foram similares entre eles:

- Os pacientes infectados com o genótipo 1 que recebiam Telaprevir a cada 8 horas e tratados com o Pegasys obtiveram um percentual de cura de 85%.

- Os pacientes infectados com o genótipo 1 que recebiam Telaprevir a cada 8 horas e tratados com o PegIntron obtiveram um percentual de cura de 81%.

- Os pacientes infectados com o genótipo 1 que recebiam Telaprevir a cada 12 horas e tratados com o Pegasys obtiveram um percentual de cura de 83%.

- Os pacientes infectados com o genótipo 1 que recebiam Telaprevir a cada 12 horas e tratados com o PegIntron obtiveram um percentual de cura de 82%.

MEU COMENTÁRIO:

É fantástico saber que brevemente 7 de cada 10 infectados com o genótipo 1 poderão ser tratados em 24 semanas. Isto resulta em menos sofrimento para os pacientes como, também, uma redução fantástica no custo do tratamento (ainda não se conhece o preço do Telaprevir, mais certamente será bem menos que 24 semanas de tratamento).

Também é muito importante destacar que os que consigam estar indetectáveis na semana 4 e assim se mantiverem até a semana 20 do tratamento, terão uma possibilidade de cura entre 93 e 100% e que somente um pequeno número de pacientes deverá continuar o tratamento até a semana 48.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
EASL 2010 - Abstract 56 - X Forns, P Marcellin, P Ferenci, and others. On-treatment response-guided therapy with telaprevir q8h or q12h combined with peginterferon alfa-2a or peginterferon alfa-2b and ribavirin in treatment-naive genotype 1 hepatitis C (Study C208).
Liver Unit, University of Barcelona, Barcelona, Spain; Hôpital Beaujon, Clichy, France; Department of Internal Medicine, Medical University of Vienna, Vienna, Austria; Klinikum der Universität zu Köln, Cologne, Germany; Department of Hepatology, University Hospital Gasthuisberg, Leuven, Belgium; Clinic of Infectious and Tropical Diseases, University of Brescia, Brescia, Italy; Radboud University Nijmegen Medical Center, Nijmegen; Netherlands; Hôpital St Antoine, Paris, France; Tibotec BVBA, Mechelen, Belgium; Tibotec Inc, Yardley, PA.

Carlos Varaldo
Grupo Otimismo

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Uma boa notícia!

Acaba de ser aprovado na CAS - COMISSÃO DE ASSUNTOS SOCIAIS do Senado Federal a aprovação do substitutivo rejeitando o Projeto de Lei do Senado 219, de 2007, do Senador Tião Viana e, aprovando, com emendas o Projeto e 338, de 2007, do Senador Flávio Arns que altera a Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, para dispor sobre a oferta de procedimentos terapêuticos e a dispensação de medicamentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Após três anos de luta para conseguir mudar o texto original, finalmente foi aprovado na CAS. Agora o texto está sendo encaminhado a SSCLSF - SUBSEC. COORDENAÇÃO LEGISLATIVA DO SENADO para ciência do Plenário e publicação no Diário do Senado Federal. Após a publicação o texto segue para a Câmara de Deputados, onde deverá ser apreciado e votado.

As mudanças foram significantes. O novo texto regula a concessão de ações judiciais de medicamentos experimentais ou sem registro na ANVISA, com o qual sempre concordamos e, poderá dificultar algumas ações sobre medicamentos, mas é altamente importante porque obriga o ministério da saúde a atualizar de forma permanente as portarias e protocolos de tratamento pelo SUS e, determina que as atualizações sejam efetuadas mediante a instauração de processo administrativo a ser concluído em prazo não superior a cento e oitenta dias contados da data em que foi protocolado do pedido, admitida a sua prorrogação por noventa dias corridos, quando as circunstâncias exigirem.

Esse ponto e muito importante, pois a cada novo procedimento ou medicamento o ministério da saúde deverá se pronunciar, atualizando o protocolo (inclusive com consulta pública) ou dizer por que não aceita o novo medicamento. Por lei, todos os protocolos deverão ser atualizados de forma permanente e não ao bel prazer como acontece atualmente, demorando muitas vezes anos e anos, prejudicando quem depende do tratamento no SUS.

A todos os que nesses três anos se engajaram nesta luta para derrubar o PLS 219 e aprovar o PLS 338, meu muito obrigado, em especial aos senadores Flávio Arns e Tasso Jereissati, os quais foram de fundamental importância nessa tramitação.


Carlos Varaldo
Grupo Otimismo

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Comentários sobre a audiência para “Debater a Judicialização da Saúde e a necessidade de regulamentação da Emenda 29” realizada na Comissão de Assunto

Estive presente nesta terça-feira 11 de maio na audiência realizada na câmara de Deputados, onde basicamente se discutiu sobre a Judicialização da saúde.

De um lado o Ministério da Saúde representado por Reinaldo Guimarães – Secretaria de Ciência, Tecnologia e insumos estratégicos, a Dra. Fabíola Sousa Araújo da Advocacia Geral da União e três deputados que já foram secretários estaduais da saúde no Rio Grande do Sul, Paraíba e Distrito federal, todos reclamando que é um absurdo o comportamento do judiciário ao conceder as ações judiciais.

Alegavam que é absurda a “epidemia de ações” na Justiça o que prejudica o planejamento no ministério e abarrota os tribunais, sendo impossível atender todas as demandas, pois os recursos são limitados. O Deputado Osmar Terra (PMDB-RS) falou que Falou que os Conselhos de Saúde, municipais, estaduais e até o CNS, perderam seu rumo, não possuindo mais contato com a sociedade e se transformaram em grupos corporativos que lutam pela própria defesa.

Colocou seu velho exemplo do preço do interferon peguilado, achando um absurdo que 1 kg custe o equivalente a 1 tonelada de ouro. Pena que não podíamos nos expressar, para explicar que isso era quando ele insistia em comprar pelo RS e pagava R$. 1.500,00 por ampola, mas hoje, com a compra em Brasília o preço é somente de trezentos e poucos reais, demonstrando que o medicamento era caro porque não sabia comprar.

Por outro lado a maioria da mesa defendia o direito dos cidadãos de recorrer a Justiça. Estavam a favor dos pacientes o Dr. Ingo Wolfganag Sarlet – Juiz de Direito – RS, André Ordacgy – Defensor Público da União – RJ, Humberto Medeiros – Procurador Federal – RS, Reno Coelho – Presidente da Sociedade de Reumatologia – RJ e a Deputada Elcione Barbalho – Deputada - PMDB-PA, os quais colocaram que a tal “epidemia de ações” e um factóide sem fundamento criado pelo ministério da saúde para esconder a incompetência da gestão (textualmente conforme foi apresentado na audiência pelos representantes do judiciário) e, foram apresentados diversos exemplos mostrando que sobram recursos, os quais são aplicados no sistema financeiro e no final do ano são devolvidos ao tesouro, assim, não é lógico que o Juiz deixe de aprovar as ações judiciais, pois o sistema não apresenta falta de recursos.

Foi mostrado que em 2008 o governo federal gastou 1 bilhão de Reais em publicidade e somente 50 milhões para atender ações judiciais contra a União.

Carlos Varaldo
Grupo Otimismo

Comentários sobre a audiência para “Debater a Judicialização da Saúde e a necessidade de regulamentação da Emenda 29” realizada na Comissão de Assunto

Estive presente nesta terça-feira 11 de maio na audiência realizada na câmara de Deputados, onde basicamente se discutiu sobre a Judicialização da saúde.

De um lado o Ministério da Saúde representado por Reinaldo Guimarães – Secretaria de Ciência, Tecnologia e insumos estratégicos, a Dra. Fabíola Sousa Araújo da Advocacia Geral da União e três deputados que já foram secretários estaduais da saúde no Rio Grande do Sul, Paraíba e Distrito federal, todos reclamando que é um absurdo o comportamento do judiciário ao conceder as ações judiciais.

Alegavam que é absurda a “epidemia de ações” na Justiça o que prejudica o planejamento no ministério e abarrota os tribunais, sendo impossível atender todas as demandas, pois os recursos são limitados. O Deputado Osmar Terra (PMDB-RS) falou que Falou que os Conselhos de Saúde, municipais, estaduais e até o CNS, perderam seu rumo, não possuindo mais contato com a sociedade e se transformaram em grupos corporativos que lutam pela própria defesa.

Colocou seu velho exemplo do preço do interferon peguilado, achando um absurdo que 1 kg custe o equivalente a 1 tonelada de ouro. Pena que não podíamos nos expressar, para explicar que isso era quando ele insistia em comprar pelo RS e pagava R$. 1.500,00 por ampola, mas hoje, com a compra em Brasília o preço é somente de trezentos e poucos reais, demonstrando que o medicamento era caro porque não sabia comprar.

Por outro lado a maioria da mesa defendia o direito dos cidadãos de recorrer a Justiça. Estavam a favor dos pacientes o Dr. Ingo Wolfganag Sarlet – Juiz de Direito – RS, André Ordacgy – Defensor Público da União – RJ, Humberto Medeiros – Procurador Federal – RS, Reno Coelho – Presidente da Sociedade de Reumatologia – RJ e a Deputada Elcione Barbalho – Deputada - PMDB-PA, os quais colocaram que a tal “epidemia de ações” e um factóide sem fundamento criado pelo ministério da saúde para esconder a incompetência da gestão (textualmente conforme foi apresentado na audiência pelos representantes do judiciário) e, foram apresentados diversos exemplos mostrando que sobram recursos, os quais são aplicados no sistema financeiro e no final do ano são devolvidos ao tesouro, assim, não é lógico que o Juiz deixe de aprovar as ações judiciais, pois o sistema não apresenta falta de recursos.

Foi mostrado que em 2008 o governo federal gastou 1 bilhão de Reais em publicidade e somente 50 milhões para atender ações judiciais contra a União.

Carlos Varaldo
Grupo Otimismo

terça-feira, 11 de maio de 2010

Família não consegue doar órgãos de jovem morta

Rio - A morte da jovem Tainá dos Santos, 19 anos, em Cabo Frio, no sábado, trouxe à tona mais um problema do Programa Estadual de Transplantes. Os pais da menina, ao serem informados de que ela teria tido morte cerebral, tentaram doar os órgãos da filha. Segundo eles, falta de exames para atestar o óbito impediram a doação.

O corpo de Tainá está no Hospital Central de Emergência de Cabo Frio. Para que os órgãos sejam doados, é necessário que ela passe por arteriografia cerebral ou por eletroencefalograma. Nem o hospital de Cabo Frio nem outros hospitais públicos da região têm os aparelhos. “A Central de Transplantes não tem especialista para atestar morte cerebral e joga a responsabilidade para o hospital”, observa o presidente da ONG Dohe Fígado, Carlos Cabral.

A Secretaria Estadual de Saúde informa que a paciente sofreu politraumatismo e traumatismo craniano, afetando os órgãos da paciente de forma que eles não poderiam ser transplantados. E que a equipe da Central de Transplantes tentou falar com a família, mas não conseguiu.

O Dia On Line

domingo, 9 de maio de 2010

RECOMENDAÇÕES DO INSTITUTO DA ACADEMIA DE MEDICINA PARA PREVENÇÃO E CONTROLE DAS HEPATITES B E C

Acaba de ser publicado no "Hepatology" um estudo realizado pelo Instituto da Academia de Medicina dos Estados Unidos (Institute of Medicine of the National Academies) com recomendações para a prevenção e controle das hepatites B e C. Ao final do texto disponibilizamos a integra da publicação (em Inglês) para quem está interessado no assunto.

O texto, com pequenas adequações pode ser adaptado a realidade de cada país. No caso de adaptação para o Brasil fica ainda mais fácil, pois o número de infectados cronicamente com as hepatites B e C e praticamente o mesmo que nos Estados Unidos (entre cinco e seis milhões de indivíduos) o que demandaria políticas e esforços muito parecidos, mas sem ignorar na adequação as diferenças que existem entre os sistemas públicos e privados de saúde dos dois países nem o patamar de pacientes já diagnosticados e atendidos.

Por exemplo, os planos de saúde dos Estados Unidos são obrigados a oferecer os tratamentos das hepatites B e C, já no Brasil não fornecem medicamentos de uso oral. No caso da hepatite C nos Estados Unidos já foram tratados mais de 700.000 infectados, contra menos de 70.000 no Brasil. No Brasil as ações deveriam ser maiores para tentar recuperar o tempo perdido.

O Instituto da Academia de Medicina dos Estados Unidos estima que a cada ano morrem 15.000 pessoas por culpa do câncer ou doenças do fígado nos Estados Unidos relacionadas com as hepatites, duas doenças que poderiam ser evitadas mediante prevenção, diagnostico precoce e tratamento.

Nos Estados Unidos é estimado que as mortes nos próximos 10 anos sejam de 150.000 pessoas. A prevalência da hepatite B atinge entre 800.000 e 1.4 milhões de pessoas e a hepatite C entre 3,7 e 3,9 milhões, números praticamente iguais ao do Brasil.

Nos estados unidos é estimado que 70% dos infectados ainda não foram diagnosticados, já no Brasil o número de não diagnosticados chega aos 90%, o que representa um dado alarmante, pois esses indivíduos estão agravando o seu quadro de saúde.

Nos Estados Unidos os infectados com as hepatites B e C atingem uma população 5 vezes maior que a de infectados com HIV/AIDS, mas o CDC (Centers for Disease Control and Prevention) destina 69% de seu orçamento para o HIV/AIDS e somente 2% para as hepatites B e C. No Brasil para cada um dos 600.000 infectados com HIV/AIDS existem recursos da ordem de R$. 3.600,00 no orçamento de 2010, incluindo campanhas, tratamento, atenção, etc., já para os aproximadamente 5,5 milhões de infectados pelas hepatites B e C o recurso orçamentário não chega a R$. 70,00 ao se realizar a mesma comparação por pessoas infectadas. A insuficiência de recursos para os programas de hepatites estão dando lugar a transmissão continua das hepatites B e C e a altas taxas de morbilidade e mortalidade.

Os sistemas de vigilância epidemiológica, tanto nos Estados Unidos como no Brasil se encontram pouco desenvolvidos e totalmente fragmentados nos estados e municípios, não existindo uma efetiva vigilância dos casos diagnosticados. No Brasil, aproximadamente três de cada quatro diagnosticados não são notificados no ministério da saúde, não existindo a abertura da notificação por meio eletrônico no site do ministério da saúde, o que seria o método mais lógico e fácil.

São quatro as recomendações do estudo para resolver a situação:

1 - Melhoria da vigilância epidemiológica nas hepatites B e C;

2 - Maior conhecimento e sensibilização da assistência sanitária e serviços sociais (postos de saúde, médicos de família, etc.), especialmente quando do atendimento de pessoas que possam estar incluídas nos grupos de maior prevalência;

3 - Melhoria na cobertura vacinal na hepatite B;

4 - Melhoria no acesso ao diagnostico, tratamentos e medicamentos.

Carlos Varaldo
Grupo Otimismo

sábado, 8 de maio de 2010

SALÕES DE BELEZA DE SÃO PAULO ADOTAM KIT INDIVIDUAL PARA EVITAR HEPATITE

Os salões de beleza de São Paulo adotaram kits de manicure e pedicure individuais para evitar a contaminação de hepatite. Alicates de unha personalizados e lixas e palitos descartáveis ajudam a tornar o processo mais higiênico. O uso da bacia de água também foi abandonado por alguns estabelecimentos, de modo a evitar a proliferação de fungos e micoses. O risco de contaminação de hepatite fez com que todos os salões de beleza fossem obrigados pela vigilância sanitária a esterilizar as ferramentas utilizadas no corte de unha e cutícula com autoclave.
Os estabelecimentos também devem adquirir licença de funcionamento no órgão municipal. Segundo a médica Maria Lúcia Ferraz, professora de gastroenterologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a melhor conduta ao fazer as unhas é ter seu próprio equipamento. "A falta de cuidado no manejo dos alicates apresentava um risco de transmissão de hepatite B e hepatite C. Não se deve ter compartilhamento de objetos que têm contato com sangue".
A adoção das medidas segue as recomendações da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. No início do ano, uma pesquisa do Instituto Estadual de Infectologia Emílio Ribas revelou que 10% das manicures paulistas estavam contaminadas pelo vírus da hepatite B ou C e que 100% delas não esterilizavam os alicates corretamente. A vigilância sanitária municipal, entretanto, não tem qualquer recomendação quanto ao uso da bacia para fazer as unhas. As manicures podem tomar a vacina contra a hepatite gratuitamente desde 2004 no Brasil.
Fonte:

Marilia Gaboardi

Telaprevir em pacientes não respondedores - Surpreendente: 59% conseguem a cura!

A apresentação oral n° 4 relatava os resultados finais de retratamento de pacientes infectados com o genótipo 1 da hepatite C que não tiveram sucesso num tratamento anterior com interferon peguilado e ribavirina.

Todas as tentativas de retratar esses pacientes utilizando novamente o interferon peguilado e a ribavirina apresentaram resultado muito aquém do desejado, sendo pequenas a possibilidades de sucesso. O número de pacientes infectados com o genótipo 1 que não responderam ao tratamento corresponde aproximadamente à metade dos tratados, um número enorme que necessita atenção prioritária.

O Telaprevir apresentou os resultados surpreendentes conseguidos no retratamento desses pacientes, assombrando os participantes do EASL 2010 que aconteceu semana passada em Viena, na Áustria.

É necessário separar em grupos os pacientes que não obtiveram sucesso no tratamento anterior, pois em cada caso as possibilidades com um retratamento serão muito diferentes. Assim, neste estudo os resultados são diferentes para os que no primeiro tratamento foram nulos de resposta (grupo formado pelos que nunca conseguiram se encontrar negativos), pelos respondedores parciais (grupo que na semana 24 somente baixou 2 log), pelos não respondedores (grupo que consegue negativar, mas durante o tratamento voltam a estar positivos) e pelos recidivantes (grupo que completa o tratamento estando negativo, mas o vírus reaparece nos seis meses seguintes ao final do tratamento).

O desenho original do estudo consistia em retratar os pacientes durante as primeiras 12 semanas com Telaprevir, interferon peguilado e ribavirina e depois desse prazo continuar somente com interferon peguilado e ribavirina até completar 24 semanas de tratamento. Os pesquisadores decidiram após o inicio do estudo, dependendo da resposta de cada paciente, estender o tratamento até completar 48 semanas, objetivando garantir a resposta sustentada dos pacientes lentos em responder.

No total foram retratados 117 pacientes, sendo 51 nulos de resposta no primeiro tratamento, 29 pacientes que apresentaram somente uma resposta parcial, 8 pacientes não respondedores e 29 pacientes recidivantes.

A resposta sustentada geral do grupo foi conseguida por 59% dos pacientes que iniciaram o retratamento.

A resposta de cada grupo varia em função do regime terapêutico empregado, mas podemos a resumir da seguinte forma:

1 - PACIENTES NULOS DE RESPOSTA NO TRATAMENTO ANTERIOR

- Os que receberam tratamento de Telaprevir/interferon peguilado e ribavirina por 12 semanas e mais 12 semanas de interferon peguilado e ribavirina, conseguiram 17% de possibilidade de cura.

- Os que receberam tratamento de Telaprevir/interferon peguilado e ribavirina por 12 semanas e mais 36 semanas de interferon peguilado e ribavirina, conseguiram 56% de possibilidade de cura.

2 - PACIENTES COM RESPOSTA PARCIAL NO TRATAMENTO ANTERIOR

- Todos receberam tratamento de Telaprevir/interferon peguilado e ribavirina por 12 semanas e mais 12 semanas de interferon peguilado e ribavirina, conseguindo 60% de possibilidade de cura.

3 - PACIENTES NÃO RESPONDEDORES NO TRATAMENTO ANTERIOR

- Todos receberam tratamento de Telaprevir/interferon peguilado e ribavirina por 12 semanas e mais 12 semanas de interferon peguilado e ribavirina, conseguindo 86% de possibilidade de cura.

4 - PACIENTES RECIDIVANTES APÓS O TRATAMENTO ANTERIOR

- Todos receberam tratamento de Telaprevir/interferon peguilado e ribavirina por 12 semanas e mais 12 semanas de interferon peguilado e ribavirina, conseguindo 96% de possibilidade de cura.

Os efeitos colaterais mais freqüentes do tratamento foram a sensação de gripe, fadiga, náuseas, diarréia, prurido, etc., um pouco maiores que no tratamento atual, mas nada que possa ser um fator considerado adverso. Com o tempo esses efeitos serão conhecidos e poderão ser evitados, tal qual aconteceu com os primórdios do tratamento da AIDS.

MEUS COMENTÁRIOS

Após a apresentação, jantando junto a um grupo de médicos comemoramos os resultados, pois estamos frente a uma revolução nos resultados que podem ser conseguidos com a introdução do Telaprevir, do qual muito provavelmente as autoridades do FDA dos Estados Unidos e da Comissão Européia de Medicamentos o deverão autorizar, se não for ao final deste ano no inicio de 2011. Em outros países vai depender da vontade política e da agilidade das agencias reguladoras em atualizar os protocolos e consensos, e neste ponto a sociedade civil será fundamental para exercer a devida pressão, seja recorrendo a Justiça e até realizando manifestações publicas, mas é necessário que os medicamentos estejam disponíveis rapidamente para assim evitar a morte de muitos pacientes.

Vejo com grande alegria que dependendo do resultado do tratamento anterior, entre 56% e 96% (sim estou escrevendo corretamente!) conseguirão a cura definitiva da hepatite C e, mais importante ainda, a maioria com somente 24 semanas de tratamento.

Este e o primeiro de uma serie de matérias que estarei enviando nos próximos dias. Não somente o material e em grande quantidade, como os transtornos causados pela impossibilidade de regressar da Europa por culpa do vulcão, atrapalharam totalmente a minha vida, acumulando o trabalho. Temos muitas boas notícias para comentar!

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Oral Presentation - OPENING & GENERAL SESSION 1- Abstract: 4 - Journal of Hepatology, Supplement No 1, Volume 52, 2010, Page S2 - SVR WITH TELAPREVIR, PEGINTERFERON ALFA-2A AND RIBAVIRIN IN HCV PATIENTS WITH WELL-CHARACTERIZED PRIOR NULL RESPONSE, PARTIAL RESPONSE, VIRAL BREAKTHROUGH OR RELAPSE AFTER PR - T. Berg1, J.G. McHutchison, N. Adda, F. Poordad, M.L. Shiffman, P. Ferenci, J. Heathcote, J.-M. Pawlotsky, S. Zeuzem, H. Reesink, G. Dusheiko, E. Martin, D. Alexanderian, S. George, A.J. Muir.

Carlos Varaldo
Grupo Otimismo

sexta-feira, 23 de abril de 2010

O Silêncio dos Inocentes II

“Um enorme país com estados maiores que vários paises Europeus, péssima distribuição de renda e má vontade das 3 esferas do governo em desenvolver campanhas públicas de detecção.” Esta é a realidade enfrentada pelos quase 200 milhões de brasileiros. Poucas Secretarias Estaduais de Saúde (SP é uma das que se destacam) se sobressaem no enfrentamento desta pandemia 100 vezes maior que AIDS.
Se Dr Ricardo Gadelha (Coordenador do DST-AIDS/PNHV), admite haver mais de 3,5 milhões de contaminados só com Hepatite C, juntando com cerca de 2 milhões com Hepatite B, incluindo também as endêmicas Hepatites D e E , teremos mais de 7 milhões de contaminados. Este número bate certo com os dados já levantados há muito tempo por Carlos Varaldo, Presidente do Grupo Otimismo.
Se a bomba viral já explodiu por que não investir em detecção e tratamento? Com campanhas de prevenção deixaremos os já contaminados entregues a própria sorte. O genocídio em massa, conforme artigo publicado no JB (Carlos Varaldo) em 2002 “Hepatite C, assassino silencioso?”. A população esta aguardando uma resposta dos governos, uma resposta que seja pautada pelo compromisso com a verdade e por políticas sérias de saúde pública. Ai quem sabe, palavras como humanização e equidade passem a fazer parte de fato e de direito, das normas do SUS.

Claudio Costa
Grupo Amarantes

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Transplantes: Rio no fim da fila

Em um mês, 3 fígados captados no estado seguiram para Minas Gerais e São Paulo, porque médicos não são pagos

Rio - Trezentas e cinquenta e nove pessoas esperam por um transplante de fígado no Rio mas, apesar disso, órgãos captados no estado estão sendo enviados a outras unidades da federação. No último mês, três seguiram para pacientes em Minas Gerais e São Paulo.
“Os pacientes estão preocupados porque está tudo parado. O Hospital Geral de Bonsucesso só faz transplantes duas vezes por semana. E o Fundão está praticamente parado. Os pacientes que estão na fila estão sem perspectivas”, afirma Carlos Roberto Cabral, presidente da Dohe Fígado, associação que reúne pessoas que esperam por um transplante.

Conforme O DIA noticiou este mês, médicos do HGB pararam de fazer transplantes fora do horário de expediente porque não estão recebendo do Ministério da Saúde a complementação pelas horas extras necessárias nos transplantes. Dia 23 de março, liminar da Justiça Federal determinou que o ministério pague a complementação — prevista em lei desde fevereiro — até 23 de maio. O ministério, no entanto, recorreu da decisão. E o impasse permanece.

O problema poderá ser resolvido nos próximos dias. O governo do estado anunciará, na próxima segunda-feira, uma série de mudanças no sistema de transplantes. Uma das novidades é que a Secretaria Estadual de Saúde e Defesa Civil dobrará o pagamento das equipes do HGB e do Hospital do Fundão, que atuam na captação e na realização dos transplante, e vai pagar a suplementação aos profissionais.

Cirurgias na rede privada

Pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) poderão ser transplantados em mais duas unidades particulares. O governo do estado fechou acordo para que cirurgias ocorram no Hospital Quinta D’Or e no Hospital das Clínicas de Niterói.
Já para melhorar a captação, 16 enfermeiros que trabalhavam na Central Estadual de Transplantes foram deslocados para atuar na captação de doadores no Hospital Getúlio Vargas (Penha), Alberto Torres (São Gonçalo), Azevedo Lima (Niterói) e Adão Pereira Nunes (Saracuruna). “O objetivo é aumentar as captações. Com isso, a gente vai conseguir verificar os problemas nas equipes transplantadoras”, disse o coordenador da central, Eduardo Rocha.

domingo, 18 de abril de 2010

HEAT - O gigante do Colubande




Na sexta feira (16/04) estive no HEAT (Hospital Geral do Colubande); fui procurar a direção do Hospital para ver como ele estava funcionando. E fiquei muito contente por saber que o HEAT esta funcionando muito bem! O Hospital absorveu até a população de Niterói vitima da catástrofe. Não que não fosse sua obrigação, afinal é bom lembrar que o Hospital é gestão estadual, só que antes dele tem o Hospital Azevedo Lima, que hoje infelizmente esta superlotado devido a inércia do Alcaide de Niterói, JR. Aparelhos de última geração, 35 UTIs inclusive com televisão (fotos), ar refrigerado, equipe atenciosa, enfim tratamento de hospital de primeiro mundo. Parabéns ao Dr Charbel e toda sua competente equipe.

Claudio Costa
Grupo Amarantes

domingo, 11 de abril de 2010

Historia natural da progressão da cirrose

Esclarecendo ser totalmente impossível se estabelecer uma formula matemática que possa prever como será a progressão de um caso de cirrose já que cada organismo e diferente, assim, como as condições e doenças que possam estar influenciando no problema, neste artigo somente tentarei explicar as fases pelas quais passa um fígado que já se encontre com cirrose.

Se você é uma pessoa que ao ler um artigo fica apavorado, pensando que com você as coisas ruins sempre acontecem e que vai ter todos os problemas relatados, então e melhor fechar este artigo e não ler ele totalmente. Pode parecer um artigo assustador, mas não é essa a minha intenção. O objetivo e o de conscientizar o paciente com cirrose dos cuidados que deve observar no seu quadro clínico e, ao conhecer as implicações da cirrose poderá melhor discutir com os médicos sobre os procedimentos que estão sendo realizados. Não podemos esquecer que paciente bem informado e conhecedor de sua condição sempre consegue melhor resposta terapêutica e melhor atenção por parte dos profissionais da saúde.

A história natural se divide em duas fases principais. Temos a fase chamada "compensada" a qual por ser a fase inicial da cirrose e geralmente assintomática e, a seguir, aparece a fase chamada "descompensada", fase está onde aparecem as complicações decorrentes de um fígado cirrótico.

A cirrose compensada, quando a pressão na veia portal se encontra em níveis normais a expectativa de vida e muito boa, em media de 12 anos. Já com o aparecimento das complicações, tais como o aparecimento de varizes no esôfago, acumulo de fluidos no estomago (ascites), peritonites bactérial espontânea, encefalopatia, etc., a expectativa de vida pode ficar em poucos anos, entre 2 e 4 anos.

Na primeira etapa de um quadro cirrótico, com ausência de varizes no esôfago ou de ascites a probabilidade de morte um ano após o diagnostico e mínima, inferior a 1%. Segundo o consenso da Associação Européia para Estudo do Fígado, resultando nas recomendações "BAVENO IV", 7% desses pacientes desenvolvem varizes no esôfago e 4,4% ascites (com ou sem varizes) passando a segunda etapa da progressão da cirrose.

Numa segunda etapa, quando aparecem varizes no esôfago, mas não aparece à ascite nem sangramento das varizes, a mortalidade chega aos 3,4% dos pacientes no primeiro ano após o diagnostico, sendo que 6,6% poderão ter hemorragias no esôfago e 4% desenvolver ascites, passando a etapa 3 da cirrose.

Na etapa 3 se enquadram os pacientes com ascites repetitivas que apresentam, ou não, varizes no esôfago sem sangramentos. Nestes a mortalidade chega aos 20% no primeiro ano. Em 7,6% destes pacientes aparecem hemorragias por rompimento das varizes existentes no esôfago.

Na etapa 4 se enquadram os pacientes cirróticos que apresentam hemorragia gastrointestinal com ou sem a presença de ascites. A mortalidade em um ano após o aparecimento dos eventos chega aos 57% dos pacientes.

Continuando com o descrito no consenso "BAVENO IV" as etapas 1 e 2 correspondem a pacientes com cirrose compensada e as etapas 3 e 4 a pacientes descompensados no quadro cirrótico.

COMENTÁRIO FINAL:

Tal qual coloquei ao inicio a minha intenção não é assustar e sim colocar de forma nua e crua o que pode acontecer. Espero que isso contribua a conscientizar o paciente cirrótico a que ele deve colaborar com os médicos no sentido de evitar acelerar a progressão da doença. Vemos que nas três primeiras etapas a probabilidade de morte no primeiro ano e bem menor que a probabilidade de sobrevida, assim, cada paciente deve escolher em qual dos dois grupos quer se colocar. Se quer participar daquele no qual e levado ao cemitério pelos amigos ou, daquele que vai a se despedir de um amigo no enterro.

O titulo do artigo e referente a "Historia natural", mas existem fatores de risco para evitar uma progressão mais acelerada da cirrose na qual o paciente tem muita ou total responsabilidade. O peso acima do ideal e prejudicial (podendo ser controlado pelo paciente), a alimentação equilibrada, a proibição total de bebidas alcoólicas, a estrutura muscular (a qual pode ser melhorada com a prática de exercícios aeróbicos diariamente), o pensamento positivo e o seguimento estrito das recomendações médicas são fundamentais para evitar acelerar a progressão da cirrose.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:

"BAVENO IV" (Evolving Consensus in Portal Hypertension Report of the Baveno IV Consensus Workshop on methodology of diagnosis and therapy in portal hypertension - Roberto de Franchis - Journal of Hepatology 43 (2005) 167-176)

Carlos Varaldo

Grupo Otimismo

domingo, 4 de abril de 2010

Jornal O DIA - RJ


Sem transplante, sem remédioAlém de enfrentarem a paralisação de médicos do Hospital de Bonsucesso, que não estão recebendo pagamento, pacientes que precisam de doação de fígado só conseguem medicamento do SUS se entrarem na Justiça
Rio - Não é só a paralisação da equipe de transplantes de fígado do Hospital Geral de Bonsucesso (HGB) que põe em risco a vida de quem está na fila por um órgão. A falta de medicamentos na grade de distribuição gratuita do Sistema Único de Saúde (SUS) também é uma dificuldade para os que estão em tratamento. Quem necessita dos medicamentos para sobreviver deve entrar na Justiça para obtê-los. Mesmo assim, não é garantido que vá realmente receber o produto.

É o caso de Raphael do Amaral, 16, que, desde setembro de 2009, não recebe os remédios para seu tratamento. A mãe do rapaz, Maria da Penha, que é deficiente visual, conta que entrou na Justiça em fevereiro de 2008, pouco depois de receber a notícia de que o filho sofria de colangite esclerosante e teria que aguardar por um transplante de fígado.

Na sentença, foi definido que governos do estado e do município deveriam fornecer os remédios para o tratamento: Ursacol 300mg, Propanolol 10mg, Sulfato Ferroso 109mg, Omeoprazol 20mg e ácido fólico 5mg. Juntos, eles custam cerca de R$ 460 por mês.

“Pior é quando falta o Ursacol, que custa R$ 130 a caixa. Raphael precisa de três por mês. Já gastei R$ 2.730. Não tenho esse dinheiro, peço emprestado. A última vez que fui na central, dia 25, disseram para aguardar um telefonema, e, até hoje, nada”, lamentou.

O desespero de Raphael e de mais 358 pacientes que aguardam por transplante de fígado não para por aí.


Como O DIA noticiou dia 26/03, transplantes de fígado do HGB estão parados: médicos deixaram de fazer as cirurgias fora do horário de expediente por não receberem o Adicional por Plantão Hospitalar (APH) do Ministério da Saúde, previsto por lei em vigor desde fevereiro de 2009. Para a lei funcionar, falta um decreto ser assinado e regulamentado. Até lá, transplantes só serão realizados no horário do expediente.

O Ministério da Saúde informou que o decreto que regulamenta o APH passa por análise do Ministério do Planejamento e será encaminhado à Casa Civil essa semana. Mas o assessor de imprensa do Planejamento, Orestino Amurim, informou ontem, por telefone, que não há prazo para o decreto ser encaminhado à Casa Civil. Ele recusou-se a explicar o assunto a O DIA por nota e disse ser ‘comum’ a demora para assinatura de decretos.

A Secretaria estadual de Saúde informou que os medicamentos estão à disposição do paciente na Central de Mandados. Já a municipal afirmou que a entrega está agendada para quarta-feira.

Sindicância para apurar perda de R$ 15,6 milhões

O estado abriu sindicância ontem para apurar o desperdício de R$ 15,6 milhões em medicamentos, insumos e materiais médico-hospitalares. Conforme O DIA mostrou com exclusividade em 1º de março, o Departamento Nacional de Auditoria do SUS (Denasus) constatou que os produtos perderam a validade entre julho e novembro do ano passado na Central Geral de Abastecimento (CGA), em Niterói.

A sindicância deve ser concluída em 30 dias, mas pode ser prorrogada por mais 30 dias, segundo publicação do Diário Oficial que cita as matérias de O DIA.

O desperdício noticiado deixou doentes e parlamentares indignados. O Ministério Público Federal decidiu dar prosseguimento à ação civil pública contra a Secretaria Estadual de Saúde e Defesa Civil para que o órgão normalize o fornecimento dos remédios. Há dois anos, a ação havia sido suspensa porque o estado assinara Termo de Ajustamento de Conduta se comprometendo a regularizar o fornecimento e inaugurar farmácia com condições de armazenar remédios. O termo, no entanto, não foi cumprido.



Jornal O Dia - Pâmela Oliveira e Clarissa Mello

Roberto Pereira

Centro de Educação Sexual - CEDUS

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