sábado, 8 de janeiro de 2011

Risco de contrair HIV em transfusão no Brasil é 20 vezes maior que nos EUA

http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,risco-de-contrair-hiv-em-transfusao-no-brasil-e-20-vezes-maior-que-nos-eua,663416,0.htm

Novo código de processo civil e o acesso à saúde

Apesar de a Constituição Federal garantir o acesso universal à saúde, no direito processual repousa a esperança do cumprimento efetivo do preceito constitucional. Isso porque hoje, no Brasil, ocorre o fenômeno da judicialização da saúde, ou seja, o cidadão consegue amparo e dignidade mediante a propositura de ações judiciais.
No Estado de São Paulo, os números assustam. Em recente matéria publicada no jornal O Estado de São Paulo, o então governador José Serra disse que "há uma indústria de ações judiciais" e chamou a operação de "ponta de um barbante de um nó que precisa ser desatado". Em 2009 a secretaria afirma ter investido R$ 1,3 bilhão em remédios, cerca de R$ 400 milhões para cumprir medidas judiciais.
Enquanto as ações judiciais estavam garantindo o cumprimento do texto constitucional, a situação estava sob controle. Pelo menos os que procuravam a Justiça tinham a dignidade garantida. Todavia, estamos experimentando um período dramático, pois nem as decisões judiciais estão merecendo respeito dos governantes. Coincidentemente, a escassez de medicamentos e vagas em hospitais conveniados ao Sistema Único de Saúde (SUS) se agravou nesta época de campanha eleitoral.
Advogar para doentes e enfrentar situações como essa gera uma condição de impotência arrebatadora. Presenciar e acompanhar o agravamento da saúde dessas pessoas causa revolta e indignação.
O novo Código de Processo Civil (CPC) traz esperança aos doentes e aos advogados da saúde. Um dos preceitos no código são celeridade e segurança jurídica. O projeto pretende introduzir, no sistema processual, mecanismos com vistas a garantir celeridade e segurança na prestação jurisdicional, atribuindo efetividade às decisões, ou seja, pretende garantir que a ordem do juiz realmente surtirá efeito.
Mudanças importantes foram propostas para que as decisões sejam cumpridas com agilidade. Também há previsão de corte significativo dos recursos, serão excluídos do novo código, por exemplo, os Embargos Infringentes e o Agravo Retido. No entanto, deve-se prestar atenção à necessária busca por uma Justiça mais rápida e eficiente, que não poderá violar o exercício das garantias e dos princípios constitucionais, como a ampla defesa e o contraditório, igualmente importantes para os operadores do direito e para os jurisdicionados.
Conforme a proposta, a unificação dos prazos processuais - seja para interposição de recursos, seja para defesas - passará para 15 dias. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) sugeriu a estipulação de prazos para os juízes, cujo cumprimento seria requisito para futura promoção destes, o que privilegiaria os magistrados comprometidos com a adequada prestação jurisdicional.
Esses são apenas alguns pontos importantes trazidos pelo anteprojeto do Código de Processo Civil. Já é possível concluir que a discussão em torno de um novo CPC é, de fato, um marco importante para o judiciário brasileiro, porquanto a morosidade judicial constitui um dos principais motivos para a sensação de impunidade sentida por toda a população. O novo código vem com a promessa de otimizar a realização da justiça. Dessa maneira, esperamos que promova a justiça atemporal e apolítica, garantindo o efetivo acesso à saúde e o cumprimento ao princípio da dignidade da pessoa humana.

* Renata Vilhena Silva é sócia-fundadora do Vilhena Silva Advogados, especializado em Direito à Saúde, e autora da publicação "Planos de Saúde: Questões atuais no Tribunal de Justiça de São Paulo".

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Vários lotes de vacinas contra hepatite B devem ir para o lixo

Vários lotes de vacinas DST-hepatite B devem ir para o lixo porque o prazo de validade acaba em fevereiro. Não foram aplicadas e estão se perdendo nos postos de saúde de Fortaleza, por falta de campanhas de divulgação.
A denúncia é feita por Agrimeire Leite, presidente do Grupo ABC Vida, de apoio ao portador de hapatite. Em entrevista nesta manhã de quinta-feira ao programa Grande Jornal, da rádio O POVO/CBN, Agrimeire lamentou a situação, observando que, mesmo que haja campanhas agora, dificilmente os lotes serão aproveitados.
A vacinação é gratuita e na rede particular uma dose custa R$ 35,00.
No Ceará, 78% da população de 11 a 19 anos de idade não tomou a vacina. É o pior perfil do Brasil.
A DST/Hepatite B é a única DST que tem vacina gratuita. Uma vacina que previne o câncer de fígado causado pelo vírus B. 2ª causa de indicação ao transplante de fígado. Não tem cura. É 100 x mais fácil pegar que o HIV/Aids. Existem 2 milhões de brasileiros contaminados e a maioria não sabe. É uma doença silenciosa, sem sintomas por até 20 anos. É necessário tomar três doses para ficar imunizado. Vacina eficaz e sem contra indicação.

Categoria(s): Ceará, Cidades, Saúde por Eliomar de Lima

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Médicos particulares já podem tratar as hepatites B e C

O Senhor Secretário da Saúde e Defesa Civil do Estado do Rio de Janeiro, Dr. Sergio Cortes, atendendo reivindicação dos pacientes na reunião realizada no dia 29 de novembro no Palácio Guanabara com a presença de todas as gerencias da SES, autorizou que médicos particulares do Estado do Rio de Janeiro possam prescrever os medicamentos necessários ao tratamento das hepatites B e C, inclusive os médicos particulares que ainda não possuem cadastro no CNES.
Para tal devem preencher corretamente a LME, anexar todos os exames e documentos solicitados seguindo rigorosamente o estipulado pelos Protocolos do SUS para tratamento das hepatites.
O paciente deve levar toda a documentação e dar entrada no protocolo da farmácia do estado, situada na Praça Onze junto à estação do Metrô.
A resolução, de número “CI SESDEC/OP/SAS nº 032/2010” assinada pela Dra. Hellen Harumi Miyamoto, responsável pela Subsecretária de Assistência em Saúde foi assinada no dia 21 de dezembro sendo endereçada a Superintendente de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos, Dra. Carolina Lazzarotto Silva, responsável pela farmácia do estado.
Representando a sociedade civil que lutam pelas hepatites estiveram presentes na reunião como Dr. Sergio Cortes o Grupo Otimismo, o Grupo Genesis de Niterói e o Grupo Hepatocerto de Petrópolis.
Em nome de todos os infectados com as hepatites do estado do Rio de Janeiro, agradecemos a todos os funcionários da Secretaria Estadual da Saúde por este excelente presente de Natal e desejamos um excelente ano de 2011.


Carlos Varaldo

hepato@hepato.com
www.hepato.com

sábado, 11 de dezembro de 2010

Portador de cirrose será indenizado por demissão após retorno de licença médica

Apesar de a doença estar controlada, o trabalhador foi vítima de discriminação e ato abusivo, praticado pela Empresa Brasileira de Telecomunicações S.A. (Embratel), porque, ao dispensá-lo, a empregadora estava ciente da doença grave de que ele era portador, violando, assim, o direito constitucional à saúde.

Recursos da empresa contra a sentença que a condenou ao pagamento de indenização por danos morais foram negados pela instância regional e agora pela Sexta Turma do Tribunal Superior do Trabalho.

A história desse trabalhador tem início em 2001, quando, após diversos exames médicos, descobriu que tinha contraído hepatite C. Admitido pela Embratel em 18/06/1984, ele foi afastado de suas atividades em 15/12/2001, quando foi deferido, pelo INSS, o benefício do auxílio-doença, suspenso em 19/06/2002. Apesar do tratamento, a taxa viral cresceu muito e novo auxílio-doença lhe foi concedido, de 02/11/2004 a 07/04/2005, sendo submetido a novo tratamento.

Nessa época, a taxa viral foi reduzida a zero. Em consulta no INSS, o médico concluiu que, na fase em que se encontrava a doença, o trabalhador estava apto a retornar às suas atividades, o que ocorreu em 08/04/2005. Vinte e cinco dias depois, veio a demissão sem justa causa. No termo de rescisão ele ressalvou ser portador de cirrose crônica, como sequela de hepatite C.

Para o trabalhador, a dispensa foi causa de humilhação, desequilíbrio emocional e psíquico. Na ação em que pediu a reintegração e indenização por danos morais, foram anexados receituários e declarações médicas que demonstram que, após a dispensa, ele apresentou problemas psicológicos.

No entanto, segundo a Embratel, a empresa não intencionava atingir a honra, a dignidade ou a imagem do autor. Apenas o dispensou porque entendeu que poderia fazê-lo, pois não havia qualquer garantia de emprego. Alegou que não praticou nenhum ato discriminatório e não foi a doença a causa da dispensa do empregado, porque, mesmo após ter sido comprovado que ele tinha contraído o vírus da hepatite C, ainda assim, continuou a trabalhar na empresa por longo tempo.

Ao examinar o caso, o Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (RJ) destacou que o autor foi vítima, por parte da empresa, de ato abusivo que lhe causou sofrimento, "violando bens não passíveis de mensuração econômica, mas tutelados por lei, conforme o artigo 50, incisos V e X, da Constituição Federal".

Nesse sentido, o Regional entendeu que, ao dispensar o trabalhador, mesmo com a doença controlada, a empresa violou o direito constitucional à saúde e impediu-o de ingressar com novo pedido de auxílio-doença, se seu estado se agravasse, ou, até mesmo de requerer a aposentadoria, se fosse o caso. Além disso, o TRT/RJ concluiu ter havido discriminação e ofensa ao direito fundamental da dignidade da pessoa humana, consagrado no artigo 1º, III, da Constituição, porque a empresa dispensou o empregado tendo ciência da doença dele.

A Embratel recorreu ao TST alegando que, no momento da sua dispensa, o empregado encontrava-se apto para o trabalho, não sendo portador de nenhuma estabilidade. Porém, para o relator do recurso de revista, ministro Mauricio Godinho Delgado, ficou demonstrada, com base no que consta no acórdão regional, a dispensa discriminatória do trabalhador, "tendo em vista a gravidade da doença que o acometeu" - hepatite C, seguida de cirrose crônica.

O relator destacou que, "embora, em princípio, estivesse controlada a doença e o autor não se encontrasse, no momento da ruptura do pacto, afastado previdenciariamente, o fato é que se tratava de trabalhador cronicamente debilitado, em razão de moléstia grave, sendo que a mantença da atividade laborativa e consequente afirmação social, em certos casos, é parte integrante do próprio tratamento médico".

A Sexta Turma acompanhou o voto do ministro Godinho Delgado e negou provimento ao agravo de instrumento. A Embratel não recorreu da decisão.

(AIRR - 165140-46.2006.5.01.0027)

Fonte: Tribunal Superior do Trabalho, por Lourdes Tavares, 03.12.2010
Com a colaboração de Paulo Carvalho

Carlos Varaldo
Grupo Otimismo

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Grupo Amarantes - Participação de Cursos para ONG's





O Grupo Amarantes participou da capacitação para ONG’s pelo NAPEC. O curso foi direcionado a Empresas do 3º Setor (ONG’s), e a finalidade era ensinar aos Coordenadores de ONG’s como desenvolver projetos, e acessar o Portal de Convênios do Governo Federal. Nossos agradecimentos a Angelita Rangel - Coordenadora do Curso e do NAPEC, e Alexandre Rangel articulador do curso e um grande professor na área de elaboração e execução de projetos e a todos colegas também que de uma forma ou de outra contribuiram para agregarmos valores, conhecimentos e novas amizades. Façam uma visita ao site do NAPEC http://napec.org.br

Claudio Costa
Grupo Amarantes

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

MARINHO CHAGAS: MAIS UM CRAQUE VITIMADO PELA HEPATITE C

http://200.188.178.144/ver_noticia/57164/

CAI O MITO DA MORTALIDADE EM AIDS




Contrastando com números oficiais, somos cada vez mais soropositivos vitimados por causas não incluídas nesse balanço, tais como infartos

Algo está errado na mortalidade em Aids no Brasil. Contrastando com os números oficiais, somos cada vez mais soropositivos vitimados por causas não incluídas nesse balanço, que vão desde infartos até cânceres. Gritamos isso há anos por meio de manifestações, de cobranças em espaços de articulação e de nossa voz sempre perdida no mundo tecnocrático.
Recentes estudos demonstram que a percepção das pessoas vivendo com HIV antecede a epidemiologia. E que a integralidade do SUS ainda é um sonho distante, pois muitas vezes somos tratados como um punhado de vírus, e não um complexo conjunto de valores, sentimentos e necessidades.
Enfim, vai-se o mito da queda da mortalidade em Aids. E agora?
Quando o coquetel apareceu, em 1996, respiramos aliviados: o pesadelo havia se transformado em um sonho de perspectivas. Voltamos a esperar da vida o melhor. Não durou muito, e a realidade bateu literalmente à nossa cara com a violência da lipodistrofia, efeito colateral de nova geração.
Desde então, começamos a questionar a situação, e a resposta era sempre a mesma: "Falar em efeito colateral prejudica o tratamento". Aí nossos ossos começaram a apodrecer; pâncreas e corações, a dar sinais de exaustão; e nosso corpo começou a se voltar contra nós mesmos por cânceres em circunstâncias inéditas.
Estávamos novamente com medo, e nem assim tivemos um olhar mais cuidadoso para nossos gritos. O pesadelo havia retornado.
Agora, um estudo da UFRJ e outro apresentado em Viena comprovam que estamos morrendo mais de outros fatores do que de Aids.
O número de óbitos por problemas no coração, rins, diabetes e cânceres subiu 8% ao ano entre pessoas com HIV e menos de 3% entre soronegativos. Com relação aos problemas cardíacos, são 8% contra só 0,3%.
Em outras palavras, cai por terra o simplismo de que estaríamos apenas envelhecendo.
Sim, nossos espelhos e prontuários já sabem disso há tempos, mas estamos envelhecendo mais rapidamente.
E o que confere características de pesadelo a essa realidade é que o SUS não está preparado para atender à integralidade exigida. Se 33% são identificados como pacientes sob alto risco de acidentes cardiovasculares, 66% não estão tratando seus fatores.
"Estamos começando a conhecer os efeitos do vírus e dos remédios a longo prazo. Agora, precisamos nos adaptar a isso." O que o infectologista dr. Esper Kallas, da USP, revela é a situação que atravessamos há muito tempo, negligenciada tanto pelo governo como pela sociedade civil, que poderia ter feito muito mais sobre o assunto.
Se o Brasil replica os dados do hospital da UFRJ, onde as mortes por outras complicações superam as por Aids, seriam mais de 11 mil mortes anuais não contabilizadas.
Como reagiremos a esses novos dados? Quantas mortes serão necessárias para acordar o mundo para a verdadeira realidade das pessoas com HIV? Porque estamos fartos da falsa realidade. Cansamos de ver nossos amigos e amigas morrendo na invisibilidade.
Com a palavra, a estratégia brasileira de luta contra a Aids.

LUIZ ALBERTO SIMÕES VOLPE, o Beto Volpe, ex-representante do Brasil na Rede Latino-Americana de Pessoas com HIV/Aids, é fundador e consultor da ONG Hipupiara, que atua na prevenção e apoio aos portadores de HIV/Aids.


Nosso fraterno abraço ao grande amigo, guerreiro e parceiro Beto Volpe.

Claudio Costa
Grupo Amarantes

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

ENFRENTAMENTO DAS HEPATITES EM RETROCESSO




Conforme ficou decidido pelas ONGs adiante relacionadas, na Plenária do IX ENCONTRO NACIONAL DE ONGS DE HEPATITES VIRAIS, realizada em Brasília em 24 de novembro de 2010, segue abaixo “MOÇÃO DE ALERTA” que será encaminhada à Presidente da República Eleita e à sua equipe de transição.

Aproveitamos para solicitar manifestação de apoio de todos os atores envolvidos com a causa, que entendem que as Hepatites Virais, mediante suas especificidades, necessita de ações pragmáticas e orçamentárias, alinhadas à estrutura do Governo Federal, mas com gestão autônoma, específica e forte, à altura do desafio que a enfermidade apresenta, e que não pode correr o risco da interlocução
ser diluída e desqualificada em meio ao recém criado Departamento de DST/ADS/Hepatites Virais

IX ENCONTRO NACIONAL DE ONGS DE HEPATITES VIRAIS
IX ENONG
Brasília 2010

Brasília, 24 de novembro de 2010

“MOÇÃO DE ALERTA – HEPATITES VIRAIS”

As doenças que acometem o fígado em conseqüência das Hepatites B e C (especialmente pelo vírus C ou HCV), são causas crescentes e silenciosas de mortalidade no Brasil.
Dados da FIOCRUZ (Projeto Carga de Doença), do Ministério da Saúde (Relatórios de Mortalidade) e a produção SUS (dados de transplante de fígado – cuja principal indicação é a
hepatite C – entre outros) comprovam esse fato. Ainda que pese toda a falta de Notificação (prevista por Lei) e dados confiáveis ou absolutos.

É ponto pacífico para a Comunidade Científica e em países com perfil endêmico da Hepatite C semelhante ao do Brasil, onde as informações em saúde são mais confiáveis, que as doenças
hepáticas crônicas são causas numéricas e significativas do crescente número de óbitos.

Reforçando o aqui exposto, não foi sem razão que a Sociedade Americana para Estudo do Fígado (reconhecida pela sigla AASLD) teve como mote de sua principal sessão, no mais recente
congresso, a Aula do Presidente, com tema: “A EPIDEMIA OCULTA”.

Saindo da frieza dos números, em nosso dia a dia quem não conhece algum portador de Hepatite C?

Quem não testemunhou o drama dos que necessitavam e/ou dos que necessitam um transplante hepático e/ou dos que padecem de cirrose ou câncer de fígado?
Faces visíveis dessa horrenda e silenciosa doença!

Ressaltamos, Senhora Presidente eleita que, na contramão da história, da Organização Mundial da Saúde (OMS) e de outros países, a exemplo da França, onde está sendo instituída uma Unidade Específica para Hepatites Virais, nosso País está caminhando para trás, haja vista que o Ministério da Saúde do Brasil está extinguindo o Programa Nacional de Hepatites Virais (PNHV), agora integrado ao Departamento Nacional de DST/AIDS. Destacamos aqui, o fato de que a
Epidemia da AIDS é 7 (sete) vezes menor que a das Hepatites Virais.

Tal incongruência nos espanta, pois, com tantos problemas não resolvidos e na iminência do início da complexa “Era da Terapia Antiviral Direta contra a Hepatite C” (um “coquetel” contra o vírus HCV), testemunhamos tais equívocos.

A Portaria nº. 2.080 que criou o PNHV, simplesmente deixa de existir...

A Lei nº.11.255/05, que obriga a existência de ações pragmáticas e orçamentárias, além de definir as competências de cada nível assistencial, detalhando as ações a cargo de cada um, de forma a otimizar os serviços disponíveis em todo o território nacional, é descumprida.

Enfim, a interlocução é diluída e desqualificada em meio ao Departamento DST/Aids/Hepatites Virais.

Certamente não é isso que entendemos como gestão adequada para o enfrentamento dessa grave situação!

A gestão das Hepatites Virais merece alguém com perfil técnico, equipe dedicada e apoio administrativo para uma atuação, acima de tudo, COMPETENTE E RESOLUTIVA.

Prevenção, sim! Diagnose, sim!

Mas, antes disto: assistência!

O SUS é uma ferramenta ímpar e que
respeitamos.

Porém, mantendo-se a questão das Hepatites Virais no Brasil acéfala, milhares de seus cidadãos sentirão na pele - pela dor, pelo sofrimento, pelo dispêndio e desperdício de recursos - as conseqüências deste retrocesso.

Estas são algumas das razões de enviarmos a presente exposição à Vossa Excelência e sua Equipe de Transição, além da ampla divulgação às Sociedades e a nossos líderes científicos.

Requisitamos para a Gestão das Hepatites Virais em nosso país, uma coordenação: autônoma, forte e à altura dos desafios que temos pela frente, alinhada a Estrutura do Governo.

Ainda, manifestamos apoio à luta coletiva dos povos indígenas do Vale do Javari, extremo oeste do Amazonas, que possui alto grau de contaminação pela hepatite B e Delta, causando
várias mortes desde o ano de 2005. Que sejam incluídos nos Programas de Prevenção e Tratamento das Hepatites Virais, considerando urgente o tratamento dos povos infectados.

Nosso alerta e pedido está em conformidade com o discurso do um perfil técnico da futura Equipe de Gestão do nosso país, com o qual nos aliaremos.

Respeitosa e atentamente nos despedimos na expectativa do atendimento de nossas solicitações.

Adauto Vieira Almeida
Pro Vidas ES
Alessandra Rosa GomesAmhec RS
Alvaro RossiGirassol RS
Andreia Teixeira SoaresTranspatica SP
Anna Maria GomesGrupo Hercules HV SC
Antonia Cristiane RodriguesGaphi MA
Arnaldo BeckForça e Vida RS
Bartolomeu Luis de AquinoAPHEM RN
Benedito Ferreira de AlmeidaAPAF PA
Carlos Norberto VaraldoGrupo Otimismo RJ
Carlos Roberto CabralONG Profigado RJ
Claudia Boeira da SilvaGADA SC SC
Claudio da Silva Costa Grupo Amarantes RJ
Dafylla Keli OliveiraVenCer MA
Derval MagalhãesVontade de Viver SP
Eliesio Marubo da Silva VargasMov. Politico Vale do Javari AM
Ellen NeivaUnaC MA
Emilia Pereira de BarrosNAPHC RS
Epaminondas CamposGrupo C DF
Faustina Amorim SilvaAracvida SP
Feliciana L Castelo BrancoGrupo C RS
Fernando Cezar P. dos SantosGrupo Hercules TX SC
Flavia Marini ParoVitoria para Vida ES
Francisca Agrimeire LeiteGrupo ABC Vida CE
Francisco MartuciC Tem Q Saber SP
Francisco Neto de AssisADOTE RS
Heitor Andrade M FilhoAphac AC
Hilson Santos CordeiroVontade de Viver BA
Jeová Pessin FragosoGrupo Esperança SP
Jorge Cristovão GreveGrupo Revendo a Vida SP
Jorge Luis Kramer Borgesastraf RS
Jose Almir Amaral do RegoAPHECN RN
José Eudes BrasilAPHRO RO
José Silvio CamposC Tem Q Saber SP
José Wilter IbiapinaAcephet CE
Julio Cesar Figueredo CaetanoGADA SP
Jussara de Fatima S MoraisSalvHe SC
Kicia Maria Rodrigues do ÓGrupo Hepatocerto RJ
Lais Moreira Beltrão CoutinhoNaphe PE
Leonardo WeissmannGaphor SP
Luis Carlos Porcelli PazGaphe Bagé RS
Luis de Souza e SilvaNAADVH RJ
Luiz VolpeHipupiara SP
Marcia Olegário dos SantosVia Vida Pró doações e Transplantes RS
Margarida da Silva de OliveiraDohe Fígado RJ
Maria Candida Gouveia PitaGrupo Genesis RJ
Maria Clarisse P. de SáConfiantes no Futuro PB
Maria Helena MacedoSES/BA BA
Maria Lucia Kruel ElbernVia Vida Pró doações e Transplantes RS
Micheline WoolfUnidos Venceremos SP
Monica MoraisSES/AC AC
Nadia Elizabeth C BarbosaHepaChê Vida RS
Neide Barros da SilvaAss.Pac.Hep.Mossoró/RN RN
Odemir Batista da SilvaHepatos Guaruja SP
Otacilio Waner da SilvaGaphe GO
Paulo CarvalhoAIGA RJ
Regina LancelottiRNP+HV SP
Ricardo BritoSES/PA PA
Ricardo WaldmanAphoc RS
Romulo José Valença CorreaMBHV BA
Ronaldo Costa AraujoTransplantes Amigos RJ
Rosangela EleresUnaC MA
Rosilda NazaréGrupo VenCer MA
Sandoval Ignacio P. da SilvaAphecpar PR
Sandra Maria ScherpinskiSalvHe SC
Sonia Maria GeraldesSES/DF DF
Tuanny LancelottiHCVida SP
Ubirajara Silva MartinsDireito de Viver SP
Vandivel Gaudino BezerraNucleo Confiantes no Futuro PB
Willian F. AmaralRNP+HV RJ SC

Claudio Costa
Grupo Amarantes

sábado, 13 de novembro de 2010

Novas evidencias sobre os efeitos do café na doença hepática

Duas apresentações no AASLD 2010 associam o café a um aumento na possibilidade de sucesso no tratamento da hepatite C e a uma menor velocidade na progressão dos danos no fígado.
Uma analise dos dados do ensaio clínico HALT-C, realizado em 885 pacientes com elevado dano hepático em retratamento com interferon peguilado Pegasys, analisou a possibilidade de cura levantando hábitos de consumo de café dos pacientes durante os 12 meses anteriores ao tratamento.
Foi encontrado que 133 pacientes não bebiam café diariamente, que 253 ingeriam uma xícara por dia ou menos, que 367 ingeriam diariamente entre 1 e 3 xícaras de café e, que 132 bebiam 3 ou mais xícaras por dia.
O objetivo dos pesquisadores era avaliar a redução da carga viral em no mínimo 2 LOG na semana 12 do tratamento e a resposta sustentada, isto é, os que resultaram realmente curados com o retratamento.
Na semana 12 do tratamento a redução de 2 LOG ou mais foi observada em 45,7% dos pacientes que não bebiam café, em 44,7% dos que bebiam menos de 1 xícara por dia, em 57,1% entre os que bebiam entre 1 e 3 xícaras por dia e, em 72,7% dos que bebiam 3 ou mais xícaras de café por dia.
A cura da hepatite C (resposta sustentada seis meses após o final do tratamento) aconteceu em 11,3% dos pacientes que não bebiam café, em 12,7% dos que bebiam menos de 1 xícara por dia, em 20,7% dos que bebiam entre 1 e 3 xícaras por dia e, em 25,8% dos que bebiam 3 ou mais xícaras por dia.
É necessário atentar que o percentual de curados é pequeno porque os 885 pacientes eram infectados com o genótipo 1, não respondedores a um tratamento anterior e com fibrose elevada ou cirrose, ou seja, um dos grupos mais difíceis de responder a um retratamento.
Outro estudo avaliou o efeito do café em pacientes com esteatose (gordura no fígado), pacientes que não eram alcoólatras ou infectados com qualquer hepatite. Pacientes que são conhecidos como afetados pela esteato hepatite não alcoólica.
Os pacientes não apresentavam sintomas e foram diagnosticados ao realizar um ultrassom. Realizada uma biopsia do fígado foi encontrado que 89 pacientes apresentavam esteatose simples, que 31 pacientes apresentavam esteato hepatite não alcoólica com fibrose leve (F0 e F1) e, que 9 pacientes apresentavam esteato hepatite não alcoólica com fibrose elevada ou cirrose (F2 - F4).
Os pesquisadores encontraram que os pacientes que apresentavam menos fibrose bebiam uma quantidade maior de café que aqueles que apresentavam graus de fibrose elevada. Os pacientes com esteatose simples ou com esteato hepatite não alcoólica com fibrose leve (F0 e F1) consumiam uma media de 413 mg de cafeína (cinco xicaras de café forte) por dia, em comparação com os pacientes com esteato hepatite não alcoólica com fibrose elevada (F2 - F3 - F4) que bebiam 189 mg de cafeína (duas xicaras de café forte) por dia.
Definitivamente pode se acreditar que existem evidencias que comprovam que o consumo "moderado" de cafeína e/ou café poderia ser um complemento auxiliar no tratamento da esteatose (gordura no fígado) e poderia aumentar a possibilidade de cura com o tratamento da hepatite C com interferon peguilado e ribavirina, mas cuidado, pois existem pacientes intolerantes ao café e, ainda, tomar café em excesso poderá causar problemas estomacais e digestivos, alem de deixar o individuo com insônia.
Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
- AASLD 2010 - Abstract 224 - COFFEE IS ASSOCIATED WITH VIROLOGIC RESPONSE IN CHRONIC HEPATITIS C (CHC): FINDINGS FROM THE HEPATITIS C LONG-TERM TREATMENT AGAINST CIRRHOSIS TRIAL (HALT-C) - Neal D. Freedman, Teresa M. Curto, Karen Lindsay, Elizabeth C. Wright, Rashmi Sinha, James E. Everhart5.
- AASLD 2010 - Abstract 627 - ASSOCIATION OF COFFEE CONSUMPTION WITH FATTY LIVER DISEASE, NASH, AND DEGREE OFHEPATIC FIBROSIS - Jeffrey W. Molloy, Christopher J. Calcagno, Christopher D. Williams, Stephen A. Harrison.

Carlos Varaldo
Grupo Otimismo

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Palestra na Fraternidade Rosa Cruz




No dia 01/11/2010, tivemos a oportunidade de realizar uma palestra na Fraternidade Rosa Cruz. Demos informações sobre a doença e tiramos dúvidas.
Claudio Costa
Grupo Amarantes


quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Medicamento para reverter à fibrose

A empresa "FibroGen" informou que deu inicio a fase 2 do ensaio clínico para avaliar a eficácia do medicamento FG-3019, um anticorpo monoclonal humano com o propósito de atuar contra o fator de crescimento do tecido conectivo (connective tissue growth factor - CTGF).

O estudo, com duração de dois anos está sendo realizado em Hong Kong, inclui 144 pacientes infectados com hepatite B que apresentam fibrose moderada ou grave, que nunca receberam qualquer tipo de tratamento antiviral. Todos os pacientes serão tratados com Entecavir, sendo que dois terços deles receberão também o FG-3019 e um terço receberão o Entecavir e um placebo.

O Entecavir já demonstrou que consegue reduzir o grau de fibrose nos infectados pela hepatite B. Após 48 semanas de tratamento entre 35 e 40% dos pacientes tratados com Entecavir conseguem reduzir a fibrose em 1 ponto, quando avaliada pela escala de Ishak, fato que foi uma descoberta importantíssima, pois não se esperava que um medicamento antiviral também apresentasse tal benefício no tratamento da hepatite B.

Os autores do estudo com o FG-3019 pretendem estudar a possibilidade de aumentar a regeneração do fígado, aumentando a velocidade de regeneração das células hepáticas durante o tratamento com o Entecavir. Acreditam que ao inibir a ação do fator de crescimento do tecido conectivo (connective tissue growth factor - CTGF) a regeneração do fígado será acelerada e poderá beneficiar todos os pacientes em tratamento da hepatite B, em especial nos pacientes que apresentam fibrose avançada ou cirrose.

Entendendo o CTGF:

O fator de crescimento do tecido conectivo (connective tissue growth factor - CTGF) é encontrado em níveis reduzidos em pessoas adultas sadias, porém níveis elevados do CTGF são encontrados em indivíduos que apresentam fibrose ocasionada por qualquer doença que esteja atacando o fígado. Os níveis elevados do CTGF são encontrados no tecido hepático e no sangue dos pacientes com fibrose hepática crônica.

Estudos clínicos já demonstraram que ao bloquear geneticamente o CTGF é possível prevenir e reduzir a fibrose hepática. O-3019 conseguiu reduzir o processo de fibrose pulmonar induzida por radiação.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Press release of FibroGen, Inc. - San Francisco, CA - October 14, 2010 - www.fibrogen.com

Carlos Varaldo
Grupo Otimismo

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Alerta europeu sobres às hepatites B e C

Conferencia realizada por médicos, pesquisadores e grupos de pacientes de toda Europa resultou na recomendação de um alerta a comunidade européia denunciando que muitos países não aplicam políticas efetivas de prevenção, detecção, vigilância epidemiológica e programas de diagnostico precoce que possam deter a epidemia. É estimado que existam 23 milhões de pessoas que vivem em Europa infectadas com as hepatites B e C.

O professor Massimo Colombo, da Universidade de Milão explicou que existe o conhecimento e as ferramentas disponíveis para realizar a prevenção, o diagnostico e oferecer os tratamentos, mas que falta aos governos aplicar corretamente os instrumentos necessários para enfrentar a situação.

Foram colocados como as principais causas para não conseguir uma gestão eficaz nas hepatites B e C, a falta de diagnostico precoce dos já infectados e a informação inadequada e equivocada sobre formas de prevenção.

Colocam como exemplo que a maioria dos profissionais da saúde não sabem reconhecer os primeiros sintomas de problemas hepáticos e desconsideram possíveis situações de risco para indicar o teste de detecção. Em relação à vacinação da hepatite B muito se avançou em relação a crianças, mas falta muito a ser feito em relação a adolescentes e adultos.

Alertam sobre a prevenção secundaria, isto é, diagnosticar os que já estão infectados, como a maior deficiência em toda Europa, a exceção de Francia e Escócia, os quais estão realmente trabalhando seriamente no diagnostico precoce.

Nadine Piorkowsky, presidente da ELPA - Associação Européia de Pacientes Hepáticos - fez um chamado aos governos para que sejam realizadas propostas concretas de forma imediata, como única ação para evitar uma tragédia.

O artigo completo, em inglês, é encontrado em
http://www.medicalnewstoday.com/articles/204813.php

Carlos Varaldo
Grupo Otimismo

sábado, 23 de outubro de 2010

Medicina Biotecnológica

Participei ontem do Seminário organizado pelo Comitê de Saúde da Britcham - Centro Brasileiro Britânico - com o objetivo de discutir as tendências da regulamentação do registro de produtos biológicos no Brasil.

Mês passado a ANVISA - Agencia Nacional de Vigilância em Saúde - realizou consulta pública na internet para regulamentar o registro de medicamentos biológicos, sejam eles medicamentos inovadores (novos medicamentos) ou medicamentos biosimilares (similar ao medicamento original), um assunto que está gerando muita e acalorada discussão devido às conseqüências e problemas que uma regulamentação muito liberal pode resultar em relação à segurança e efetividade se o processo de registro não for corretamente avaliado.

O seminário contou com a presença de expertos dos Estados Unidos, México e Colômbia, países que colocaram sua experiência, teve também dois especialistas brasileiros e uma representante da ANVISA.

A maior apreensão da sociedade civil é em função da forma como as consultas públicas da ANVISA estão sendo realizadas, podendo ser consideradas como uma verdadeira "caixa preta" em relação à apreciação das contribuições realizadas. As consultas são colocadas no site da ANVISA e democraticamente qualquer interessado pode colocar suas contribuições ao texto apresentado como sugestão inicial, a seguir a ANVISA consolida as contribuições recebidas e redige o texto final.

Falei em "caixa preta" porque as contribuições não são disponibilizadas publicamente na internet, assim, não existe uma resposta especifica para cada contribuição sobre os motivos pelos quais foi considerada, ou não, por parte da ANVISA, tornado então o processo que em princípio parecia democrático em um processo de via única, totalmente antidemocrático. Pior ainda, nem sequer existe certeza se serão realizadas audiências publicas para discutir o texto final antes da sua publicação.

O Grupo Otimismo participou da consulta publica contribuindo com informações referentes ao Interferon Peguilado e aos Fatores de Crescimento, solicitando que, por se tratar de medicamentos que atuam sobre a imunomodulação do organismo podem "despertar" uma seria de doenças auto-imunes, inclusive câncer, conseqüências essas que podem acontecer muito tempo (anos em alguns casos) após a utilização de tais medicamentos.

Por isso achamos que em hipótese alguma medicamentos com tais características farmacocinéticas deveriam poder solicitar o registro pelas vias da comparabilidade ou da não inferioridade, devendo em todos os casos serem considerados, para efeito do registro, como medicamentos inovadores, com a devida exigência da realização de todas as etapas do respectivo ensaio clínico que assegure a sua segurança.

Na discussão durante o seminário coloquei para a representante da ANVISA tais preocupações, referendadas por muitos dos presentes. A representante da ANVISA informou que irão existir limitações para o registro de determinados grupos de medicamentos biosimilares, mas confesso que não senti muita firmeza na resposta.

Em geral todas as colocações dos expertos e dos presentes no seminário é que não existe possibilidade de comparabilidade nos medicamentos biológicos, ficando praticamente unânime que sempre, em especial em relação à segurança, deveria ser exigida a realização das três fases do ensaio clínico para que o medicamento seja aprovado.

Bom, a ANVISA é soberana e possui o poder da caneta, mas se o texto final for redigido com o objetivo de facilitar o registro de medicamentos biológicos biosimilares com o intuito puro e simples de reduzir o preço, sem atentar rigorosamente para a segurança dos pacientes, o caminho será o Judiciário e o Ministério Público, caminho que o Grupo Otimismo conhece muito bem e pelo qual sempre se obtém sucesso.


Carlos Varaldo
Grupo Otimismo

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Boa notícia na hepatite B! - Entecavir aprovado para tratamento da hepatite B em pacientes descompensados

Ontem, o FDA - Food and Drug Administration, agencia dos Estados Unidos que controla os medicamentos, aprovou o Entecavir para o tratamento da hepatite B em pacientes com função hepática descompensada ou insuficiência hepática.

A aprovação foi referenciada em função do ensaio clinico em fase 3 comprovando que o Entecavir foi mais eficaz que o Adefovir no tratamento de pacientes descompensados, considerados os mais difíceis de tratar.

Após 48 semanas de tratamento, 57% dos pacientes tratados com Entecavir se encontravam com carga viral indetectável, contra 20% dos pacientes tratados com Adefovir.

O ensaio clínico foi realizado empregando a dosagem de um comprimido de Entecavir de 1 mg ao dia.

Aqui faço um parêntesis para meu protesto, alertando sobre o absurdo desperdiço do dinheiro público no Brasil. Os pacientes tratados pelo SUS com recomendação de dosagem de 1 mg devem tomar dois comprimidos ao dia. Inexplicavelmente o ministério da saúde somente compra os frascos com comprimidos de 0,5 mg, sendo que o frasco de 1 mg custa exatamente igual que o frasco de 0,5 mg, ambos os frascos com o mesmo número de comprimidos, assim, os pacientes que recebem a dosagem de 1 mg recebem dois frascos e o governo gasta exatamente o dobro do dinheiro para tratar os pacientes. Isso já foi denunciado, mas como o dinheiro é do povo o programa nacional de hepatites e o ministério da saúde continuam desperdiçando o dinheiro que pagamos com os impostos.

O Press Release completo, divulgado ontem, se encontra em http://www.bms.com/news/press_releases/pages/default.aspx?http://www.businesswire.com/news/bms/20101018006266/en&t=634230203543756986

Claudio Costa
Grupo Amarantes

Campanha Nacional de alerta contra a Hepatite C - Vários atletas da década de 60. 70 e 8o foram contaminados pelo vírus da hepatite c

Os números apresentados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) são alarmantes: No mundo, cerca de 200 milhões de pessoas estão infectadas pelo vírus da hepatite. No Brasil, três milhões são portadores dos tipos B e C, sendo os atletas das décadas de 60, 70 e 80, uma das categorias mais afetadas.

Com o objetivo de chamar a atenção da população, em especial dos atletas, para o problema, o presidente da Federação das Associações de Atletas Profissionais (FAAP), Wilson Piazza, capitão da seleção brasileira campeã da Copa do Mundo da década de 1970 está a frente da campanha nacional de conscientização contra as hepatites virais, juntamente com a Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH).

Segundo o presidente da SBH, Raymundo Paraná, a maioria dos atletas daquela época está contaminada e não busca tratamento por não saber que corre o risco de estar doente, já que o vírus evolui silenciosamente por décadas, chegando a fases avançadas de insuficiência hepática ao longo de 20 a 40 anos, perdendo assim a chance de diagnóstico e do tratamento em fases reversíveis da doença.

O fato de tantos atletas estarem contaminados pelo vírus da Hepatite C se deve à forma de serem tratados à época. Era comum a utilização de seringas de vidro mal esterilizadas na aplicação de medicamentos. Os ex-atletas, principalmente jogadores de futebol, foram vítimas desta prática não só para aplicação de vitamínicos e estimulantes, como também para as famosas infiltrações de corticóide para conter as dores articulares, fruto do desgaste. Neste contexto também foram expostos uma legião de atletas amadores.

Para o presidente da FAAP, Wilson Piazza, o número de portadores da hepatite é surpreendente. “A impressão que temos é que só não está doente quem não fez o exame e ainda não sabe. Por isso o trabalho de conscientização é fundamental para que os ex-atletas procurem as unidades de saúde, façam os exames e, se necessário, o tratamento”, ressaltou Piazza.

ENTIDADES SE UNEM EM ALERTA CONTRA A HEPATITE C

A Federação das Associações de Atletas Profissionais (FAAP) e a Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH) estão à frente da campanha nacional de alerta contra a Hepatite C que deverá ser levada a termo até 19 de maio deste ano, dia mundial da Hepatite C.
Por mais de uma década o Brasil tem dedicado especial atenção à AIDS e tem demonstrado que é um país capaz de responder às suas demandas por meio do departamento DST/AIDS, motivo de orgulho para todos os brasileiros. Agora, sabiamente, este departamento do Ministério da Saúde aumentou o seu escopo de ação tornando-se o departamento DST/AIDS/Hepatites Virais, em reconhecimento a importância do tema. Infelizmente as Hepatites Virais, embora como problema de saúde pública de impacto inigualável, ainda não conseguiu ter a sua visibilidade no limite da sua importância.

A Organização Mundial da Saúde reconhece que no mundo existem 300 milhões de portadores do vírus da hepatite B e 200 milhões do vírus da Hepatite C. No Brasil. Os dados são escassos, mas a maioria dos estudos demonstra heterogeneidade na distribuição do vírus da Hepatite B que se situa mais nas pequenas cidades localizadas, sobretudo, nas regiões mais pobres do país (Norte e Nordeste), enquanto que o vírus da Hepatite C tem uma distribuição mais homogênea.

A partir destes estudos, pode se definir que mais de dois milhões de brasileiros estão infectados, mas a maior parte deles se encontra fora da rede SUS, até porque esta é uma doença que evolui silenciosamente por 2 a 4 décadas.

A Hepatite C lota os ambulatórios de Hepatologia do país. É responsável pela indicação de mais de 80% das Biopsias de fígado na Bahia e por cerca de 60% dos transplantes de fígado no país. Apesar dos números alarmantes, poucos brasileiros alcançam a rede de saúde para tratar a doença. Também há a necessidade de mais programas de Educação Médica Continuada aliados à programas de educação a esclarecimento à população. No caso particular da Hepatite C, temos peculiaridades no Brasil que justificam campanhas de esclarecimento com elevadas chances de sucesso na introdução de muitos pacientes portadores do Vírus na rede pública de saúde.

A Hepatite C tem cura e controle se tratada a tempo. O Ministério da saúde oferece o caríssimo tratamento cuja duração varia de 24 a 48 semanas. Falta detectar os pacientes que estão fora da rede de assistência.

MEMÓRIA

Em 1999, o ambulatório de doença de fígado do Hospital Universitário Professor Edgard Santos da UFBA, em Salvador-BA, observou um elevado número de ex-jogadores de futebol da Bahia frequentando o ambulatório. Um deles me referiu à perda de muitos colegas contemporâneos do seu time da região de Feira de Santana/BA.

Naquele momento, foi solicitado ao este paciente que convocasse todos os seus colegas, doentes ou não, para uma avaliação. Para surpresa de todos, quatro deles atenderam ao pedido e foram avaliados. Todos tinham Hepatite C, embora três deles não tivessem qualquer sintoma. Realizada a análise genética do Vírus percebeu-se que se tratava da mesma fonte. Este artigo foi publicado em 1999 na conceituada revista médica internacional American Journal Gastroenterology.

A partir de então, vários hepatologistas do Brasil se manifestaram no intuito de confirmar que tinham exatamente esta mesma experiência nos seus ambulatórios em São Paulo, Mato Grosso, Ceará e Rio Grande do Sul. Posteriormente, um dos médicos do Rio Grande do Sul apresentou no Congresso da Associação Européia para o Estudo do Fígado – EASL, o acompanhamento de 71 ex-jogadores de futebol da década de 70 e 80 portadores de Hepatite C.

Na Bahia, em 2007, uma campanha de esclarecimento capitaneada pelo ex-craque de futebol do esporte clube Bahia, Douglas, permitiu a avaliação de mais de 50 ex-jogadores de futebol do estado. Na avaliação dos fatores de risco desta época, percebeu-se que estes indivíduos eram expostos a sucessivas injeções de complexos vitamínicos e estimulantes endovenosos (tiaminose, complexo B com vitamina C, glicose, glucanergam, energizam e etc.). Além disso, sofriam sucessivas infiltrações articulares para conter os desgastes das suas articulações pela maratona de jogos.

As seringas utilizadas eram de vidro, com pouco tempo para esterilização, por isso a transmissão se dava entre todos os companheiros, muitas vezes nos vestiários dos seus clubes de futebol. Esta prática não era só dos jogadores profissionais. Muitos clubes amadores das ligas das pequenas cidades do interior do país a utilizavam também, seguindo o espelho dos ídolos dos clubes maiores. Ainda segundo a SBH, esta prática também era comum, principalmente no Nordeste, entre os foliões do carnaval e das micaretas, os quais recorriam às farmácias para tomar glicose no imaginário de que estariam protegendo os seus fígados dos males causados pelo excesso de álcool. Assim, esta forma de contaminação se tornou o principal fator de risco para Hepatite C no país, entre homens, que atualmente chegam aos ambulatórios e que têm idade superior a 45 anos.

Esta é uma peculiaridade brasileira que precisa ser muito bem esclarecida, uma vez que nas campanhas habitualmente implementadas pelos órgãos competentes, fala-se muito nos usuários de drogas ilícitas, todavia os pacientes contaminados pelos vírus da Hepatite C não se expuseram ao uso venoso de droga ilícita como aconteceu na Europa e nos Estados Unidos. Este contraste é nítido. Na Europa, 70% dos pacientes masculinos nessa faixa etária, portadores de Hepatite C, têm o uso de drogas ilícitas como causa da sua contaminação. No Brasil, menos de 5% dos pacientes tem como causa drogas ilícitas, contudo o uso de medicamentos lícitos, mas com manipulação inadequada de seringas de vidro e agulhas foi o grande risco de contaminação.

CAMPANHA

Em face à essa questão, a FAAP e a SBH buscam, por meio de campanha nacional, alertar os atletas sobres estes riscos. O envolvimento dos ex-jogadores de futebol é oportuno no país do futebol no ano da Copa do Mundo. Não só ajudará a quebrar preconceitos como também proporcionará um grande impacto alcançando os objetivos de informação e educação da população.

Maiores informações:

Federação das Associações de Atletas Profissionais
Setor Bancário Sul - Qd. 02 - Lote 15 - Bl. E
Ed. Prime - Salas 801/805 - CEP: 70070-120

Assistam o vídeo: "Atletas da década de 60 70 e 80 são contaminados pelo vírus da hepatite c"
http://www.youtube.com/watch?v=GZCRbSWaQJs
Brasília - DF – (61) 3034-9400
http://www.faapatletas.com.br/

ACESSO À SAÚDE - PROGRAMA VIA LEGAL

Os problemas envolvendo questões ligadas à saúde são o tema o tema de boa parte dos quase 90 milhões de processos que aguardam decisão da Justiça em todo o país. É gente que briga pelo tratamento correto, por uma vaga de UTI e, principalmente, por remédios. Um quadro atribuído à omissão do Estado que obriga o cidadão a recorrer aos tribunais até mesmo para garantir direitos básicos.

Assista na TV o programa na integra:

TV Justiça:
Domingo 17 de outubro - 18h00hs

TV Cultura:
Segunda-Feira 18 de outubro - 7h30

TV Brasil:
Domingo 17 de outubro - 6h00

ASSISTA NA INTERNET UM RESUMO DO PROGRAMA EM:

http://programavialegal.blogspot.com/2010/10/acesso-saude.html

Claudio Costa
Grupo Amarantes

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Quais vacinas são necessárias na prevenção das hepatites A, B e C?

Para evitar as hepatites A e B existem vacinas seguras e altamente eficazes

HEPATITE A

A forma mais eficaz de prevenção da hepatite A é vacinar todas as crianças ao completar 12 meses de idade. Alguns países recomendam a aplicação de uma segunda dose de reforço seis meses após a primeira aplicação.

Indivíduos que na infância não foram infectados com a hepatite A e que não foram vacinados e, que viajam ou vivem em áreas onde a Hepatite A é muito freqüente, como o norte do Brasil e países tropicais não desenvolvidos, ou que, eventualmente, consomem água não tratada, devem ser vacinados.

Grupos de alto risco como crianças e adultos que vivem em creches, asilos ou prisões, homo e bissexuais, usuários de drogas, pacientes com doença hepática crônica, portadores de hepatite B, de hepatite C e do HIV/AIDS ou com doenças da coagulação também devem ser vacinados para prevenir a hepatite A.

Também devem ser vacinados contra a hepatite A os homens que fazem sexo com homens, indivíduos que utilizam drogas injetáveis ou inaladas, pessoas que receberam transplantes de órgãos.

A hepatite A em geral é benigna e sem conseqüências em crianças, mas em adultos sem proteção pode ser muito perigosa, podendo levar a morte. Nos países que já instituíram a vacinação de todas as crianças ao completar 12 meses de vida a necessidade de transplantes de fígado por hepatite fulminante praticamente acabou.

Se você tem filhos com mais de 2 anos de idade consulte seu médico sobre a conveniência de vacinar as crianças para evitar a hepatite A.

HEPATITE B

A vacinação para prevenção da hepatite B deve ser realizada em três doses, sendo a segunda após 30 dias da primeira e a terceira aos 180 dias da primeira aplicação.

Devem receber a primeira, das três doses da vacina da hepatite B, todas as crianças ao nascer, nas primeiras 12 horas após o parto.

A vacina da hepatite B também outorga imunidade para evitar a hepatite D.

A vacina da hepatite B já demonstrou ser eficaz para reduzir a mortalidade por causa do câncer de fígado.

Correm maior risco de se infectar com hepatite B os familiares de pessoas infectadas, os parceiros sexuais de infectados, indivíduos que praticam relações sexuais com mais de um parceiro a cada seis meses, indivíduos com comportamento sexual de risco ou com múltiplos parceiros e todas as pessoas que estejam em tratamento de qualquer doença de transmissão sexual.

Indivíduos portadores de hepatite C e de HIV/AIDS devem, obrigatoriamente, aplicar a vacina para prevenir a hepatite B. Todos os usuários de drogas também devem ser vacinados. Transplantados de órgãos, pacientes de hemodiálise, hemofílicos e doenças crônicas devem procurar ser vacinados para evitar a hepatite B.

Se você está pretendendo viajar a regiões de alta endemicidade de hepatite B, como a região amazônica ou países da Ásia é prudente aplicar as três doses da vacina antes da viagem.

HEPATITE C

Não existe vacina para prevenção da hepatite C

OUTRAS MEDIDAS DE PREVENÇÃO

A vacinação é somente uma parte na prevenção das hepatites, a qual deve incluir a pratica do sexo seguro (sempre use o preservativo) e não devem ser compartilhados objetos que possam ter estado expostos ao sangue, como instrumentos perfuro cortantes, alicates e instrumentos de manicure e pedicure, aparelhos de barbear e escovas de dente.

Se você não pode deixar de usar drogas, não compartilhe seringas, agulhas, canudos de aspiração ou qualquer outro material.

Lembre que os vírus das hepatites B e C sobrevivem por vários dias em um instrumento contaminado.

Carlos Varaldo
Grupo Otimismo

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Reportagem sobre requisição de remédios através da justiça

A hepatite foi causadora do maior volume de ações na Justiça para conseguir o direito de receber tratamento gratuito no SUS. Pacientes de outras doenças também necessitam recorrer ao judiciário para evitar o agravamento da saúde ou até a morte.

O Judiciário passou a ser um dos melhores hospitais públicos, muito mais sensível ao sofrimento do povo que alguns gestores do sistema público.

Vale a pena ver à reportagem. Algum dia você poderá ter que recorrer a Justiça!

TV JUSTIÇA - Dia 13 de outubro - 21.30 hs.
Programa Via Legal - Programa da Justiça Federal em parceria com o Superior Tribunal de Justiça (STJ), o Conselho da Justiça Federal (CJF) e os cinco Tribunais Regionais Federais (TRFs) do País.

Reprises: Sexta-feira - 18.00 hs / Domingo - 18.00 hs / Terça-feira - 12.00 hs

TV BRASIL - Dia 13 de outubro - 6.00 hs.

TV CULTURA - Dia 16 de outubro - 8.30 hs. Programa Via Legal

Claudio Costa
Grupo Amarantes

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Pesquisa Datafolha e Associação Paulista de Medicina confirma pressões de planos de saúde que inviabilizam o exercício da medicina e colocam em risco

O livre exercício da medicina está ameaçado, tirando-se como base os resultados de inédita pesquisa do Datafolha realizada a pedido da Associação Paulista de Medicina (APM). Ataques à autonomia dos médicos, interferência descabida na relação com os pacientes, pressões para redução de internações, de exames e outros procedimentos são problemas detectados em todo o estado de São Paulo.

O levantamento tem o intuito de conhecer a opinião dos médicos de São Paulo sobre a atuação das empresas de saúde suplementar. Foram entrevistados médicos cadastrados no Conselho Federal de Medicina (CFM), da ativa, que atendam a planos ou seguros de saúde particulares e tenham trabalhado com, no mínimo, 3 planos ou seguros saúde nos últimos 5 anos.

O campo ocorreu entre os dias 23 de junho e 18 de agosto de 2010. Houve 403 entrevistas, sendo 200 na capital e 203 no interior ou outras cidades da região metropolitana. A margem de erro máxima, para mais ou para menos, considerando um nível de confiança de 95%, é de 5 pontos percentuais para o total da amostra e 7 pontos percentuais para capital e interior.

Principais conclusões

Tirando-se como base uma escala de zero a dez, o médico paulista atribui nota 4,7 para os planos ou seguros saúde no Brasil. Considerando apenas as empresas com as quais tem ou tiveram algum relacionamento nos últimos cinco anos, a avaliação é similar: nota média de 5,1 em escala de zero a dez.

Mais de 90% dos médicos denunciam interferência dos planos de saúde em sua autonomia profissional. No levantamento Datafolha/APM, em uma escala de zero a dez, é atribuída nota 6,0 para o grau de interferência dos planos de saúde. Nota maior é dada pelos médicos que atuam na capital. Para cerca de três em cada dez médicos, glosar procedimento ou medidas terapêuticas é o tipo de interferência que mais afeta a autonomia médica. Outros tipos de interferência muito apontados são quanto à solicitação de exames e procedimentos; atos diagnósticos ou terapêuticos mediante a designação de auditores; restrições a doenças preexistentes.


Confira a seguir alguns resultados relevantes da Pesquisa Datafolha/APM


Pior plano de saúde

** Há um empate entre os piores planos do Estado. Medial, Intermédica, Amil e Cassi são os mais citados.

Piores honorários

** Medial e Intermédica dividem o primeiro lugar como os planos que pagam os piores honorários médicos.

Procedimentos burocráticos

** Quando o assunto é burocracia há pulverização dos resultados. Oito planos dividem a primeira colocação como o mais burocrático. Três em cada dez médicos paulistas percebem que todos os planos ou seguro saúde são burocráticos.

Interferência na autonomia

** Cerca de nove em cada dez médicos declaram que há interferência dos planos ou seguros saúde que trabalham ou trabalharam, na autonomia técnica do médico. 52% afirmam que esta prática é comum a todos/maioria dos planos.

Maior interferência em tempo de internação

** Na opinião dos médicos, Amil Sul América, Cassi, Medial e Bradesco são os planos que mais interferem no tempo de internação.

Interferência no período de internação pré-operatório

** A opinião dos médicos da capital e interior difere quanto ao plano que mais interfere no período de internação pré-operatório. E, 31% acham que todos os planos interferem na mesma intensidade.

Glosas e medidas terapêuticas

** Amil, Sul América e Medial são os planos que mais glosam procedimento e medidas terapêuticas, segundo a pesquisa.

Interferência número de exames e procedimentos

** Amil, Medial, Intermédica e Sul América destacam-se como os que mais interferem no número de exames e procedimentos.

Interferência em atos diagnósticos e terapêuticos mediante designação de auditores

** Os mais citados são Amil, Medial e Sul América

Interferência dos planos ou seguros na autonomia técnica do médico, por tipo de serviço:

- Glosar procedimentos ou medidas terapêuticas 79%

- Número de exames ou procedimentos 77%

- Atos diagnósticos e terapêuticos mediante designação de auditores 71%

- Restrições a doenças pré-existentes 71%

- Tempo de internação a pacientes 56%

- Prescrição de medicamentos de alto custo 47%

- Período de internação pré-operatório 46%


Divulgação da assessoria de imprensa da Associação Paulista de Medicina

Claudio Costa
Grupo Amarantes

domingo, 3 de outubro de 2010

Testagem para Hepatite C em São Gonçalo














No dia 01/10/2010 o Grupo Amarantes de Apoio a Portadores de Hepatites de São Gonçalo, numa parceria com a Secretaria Municipal de Saúde, Programa de Saúde da Família (PSF) e apoio da Refrigerantes Flexa/Mineirinho (empresa de São Gonçalo) realizou uma testagem para hepatite c. Num ambiente descontraído foi servido Mineirinho, pipoca e algodão doce a todos que participaram do evento. Tivemos a presença de nosso Secretário Municipal de Saúde, Dr Daniel Jr e testamos cerca de 500 pessoas. Nossos agradecimentos:
• Ao Dr Daniel Jr – Secretario Municipal de Saúde
• A Kátia Codesso - Coordenadora do PSF incansável na organização do evento
• Ao Dr Kleiton, médico do PSF responsável pela testagem
• As enfermeiras que trabalharam na testagem
• A Refrigerantes Flexa/Mineirinho pela doação dos refrigerantes
• Aos Voluntários do Grupo Amarantes
• A população que compareceu em massa

HEPATITES VIRAIS – SÃO GONÇALO ESTA ATENTO!!!

Saudações Fraternas

Claudio Costa
Grupo Amarantes

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Dietas de maior risco em pessoas com menor imunidade

Pesquisadores do Colégio Universitário de Cork na Irlanda descrevem, em um trabalho recente (1), como as bactérias utilizam diferentes truques que ajudam a sua sobrevivência dentro do organismo o que ajuda a explicar por que as intoxicações alimentares são imprevisíveis. Os resultados da pesquisa foram apresentados na reunião da Sociedade de Microbiologia Geral realizada em Nottingham, Reino Unido.

O trabalho pode ajudar a identificar e eliminar da dieta os alimentos de maior risco em pessoas suscetíveis, como grávidas, idosos e pacientes com baixas defesas, como transplantados, infectados com AIDS ou em tratamento da hepatite C ou câncer.

Uma dos desafios maiores que confrontam as bactérias que proliferam nos alimentos é sobreviver aos ambientes ácidos, em particular no estômago e os intestinos, onde morrem a maioria de micróbios que se encontram na comida contaminada.

O trabalho, dirigido pelo Dr. Colin Hill, revela que a bactéria Listeria, que se encontra nos queijos de massa mole e os alimentos preparados para consumo, como embutidos de carne e alimentos preparados, congelados ou enlatados, podem sobreviver nas duras condições ácidas encontradas no estomago. As bactérias da Listeria que sobrevivem podem causar infecções graves e algumas vezes mortais em indivíduos com baixa imunidade.

O papel do glutamato

Certos elementos da comida como o aminoácido glutamato (glutamato monossódico) pode ajudar às bactérias a neutralizar o ácido, o que permite às bactérias passar através do estômago sem serem destruídas.

O Dr. Hill assinala, em relação a isto, que as pessoas que consomem alimentos que estão poluídos com a Listeria e têm alto nível de glutamato, como no caso dos queijos brandos ou os produtos de carne, como os frios, têm uma maior probabilidade de desenvolver uma infecção grave que alguém que coma a mesma quantidade de bactérias em um alimento baixo em glutamato. O pesquisador assinala que isto se complica se um alimento contaminado, com pouco glutamato se ingere em combinação com outro alto neste elemento como o suco de tomate e muito outros alimentos industrializados, o que poderia também aumentar o risco de infecção.

A Listeria pode também aproveitar-se para sobreviver do processamento dos alimentos e das condições de armazenamento. "As bactérias que estão expostas a um pH baixo antes de entrar no organismo poderiam tornar-se mais tolerantes ao ácido e por isso estar mais bem equipadas para confrontar as condições ácidas do organismo. Por exemplo, a Listeria que contamina alimentos ácidos por natureza como o queijo, poderia ser mais propensa a provocar uma infecção que aquela que se encontra em água ou alimentos com um pH mais neutro".

Hill explica como o trabalho de seu grupo poderia ajudar a reduzir a incidência das infecções da Listeria. "O número de casos de listeriosis quase dobrou na última década na Europa. Isto se deve a que a bactéria é muito boa em superar as provocações presentes na comida e o organismo".

Para o pesquisador, o trabalho de seu grupo mostra que o consumo da Listeria em um alimento poderia ser bastante seguro, porém se ao mesmo tempo consumir a mesma quantidade em outro alimento poderia ser letal. "Ao conhecer o conteúdo da preparação do alimento poderemos identificar e eliminar os alimentos de maior risco da dieta das pessoas suscetíveis".

Ao ler a matéria tomei ao mesmo tempo conhecimento de uma pesquisa que acaba de ser publicada no Hepatology, realizada na Holanda (2) a qual estudou a neutropenia (diminuição dos glóbulos brancos do sangue, diminuindo as células de defesa do organismo e colocando o paciente em risco de infecções) durante o tratamento da hepatite C com a utilização do interferon peguilado em 321 pacientes, encontrando que a média de neutrófilos no grupo de pacientes antes do tratamento era de 3.420 células/ml. Durante o tratamento 29,7% dos pacientes apresentaram neutropenia, com um nível de neutrófilos inferior a 750 células/ml, com moderado risco de infecção e, 5% chegaram a níveis inferiores a 375 células/ml, com elevado risco de infecções.

Juntando as duas pesquisas, por simples e livre suposição, achei que seria interessante alertar sobre os cuidados que pacientes com baixas defesas, seja por doenças, transplantes ou, por tratamentos como o do câncer ou da hepatite C devem observar em relação à alimentação, evitando ingerir alimentos que por uma inadequada preparação ou conservação podem provocar infecções intestinais, as quais serão de difícil tratamento.

Conhecendo o Glutamato:

O glutamato monossódico é usado em uma ampla variedade de alimentos saborosos para criar um sabor suave, rico e de maior concentração. Pode ser adicionado em carnes preparadas, peixes, frangos, vegetais e frutos do mar e, em muitos países, é usado como condimento de mesa. Em muitos países, o glutamato monossódico é a base para os populares molhos para salada.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
(1) - Articulo redigido com informações retiradas de matéria publicada por JANO.es em 06 Setembro de 2010
(2) - Risk factors for infection during treatment with peginterferon alfa and ribavirin for chronic hepatitis C. - Roomer R, Hansen BE, Janssen HL, de Knegt RJ. - Departments of Gastroenterology and Hepatology, University Medical Center Rotterdam, Rotterdam, The Netherlands. - Hepatology. 2010 Jul 29. (on line)

Carlos Varaldo
Grupo Otimismo

terça-feira, 14 de setembro de 2010

A aderência ao tratamento será fundamental no aumento da possibilidade de cura na hepatite C com a chegada dos inibidores de proteases

O tratamento da hepatite C depende de uma serie de fatores que aumentam ou diminuem a possibilidade de sucesso no tratamento com interferon peguilado. Alguns desses fatores não podem ser alterados, mas muitos deles dependem da aderência do paciente e da realização do tratamento por uma equipe multidisciplinar.

Quando os novos medicamentos chegarem ao mercado, já em 2011, uma nova era na historia da cura da hepatite C estará sendo iniciada. Os novos medicamentos estarão aumentando a possibilidade de cura, mas para conseguir isso o tratamento passará a ser realizado com três medicamentos ao mesmo tempo, o interferon peguilado, a ribavirina e os inibidores de proteases, cada qual com seus efeitos colaterais e adversos, o que obrigatoriamente vai necessitar de um acompanhamento médico muito mais de perto.

O tratamento multidisciplinar será de fundamental importância e deveria passar a ser praticamente obrigatório. O tratamento multidisciplinar está sendo colocado nos congressos internacionais como o fator chave para aumentar a resposta terapêutica, lamentavelmente tenho que criticar uma pequena parte do novo consenso da Sociedade Latino-americana para Estudo do Fígado (ALEH) já que não contemplou o tratamento multidisciplinar nas suas recomendações.

A falta de adesão do paciente quando tratado por um único médico apresenta um considerável número de fracassos, seja pela necessidade de interrupção do tratamento devido à detecção tardia dos efeitos adversos, chegando a resultar na interrupção do tratamento de entre 12 e 15% no total de pacientes que iniciaram o tratamento ou, por falta de adesão aos horários e dias recomendados para aplicação ou ingestão dos medicamentos. Estudos realizados nos Estados Unidos chegam à constatação que até 60% dos pacientes não aplicam o interferon no dia programado ou esquecem-se de tomar a ribavirina todos os dias. A maioria desses pacientes respeita o dia de aplicação do interferon peguilado, mas não respeita seguir rigorosamente os horários da ribavirina. São esses pacientes que acabam indetectáveis e nos seis meses seguintes ao final do tratamento o vírus recidiva.

Por exemplo, no genótipo 1 foi comprovado que pacientes que completaram o tratamento com boa aderência conseguiram 51% de cura, já os que desleixavam nos horários, dias de aplicação ou dosagens, conseguiram somente 34% de cura. Isto é, se você tiver aderência ao tratamento a possibilidade de cura é 50% maior que se não tiver aderência. Depende de você!

Com a chegada dos inibidores de proteases a falta de aderência ao tratamento poderá provocar resistência aos medicamentos devido a mutações que acontecem com o vírus e, nesses casos, muito provavelmente o paciente será um não respondedor, perdendo o tratamento.

Assim, um novo fator será fundamental: A educação do paciente!

Educar um paciente leva tempo e paciência, já que a hepatite C e seu tratamento são altamente complicados, mas está mais que comprovado que os pacientes bem informados são os que apresentam as maiores possibilidades de cura.

Veja os fatores que influem na maior ou menor possibilidade de um paciente conseguir sucesso com o tratamento:

Entre os fatores do próprio paciente (hospedeiro) que influem na possibilidade de sucesso com o tratamento temos a raça (cor da pele), o índice de massa corporal (peso do paciente), a idade, o sexo (masculino ou feminino) e o consumo de bebidas alcoólicas.

Nos fatores ligados ao vírus que influem na possibilidade de sucesso com o tratamento se encontram o genótipo (1 e 4 respondem menos que os genótipos 2 e 3) e a Carga Viral (alta ou baixa no início do tratamento).

Existem fatores da doença que influem na possibilidade de sucesso com o tratamento como o grau de fibrose e a co-infecção HIV/HCV.

Entre os fatores da aderência que influem na possibilidade de sucesso com o tratamento temos a educação do paciente, o tratamento personalizado conforme a resposta, o tratamento dos efeitos adversos, a dosagem da ribavirina e, finalmente o tratamento multidisciplinar.

Vemos então pelos fatores acima que o paciente muito pode fazer para aumentar a sua possibilidade individual de cura, cuidando daqueles fatores que são da sua absoluta responsabilidade. Se o paciente estiver acima do peso é conveniente perder o excesso antes de iniciar o tratamento, já que paciente magro responde melhor que paciente gordo, se a glicose estiver acima do normal o tratamento dela vai ajudar, assim, como o controle da resistência a insulina por um médico endocrinologista. Uma visita ao dentista para evitar que surjam problemas durante o tratamento, o que poderá ocasionar uma indesejada intervenção com a utilização de antibióticos e antiinflamatórios é fundamental. Esquecer das bebidas alcoólicas totalmente e passar a ter uma dieta balanceada muito ajudam, lembrem da importância da alimentação. Iniciar a prática rotineira de exercícios físicos aeróbicos, umas quatro ou cinco vezes por semana é altamente recomendável.

Se você se identifica como ansioso ou depressivo, por favor, procure antes do tratamento um bom psiquiatra, inclusive para acompanhá-lo durante todo o tratamento. O psiquiatra deve se comunicar com o médico que cuida da hepatite C e discutir qual medicamento é melhor. O mais recomendado atualmente é o Citalopram.

Ter persistência em seguir as recomendações sobre educação do paciente é fundamental, pois nas primeiras semanas do tratamento todos os pacientes cumprem praticamente tudo o acordado, mas com o passar das semanas muitos descuidam das regras estabelecidas podendo colocar tudo a perder.

CONCLUSÃO:

A cura da hepatite C com a chegada dos novos medicamentos vai ser conseguida pela grande maioria dos infectados, isso é muito bom, mas não tudo são flores, pois os efeitos colaterais e adversos dos tratamentos serão maiores que os atuais, alguns muito desagradáveis. Um número elevado de pacientes vai sentir prurido ou diarréia, duas condições que diminuem a qualidade de vida e poderão aumentar a depressão causada pelo interferon. Isso poderá diminuir a adesão ao tratamento se o paciente não tiver um acompanhamento, de preferência semanal, por uma equipe multidisciplinar.

Com a chegada dos novos tratamentos todos os pacientes que nos últimos 10 anos não responderam ao tratamento estarão querendo ser tratados imediatamente. Se a isso sumamos os novos pacientes é fácil concluir que a capacidade de atendimento nas clinicas e hospitais deverão ser o triplo da atual, isso já para o final de 2011 e 2012, mas sabendo disso, alguém está se preparando para tal crescimento? Não vejo tal movimentação no mundo, a exceção de algumas medidas que estão sendo implementadas pelo governo Frances.

Considero que a internet pode ajudar muito na educação do paciente (esse é um dos programas principais do Grupo Otimismo) e, também, as associações de pacientes poderão contribuir com a educação do paciente, mas quando vemos que existem milhões e milhões de infectados com a hepatite C devemos compreender que o problema é de saúde pública e que os governos de todo o mundo devem criar programas próprios para hepatite C.

Colocar a hepatite C subordinada a AIDS é desaconselhável para qualquer governo poder enfrentar a epidemia com uma política firme. É ilógico que a própria Organização Mundial da Saúde tenha orientado na sua resolução que todos os esforços devem ser orientados a primeiramente tratar quem esta infectado com AIDS e hepatite C, deixando em segundo plano aqueles que somente têm hepatite C.

Como isso é possível de aceitar se existem cinco vezes mais infectados com hepatite C que com AIDS? Simples, o lobby da AIDS é muito mais forte e agressivo. Até no consenso da Sociedade Latino-americana para Estudo do Fígado (ALEH) conseguiram se impor. Consta no consenso que entre 9 e 30% dos infectados com hepatite C também estão infectados com a hepatite B. Já quando colocam a co-infecção HIV/HCV colocam que aproximadamente 25% dos infectados com AIDS tem também hepatite C. Não é estranho que a forma como foi colocada a questão tenha sido invertida?

Na hepatite B o percentual é sobre os infectados com hepatite C, na AIDS o percentual é sobre os infectados com AIDS, que são em número cinco vezes menor. Se tivessem seguido o mesmo parâmetro que o utilizado na hepatite B, deveriam ter colocado que somente 6% dos infectados com hepatite C também estão infectados com AIDS, mas dessa forma estaria mostrando que os esforços principais deveriam ser direcionados a mono infecção. O lobby da AIDS mais uma vez conseguiu triunfar sobre a hepatite C!

Carlos Varaldo
Grupo Otimismo

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Ministério da Saúde faz guias de tratamento para o SUS e para planos

Órgão optou por não fazer esforço único, o que pouparia recursos e evitaria desigualdades no tratamento

AE - Agência Estado

O Ministério da Saúde financia duas iniciativas paralelas para definir tratamentos de doenças, uma para usuários de planos de saúde e outra para o Sistema Único de Saúde (SUS), o que, segundo a pasta, é necessário porque os trabalhos têm metas diferentes. O órgão optou por não fazer um esforço único, o que, na opinião de especialistas, pouparia recursos e evitaria desigualdades no tratamento. Decidiu também não aproveitar orientações já produzidas por grupos de médicos que trabalham voluntariamente para o governo.

Uma das iniciativas é um convênio de R$ 598,4 mil assinado no início do ano passado entre a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e entidades médicas, com recursos do ministério. Prevê a formulação de pelo menos 80 diretrizes terapêuticas para o sistema de saúde suplementar e faz parte do chamado PAC da Saúde, o programa Mais Saúde. Já estão prontas e em processo de implantação diretrizes sobre partos e tabagismo, por exemplo.

Por outro lado, em iniciativa com hospitais privados filantrópicos de excelência, e investimento de R$ 1 milhão por ano, a pasta elabora cerca de 90 diretrizes para doenças que exigem do SUS tratamentos caros, como hepatite B e anemias graves. Segundo o secretário de Atenção à Saúde do ministério, Alberto Beltrame, enquanto as diretrizes para os planos são amplas, as do SUS visaram só o que o governo pagará e a área de alto custo.

"São coisas diferentes: na ANS são mais gerais, recomendações; as nossas, mais normativas", afirmou, destacando em seguida que, por enquanto, não houve sobreposição de temas. "Se houver, não há impedimento que se trabalhe com a ANS, a orientação técnica geral é igual." Porém, existem ainda orientações de tratamento já produzidas por outros órgãos da pasta. Exemplo é uma orientação para tratar tabagismo feita em 2001 pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca).

Objetivos

O diretor de Normas e Habilitação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Alfredo Cardoso, destacou ontem que o Ministério da Saúde é o pagador único dos projetos de criação de diretrizes terapêuticas e que as políticas de saúde devem ser as mesmas para o SUS e a saúde suplementar.

"Se existe isso, me comprometo a agir para andar junto", declarou ao ser questionado sobre a existência das duas iniciativas de elaboração de guias de tratamento. "Até o momento, o objetivo é diferente, mas nada impede esforços conjuntos que otimizem os recursos", disse Cardoso.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Claudio Costa

Grupo Amarantes

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Deficiência de Vitamina D pode estar associada com doenças auto-imunes e alguns tipos de câncer

Pesquisa publicada na revista Genome Research confirma suspeitas que evidenciam que a Vitamina D pode proteger contra as doenças auto-imunes e alguns tipos de câncer.

A pesquisa, realizada na Universidade de Oxford por analise genética identificou que a Vitamina D interage com genes específicos do DNA responsáveis pelo aparecimento dessas doenças. Diversas regiões dos genes previamente identificados com diversas doenças, como o câncer colorretal, esclerose múltipla, Doença de Crohn, lúpus, artrite reumatóide e leucemia linfática crônica e doenças auto-imunes apresentaram ligações com a ação da Vitamina D. O próximo passo será tentar compreender como essa regulação dos genes pela interação da Vitamina D pode levar a desenvolver as doenças.

No momento o papel do uso suplementar de Vitamina D para prevenir as doenças não é totalmente compreendido, pelo que se recomendam novos estudos, tal qual está acontecendo com a utilização da Vitamina D no tratamento da hepatite C com interferon peguilado e ribavirina conforme comentamos em artigos anteriores.

A exposição ao sol é um caminho eficiente para elevar os níveis de Vitamina D no organismo, assim como a alimentação com leite e derivados, peixes com gordura como o salmão ou a sardinha e outros alimentos que contem cálcio.

Lamentavelmente com a recomendação de utilizar protetor solar para evitar o câncer de pele, a concentração de Vitamina D no organismo é prejudicada. Um estudo recente mostrou que metade da população dos Estados Unidos apresenta níveis inferiores aos recomendados de Vitamina D no organismo, situação que não acontecia na década passada.

As recomendações internacionais de suplementação diária de Vitamina D é de 200 IU para pessoas com menos de 50 anos; de 400 IU para pessoas entre 51 e 70 anos e de 600 IU para pessoas com mais de 70 anos, mas muitos especialistas criticam tais dosagens por considerá-las muito baixas.

O pesquisador chefe do estudo publicado em Genome Research, Dr. Sreeram V. Ramagopalan acredita que para prevenir as doenças estudadas na pesquisa seria necessária uma suplementação de até 2.000 IU ao dia de Vitamina D.

O nível de vitamina D no sangue é medido por um exame de sangue chamado 25-hidróxi-vitamina D. É considerado um normal nível de 25 ng/mL. Níveis inferiores a 20 ng/mL indicam deficiência de Vitamina D. Os pesquisadores indicam que o ideal seria manter um nível entre 30 e 40 ng/mL para reduzir o risco de aparecimento das doenças estudadas.

Um novo estudo será iniciado com 20.000 pacientes que estarão tomando 2.000 IU de Vitamina D ao dia durante cinco anos no Brigham and Women's Hospital de Boston, Estados Unidos, o qual irá contribuir significativamente na confirmação, ou não, dos possíveis benefícios da Vitamina D. O mesmo estudo também vai pesquisar os efeitos o Omega 3.

É importante destacar que os pesquisadores alertam que antes de recomendar altas doses de Vitamina D é necessária uma melhor compreensão da dose ideal e do melhor nível no sangue, com o qual se evitarão possíveis riscos ainda não verificados.

Resumindo, ainda faltam respostas para muitas perguntas, mas o caminho parece ser interessante por ser a Vitamina D um principio ativo barato e até encontrado fartamente em alimentos.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
A ChIP-seq defined genome-wide map of vitamin D receptor binding: Associations with disease and evolution - Sreeram V. Ramagopalan, Andreas Heger, Antonio J. Berlanga, et al. - Genome Research - Published in Advance August 24, 2010, doi: 10.1101/gr.107920.110

Carlos Varaldo
Grupo Otimismo

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Uma notícia muito boa! O Judiciário continua do lado do paciente

Poderes devem garantir o direito à saúde

"Mesmo sendo franqueado ao Poder Judiciário, não existe separação entre os Poderes para garantir o direito à saúde, por meio de fornecimentos de medicamento ou de tratamento imprescindível para o aumento de sobrevida e a melhoria da qualidade de vida de determinado paciente". Essa é a opinião do ministro Gilmar Mendes do Supremo Tribunal Federal ao falar sobre o controle judicial das parcerias do Estado com as entidades do terceiro setor durante o II Seminário sobre o Terceiro Setor e Parcerias na Área da Saúde, que aconteceu em São Paulo.

Nesse sentido, "uma última preocupação que surgiu recentemente é que no quadro de medicamentos sofisticados pra doenças crônicas e doenças raras nós, brasileiros, pagamos por esses medicamentos duas vezes mais que os dinamarqueses. A intenção do Poder Judiciário é facilitar o acesso dos menos desprovidos a esses medicamentos", declarou o ministro.

Para ele, o problema não é apenas do sistema, mas sim de uma judicialização dos temas que envolvem a saúde. "No entanto, em geral, o Judiciário não tem fugido de discutir e decidir sobre o tema", finalizou.

A discussão entre agentes públicos, gestores hospitalares e juristas ocorreu nesta segunda e terça-feira (30 e 31/8) durante o II Seminário Terceiro Setor e Parcerias na Área de Saúde. O evento foi promovido pelo Instituto Brasileiro de Direito Público (IDBP).

Claudio Costa
Grupo Amarantes