domingo, 9 de maio de 2010

RECOMENDAÇÕES DO INSTITUTO DA ACADEMIA DE MEDICINA PARA PREVENÇÃO E CONTROLE DAS HEPATITES B E C

Acaba de ser publicado no "Hepatology" um estudo realizado pelo Instituto da Academia de Medicina dos Estados Unidos (Institute of Medicine of the National Academies) com recomendações para a prevenção e controle das hepatites B e C. Ao final do texto disponibilizamos a integra da publicação (em Inglês) para quem está interessado no assunto.

O texto, com pequenas adequações pode ser adaptado a realidade de cada país. No caso de adaptação para o Brasil fica ainda mais fácil, pois o número de infectados cronicamente com as hepatites B e C e praticamente o mesmo que nos Estados Unidos (entre cinco e seis milhões de indivíduos) o que demandaria políticas e esforços muito parecidos, mas sem ignorar na adequação as diferenças que existem entre os sistemas públicos e privados de saúde dos dois países nem o patamar de pacientes já diagnosticados e atendidos.

Por exemplo, os planos de saúde dos Estados Unidos são obrigados a oferecer os tratamentos das hepatites B e C, já no Brasil não fornecem medicamentos de uso oral. No caso da hepatite C nos Estados Unidos já foram tratados mais de 700.000 infectados, contra menos de 70.000 no Brasil. No Brasil as ações deveriam ser maiores para tentar recuperar o tempo perdido.

O Instituto da Academia de Medicina dos Estados Unidos estima que a cada ano morrem 15.000 pessoas por culpa do câncer ou doenças do fígado nos Estados Unidos relacionadas com as hepatites, duas doenças que poderiam ser evitadas mediante prevenção, diagnostico precoce e tratamento.

Nos Estados Unidos é estimado que as mortes nos próximos 10 anos sejam de 150.000 pessoas. A prevalência da hepatite B atinge entre 800.000 e 1.4 milhões de pessoas e a hepatite C entre 3,7 e 3,9 milhões, números praticamente iguais ao do Brasil.

Nos estados unidos é estimado que 70% dos infectados ainda não foram diagnosticados, já no Brasil o número de não diagnosticados chega aos 90%, o que representa um dado alarmante, pois esses indivíduos estão agravando o seu quadro de saúde.

Nos Estados Unidos os infectados com as hepatites B e C atingem uma população 5 vezes maior que a de infectados com HIV/AIDS, mas o CDC (Centers for Disease Control and Prevention) destina 69% de seu orçamento para o HIV/AIDS e somente 2% para as hepatites B e C. No Brasil para cada um dos 600.000 infectados com HIV/AIDS existem recursos da ordem de R$. 3.600,00 no orçamento de 2010, incluindo campanhas, tratamento, atenção, etc., já para os aproximadamente 5,5 milhões de infectados pelas hepatites B e C o recurso orçamentário não chega a R$. 70,00 ao se realizar a mesma comparação por pessoas infectadas. A insuficiência de recursos para os programas de hepatites estão dando lugar a transmissão continua das hepatites B e C e a altas taxas de morbilidade e mortalidade.

Os sistemas de vigilância epidemiológica, tanto nos Estados Unidos como no Brasil se encontram pouco desenvolvidos e totalmente fragmentados nos estados e municípios, não existindo uma efetiva vigilância dos casos diagnosticados. No Brasil, aproximadamente três de cada quatro diagnosticados não são notificados no ministério da saúde, não existindo a abertura da notificação por meio eletrônico no site do ministério da saúde, o que seria o método mais lógico e fácil.

São quatro as recomendações do estudo para resolver a situação:

1 - Melhoria da vigilância epidemiológica nas hepatites B e C;

2 - Maior conhecimento e sensibilização da assistência sanitária e serviços sociais (postos de saúde, médicos de família, etc.), especialmente quando do atendimento de pessoas que possam estar incluídas nos grupos de maior prevalência;

3 - Melhoria na cobertura vacinal na hepatite B;

4 - Melhoria no acesso ao diagnostico, tratamentos e medicamentos.

Carlos Varaldo
Grupo Otimismo

sábado, 8 de maio de 2010

SALÕES DE BELEZA DE SÃO PAULO ADOTAM KIT INDIVIDUAL PARA EVITAR HEPATITE

Os salões de beleza de São Paulo adotaram kits de manicure e pedicure individuais para evitar a contaminação de hepatite. Alicates de unha personalizados e lixas e palitos descartáveis ajudam a tornar o processo mais higiênico. O uso da bacia de água também foi abandonado por alguns estabelecimentos, de modo a evitar a proliferação de fungos e micoses. O risco de contaminação de hepatite fez com que todos os salões de beleza fossem obrigados pela vigilância sanitária a esterilizar as ferramentas utilizadas no corte de unha e cutícula com autoclave.
Os estabelecimentos também devem adquirir licença de funcionamento no órgão municipal. Segundo a médica Maria Lúcia Ferraz, professora de gastroenterologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a melhor conduta ao fazer as unhas é ter seu próprio equipamento. "A falta de cuidado no manejo dos alicates apresentava um risco de transmissão de hepatite B e hepatite C. Não se deve ter compartilhamento de objetos que têm contato com sangue".
A adoção das medidas segue as recomendações da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. No início do ano, uma pesquisa do Instituto Estadual de Infectologia Emílio Ribas revelou que 10% das manicures paulistas estavam contaminadas pelo vírus da hepatite B ou C e que 100% delas não esterilizavam os alicates corretamente. A vigilância sanitária municipal, entretanto, não tem qualquer recomendação quanto ao uso da bacia para fazer as unhas. As manicures podem tomar a vacina contra a hepatite gratuitamente desde 2004 no Brasil.
Fonte:

Marilia Gaboardi

Telaprevir em pacientes não respondedores - Surpreendente: 59% conseguem a cura!

A apresentação oral n° 4 relatava os resultados finais de retratamento de pacientes infectados com o genótipo 1 da hepatite C que não tiveram sucesso num tratamento anterior com interferon peguilado e ribavirina.

Todas as tentativas de retratar esses pacientes utilizando novamente o interferon peguilado e a ribavirina apresentaram resultado muito aquém do desejado, sendo pequenas a possibilidades de sucesso. O número de pacientes infectados com o genótipo 1 que não responderam ao tratamento corresponde aproximadamente à metade dos tratados, um número enorme que necessita atenção prioritária.

O Telaprevir apresentou os resultados surpreendentes conseguidos no retratamento desses pacientes, assombrando os participantes do EASL 2010 que aconteceu semana passada em Viena, na Áustria.

É necessário separar em grupos os pacientes que não obtiveram sucesso no tratamento anterior, pois em cada caso as possibilidades com um retratamento serão muito diferentes. Assim, neste estudo os resultados são diferentes para os que no primeiro tratamento foram nulos de resposta (grupo formado pelos que nunca conseguiram se encontrar negativos), pelos respondedores parciais (grupo que na semana 24 somente baixou 2 log), pelos não respondedores (grupo que consegue negativar, mas durante o tratamento voltam a estar positivos) e pelos recidivantes (grupo que completa o tratamento estando negativo, mas o vírus reaparece nos seis meses seguintes ao final do tratamento).

O desenho original do estudo consistia em retratar os pacientes durante as primeiras 12 semanas com Telaprevir, interferon peguilado e ribavirina e depois desse prazo continuar somente com interferon peguilado e ribavirina até completar 24 semanas de tratamento. Os pesquisadores decidiram após o inicio do estudo, dependendo da resposta de cada paciente, estender o tratamento até completar 48 semanas, objetivando garantir a resposta sustentada dos pacientes lentos em responder.

No total foram retratados 117 pacientes, sendo 51 nulos de resposta no primeiro tratamento, 29 pacientes que apresentaram somente uma resposta parcial, 8 pacientes não respondedores e 29 pacientes recidivantes.

A resposta sustentada geral do grupo foi conseguida por 59% dos pacientes que iniciaram o retratamento.

A resposta de cada grupo varia em função do regime terapêutico empregado, mas podemos a resumir da seguinte forma:

1 - PACIENTES NULOS DE RESPOSTA NO TRATAMENTO ANTERIOR

- Os que receberam tratamento de Telaprevir/interferon peguilado e ribavirina por 12 semanas e mais 12 semanas de interferon peguilado e ribavirina, conseguiram 17% de possibilidade de cura.

- Os que receberam tratamento de Telaprevir/interferon peguilado e ribavirina por 12 semanas e mais 36 semanas de interferon peguilado e ribavirina, conseguiram 56% de possibilidade de cura.

2 - PACIENTES COM RESPOSTA PARCIAL NO TRATAMENTO ANTERIOR

- Todos receberam tratamento de Telaprevir/interferon peguilado e ribavirina por 12 semanas e mais 12 semanas de interferon peguilado e ribavirina, conseguindo 60% de possibilidade de cura.

3 - PACIENTES NÃO RESPONDEDORES NO TRATAMENTO ANTERIOR

- Todos receberam tratamento de Telaprevir/interferon peguilado e ribavirina por 12 semanas e mais 12 semanas de interferon peguilado e ribavirina, conseguindo 86% de possibilidade de cura.

4 - PACIENTES RECIDIVANTES APÓS O TRATAMENTO ANTERIOR

- Todos receberam tratamento de Telaprevir/interferon peguilado e ribavirina por 12 semanas e mais 12 semanas de interferon peguilado e ribavirina, conseguindo 96% de possibilidade de cura.

Os efeitos colaterais mais freqüentes do tratamento foram a sensação de gripe, fadiga, náuseas, diarréia, prurido, etc., um pouco maiores que no tratamento atual, mas nada que possa ser um fator considerado adverso. Com o tempo esses efeitos serão conhecidos e poderão ser evitados, tal qual aconteceu com os primórdios do tratamento da AIDS.

MEUS COMENTÁRIOS

Após a apresentação, jantando junto a um grupo de médicos comemoramos os resultados, pois estamos frente a uma revolução nos resultados que podem ser conseguidos com a introdução do Telaprevir, do qual muito provavelmente as autoridades do FDA dos Estados Unidos e da Comissão Européia de Medicamentos o deverão autorizar, se não for ao final deste ano no inicio de 2011. Em outros países vai depender da vontade política e da agilidade das agencias reguladoras em atualizar os protocolos e consensos, e neste ponto a sociedade civil será fundamental para exercer a devida pressão, seja recorrendo a Justiça e até realizando manifestações publicas, mas é necessário que os medicamentos estejam disponíveis rapidamente para assim evitar a morte de muitos pacientes.

Vejo com grande alegria que dependendo do resultado do tratamento anterior, entre 56% e 96% (sim estou escrevendo corretamente!) conseguirão a cura definitiva da hepatite C e, mais importante ainda, a maioria com somente 24 semanas de tratamento.

Este e o primeiro de uma serie de matérias que estarei enviando nos próximos dias. Não somente o material e em grande quantidade, como os transtornos causados pela impossibilidade de regressar da Europa por culpa do vulcão, atrapalharam totalmente a minha vida, acumulando o trabalho. Temos muitas boas notícias para comentar!

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Oral Presentation - OPENING & GENERAL SESSION 1- Abstract: 4 - Journal of Hepatology, Supplement No 1, Volume 52, 2010, Page S2 - SVR WITH TELAPREVIR, PEGINTERFERON ALFA-2A AND RIBAVIRIN IN HCV PATIENTS WITH WELL-CHARACTERIZED PRIOR NULL RESPONSE, PARTIAL RESPONSE, VIRAL BREAKTHROUGH OR RELAPSE AFTER PR - T. Berg1, J.G. McHutchison, N. Adda, F. Poordad, M.L. Shiffman, P. Ferenci, J. Heathcote, J.-M. Pawlotsky, S. Zeuzem, H. Reesink, G. Dusheiko, E. Martin, D. Alexanderian, S. George, A.J. Muir.

Carlos Varaldo
Grupo Otimismo

sexta-feira, 23 de abril de 2010

O Silêncio dos Inocentes II

“Um enorme país com estados maiores que vários paises Europeus, péssima distribuição de renda e má vontade das 3 esferas do governo em desenvolver campanhas públicas de detecção.” Esta é a realidade enfrentada pelos quase 200 milhões de brasileiros. Poucas Secretarias Estaduais de Saúde (SP é uma das que se destacam) se sobressaem no enfrentamento desta pandemia 100 vezes maior que AIDS.
Se Dr Ricardo Gadelha (Coordenador do DST-AIDS/PNHV), admite haver mais de 3,5 milhões de contaminados só com Hepatite C, juntando com cerca de 2 milhões com Hepatite B, incluindo também as endêmicas Hepatites D e E , teremos mais de 7 milhões de contaminados. Este número bate certo com os dados já levantados há muito tempo por Carlos Varaldo, Presidente do Grupo Otimismo.
Se a bomba viral já explodiu por que não investir em detecção e tratamento? Com campanhas de prevenção deixaremos os já contaminados entregues a própria sorte. O genocídio em massa, conforme artigo publicado no JB (Carlos Varaldo) em 2002 “Hepatite C, assassino silencioso?”. A população esta aguardando uma resposta dos governos, uma resposta que seja pautada pelo compromisso com a verdade e por políticas sérias de saúde pública. Ai quem sabe, palavras como humanização e equidade passem a fazer parte de fato e de direito, das normas do SUS.

Claudio Costa
Grupo Amarantes

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Transplantes: Rio no fim da fila

Em um mês, 3 fígados captados no estado seguiram para Minas Gerais e São Paulo, porque médicos não são pagos

Rio - Trezentas e cinquenta e nove pessoas esperam por um transplante de fígado no Rio mas, apesar disso, órgãos captados no estado estão sendo enviados a outras unidades da federação. No último mês, três seguiram para pacientes em Minas Gerais e São Paulo.
“Os pacientes estão preocupados porque está tudo parado. O Hospital Geral de Bonsucesso só faz transplantes duas vezes por semana. E o Fundão está praticamente parado. Os pacientes que estão na fila estão sem perspectivas”, afirma Carlos Roberto Cabral, presidente da Dohe Fígado, associação que reúne pessoas que esperam por um transplante.

Conforme O DIA noticiou este mês, médicos do HGB pararam de fazer transplantes fora do horário de expediente porque não estão recebendo do Ministério da Saúde a complementação pelas horas extras necessárias nos transplantes. Dia 23 de março, liminar da Justiça Federal determinou que o ministério pague a complementação — prevista em lei desde fevereiro — até 23 de maio. O ministério, no entanto, recorreu da decisão. E o impasse permanece.

O problema poderá ser resolvido nos próximos dias. O governo do estado anunciará, na próxima segunda-feira, uma série de mudanças no sistema de transplantes. Uma das novidades é que a Secretaria Estadual de Saúde e Defesa Civil dobrará o pagamento das equipes do HGB e do Hospital do Fundão, que atuam na captação e na realização dos transplante, e vai pagar a suplementação aos profissionais.

Cirurgias na rede privada

Pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) poderão ser transplantados em mais duas unidades particulares. O governo do estado fechou acordo para que cirurgias ocorram no Hospital Quinta D’Or e no Hospital das Clínicas de Niterói.
Já para melhorar a captação, 16 enfermeiros que trabalhavam na Central Estadual de Transplantes foram deslocados para atuar na captação de doadores no Hospital Getúlio Vargas (Penha), Alberto Torres (São Gonçalo), Azevedo Lima (Niterói) e Adão Pereira Nunes (Saracuruna). “O objetivo é aumentar as captações. Com isso, a gente vai conseguir verificar os problemas nas equipes transplantadoras”, disse o coordenador da central, Eduardo Rocha.

domingo, 18 de abril de 2010

HEAT - O gigante do Colubande




Na sexta feira (16/04) estive no HEAT (Hospital Geral do Colubande); fui procurar a direção do Hospital para ver como ele estava funcionando. E fiquei muito contente por saber que o HEAT esta funcionando muito bem! O Hospital absorveu até a população de Niterói vitima da catástrofe. Não que não fosse sua obrigação, afinal é bom lembrar que o Hospital é gestão estadual, só que antes dele tem o Hospital Azevedo Lima, que hoje infelizmente esta superlotado devido a inércia do Alcaide de Niterói, JR. Aparelhos de última geração, 35 UTIs inclusive com televisão (fotos), ar refrigerado, equipe atenciosa, enfim tratamento de hospital de primeiro mundo. Parabéns ao Dr Charbel e toda sua competente equipe.

Claudio Costa
Grupo Amarantes

domingo, 11 de abril de 2010

Historia natural da progressão da cirrose

Esclarecendo ser totalmente impossível se estabelecer uma formula matemática que possa prever como será a progressão de um caso de cirrose já que cada organismo e diferente, assim, como as condições e doenças que possam estar influenciando no problema, neste artigo somente tentarei explicar as fases pelas quais passa um fígado que já se encontre com cirrose.

Se você é uma pessoa que ao ler um artigo fica apavorado, pensando que com você as coisas ruins sempre acontecem e que vai ter todos os problemas relatados, então e melhor fechar este artigo e não ler ele totalmente. Pode parecer um artigo assustador, mas não é essa a minha intenção. O objetivo e o de conscientizar o paciente com cirrose dos cuidados que deve observar no seu quadro clínico e, ao conhecer as implicações da cirrose poderá melhor discutir com os médicos sobre os procedimentos que estão sendo realizados. Não podemos esquecer que paciente bem informado e conhecedor de sua condição sempre consegue melhor resposta terapêutica e melhor atenção por parte dos profissionais da saúde.

A história natural se divide em duas fases principais. Temos a fase chamada "compensada" a qual por ser a fase inicial da cirrose e geralmente assintomática e, a seguir, aparece a fase chamada "descompensada", fase está onde aparecem as complicações decorrentes de um fígado cirrótico.

A cirrose compensada, quando a pressão na veia portal se encontra em níveis normais a expectativa de vida e muito boa, em media de 12 anos. Já com o aparecimento das complicações, tais como o aparecimento de varizes no esôfago, acumulo de fluidos no estomago (ascites), peritonites bactérial espontânea, encefalopatia, etc., a expectativa de vida pode ficar em poucos anos, entre 2 e 4 anos.

Na primeira etapa de um quadro cirrótico, com ausência de varizes no esôfago ou de ascites a probabilidade de morte um ano após o diagnostico e mínima, inferior a 1%. Segundo o consenso da Associação Européia para Estudo do Fígado, resultando nas recomendações "BAVENO IV", 7% desses pacientes desenvolvem varizes no esôfago e 4,4% ascites (com ou sem varizes) passando a segunda etapa da progressão da cirrose.

Numa segunda etapa, quando aparecem varizes no esôfago, mas não aparece à ascite nem sangramento das varizes, a mortalidade chega aos 3,4% dos pacientes no primeiro ano após o diagnostico, sendo que 6,6% poderão ter hemorragias no esôfago e 4% desenvolver ascites, passando a etapa 3 da cirrose.

Na etapa 3 se enquadram os pacientes com ascites repetitivas que apresentam, ou não, varizes no esôfago sem sangramentos. Nestes a mortalidade chega aos 20% no primeiro ano. Em 7,6% destes pacientes aparecem hemorragias por rompimento das varizes existentes no esôfago.

Na etapa 4 se enquadram os pacientes cirróticos que apresentam hemorragia gastrointestinal com ou sem a presença de ascites. A mortalidade em um ano após o aparecimento dos eventos chega aos 57% dos pacientes.

Continuando com o descrito no consenso "BAVENO IV" as etapas 1 e 2 correspondem a pacientes com cirrose compensada e as etapas 3 e 4 a pacientes descompensados no quadro cirrótico.

COMENTÁRIO FINAL:

Tal qual coloquei ao inicio a minha intenção não é assustar e sim colocar de forma nua e crua o que pode acontecer. Espero que isso contribua a conscientizar o paciente cirrótico a que ele deve colaborar com os médicos no sentido de evitar acelerar a progressão da doença. Vemos que nas três primeiras etapas a probabilidade de morte no primeiro ano e bem menor que a probabilidade de sobrevida, assim, cada paciente deve escolher em qual dos dois grupos quer se colocar. Se quer participar daquele no qual e levado ao cemitério pelos amigos ou, daquele que vai a se despedir de um amigo no enterro.

O titulo do artigo e referente a "Historia natural", mas existem fatores de risco para evitar uma progressão mais acelerada da cirrose na qual o paciente tem muita ou total responsabilidade. O peso acima do ideal e prejudicial (podendo ser controlado pelo paciente), a alimentação equilibrada, a proibição total de bebidas alcoólicas, a estrutura muscular (a qual pode ser melhorada com a prática de exercícios aeróbicos diariamente), o pensamento positivo e o seguimento estrito das recomendações médicas são fundamentais para evitar acelerar a progressão da cirrose.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:

"BAVENO IV" (Evolving Consensus in Portal Hypertension Report of the Baveno IV Consensus Workshop on methodology of diagnosis and therapy in portal hypertension - Roberto de Franchis - Journal of Hepatology 43 (2005) 167-176)

Carlos Varaldo

Grupo Otimismo

domingo, 4 de abril de 2010

Jornal O DIA - RJ


Sem transplante, sem remédioAlém de enfrentarem a paralisação de médicos do Hospital de Bonsucesso, que não estão recebendo pagamento, pacientes que precisam de doação de fígado só conseguem medicamento do SUS se entrarem na Justiça
Rio - Não é só a paralisação da equipe de transplantes de fígado do Hospital Geral de Bonsucesso (HGB) que põe em risco a vida de quem está na fila por um órgão. A falta de medicamentos na grade de distribuição gratuita do Sistema Único de Saúde (SUS) também é uma dificuldade para os que estão em tratamento. Quem necessita dos medicamentos para sobreviver deve entrar na Justiça para obtê-los. Mesmo assim, não é garantido que vá realmente receber o produto.

É o caso de Raphael do Amaral, 16, que, desde setembro de 2009, não recebe os remédios para seu tratamento. A mãe do rapaz, Maria da Penha, que é deficiente visual, conta que entrou na Justiça em fevereiro de 2008, pouco depois de receber a notícia de que o filho sofria de colangite esclerosante e teria que aguardar por um transplante de fígado.

Na sentença, foi definido que governos do estado e do município deveriam fornecer os remédios para o tratamento: Ursacol 300mg, Propanolol 10mg, Sulfato Ferroso 109mg, Omeoprazol 20mg e ácido fólico 5mg. Juntos, eles custam cerca de R$ 460 por mês.

“Pior é quando falta o Ursacol, que custa R$ 130 a caixa. Raphael precisa de três por mês. Já gastei R$ 2.730. Não tenho esse dinheiro, peço emprestado. A última vez que fui na central, dia 25, disseram para aguardar um telefonema, e, até hoje, nada”, lamentou.

O desespero de Raphael e de mais 358 pacientes que aguardam por transplante de fígado não para por aí.


Como O DIA noticiou dia 26/03, transplantes de fígado do HGB estão parados: médicos deixaram de fazer as cirurgias fora do horário de expediente por não receberem o Adicional por Plantão Hospitalar (APH) do Ministério da Saúde, previsto por lei em vigor desde fevereiro de 2009. Para a lei funcionar, falta um decreto ser assinado e regulamentado. Até lá, transplantes só serão realizados no horário do expediente.

O Ministério da Saúde informou que o decreto que regulamenta o APH passa por análise do Ministério do Planejamento e será encaminhado à Casa Civil essa semana. Mas o assessor de imprensa do Planejamento, Orestino Amurim, informou ontem, por telefone, que não há prazo para o decreto ser encaminhado à Casa Civil. Ele recusou-se a explicar o assunto a O DIA por nota e disse ser ‘comum’ a demora para assinatura de decretos.

A Secretaria estadual de Saúde informou que os medicamentos estão à disposição do paciente na Central de Mandados. Já a municipal afirmou que a entrega está agendada para quarta-feira.

Sindicância para apurar perda de R$ 15,6 milhões

O estado abriu sindicância ontem para apurar o desperdício de R$ 15,6 milhões em medicamentos, insumos e materiais médico-hospitalares. Conforme O DIA mostrou com exclusividade em 1º de março, o Departamento Nacional de Auditoria do SUS (Denasus) constatou que os produtos perderam a validade entre julho e novembro do ano passado na Central Geral de Abastecimento (CGA), em Niterói.

A sindicância deve ser concluída em 30 dias, mas pode ser prorrogada por mais 30 dias, segundo publicação do Diário Oficial que cita as matérias de O DIA.

O desperdício noticiado deixou doentes e parlamentares indignados. O Ministério Público Federal decidiu dar prosseguimento à ação civil pública contra a Secretaria Estadual de Saúde e Defesa Civil para que o órgão normalize o fornecimento dos remédios. Há dois anos, a ação havia sido suspensa porque o estado assinara Termo de Ajustamento de Conduta se comprometendo a regularizar o fornecimento e inaugurar farmácia com condições de armazenar remédios. O termo, no entanto, não foi cumprido.



Jornal O Dia - Pâmela Oliveira e Clarissa Mello

Roberto Pereira

Centro de Educação Sexual - CEDUS

Av. General Justo, 275 - bloco 1 - 203/ A - Castelo

20021-130 - Rio de Janeiro - RJ - Brasil

Tel: (21) 2544-2866 Telefax: (21) 2517-3293

cedusrj@yahoo.com.br

domingo, 28 de março de 2010

Hepatite C e Diabetes - Novas descobertas e controvérsias - Conselhos para prevenir problemas

1 - É sabido que pessoas com hepatite C, inclusive as que conseguem curar a doença, apresentam quatro vezes mais possibilidades de desenvolver a diabete tipo 2 que a população em geral, mas ainda e controverso o porquê isso acontece ou qual pode ser a relação entre a hepatite C e a diabetes.

2 - Também e sabido que não todas as hepatites apresentam a mesma característica, já que hepatites A e B não aumentam a possibilidade do infectado desenvolver diabetes, mais uma evidencia que as hepatites A, B e C são doenças diferentes, tendo em comum somente o fato de afetar o fígado.

3 - Também já é conhecido que o genótipo 3 da hepatite C e o que apresenta maior possibilidade de desencadear o distúrbio metabólico, desenvolvendo esteatoses e por conseqüência levando mais rapidamente ao diabetes tipo 2.

4 - Também é consenso que a resistência a insulina e o fator que influi no desenvolvimento do distúrbio metabólico em todos os genótipos, levando ao aparecimento da diabetes tipo 2.

Os quatros conceitos acima são aceitos por médicos e pesquisadores, sendo consenso quanto a tais afirmações, mas também sempre se acreditou que a resistência a insulina seria ocasionada pelas células do fígado afetadas pelo vírus da hepatite C, teoria essa contestada por um estudo de pesquisadores australianos que acaba de ser publicada em Gastroenterology.

Ao estudar 29 pacientes infectados com os genótipos 1 e 3 da hepatite C com níveis altos de resistência a insulina, eles observaram, assombrados, que a resistência a insulina não estava sendo provocada no fígado, sendo que a origem dela se encontrava nos músculos.

A resistência a insulina não foi encontrada nos fígados nem sequer naqueles que também apresentavam esteatose (gordura no fígado). Os 15 pacientes com níveis elevados de esteatose apresentaram o mesmo nível de resistência a insulina dos 14 pacientes sem esteatoses.

Os pacientes infectados com o genótipo 3 apresentavam três vezes mais gordura no fígado que os pacientes infectados com o genótipo 1, mas os níveis de resistência a insulina não eram diferentes entre os dois genótipos.

Os pesquisadores aplicavam glicose intravenosa nos pacientes, incentivando dessa forma a secreção de insulina, ficando demonstrado que a secreção de insulina não era prejudicada nos pacientes infectados com hepatite C ao fazer a comparação com o grupo controle, sem hepatite C. A observação desse fato demonstra que os infectados com hepatite C que desenvolvem diabete tipo 2 provavelmente desenvolveriam diabetes de qualquer forma, sem necessidade de serem infectados com a hepatite C, pois possuem no seu organismo células susceptíveis a produção de insulina.

Concluem os pesquisadores que a resistência a insulina não está relacionada com a gordura depositada no fígado, sendo ocasionada pela gordura periférica, isto é a depositada no tecido adiposo e nos músculos. Recomendam também a realização de novos estudos para uma melhor compreensão da doença e a resistência a insulina ocasionada nos músculos e tecidos adiposos.

EXPLICAÇÃO SIMPLES SOBRE A INSULINA:

A insulina e fabricada pelo pâncreas e a glicose e produzida pelo fígado para alimentar os músculos que fornecem energia ao organismo. Um fígado saudável produz glicose de forma controlada, mas quando aparece a resistência a insulina passa a fabricar uma maior quantidade de glicose e, como os músculos não podem absorver o excesso o nível de açúcar no sangue fica elevado podendo então levar o indivíduo para desenvolver o diabetes tipo 2, mas e necessário esclarecer que a diabete tipo 2 não necessariamente será ocasionada pela resistência a insulina.

O diabete tipo 2 aparece em geral na fase adulta do individuo. O diabete possui um forte fator genético, assim sempre é conveniente averiguar se a família teve parentes com diabete tipo 2, pois nesses casos a probabilidade de desenvolver o diabete e maior. Existindo parentes diabéticos será necessário ter cuidados com a dieta, manter o peso ideal e praticar exercícios aeróbicos regularmente, sendo recomendada uma consulta médica anual para acompanhamento.

EXPLICAÇÃO SIMPLES SOBRE A RESISTENCIA A INSULINA:

O grau de resistência a insulina e calculado por o método HOMA-IR, sendo útil na avaliação da diabetes e para caracterizar a síndrome metabólica, entre outras aplicações. O índice de HOMA (Homeostatic Model Assessment) é um cálculo de execução simples, calculado nas dosagens da insulina e da glicemia, ambas de jejum.

O Laboratório Fleury explica que a estimativa da resistência à insulina pode ser determinada por meio de várias formas, tais como medida de peso, altura e índice de massa corpórea (IMC), medida da circunferência abdominal e testes laboratoriais. O cálculo do HOMA-IR, do inglês, homeostatic model assessment, é feito com base nas dosagens de insulina e glicose de jejum. Esse índice apresenta boa correlação com os exames considerados padrão-ouro para tal finalidade, como o clamp hiperinsulinêmico. No Fleury, sempre que se realiza a dosagem simultânea de insulina e glicose em jejum, o HOMA-IR é automaticamente calculado. Os valores de referência baseiam-se em estudo realizado no próprio Fleury, o qual envolveu 1.860 adultos brasileiros que tiveram seus resultados expressos em função do IMC.

Valores de referência do HOMA-IR:

Índice de Massa Corporal até 25 kg/m²: 0,4 a 2,9

Índice de Massa Corporal entre 25 e 30 kg/m²: 0,4 a 4,3

Índice de Massa Corporal acima de 30 kg/m²: 0,7 a 8,2

A calculadora do HOMA-IR pode ser encontrada em:
http://www.atalaia.com.br/apoio_laboratorios_calculos.php

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Chronic Hepatitis C Is Associated With Peripheral Rather Than Hepatic Insulin Resistance - Volume 138, Issue 3, Pages 932-941.e3 (March 2010) - Kerry-Lee Milner, David van der Poorten, Michael Trenell, Arthur B. Jenkins, Aimin Xu, George Smythe, Gregory J. Dore, Amany Zekry, Martin Weltman, Vincent Fragomeli, Jacob George, Donald J. Chisholm

Carlos Varaldo
Grupo Otimismo

sexta-feira, 19 de março de 2010

Poder Público deve custear medicamentos e tratamentos de alto custo a portadores de doenças graves, decide o Plenário do STF

O Plenário do Supremo Tribunal Federal indeferiu nove recursos interpostos pelo Poder Público contra decisões judiciais que determinaram ao Sistema Único de Saúde (SUS) o fornecimento de remédios de alto custo ou tratamentos não oferecidos pelo sistema a pacientes de doenças graves que recorreram à Justiça. Com esse resultado, essas pessoas ganharam o direito de receber os medicamentos ou tratamentos pedidos pela via judicial.

O ministro Gilmar Mendes foi o relator das Suspensões de Tutela (STA) 175, 211 e 278; das Suspensões de Segurança 3724, 2944, 2361, 3345 e 3355; e da Suspensão de Liminar (SL) 47. No seu voto ele disse que se tem constatado a crescente controvérsia jurídica sobre a possibilidade de decisões judiciais determinarem ao Poder Público o fornecimento de medicamentos e tratamentos - decisões nas quais se discute, inclusive, os critérios para o fornecimento.

Gilmar Mendes afirmou que no âmbito do Supremo é recorrente a tentativa do Poder Público de suspender decisões judiciais nesse sentido. "Na Presidência do Tribunal existem diversos pedidos de suspensão de segurança, de suspensão de tutela antecipada e de suspensão de liminar com vistas a suspender a execução de medidas cautelares que condenam a Fazenda Pública ao fornecimento das mais variadas prestações de saúde - como fornecimento de medicamentos, suplementos alimentares, órteses e próteses, criação de vagas de UTIs e de leitos hospitalares, contratação de servidores da Saúde, realização de cirurgias e exames, custeio de tratamento fora do domicílio e inclusive no exterior, entre outros", exemplificou.

O ministro contou que ouviu diversos segmentos ligados ao tema na audiência pública sobre a saúde, ocorrida em abril de 2009. "Após ouvir os depoimentos prestados por representantes dos diversos setores envolvidos, ficou constatada a necessidade de se redimensionar a questão da judicialização do direito à saúde no Brasil, isso porque na maioria dos casos a intervenção judicial não ocorre em razão de uma omissão absoluta em matéria de políticas públicas voltadas à produção do direito à saúde, mas tendo em vista uma necessária determinação judicial para o cumprimento de políticas já estabelecidas", sublinhou.

Cautela

Apesar de julgar favoravelmente aos pacientes que precisam de medicamentos e tratamentos de alto custo, o ministro Gilmar Mendes foi cauteloso para que cada caso seja avaliado sob critérios de necessidade. Ele disse que obrigar a rede pública a financiar toda e qualquer ação e prestação de saúde existente geraria grave lesão à ordem administrativa e levaria ao comprometimento do SUS, de modo a prejudicar ainda mais o atendimento médico da parcela da população mais necessitada.

Mendes diferenciou, por exemplo, tratamentos puramente experimentais daqueles já reconhecidos, mas não testados pelo sistema de saúde brasileiro. No caso daqueles, ele foi enfático em dizer que o Estado não pode ser condenado a fornecê-los.

"Quanto aos novos tratamentos ainda não incorporados pelo SUS, é preciso que se tenha cuidado redobrado na apreciação da matéria. Como frisado pelos especialistas ouvidos na audiência pública, o conhecimento médico não é estanque, sua evolução é muito rápida e dificilmente acompanhável pela burocracia administrativa", citou, lembrando que a aprovação de novas indicações terapêuticas pode ser muito lenta e, como resultado disso, pacientes do SUS podem ser excluídos de tratamentos já oferecidos há tempos pela iniciativa privada.

"Há necessidade de revisão periódica dos protocolos existentes e de elaboração de novos protocolos. Assim não se pode afirmar que os protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas dos SUS são inquestionáveis, o que permite sua contestação judicial", completou.

Outros votos

O ministro foi acompanhado, em seu voto, por todos os demais presentes à sessão. O ministro Ricardo Lewandowski entendeu que os agravantes (União e estados) não demonstraram a potencialidade danosa à saúde, à economia e à ordem pública do fornecimento dos medicamentos ou tratamentos referentes às nove ações.

Já o ministro Celso de Mello julgou que a Justiça precisa agir quando o poder público deixa de formular políticas públicas ou deixa de adimpli-las, especialmente quando emanam da Constituição. "O direito à saúde representa um pressuposto de quase todos os demais direitos, e é essencial que se preserve esse estado de bem-estar físico e psíquico em favor da população, que é titular desse direito público subjetivo de estatura constitucional, que é o direito à saúde e à prestação de serviços de saúde", completou.

O relatório completo do Ministro Gilmar Mendes pode ser lido em http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/noticiaNoticiaStf/anexo/STA175.pdf

sexta-feira, 5 de março de 2010

FAAP E SBH alertam: Muitos atletas das décadas de 60, 70 e 80 estão infectados pelo vírus da Hepatite C.

Os números apresentados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) são alarmantes: No mundo, cerca de 200 milhões de pessoas estão infectadas pelo vírus da hepatite C. No Brasil, entre dois e três milhões são portadores dos tipos B e C, sendo os atletas das décadas de 60, 70 e 80, uma dos principais grupos de risco.
Com o objetivo de chamar a atenção da população, em especial os atletas, para o problema, o presidente da Federação das Associações de Atletas Profissionais (FAAP), Wilson Piazza, estará reunido nesta quinta-feira (4), com o presidente da Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH), Raymundo Paraná, para tratar de campanha nacional de conscientizaçã o visando alertar os atletas que atuaram entre os anos 60 e 80 para o risco de estarem contaminados pelas hepatites virais, principalmente a Hepatite C. A campanha contará com a participação dos tricampeões da Copa do Mundo de 1970.
Segundo pesquisas do serviço de Gastro-Hepatologia da UFBA, referendado por outros centros Brasileiros, muitos atletas daquela época estão contaminados pelo vírus da Hepatite C. Eles não buscam tratamento por não saberem que estão doentes, já que o vírus evolui silenciosamente por décadas, chegando a fases avançadas de insuficiência hepática ao longo de 20 a 40 anos, perdendo assim a chance de diagnóstico e do tratamento em fases reversíveis da doença.

O fato de tantos atletas estarem contaminados pelo vírus da Hepatite C se deve à forma de serem tratados à época. Era comum a utilização de seringas de vidro mal esterilizadas na aplicação de medicamentos. Os ex-atletas, principalmente jogadores de futebol, foram vítimas desta prática não só para aplicação de vitamínicos e estimulantes 9Gluconergan, Energizan, Vitamina B, ect), como também para as famosas infiltrações de corticóide para conter as dores articulares, fruto do desgaste. Neste contexto também foram expostos uma legião de atletas amadores.
Para o presidente da FAAP, Wilson Piazza, lider da seleção brasileira na década de 70, o número de portadores da hepatite é surpreendente. “A impressão que temos é que só não está doente quem não fez o exame e ainda não sabe. Por isso, o trabalho de conscientizaçã o é fundamental para que os ex-atletas procurem as unidades de saúde, façam os exames e, se necessário, o tratamento”, ressaltou Piazza.

Claudio Costa
Grupo Amarantes

segunda-feira, 1 de março de 2010

Por quanto tempo sobrevive o vírus da hepatite C fora do organismo?

Uma pesquisa apresentada semana passada no ''17th Conference on Retroviruses and Opportunistic Infections (CROI)'' apresentou um resultado assustador sobre o tempo de vida do vírus da hepatite C fora do organismo. O estudo foi realizado porque a transmissão da hepatite C continua muito alta entre usuários de drogas injetáveis. Diversas pesquisas mostram taxas de infecção entre 30% e 90% nesses grupos, um índice muito superior à prevalência do HIV.

As ações de redução de danos nos Estados Unidos com o fornecimento e troca de seringas entre usuários de drogas reduziu drasticamente a transmissão do HIV/AIDS, mas o impacto na redução da hepatite C foi muito pequeno.

Devemos considerar ainda que a transmissão da hepatite C durante um acidente biológico apresenta uma possibilidade de infecção dez vezes maior que a transmissão do HIV.

O estudo encontrou que em determinadas condições de temperatura e dependendo do tamanho da amostra de sangue foram encontrados vírus ativos em instrumentos contaminados até dois meses após o instrumento ter sido utilizado.

É importante esclarecer que essa situação se deu em seringas com agulhas de injeção mais grosas e em condições de temperatura de 4 graus, o que pode acontecer se um instrumento foi guardado numa geladeira ou no inverno de regiões frias.

Os pesquisadores utilizaram seringas de diferentes calibres de agulhas e as infectaram com sangue positiva para hepatite C. Todas as seringas foram lavadas e depois armazenadas em três temperaturas diferentes, a 4 º C (semelhante a uma geladeira domestica), a 22 º C considerada a temperatura ambiente (em um clima temperado) e a 37 º C, a temperatura do corpo (ou um clima muito quente).

Em seringas pequenas, como as utilizadas para insulina, o vírus ''morre' rapidamente a temperatura de 37 graus, não se encontrando vírus ativos dentro da agulha após 24 horas. Já se a temperatura for de 22 graus os vírus somente desaparecem após três dias. Se a temperatura de armazenamento for de 4 graus o vírus foi encontrado ativo em 33% das seringas após 24 horas, em 25% após três dias e em 5% foi encontrado após uma semana.

Já em seringas com agulhas de maior diâmetro os resultados mostraram que na temperatura de 4 graus quase todas as seringas tinham ativo o vírus após uma semana, a metade após um mês e em uma parte significativa continuava ativa após dois meses. Na temperatura de 22 graus 70% das seringas permaneciam transmissoras do vírus após sete dias, 40% após um mês. Na temperatura de 37 graus a metade das seringas permanecia com vírus ativos após 7 dias, praticamente a mesma proporção assim permanecia após um mês e uma pequena parte continuava infecciosa após dois meses.

Concluem os pesquisadores que a sobrevivência do vírus da hepatite C aumenta em função do tamanho do diâmetro da agulha, sendo essas as de maior probabilidade de transmitir a hepatite C. Recomendam ainda à realização de novos estudos na transmissão da hepatite C entre usuários de drogas já que a possibilidade de transmissão varia em climas quentes e frios e do tipo mais comum de agulhas e seringas utilizadas.

MEU COMENTARIO

Pessoalmente acho um absurdo ainda existirem seringas de injeção que podem ser reutilizadas. As seringas que travam após sua utilização, não permitindo a reutilização, existem em todos os países, mas por serem um pouco mais caras os governos não decretam por lei seu uso obrigatório, continuando a permitir uma seringa mais barata, mas que continuam a transmitir doenças. Ate quando?

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Paintsil E et al. Survival of HCV in syringes: implication for HCV transmission among injection drug users. Seventeenth Conference on Retroviruses and Opportunistic Infections, San Francisco, abstract 168, 2010.

Carlos Varaldo
Grupo Otimismo

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Portadores de doença pulmonar e de Hepatite B e C podem ter mesmos benefícios concedidos aos portadores da AIDS

Os portadores das formas crônicas das hepatites B e C e da forma incapacitante da linfangioleiomiomatose pulmonar (LAM) poderão ter os mesmos benefícios dados aos portadores da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) e outras doenças graves ou incuráveis.

Pelo texto, quem sofre com tais doenças poderá obter pensão especial, auxílio doença e aposentadoria por invalidez. A matéria modifica a Lei 7.670/88, acrescentando as hepatites B e C e a linfangioleiomiomatose pulmonar ao texto legal que assegura aos portadores da AIDS a possibilidade de reforma militar, pensão especial, auxílio doença ou aposentadoria independentemente de período de carência para os segurados da Previdência Social. O texto também altera o Regime Jurídico Único dos servidores públicos federal (a Lei 8.112/90), para garantir a aposentadoria por invalidez permanente, com proventos integrais, a exemplo do que já ocorre com os portadores de diversas doenças, entre elas a esclerose múltipla, a hanseníase, a AIDS, a doença de Parkinson, cardiopatia grave e câncer.

O PLS 330/04, de autoria da ex-senadora Ana Julia Carepa e que trata da hepatite, tramita em conjunto com o PLS 67/05, do ex-senador Fernando Bezerra, que versa sobre a linfangioleiomiomatose pulmonar. O relator, senador Renato Casagrande (PSB-ES), aglutinou as proposições.

O Parecer deverá será apreciado pela CAE no próximo dia 02 de março e, caso aprovado, os Projetos serão examinados ainda pelas Comissões de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) e de Assuntos Sociais (CAS), onde receberá decisão terminativa.

Decisão Terminativa - É aquela tomada por uma comissão, com valor de uma decisão do Senado. Depois de aprovados pela comissão, alguns projetos não vão a Plenário: eles são enviados diretamente à Câmara dos Deputados, encaminhados à sanção, promulgados ou arquivados. Eles somente serão votados pelo Plenário do Senado se recurso com esse objetivo, assinado por pelo menos nove senadores, for apresentado ao presidente da Casa. Após a votação do parecer da comissão, o prazo para a interposição de recurso para a apreciação da matéria no Plenário do Senado é de cinco dias úteis.

MEU COMENTARIO

Acredito que no dia 2 de março o projeto será aprovado na CAE e encaminhado para a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) e depois para a de Assuntos Sociais (CAS). Não sei se ainda terminara o deambular pelas diferentes comissões antes do final deste ano, mas se todos se preocupassem em escrever e-mails para os senadores com certeza a coisa correria muito mais depressa.

Ficar sentado esperando que Varaldo e mais alguns poucos quixotes voluntarios lutem contra os moinhos de vento não vai acelerar o andamento. È necessário participar e cobrar dos políticos que vocês elegeram para que as leis sejam aprovadas.

Carlos Varaldo
Grupo Otimismo

Poder Judiciário paga conta que não é dele

O Poder Judiciário tem exercido uma atuação intensa no que se refere a questões de saúde e o volume de ações judiciais tem crescido a cada dia. Nas Varas da Fazenda Pública são julgadas ações contra estados e municípios e,praticamente, a metade dessas ações se refere à questão de fornecimento de medicamentos.

A nossa legislação relativa à saúde é questão complexa. Há, via de regra, a incidência do Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/90); a Lei 9.656/98, que regulamenta os planos de saúde; a Lei 9.294/96, aperfeiçoada pela Lei Serra, que restringe a publicidade para as empresas de tabaco; o Decreto Lei 73/66, que trata de Seguros, e as resoluções da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), que se complementam e têm força legislativa, sendo muitas delas ilegais, além de diversas outras fontes normativas dispersas, todas se aplicando em "diálogo de fontes", na feliz expressão do professor Erik Jayme.

Temos normas obscuras, malfeitas. Infelizmente, não se sabe fazer as leis adequadamente, e o juiz, então, precisa interpretá-las, para que profira a decisão e vá se formando a jurisprudência.

O Judiciário, às vezes, paga uma conta que não é dele. Por exemplo, quando o Congresso não legisla corretamente. As alterações na Lei 9.656/98, acima referida, foram realizadas com dezenas de medidas provisórias, uma editada após a outra. Para se estar atualizado sobre o que estava em vigor, naquele período, era necessário acompanhar o Diário Oficial e verificar se havia ou não uma nova medida provisória sobre o tema. Isso caracteriza uma falta de capacidade de governar, em matéria relativa aos planos de saúde, alarmante, que preocupa - e muito - os cidadãos brasileiros, gerando perplexidade e insegurança jurídica.

Outro aspecto que dificulta a compreensão das normas nesta matéria é a interferência política. Os planos de saúde privados influenciam, de forma indireta - é o que parece -, politicamente, a ANS. As privatizações foram importantes, mas não existia a regulação adequada das agências governamentais, de um modo geral, necessitando urgente aperfeiçoamento das mesmas. Para tal, basta conferir recentes reportagens publicadas com destaque em O Globo, nas áreas de defesa do consumidor, economia e política em dezembro de 2009 e janeiro de 2010.

A presidência da ANS tem uma tarefa difícil de ser cumprida, porque há fortes interesses econômicos de alguns atuando junto ao Poder Legislativo. O Executivo que, em alguns casos, restringe o fornecimento do medicamento, faz com que o juiz seja chamado a resolver a questão, a judicializar um problema que seria da mera alçada do gestor governamental.

Quando um laudo médico chega para o juiz, no meio da madrugada, informando que uma pessoa tem de ser operada imediatamente para colocação de uma prótese no coração, e essa pessoa está na sala anterior à sala de cirurgia, sedada, aguardando a autorização necessária - pelo fato do plano só autorizar a cirurgia, mas não a prótese, sendo que a colocação da prótese, deve-se pressupor, que ela é inerente à realização da cirurgia - isso se caracteriza como uma urgência óbvia, que exige decisão judicial liminar imediata e a cirurgia é realizada, plenamente verificada a premência e o perigo da demora na concessão da medida pleiteada.

Pode acontecer, então, que o plano de saúde questione, argumentando que o médico utilizou um material que custava o triplo do preço do material que seria ideal para o caso, o que só veio a ocorrer pela própria negativa do plano para a realização do ato cirúrgico.

Jamais se esqueça, todavia, a Constituição brasileira, em seu primeiro capítulo, declara os princípios fundamentais, que a dignidade humana está destacada como um dos seus itens principais (artigos 1º e 4º, da Lei Maior).

No meu caso, como juiz, então, quando eu estou diante de qualquer situação da vida em que haja uma antinomia de princípios, eu devo escolher qual é o princípio mais relevante. Quando, como magistrado, eu estou diante de um problema da saúde e um problema patrimonial - se depois o segurado poderá pagar a prótese ou não - qual é a decisão? É pela vida, sempre.

O juiz não tem como, no meio da noite, ligar para o médico ou para a administração do plano de saúde para saber se a prótese é aquela ou não, porque, quando conseguir a informação, poderá ser tarde para salvar aquela vida.

Logo, o que acontece é que há uma judicialização desnecessária, ou seja, há um conflito entre decisões do Executivo com decisões do Judiciário, por falta de agir correto de outros Poderes. É por isso que, muitas vezes, a posição de secretário de saúde é extremamente desconfortável.

O secretário de saúde sofre sempre ameaças de prisão por não entregar medicamentos. O secretário ou seu funcionário é preso pelo fato de não cumprirem as liminares, não cumprirem as decisões judiciais. Os planos privados, em peculiares situações, se esquivam de cumprir as decisões urgentes, que, em poucos minutos, podem decidir a vida de alguém e, igualmente, estão sujeitos às penalidades legais.

O que é necessário, então? Parece-me que se necessita de um amadurecimento cultural democrático e de um aprofundamento da democracia real. O aperfeiçoamento da democracia significa votar melhor, escolher de maneira mais adequada os legisladores e aqueles que irão dirigir as nossas cidades ou os nossos Estados. Assim, restará ao juiz cumprir, então, o seu papel definido constitucionalmente.

Ao final, não é demais lembrar de Capistrano de Abreu, que, certa vez, escreveu um poema no qual disse que a Constituição Brasileira necessitava ter somente dois artigos. O primeiro dizia o seguinte: "Todos os brasileiros ficam obrigados a ter vergonha." O segundo dizia: "Ficam revogadas as disposições em contrário."

Portanto, independente da situação vivida e da realidade existente, a crença do cidadão não passa somente por uma lei melhor, mas lhe aguarda e espera uma Justiça real, material, que valha pelo seu nome em si e o Poder Judiciário está e estará disposto a cumprir o seu papel.

Que o Estado, pois, respeite a Constituição e lhe dê efetividade concreta, conforme expressamente disposto no seu artigo 196, que afirma: "A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantindo mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação."

Carlos Varaldo
Grupo Otimismo

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Nossa pariticipação no Programa Ponto de Vista



O Grupo Amarantes foi convidado a participar do Programa Ponto de Vista, do Professor Frederico de Carvalho. Falamos sobre a inércia do governo municipal nas ações de saúde. Partciparam do Programa também, Marcos Dias (Biologo)e Sidnei Valle (lider comunitário de Neves).

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Programa Nacional de Hepatites Virais - 6/2/2002

Programa Nacional de DST e Aids
Todas as amostras de sangue coletadas no País para transfusão passarão por moderno teste de hepatite C

O ministro da Saúde, José Serra, lançou no dia 05/02/02 o Programa Nacional de Controle de Hepatites Virais para a prevenção, vigilância e assistência aos portadores de hepatites tipos A, B e C.

Na cerimônia, o ministro Serra assina portaria determinando a realização, em todas as amostras de sangue coletadas no País para transfusão, do mais moderno teste conhecido internacionalmente para a detecção da hepatite C (HCV) e da aids (HIV).

Conhecido como NAT (em inglês, "Nucleic Acid Test"), o novo teste que entra no Sistema Único de Saúde (SUS) diminui a "janela imunológica", no caso da hepatite C, de 70 para 20 dias. Dessa maneira, reduz o período em que o vírus fica no sangue sem ser detectado.

A realização do NAT passa a ser obrigatória na triagem de sangue de todo o doador, independentemente se for coletado e usado pelos serviços públicos ou privados. Isso reduz o risco de contaminação pelo HCV e por HIV por transfusão de sangue.

As hepatites virais representam um grave problema de saúde no Brasil e no mundo, especialmente a do tipo C. O custo pela instalação do NAT no SUS está estimado em US$ 40 milhões por ano, quando totalmente concluído.

Prazo - A Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA - credenciará, inicialmente, 18 hemocentros coordenadores para a realização do NAT no sangue coletado pelos serviços de hemoterapia públicos, filantrópicos e privados contratados pelo SUS.

Esses hemocentros serão responsáveis por determinados estados ou regiões do País, que deverão encaminhar as amostras de sangue para análise. O resultado do teste deverá sair em até 48 horas.

Os serviços de hemoterapia privados que ainda não utilizam o NAT na triagem de sangue dos seus doadores deverão realizá-lo ou terceirizar o teste. A obrigatoriedade do NAT terá um prazo de carência de seis meses, a fim de que os serviços privados e credenciados pelo SUS se organizem e possam colocar à disposição o teste em rotina diária.

Isso implica a autorização de registro dos testes pela Anvisa, a compra dos testes pelos serviços de hemoterapia e a capacitação de pessoal, entre outras.

A decisão de introduzir o NAT no SUS foi tomada a partir de estudos realizados pela Anvisa. Baseou-se na oferta de novas tecnologias já incorporadas em Serviços de Hemoterapia da Europa, nos EUA, na Austrália e Argentina e nas vantagens da introdução destes testes.

A preocupação do Ministério da Saúde é diminuir a incidência da hepatite C, assim como a aids, na população brasileira, a partir de medidas preventivas.

Estimativa - A detecção precoce e o tratamento adequado dos indivíduos é um dos principais objetivos do Programa Nacional de Hepatites Virais, que prevê o desenvolvimento de ações integradas de prevenção, promoção da saúde, diagnóstico, vigilância epidemiológica e sanitária, acompanhamento e tratamento dos portadores das hepatites virais.

O programa pretende ainda melhorar o atendimento aos portadores da doença com a ampliação do acesso, incremento da qualidade e da capacidade instalada dos serviços de saúde, além de aproveitar as estruturas existentes no SUS para o credenciamento de um maior número de centros de referência no tratamento de hepatites.

Estima-se que no Brasil existam entre 1 e 2 milhões de pessoas infectadas com a hepatite C. No entanto, só há 5 mil pacientes em tratamento, segundo cadastro nacional existente no Ministério da Saúde.

A doença freqüentemente é pouco sintomática em suas fases iniciais e o tempo de incubação geralmente dura de 10 a 20 anos. Isso dificulta um diagnóstico mais precoce.

A hepatite C, cuja transmissão se dá principalmente por meio de transfusões de sangue ou uso de seringas contaminadas, é o tipo mais grave de hepatite viral. Estudos mostram que essa doença já é uma importante causa de cirrose e está se tornando um grave problema também para os pacientes de aids.

O Ministério da Saúde pretende também ampliar o acesso da população à vacina contra a hepatite B, que pode ser transmitida por via sexual, pelo sangue ou seringa contaminada.

A vacina está disponível na rede SUS, mas a prevalência da doença ainda é muito alta, especialmente na região Norte, onde atinge mais de 10% da população em certas áreas. A hepatite A, apesar de menores conseqüências, tem um impacto grande na saúde da população por estar vinculada às condições de saneamento.

Atendimentos - No ano passado, o Sistema Único de Saúde registrou 15,8 mil internações de pacientes com todos os tipos de hepatites. Se comparado a 1995, com 26,5 mil internações, houve uma redução de 40% no número de procedimentos, em função do tratamento realizado e da distribuição de medicamentos.

Atualmente, o SUS oferece dois remédios para tratamento da hepatite. Os portadores de hepatite C são tratados com interferon alfa + ribavirina. Já os pacientes com hepatite B e os transplantados hepáticos recebem lamividina + imunoglobulina. Em 2001, na compra das duas drogas foram aplicados, ao todo, R$ 15,1 milhões.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Baixos níveis de vitamina D no organismo diminuem a resposta ao tratamento da hepatite C

Pesquisadores da Universidade de Palermo, na Itália, em artigo publicado na revista Hepatology encontraram que infectados com hepatite C possuem níveis menores da "25-hidroxi-vitamina D" que o encontrado em indivíduos sadios e isso poderia afetar o tratamento com interferon e ribavirina.

O estudo realizado com 197 pacientes infectados com o genótipo 1 da hepatite C, todos com biópsia e, um grupo controle de 49 indivíduos saudáveis. O nível de "25-hidroxi-vitamina D" em média de 25,1 mcg / L nos infectados com hepatite C e, de 43,1 mcg/L nos pacientes saudáveis. Os níveis mais baixos estavam relacionados ao sexo feminino e a uma maior necroinflamação no fígado.

No total, 167 pacientes foram tratados com interferon peguilado e ribavirina, sendo que 42% deles conseguiram a cura. Níveis mais baixos da "25-hidroxi-vitamina D" e a presença de esteatoses resultaram em fatores prognósticos de menor resposta terapêutica.

Concluem os autores que níveis baixos no exame de "25-hidroxi-vitamina D" em pacientes com hepatite C apresentam maior dano no fígado e prejudica a possibilidade de sucesso com o tratamento.

MEU COMENTÁRIO:

A vitamina D auxilia na absorção do cálcio, magnésio, ferro e zinco pelo organismo. Contribui para o equilíbrio hormonal e para a saúde do cérebro e sistema nervoso, além de influenciar positivamente a nossa imunidade, humor e níveis de insulina. Baixos níveis de vitamina D podem contribuir com sintomas de cansaço crônico, fibromialgia, enxaqueca e depressão. Baixos níveis de vitamina D podem estar associados a uma série de doenças auto-imunes, entre elas, a tireoidite, artrite reumatóide, doença de Crohn, esclerose múltipla e síndrome de Sjögren. Podendo ainda estar associada a problemas como osteoporose, infertilidade, ovários policísticos, câncer de próstata, mama, pele e intestino grosso.

Também baixos níveis de vitamina D ainda podem acelerar a progressão da fibrose e diminuir a possibilidade de cura da hepatite C conforme a pesquisa realizada na Itália. Parece ser uma boa pedida que na próxima consulta você solicite ao seu médico um pedido de dosagem do nível de "25-hidróxi-vitamina D" no sangue. Esta fração da vitamina D é o melhor indicador da situação total da vitamina D no organismo. Certifique-se que o pedido seja especificamente de dosagem de 25-hidróxi-vitamina D.

Mas cuidado, "vitamina D em excesso também e prejudicial à saúde". Sempre consulte seu médico antes de se automedicar, até com uma simples vitamina!

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Low vitamin D serum level is related to severe fibrosis and low responsiveness to IFN-based therapy in genotype 1 chronic hepatitis C - Salvatore Petta et al. - Hepatology, Volume 9999 Issue 999A, Page NA. Published Online: 4 Dec 2009 - DOI: 10.1002/hep.23489

Carlos Varaldo
Grupo Otimismo

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

SALÕES DE BELEZA DE SÃO PAULO ADOTAM KIT INDIVIDUAL PARA EVITAR HEPATITE

Os salões de beleza de São Paulo adotaram kits de manicure e pedicure individuais para evitar a contaminação de hepatite. Alicates de unha personalizados e lixas e palitos descartáveis ajudam a tornar o processo mais higiênico. O uso da bacia de água também foi abandonado por alguns estabelecimentos, de modo a evitar a proliferação de fungos e micoses. O risco de contaminação de hepatite fez com que todos os salões de beleza fossem obrigados pela vigilância sanitária a esterilizar as ferramentas utilizadas no corte de unha e cutícula com autoclave.
Os estabelecimentos também devem adquirir licença de funcionamento no órgão municipal. Segundo a médica Maria Lúcia Ferraz, professora de gastroenterologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a melhor conduta ao fazer as unhas é ter seu próprio equipamento. "A falta de cuidado no manejo dos alicates apresentava um risco de transmissão de hepatite B e hepatite C. Não se deve ter compartilhamento de objetos que têm contato com sangue".
A adoção das medidas segue as recomendações da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. No início do ano, uma pesquisa do Instituto Estadual de Infectologia Emílio Ribas revelou que 10% das manicures paulistas estavam contaminadas pelo vírus da hepatite B ou C e que 100% delas não esterilizavam os alicates corretamente. A vigilância sanitária municipal, entretanto, não tem qualquer recomendação quanto ao uso da bacia para fazer as unhas. As manicures podem tomar a vacina contra a hepatite gratuitamente desde 2004 no Brasil.


Fonte: Marilia Gaboardi
Dra Marilia Gaboardi é medica hepatologista
do Hospital do Cruzeiro so Sul em SP