segunda-feira, 24 de maio de 2010

Historia natural da progressão da cirrose causada pela hepatite C - O que acontece após a cirrose?

Atualmente 1 de cada 4 infectados com hepatite C (25% dos infectados), se não diagnosticados e tratados adequadamente, estará chegando a desenvolver cirrose antes da sua morte natural pela velhice, um número que assusta devido aos milhões de infectados que ainda desconhecem que estão doentes. Pior ainda, devido ao envelhecimento dos infectados e a progressão natural da doença e estimado que em 2020 até 40% dos infectados estarão com cirrose.

Por esse motivo e interessante a revisão sistemática de 12 publicações científicas realizada por um grupo de pesquisadores do Reino Unido que foi apresentada no último congresso da EASL.

Partindo do fato que muito já se conhece sobre a evolução natural da hepatite C, estudos esses que na maioria consideram a cirrose como ponto final, mas que existem poucas informações sobre a progressão a partir do ponto onde aparece a cirrose, os pesquisadores selecionaram os estudos para avaliar o que acontece com os pacientes com cirrose compensada (cirrose compensada e aquela que não apresenta sintomas, como ascite, hemorragias ou encefalopatia), que receberam o tratamento da hepatite C e comparando o que acontece com aqueles infectados não tratados.

No total foram incluídos dados de 2.138 pacientes com hepatite C e cirrose.

Nos pacientes com cirrose compensada se encontrou que a possibilidade de morte, ou da necessidade de um transplante de fígado, era de 4,75% ao ano, isto é, 1 de cada 21 cirróticos estaria morrendo ou sendo transplantado a cada ano.

A descompensação da cirrose atinge a 5,61% ao ano dos pacientes com cirrose compensada, assim, 1 de cada 18 pacientes com cirrose compensada chega a descompensar a cada ano.

Já o câncer no fígado aparece com uma probabilidade de 3,76% ao ano nos pacientes com hepatite C e cirrose compensada, isto é, 1 de cada 27 pacientes com cirrose compensada chega a desenvolver câncer no fígado a cada ano.

Em cinco dos doze estudos foi possível estimar as diferenças entre pacientes tratados e não tratados. A possibilidade de desenvolver câncer no fígado entre os tratados era de 2,51% contra 5,20% nos não tratados. A descompensação dos cirróticos compensados era de 5,34% nos que receberam tratamento contra 9,58% nos não tratados. Já a possibilidade de morte, ou da necessidade de um transplante de fígado entre os tratados era de 3,84% contra 4,76% entre os não tratados.

Os pesquisadores concluem que os resultados confirmam que a cirrose compensada possui uma progressão lenta, porém ressaltam a necessidade de manter uma vigilância continua devido à possibilidade do aparecimento do câncer no fígado, inclusive nos pacientes curados da hepatite C.

Já ou meu comentário, ou melhor, dito, a minha conclusão, e que em qualquer uma das possibilidades um infectado com hepatite C que não for diagnosticado precocemente e não receba o tratamento adequado, possui o dobro de possibilidades de descompensar a cirrose, necessitar de um transplante de fígado, ter um câncer ou morrer por culpa da hepatite C.

À medida que se conhece mais profundamente as conseqüências de não diagnosticar os infectados com hepatite C fica mais evidente a imediata necessidade de realizar campanhas de detecção dos infectados. É necessário chamar a população para a realização do teste de detecção quanto antes.

Estamos sentados acima de uma bomba viral que já se encontra com o pavio acesso. Lamentavelmente alguns gestores da saúde pública ainda tentar ignorar, ou esconder, o tamanho do problema.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
EASL 2010 - Abstract: 1038 - Journal of Hepatology, Supplement No 1, Volume 52, 2010, Page S402 - NATURAL HISTORY OF COMPENSATED CIRRHOSIS DUE TO CHRONIC HEPATITIS C INFECTION: A SYSTEMATIC REVIEW - W. Alazawi, M. Cunningham, J. Dearden2, G.R. Foster - Centre for Digestive Diseases, Barts & The London School of Medicine, Digestive Diseases Clinical Academic Unit, Barts & The London School of Medicine London NHS Trust, London, UK

Carlos Varaldo
Grupo Otimismo

19 de Maio - Dia Mundial da Luta contra as Hepatites













No dia 19 de maio, o Grupo Amarantes, o Grupo Génesis e o Grupo Otimismo, uniram-se no Shoping Grande Rio para uma Campanha de Detecção e Informação sobre as Hepatites Virais. Foi um excelente evento onde testamos mais de 1.000 pessoas e teve inclusive a participação voluntária da personagem Sandrinha (atriz global da novela Viver a Vida). Agradecemos ao parceiro Carlos Varaldo (Otimismo), pela organização do evento. Além de contribuirmos para um importante trabalho social, tivemos a oportunidade de rever os amigos do RJ.

























Claudio Costa

Grupo Amarantes




domingo, 16 de maio de 2010

Quando chegar o Telaprevir a maioria dos infectados com o genótipo 1 será tratado em somente 24 semanas

Um estudo apresentado durante o EASL 2010 realizado com 161 pacientes em diferentes centros médicos europeus resulta em uma agradável noticia para os infectados com o genótipo 1 da hepatite C, ao comprovar que 68% dos tratamentos poderão ser realizados em 24 semanas de terapia e uma possibilidade de cura superior aos 80% no total de tratados.

Parece mentira que para uma doença descoberta faz somente 20 anos a ciência tenha uma resposta para seu tratamento, não somente por conseguir curar 10% dos pacientes na década passada, mais por ter conseguido chegar atualmente a curar aproximadamente a metade e, que chegarão a percentuais de cura entre 80 e 90% de cura já em 2011.

O Telaprevir, um inibidor da protease, surpreende a cada dia e a cada nova divulgação dos ensaios clínicos. O estudo "C208" experimentou o Telaprevir em pacientes infectados com o genótipo 1 da hepatite C que nunca tinham recebido qualquer tratamento, sendo utilizado nas primeiras 12 semanas do tratamento junto com o interferon peguilado e a ribavirina, seguindo depois o tratamento só com o interferon peguilado e a ribavirina até completar 24 ou 48 semanas.

Os pacientes incluídos no ensaio podem ser considerados como difíceis de tratar já que 80% apresentavam alta carga viral (acima de 800.000 UI/ml) e 20% apresentam cirrose ou fibroses avançada.

Os pacientes foram divididos em 4 grupos de tratamento e nas primeiras 12 semanas dois dos grupos receberam o Telaprevir em dose de 750 mg três vezes ao dia (a cada 8 horas) e outros dois grupos receberam o Telaprevir em dose de 1.125 mg duas vezes ao dia (a cada 12 horas). Os quatro grupos receberam interferon peguilado, sendo que cada um dos grupos com dose de 8 ou 12 horas do Telaprevir recebeu o interferon peguilado Pegasys ou o PegIntron, para assim poder comparar os resultados. Todos receberam ribavirina conforme o peso do paciente.

Os pacientes na semana 4 do tratamento se encontravam indetectáveis (menos de 25 UI/ml) e assim permaneciam até a semana 20, deixaram o tratamento com 24 semanas de terapia, enquanto que aqueles que não cumpriam com estes critérios permaneceram recebendo interferon peguilado e ribavirina até completar as 48 semanas.

Os resultados são os seguintes:

- Somente 18% dos pacientes requereram tratamento por 48 semanas. A cura neste grupo foi de 79% dos pacientes.

- 68% apresentaram resposta rápida, encontrando-se indetectáveis na semana 4 e assim permanecendo até a semana 20 do tratamento, sendo tratados em 24 semanas. A cura neste grupo foi de 96% dos pacientes

- 14% interromperam o tratamento antes da semana 24, devido à falta de resposta virológica, pelos efeitos adversos em especial erupção cutânea e coceira, ou por outras razões.

Ao comparar o efeito do Telaprevir com os dois interferons peguilados os resultados foram similares entre eles:

- Os pacientes infectados com o genótipo 1 que recebiam Telaprevir a cada 8 horas e tratados com o Pegasys obtiveram um percentual de cura de 85%.

- Os pacientes infectados com o genótipo 1 que recebiam Telaprevir a cada 8 horas e tratados com o PegIntron obtiveram um percentual de cura de 81%.

- Os pacientes infectados com o genótipo 1 que recebiam Telaprevir a cada 12 horas e tratados com o Pegasys obtiveram um percentual de cura de 83%.

- Os pacientes infectados com o genótipo 1 que recebiam Telaprevir a cada 12 horas e tratados com o PegIntron obtiveram um percentual de cura de 82%.

MEU COMENTÁRIO:

É fantástico saber que brevemente 7 de cada 10 infectados com o genótipo 1 poderão ser tratados em 24 semanas. Isto resulta em menos sofrimento para os pacientes como, também, uma redução fantástica no custo do tratamento (ainda não se conhece o preço do Telaprevir, mais certamente será bem menos que 24 semanas de tratamento).

Também é muito importante destacar que os que consigam estar indetectáveis na semana 4 e assim se mantiverem até a semana 20 do tratamento, terão uma possibilidade de cura entre 93 e 100% e que somente um pequeno número de pacientes deverá continuar o tratamento até a semana 48.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
EASL 2010 - Abstract 56 - X Forns, P Marcellin, P Ferenci, and others. On-treatment response-guided therapy with telaprevir q8h or q12h combined with peginterferon alfa-2a or peginterferon alfa-2b and ribavirin in treatment-naive genotype 1 hepatitis C (Study C208).
Liver Unit, University of Barcelona, Barcelona, Spain; Hôpital Beaujon, Clichy, France; Department of Internal Medicine, Medical University of Vienna, Vienna, Austria; Klinikum der Universität zu Köln, Cologne, Germany; Department of Hepatology, University Hospital Gasthuisberg, Leuven, Belgium; Clinic of Infectious and Tropical Diseases, University of Brescia, Brescia, Italy; Radboud University Nijmegen Medical Center, Nijmegen; Netherlands; Hôpital St Antoine, Paris, France; Tibotec BVBA, Mechelen, Belgium; Tibotec Inc, Yardley, PA.

Carlos Varaldo
Grupo Otimismo

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Uma boa notícia!

Acaba de ser aprovado na CAS - COMISSÃO DE ASSUNTOS SOCIAIS do Senado Federal a aprovação do substitutivo rejeitando o Projeto de Lei do Senado 219, de 2007, do Senador Tião Viana e, aprovando, com emendas o Projeto e 338, de 2007, do Senador Flávio Arns que altera a Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, para dispor sobre a oferta de procedimentos terapêuticos e a dispensação de medicamentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Após três anos de luta para conseguir mudar o texto original, finalmente foi aprovado na CAS. Agora o texto está sendo encaminhado a SSCLSF - SUBSEC. COORDENAÇÃO LEGISLATIVA DO SENADO para ciência do Plenário e publicação no Diário do Senado Federal. Após a publicação o texto segue para a Câmara de Deputados, onde deverá ser apreciado e votado.

As mudanças foram significantes. O novo texto regula a concessão de ações judiciais de medicamentos experimentais ou sem registro na ANVISA, com o qual sempre concordamos e, poderá dificultar algumas ações sobre medicamentos, mas é altamente importante porque obriga o ministério da saúde a atualizar de forma permanente as portarias e protocolos de tratamento pelo SUS e, determina que as atualizações sejam efetuadas mediante a instauração de processo administrativo a ser concluído em prazo não superior a cento e oitenta dias contados da data em que foi protocolado do pedido, admitida a sua prorrogação por noventa dias corridos, quando as circunstâncias exigirem.

Esse ponto e muito importante, pois a cada novo procedimento ou medicamento o ministério da saúde deverá se pronunciar, atualizando o protocolo (inclusive com consulta pública) ou dizer por que não aceita o novo medicamento. Por lei, todos os protocolos deverão ser atualizados de forma permanente e não ao bel prazer como acontece atualmente, demorando muitas vezes anos e anos, prejudicando quem depende do tratamento no SUS.

A todos os que nesses três anos se engajaram nesta luta para derrubar o PLS 219 e aprovar o PLS 338, meu muito obrigado, em especial aos senadores Flávio Arns e Tasso Jereissati, os quais foram de fundamental importância nessa tramitação.


Carlos Varaldo
Grupo Otimismo

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Comentários sobre a audiência para “Debater a Judicialização da Saúde e a necessidade de regulamentação da Emenda 29” realizada na Comissão de Assunto

Estive presente nesta terça-feira 11 de maio na audiência realizada na câmara de Deputados, onde basicamente se discutiu sobre a Judicialização da saúde.

De um lado o Ministério da Saúde representado por Reinaldo Guimarães – Secretaria de Ciência, Tecnologia e insumos estratégicos, a Dra. Fabíola Sousa Araújo da Advocacia Geral da União e três deputados que já foram secretários estaduais da saúde no Rio Grande do Sul, Paraíba e Distrito federal, todos reclamando que é um absurdo o comportamento do judiciário ao conceder as ações judiciais.

Alegavam que é absurda a “epidemia de ações” na Justiça o que prejudica o planejamento no ministério e abarrota os tribunais, sendo impossível atender todas as demandas, pois os recursos são limitados. O Deputado Osmar Terra (PMDB-RS) falou que Falou que os Conselhos de Saúde, municipais, estaduais e até o CNS, perderam seu rumo, não possuindo mais contato com a sociedade e se transformaram em grupos corporativos que lutam pela própria defesa.

Colocou seu velho exemplo do preço do interferon peguilado, achando um absurdo que 1 kg custe o equivalente a 1 tonelada de ouro. Pena que não podíamos nos expressar, para explicar que isso era quando ele insistia em comprar pelo RS e pagava R$. 1.500,00 por ampola, mas hoje, com a compra em Brasília o preço é somente de trezentos e poucos reais, demonstrando que o medicamento era caro porque não sabia comprar.

Por outro lado a maioria da mesa defendia o direito dos cidadãos de recorrer a Justiça. Estavam a favor dos pacientes o Dr. Ingo Wolfganag Sarlet – Juiz de Direito – RS, André Ordacgy – Defensor Público da União – RJ, Humberto Medeiros – Procurador Federal – RS, Reno Coelho – Presidente da Sociedade de Reumatologia – RJ e a Deputada Elcione Barbalho – Deputada - PMDB-PA, os quais colocaram que a tal “epidemia de ações” e um factóide sem fundamento criado pelo ministério da saúde para esconder a incompetência da gestão (textualmente conforme foi apresentado na audiência pelos representantes do judiciário) e, foram apresentados diversos exemplos mostrando que sobram recursos, os quais são aplicados no sistema financeiro e no final do ano são devolvidos ao tesouro, assim, não é lógico que o Juiz deixe de aprovar as ações judiciais, pois o sistema não apresenta falta de recursos.

Foi mostrado que em 2008 o governo federal gastou 1 bilhão de Reais em publicidade e somente 50 milhões para atender ações judiciais contra a União.

Carlos Varaldo
Grupo Otimismo

Comentários sobre a audiência para “Debater a Judicialização da Saúde e a necessidade de regulamentação da Emenda 29” realizada na Comissão de Assunto

Estive presente nesta terça-feira 11 de maio na audiência realizada na câmara de Deputados, onde basicamente se discutiu sobre a Judicialização da saúde.

De um lado o Ministério da Saúde representado por Reinaldo Guimarães – Secretaria de Ciência, Tecnologia e insumos estratégicos, a Dra. Fabíola Sousa Araújo da Advocacia Geral da União e três deputados que já foram secretários estaduais da saúde no Rio Grande do Sul, Paraíba e Distrito federal, todos reclamando que é um absurdo o comportamento do judiciário ao conceder as ações judiciais.

Alegavam que é absurda a “epidemia de ações” na Justiça o que prejudica o planejamento no ministério e abarrota os tribunais, sendo impossível atender todas as demandas, pois os recursos são limitados. O Deputado Osmar Terra (PMDB-RS) falou que Falou que os Conselhos de Saúde, municipais, estaduais e até o CNS, perderam seu rumo, não possuindo mais contato com a sociedade e se transformaram em grupos corporativos que lutam pela própria defesa.

Colocou seu velho exemplo do preço do interferon peguilado, achando um absurdo que 1 kg custe o equivalente a 1 tonelada de ouro. Pena que não podíamos nos expressar, para explicar que isso era quando ele insistia em comprar pelo RS e pagava R$. 1.500,00 por ampola, mas hoje, com a compra em Brasília o preço é somente de trezentos e poucos reais, demonstrando que o medicamento era caro porque não sabia comprar.

Por outro lado a maioria da mesa defendia o direito dos cidadãos de recorrer a Justiça. Estavam a favor dos pacientes o Dr. Ingo Wolfganag Sarlet – Juiz de Direito – RS, André Ordacgy – Defensor Público da União – RJ, Humberto Medeiros – Procurador Federal – RS, Reno Coelho – Presidente da Sociedade de Reumatologia – RJ e a Deputada Elcione Barbalho – Deputada - PMDB-PA, os quais colocaram que a tal “epidemia de ações” e um factóide sem fundamento criado pelo ministério da saúde para esconder a incompetência da gestão (textualmente conforme foi apresentado na audiência pelos representantes do judiciário) e, foram apresentados diversos exemplos mostrando que sobram recursos, os quais são aplicados no sistema financeiro e no final do ano são devolvidos ao tesouro, assim, não é lógico que o Juiz deixe de aprovar as ações judiciais, pois o sistema não apresenta falta de recursos.

Foi mostrado que em 2008 o governo federal gastou 1 bilhão de Reais em publicidade e somente 50 milhões para atender ações judiciais contra a União.

Carlos Varaldo
Grupo Otimismo

terça-feira, 11 de maio de 2010

Família não consegue doar órgãos de jovem morta

Rio - A morte da jovem Tainá dos Santos, 19 anos, em Cabo Frio, no sábado, trouxe à tona mais um problema do Programa Estadual de Transplantes. Os pais da menina, ao serem informados de que ela teria tido morte cerebral, tentaram doar os órgãos da filha. Segundo eles, falta de exames para atestar o óbito impediram a doação.

O corpo de Tainá está no Hospital Central de Emergência de Cabo Frio. Para que os órgãos sejam doados, é necessário que ela passe por arteriografia cerebral ou por eletroencefalograma. Nem o hospital de Cabo Frio nem outros hospitais públicos da região têm os aparelhos. “A Central de Transplantes não tem especialista para atestar morte cerebral e joga a responsabilidade para o hospital”, observa o presidente da ONG Dohe Fígado, Carlos Cabral.

A Secretaria Estadual de Saúde informa que a paciente sofreu politraumatismo e traumatismo craniano, afetando os órgãos da paciente de forma que eles não poderiam ser transplantados. E que a equipe da Central de Transplantes tentou falar com a família, mas não conseguiu.

O Dia On Line

domingo, 9 de maio de 2010

RECOMENDAÇÕES DO INSTITUTO DA ACADEMIA DE MEDICINA PARA PREVENÇÃO E CONTROLE DAS HEPATITES B E C

Acaba de ser publicado no "Hepatology" um estudo realizado pelo Instituto da Academia de Medicina dos Estados Unidos (Institute of Medicine of the National Academies) com recomendações para a prevenção e controle das hepatites B e C. Ao final do texto disponibilizamos a integra da publicação (em Inglês) para quem está interessado no assunto.

O texto, com pequenas adequações pode ser adaptado a realidade de cada país. No caso de adaptação para o Brasil fica ainda mais fácil, pois o número de infectados cronicamente com as hepatites B e C e praticamente o mesmo que nos Estados Unidos (entre cinco e seis milhões de indivíduos) o que demandaria políticas e esforços muito parecidos, mas sem ignorar na adequação as diferenças que existem entre os sistemas públicos e privados de saúde dos dois países nem o patamar de pacientes já diagnosticados e atendidos.

Por exemplo, os planos de saúde dos Estados Unidos são obrigados a oferecer os tratamentos das hepatites B e C, já no Brasil não fornecem medicamentos de uso oral. No caso da hepatite C nos Estados Unidos já foram tratados mais de 700.000 infectados, contra menos de 70.000 no Brasil. No Brasil as ações deveriam ser maiores para tentar recuperar o tempo perdido.

O Instituto da Academia de Medicina dos Estados Unidos estima que a cada ano morrem 15.000 pessoas por culpa do câncer ou doenças do fígado nos Estados Unidos relacionadas com as hepatites, duas doenças que poderiam ser evitadas mediante prevenção, diagnostico precoce e tratamento.

Nos Estados Unidos é estimado que as mortes nos próximos 10 anos sejam de 150.000 pessoas. A prevalência da hepatite B atinge entre 800.000 e 1.4 milhões de pessoas e a hepatite C entre 3,7 e 3,9 milhões, números praticamente iguais ao do Brasil.

Nos estados unidos é estimado que 70% dos infectados ainda não foram diagnosticados, já no Brasil o número de não diagnosticados chega aos 90%, o que representa um dado alarmante, pois esses indivíduos estão agravando o seu quadro de saúde.

Nos Estados Unidos os infectados com as hepatites B e C atingem uma população 5 vezes maior que a de infectados com HIV/AIDS, mas o CDC (Centers for Disease Control and Prevention) destina 69% de seu orçamento para o HIV/AIDS e somente 2% para as hepatites B e C. No Brasil para cada um dos 600.000 infectados com HIV/AIDS existem recursos da ordem de R$. 3.600,00 no orçamento de 2010, incluindo campanhas, tratamento, atenção, etc., já para os aproximadamente 5,5 milhões de infectados pelas hepatites B e C o recurso orçamentário não chega a R$. 70,00 ao se realizar a mesma comparação por pessoas infectadas. A insuficiência de recursos para os programas de hepatites estão dando lugar a transmissão continua das hepatites B e C e a altas taxas de morbilidade e mortalidade.

Os sistemas de vigilância epidemiológica, tanto nos Estados Unidos como no Brasil se encontram pouco desenvolvidos e totalmente fragmentados nos estados e municípios, não existindo uma efetiva vigilância dos casos diagnosticados. No Brasil, aproximadamente três de cada quatro diagnosticados não são notificados no ministério da saúde, não existindo a abertura da notificação por meio eletrônico no site do ministério da saúde, o que seria o método mais lógico e fácil.

São quatro as recomendações do estudo para resolver a situação:

1 - Melhoria da vigilância epidemiológica nas hepatites B e C;

2 - Maior conhecimento e sensibilização da assistência sanitária e serviços sociais (postos de saúde, médicos de família, etc.), especialmente quando do atendimento de pessoas que possam estar incluídas nos grupos de maior prevalência;

3 - Melhoria na cobertura vacinal na hepatite B;

4 - Melhoria no acesso ao diagnostico, tratamentos e medicamentos.

Carlos Varaldo
Grupo Otimismo

sábado, 8 de maio de 2010

SALÕES DE BELEZA DE SÃO PAULO ADOTAM KIT INDIVIDUAL PARA EVITAR HEPATITE

Os salões de beleza de São Paulo adotaram kits de manicure e pedicure individuais para evitar a contaminação de hepatite. Alicates de unha personalizados e lixas e palitos descartáveis ajudam a tornar o processo mais higiênico. O uso da bacia de água também foi abandonado por alguns estabelecimentos, de modo a evitar a proliferação de fungos e micoses. O risco de contaminação de hepatite fez com que todos os salões de beleza fossem obrigados pela vigilância sanitária a esterilizar as ferramentas utilizadas no corte de unha e cutícula com autoclave.
Os estabelecimentos também devem adquirir licença de funcionamento no órgão municipal. Segundo a médica Maria Lúcia Ferraz, professora de gastroenterologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a melhor conduta ao fazer as unhas é ter seu próprio equipamento. "A falta de cuidado no manejo dos alicates apresentava um risco de transmissão de hepatite B e hepatite C. Não se deve ter compartilhamento de objetos que têm contato com sangue".
A adoção das medidas segue as recomendações da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. No início do ano, uma pesquisa do Instituto Estadual de Infectologia Emílio Ribas revelou que 10% das manicures paulistas estavam contaminadas pelo vírus da hepatite B ou C e que 100% delas não esterilizavam os alicates corretamente. A vigilância sanitária municipal, entretanto, não tem qualquer recomendação quanto ao uso da bacia para fazer as unhas. As manicures podem tomar a vacina contra a hepatite gratuitamente desde 2004 no Brasil.
Fonte:

Marilia Gaboardi

Telaprevir em pacientes não respondedores - Surpreendente: 59% conseguem a cura!

A apresentação oral n° 4 relatava os resultados finais de retratamento de pacientes infectados com o genótipo 1 da hepatite C que não tiveram sucesso num tratamento anterior com interferon peguilado e ribavirina.

Todas as tentativas de retratar esses pacientes utilizando novamente o interferon peguilado e a ribavirina apresentaram resultado muito aquém do desejado, sendo pequenas a possibilidades de sucesso. O número de pacientes infectados com o genótipo 1 que não responderam ao tratamento corresponde aproximadamente à metade dos tratados, um número enorme que necessita atenção prioritária.

O Telaprevir apresentou os resultados surpreendentes conseguidos no retratamento desses pacientes, assombrando os participantes do EASL 2010 que aconteceu semana passada em Viena, na Áustria.

É necessário separar em grupos os pacientes que não obtiveram sucesso no tratamento anterior, pois em cada caso as possibilidades com um retratamento serão muito diferentes. Assim, neste estudo os resultados são diferentes para os que no primeiro tratamento foram nulos de resposta (grupo formado pelos que nunca conseguiram se encontrar negativos), pelos respondedores parciais (grupo que na semana 24 somente baixou 2 log), pelos não respondedores (grupo que consegue negativar, mas durante o tratamento voltam a estar positivos) e pelos recidivantes (grupo que completa o tratamento estando negativo, mas o vírus reaparece nos seis meses seguintes ao final do tratamento).

O desenho original do estudo consistia em retratar os pacientes durante as primeiras 12 semanas com Telaprevir, interferon peguilado e ribavirina e depois desse prazo continuar somente com interferon peguilado e ribavirina até completar 24 semanas de tratamento. Os pesquisadores decidiram após o inicio do estudo, dependendo da resposta de cada paciente, estender o tratamento até completar 48 semanas, objetivando garantir a resposta sustentada dos pacientes lentos em responder.

No total foram retratados 117 pacientes, sendo 51 nulos de resposta no primeiro tratamento, 29 pacientes que apresentaram somente uma resposta parcial, 8 pacientes não respondedores e 29 pacientes recidivantes.

A resposta sustentada geral do grupo foi conseguida por 59% dos pacientes que iniciaram o retratamento.

A resposta de cada grupo varia em função do regime terapêutico empregado, mas podemos a resumir da seguinte forma:

1 - PACIENTES NULOS DE RESPOSTA NO TRATAMENTO ANTERIOR

- Os que receberam tratamento de Telaprevir/interferon peguilado e ribavirina por 12 semanas e mais 12 semanas de interferon peguilado e ribavirina, conseguiram 17% de possibilidade de cura.

- Os que receberam tratamento de Telaprevir/interferon peguilado e ribavirina por 12 semanas e mais 36 semanas de interferon peguilado e ribavirina, conseguiram 56% de possibilidade de cura.

2 - PACIENTES COM RESPOSTA PARCIAL NO TRATAMENTO ANTERIOR

- Todos receberam tratamento de Telaprevir/interferon peguilado e ribavirina por 12 semanas e mais 12 semanas de interferon peguilado e ribavirina, conseguindo 60% de possibilidade de cura.

3 - PACIENTES NÃO RESPONDEDORES NO TRATAMENTO ANTERIOR

- Todos receberam tratamento de Telaprevir/interferon peguilado e ribavirina por 12 semanas e mais 12 semanas de interferon peguilado e ribavirina, conseguindo 86% de possibilidade de cura.

4 - PACIENTES RECIDIVANTES APÓS O TRATAMENTO ANTERIOR

- Todos receberam tratamento de Telaprevir/interferon peguilado e ribavirina por 12 semanas e mais 12 semanas de interferon peguilado e ribavirina, conseguindo 96% de possibilidade de cura.

Os efeitos colaterais mais freqüentes do tratamento foram a sensação de gripe, fadiga, náuseas, diarréia, prurido, etc., um pouco maiores que no tratamento atual, mas nada que possa ser um fator considerado adverso. Com o tempo esses efeitos serão conhecidos e poderão ser evitados, tal qual aconteceu com os primórdios do tratamento da AIDS.

MEUS COMENTÁRIOS

Após a apresentação, jantando junto a um grupo de médicos comemoramos os resultados, pois estamos frente a uma revolução nos resultados que podem ser conseguidos com a introdução do Telaprevir, do qual muito provavelmente as autoridades do FDA dos Estados Unidos e da Comissão Européia de Medicamentos o deverão autorizar, se não for ao final deste ano no inicio de 2011. Em outros países vai depender da vontade política e da agilidade das agencias reguladoras em atualizar os protocolos e consensos, e neste ponto a sociedade civil será fundamental para exercer a devida pressão, seja recorrendo a Justiça e até realizando manifestações publicas, mas é necessário que os medicamentos estejam disponíveis rapidamente para assim evitar a morte de muitos pacientes.

Vejo com grande alegria que dependendo do resultado do tratamento anterior, entre 56% e 96% (sim estou escrevendo corretamente!) conseguirão a cura definitiva da hepatite C e, mais importante ainda, a maioria com somente 24 semanas de tratamento.

Este e o primeiro de uma serie de matérias que estarei enviando nos próximos dias. Não somente o material e em grande quantidade, como os transtornos causados pela impossibilidade de regressar da Europa por culpa do vulcão, atrapalharam totalmente a minha vida, acumulando o trabalho. Temos muitas boas notícias para comentar!

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Oral Presentation - OPENING & GENERAL SESSION 1- Abstract: 4 - Journal of Hepatology, Supplement No 1, Volume 52, 2010, Page S2 - SVR WITH TELAPREVIR, PEGINTERFERON ALFA-2A AND RIBAVIRIN IN HCV PATIENTS WITH WELL-CHARACTERIZED PRIOR NULL RESPONSE, PARTIAL RESPONSE, VIRAL BREAKTHROUGH OR RELAPSE AFTER PR - T. Berg1, J.G. McHutchison, N. Adda, F. Poordad, M.L. Shiffman, P. Ferenci, J. Heathcote, J.-M. Pawlotsky, S. Zeuzem, H. Reesink, G. Dusheiko, E. Martin, D. Alexanderian, S. George, A.J. Muir.

Carlos Varaldo
Grupo Otimismo

sexta-feira, 23 de abril de 2010

O Silêncio dos Inocentes II

“Um enorme país com estados maiores que vários paises Europeus, péssima distribuição de renda e má vontade das 3 esferas do governo em desenvolver campanhas públicas de detecção.” Esta é a realidade enfrentada pelos quase 200 milhões de brasileiros. Poucas Secretarias Estaduais de Saúde (SP é uma das que se destacam) se sobressaem no enfrentamento desta pandemia 100 vezes maior que AIDS.
Se Dr Ricardo Gadelha (Coordenador do DST-AIDS/PNHV), admite haver mais de 3,5 milhões de contaminados só com Hepatite C, juntando com cerca de 2 milhões com Hepatite B, incluindo também as endêmicas Hepatites D e E , teremos mais de 7 milhões de contaminados. Este número bate certo com os dados já levantados há muito tempo por Carlos Varaldo, Presidente do Grupo Otimismo.
Se a bomba viral já explodiu por que não investir em detecção e tratamento? Com campanhas de prevenção deixaremos os já contaminados entregues a própria sorte. O genocídio em massa, conforme artigo publicado no JB (Carlos Varaldo) em 2002 “Hepatite C, assassino silencioso?”. A população esta aguardando uma resposta dos governos, uma resposta que seja pautada pelo compromisso com a verdade e por políticas sérias de saúde pública. Ai quem sabe, palavras como humanização e equidade passem a fazer parte de fato e de direito, das normas do SUS.

Claudio Costa
Grupo Amarantes

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Transplantes: Rio no fim da fila

Em um mês, 3 fígados captados no estado seguiram para Minas Gerais e São Paulo, porque médicos não são pagos

Rio - Trezentas e cinquenta e nove pessoas esperam por um transplante de fígado no Rio mas, apesar disso, órgãos captados no estado estão sendo enviados a outras unidades da federação. No último mês, três seguiram para pacientes em Minas Gerais e São Paulo.
“Os pacientes estão preocupados porque está tudo parado. O Hospital Geral de Bonsucesso só faz transplantes duas vezes por semana. E o Fundão está praticamente parado. Os pacientes que estão na fila estão sem perspectivas”, afirma Carlos Roberto Cabral, presidente da Dohe Fígado, associação que reúne pessoas que esperam por um transplante.

Conforme O DIA noticiou este mês, médicos do HGB pararam de fazer transplantes fora do horário de expediente porque não estão recebendo do Ministério da Saúde a complementação pelas horas extras necessárias nos transplantes. Dia 23 de março, liminar da Justiça Federal determinou que o ministério pague a complementação — prevista em lei desde fevereiro — até 23 de maio. O ministério, no entanto, recorreu da decisão. E o impasse permanece.

O problema poderá ser resolvido nos próximos dias. O governo do estado anunciará, na próxima segunda-feira, uma série de mudanças no sistema de transplantes. Uma das novidades é que a Secretaria Estadual de Saúde e Defesa Civil dobrará o pagamento das equipes do HGB e do Hospital do Fundão, que atuam na captação e na realização dos transplante, e vai pagar a suplementação aos profissionais.

Cirurgias na rede privada

Pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) poderão ser transplantados em mais duas unidades particulares. O governo do estado fechou acordo para que cirurgias ocorram no Hospital Quinta D’Or e no Hospital das Clínicas de Niterói.
Já para melhorar a captação, 16 enfermeiros que trabalhavam na Central Estadual de Transplantes foram deslocados para atuar na captação de doadores no Hospital Getúlio Vargas (Penha), Alberto Torres (São Gonçalo), Azevedo Lima (Niterói) e Adão Pereira Nunes (Saracuruna). “O objetivo é aumentar as captações. Com isso, a gente vai conseguir verificar os problemas nas equipes transplantadoras”, disse o coordenador da central, Eduardo Rocha.

domingo, 18 de abril de 2010

HEAT - O gigante do Colubande




Na sexta feira (16/04) estive no HEAT (Hospital Geral do Colubande); fui procurar a direção do Hospital para ver como ele estava funcionando. E fiquei muito contente por saber que o HEAT esta funcionando muito bem! O Hospital absorveu até a população de Niterói vitima da catástrofe. Não que não fosse sua obrigação, afinal é bom lembrar que o Hospital é gestão estadual, só que antes dele tem o Hospital Azevedo Lima, que hoje infelizmente esta superlotado devido a inércia do Alcaide de Niterói, JR. Aparelhos de última geração, 35 UTIs inclusive com televisão (fotos), ar refrigerado, equipe atenciosa, enfim tratamento de hospital de primeiro mundo. Parabéns ao Dr Charbel e toda sua competente equipe.

Claudio Costa
Grupo Amarantes

domingo, 11 de abril de 2010

Historia natural da progressão da cirrose

Esclarecendo ser totalmente impossível se estabelecer uma formula matemática que possa prever como será a progressão de um caso de cirrose já que cada organismo e diferente, assim, como as condições e doenças que possam estar influenciando no problema, neste artigo somente tentarei explicar as fases pelas quais passa um fígado que já se encontre com cirrose.

Se você é uma pessoa que ao ler um artigo fica apavorado, pensando que com você as coisas ruins sempre acontecem e que vai ter todos os problemas relatados, então e melhor fechar este artigo e não ler ele totalmente. Pode parecer um artigo assustador, mas não é essa a minha intenção. O objetivo e o de conscientizar o paciente com cirrose dos cuidados que deve observar no seu quadro clínico e, ao conhecer as implicações da cirrose poderá melhor discutir com os médicos sobre os procedimentos que estão sendo realizados. Não podemos esquecer que paciente bem informado e conhecedor de sua condição sempre consegue melhor resposta terapêutica e melhor atenção por parte dos profissionais da saúde.

A história natural se divide em duas fases principais. Temos a fase chamada "compensada" a qual por ser a fase inicial da cirrose e geralmente assintomática e, a seguir, aparece a fase chamada "descompensada", fase está onde aparecem as complicações decorrentes de um fígado cirrótico.

A cirrose compensada, quando a pressão na veia portal se encontra em níveis normais a expectativa de vida e muito boa, em media de 12 anos. Já com o aparecimento das complicações, tais como o aparecimento de varizes no esôfago, acumulo de fluidos no estomago (ascites), peritonites bactérial espontânea, encefalopatia, etc., a expectativa de vida pode ficar em poucos anos, entre 2 e 4 anos.

Na primeira etapa de um quadro cirrótico, com ausência de varizes no esôfago ou de ascites a probabilidade de morte um ano após o diagnostico e mínima, inferior a 1%. Segundo o consenso da Associação Européia para Estudo do Fígado, resultando nas recomendações "BAVENO IV", 7% desses pacientes desenvolvem varizes no esôfago e 4,4% ascites (com ou sem varizes) passando a segunda etapa da progressão da cirrose.

Numa segunda etapa, quando aparecem varizes no esôfago, mas não aparece à ascite nem sangramento das varizes, a mortalidade chega aos 3,4% dos pacientes no primeiro ano após o diagnostico, sendo que 6,6% poderão ter hemorragias no esôfago e 4% desenvolver ascites, passando a etapa 3 da cirrose.

Na etapa 3 se enquadram os pacientes com ascites repetitivas que apresentam, ou não, varizes no esôfago sem sangramentos. Nestes a mortalidade chega aos 20% no primeiro ano. Em 7,6% destes pacientes aparecem hemorragias por rompimento das varizes existentes no esôfago.

Na etapa 4 se enquadram os pacientes cirróticos que apresentam hemorragia gastrointestinal com ou sem a presença de ascites. A mortalidade em um ano após o aparecimento dos eventos chega aos 57% dos pacientes.

Continuando com o descrito no consenso "BAVENO IV" as etapas 1 e 2 correspondem a pacientes com cirrose compensada e as etapas 3 e 4 a pacientes descompensados no quadro cirrótico.

COMENTÁRIO FINAL:

Tal qual coloquei ao inicio a minha intenção não é assustar e sim colocar de forma nua e crua o que pode acontecer. Espero que isso contribua a conscientizar o paciente cirrótico a que ele deve colaborar com os médicos no sentido de evitar acelerar a progressão da doença. Vemos que nas três primeiras etapas a probabilidade de morte no primeiro ano e bem menor que a probabilidade de sobrevida, assim, cada paciente deve escolher em qual dos dois grupos quer se colocar. Se quer participar daquele no qual e levado ao cemitério pelos amigos ou, daquele que vai a se despedir de um amigo no enterro.

O titulo do artigo e referente a "Historia natural", mas existem fatores de risco para evitar uma progressão mais acelerada da cirrose na qual o paciente tem muita ou total responsabilidade. O peso acima do ideal e prejudicial (podendo ser controlado pelo paciente), a alimentação equilibrada, a proibição total de bebidas alcoólicas, a estrutura muscular (a qual pode ser melhorada com a prática de exercícios aeróbicos diariamente), o pensamento positivo e o seguimento estrito das recomendações médicas são fundamentais para evitar acelerar a progressão da cirrose.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:

"BAVENO IV" (Evolving Consensus in Portal Hypertension Report of the Baveno IV Consensus Workshop on methodology of diagnosis and therapy in portal hypertension - Roberto de Franchis - Journal of Hepatology 43 (2005) 167-176)

Carlos Varaldo

Grupo Otimismo

domingo, 4 de abril de 2010

Jornal O DIA - RJ


Sem transplante, sem remédioAlém de enfrentarem a paralisação de médicos do Hospital de Bonsucesso, que não estão recebendo pagamento, pacientes que precisam de doação de fígado só conseguem medicamento do SUS se entrarem na Justiça
Rio - Não é só a paralisação da equipe de transplantes de fígado do Hospital Geral de Bonsucesso (HGB) que põe em risco a vida de quem está na fila por um órgão. A falta de medicamentos na grade de distribuição gratuita do Sistema Único de Saúde (SUS) também é uma dificuldade para os que estão em tratamento. Quem necessita dos medicamentos para sobreviver deve entrar na Justiça para obtê-los. Mesmo assim, não é garantido que vá realmente receber o produto.

É o caso de Raphael do Amaral, 16, que, desde setembro de 2009, não recebe os remédios para seu tratamento. A mãe do rapaz, Maria da Penha, que é deficiente visual, conta que entrou na Justiça em fevereiro de 2008, pouco depois de receber a notícia de que o filho sofria de colangite esclerosante e teria que aguardar por um transplante de fígado.

Na sentença, foi definido que governos do estado e do município deveriam fornecer os remédios para o tratamento: Ursacol 300mg, Propanolol 10mg, Sulfato Ferroso 109mg, Omeoprazol 20mg e ácido fólico 5mg. Juntos, eles custam cerca de R$ 460 por mês.

“Pior é quando falta o Ursacol, que custa R$ 130 a caixa. Raphael precisa de três por mês. Já gastei R$ 2.730. Não tenho esse dinheiro, peço emprestado. A última vez que fui na central, dia 25, disseram para aguardar um telefonema, e, até hoje, nada”, lamentou.

O desespero de Raphael e de mais 358 pacientes que aguardam por transplante de fígado não para por aí.


Como O DIA noticiou dia 26/03, transplantes de fígado do HGB estão parados: médicos deixaram de fazer as cirurgias fora do horário de expediente por não receberem o Adicional por Plantão Hospitalar (APH) do Ministério da Saúde, previsto por lei em vigor desde fevereiro de 2009. Para a lei funcionar, falta um decreto ser assinado e regulamentado. Até lá, transplantes só serão realizados no horário do expediente.

O Ministério da Saúde informou que o decreto que regulamenta o APH passa por análise do Ministério do Planejamento e será encaminhado à Casa Civil essa semana. Mas o assessor de imprensa do Planejamento, Orestino Amurim, informou ontem, por telefone, que não há prazo para o decreto ser encaminhado à Casa Civil. Ele recusou-se a explicar o assunto a O DIA por nota e disse ser ‘comum’ a demora para assinatura de decretos.

A Secretaria estadual de Saúde informou que os medicamentos estão à disposição do paciente na Central de Mandados. Já a municipal afirmou que a entrega está agendada para quarta-feira.

Sindicância para apurar perda de R$ 15,6 milhões

O estado abriu sindicância ontem para apurar o desperdício de R$ 15,6 milhões em medicamentos, insumos e materiais médico-hospitalares. Conforme O DIA mostrou com exclusividade em 1º de março, o Departamento Nacional de Auditoria do SUS (Denasus) constatou que os produtos perderam a validade entre julho e novembro do ano passado na Central Geral de Abastecimento (CGA), em Niterói.

A sindicância deve ser concluída em 30 dias, mas pode ser prorrogada por mais 30 dias, segundo publicação do Diário Oficial que cita as matérias de O DIA.

O desperdício noticiado deixou doentes e parlamentares indignados. O Ministério Público Federal decidiu dar prosseguimento à ação civil pública contra a Secretaria Estadual de Saúde e Defesa Civil para que o órgão normalize o fornecimento dos remédios. Há dois anos, a ação havia sido suspensa porque o estado assinara Termo de Ajustamento de Conduta se comprometendo a regularizar o fornecimento e inaugurar farmácia com condições de armazenar remédios. O termo, no entanto, não foi cumprido.



Jornal O Dia - Pâmela Oliveira e Clarissa Mello

Roberto Pereira

Centro de Educação Sexual - CEDUS

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domingo, 28 de março de 2010

Hepatite C e Diabetes - Novas descobertas e controvérsias - Conselhos para prevenir problemas

1 - É sabido que pessoas com hepatite C, inclusive as que conseguem curar a doença, apresentam quatro vezes mais possibilidades de desenvolver a diabete tipo 2 que a população em geral, mas ainda e controverso o porquê isso acontece ou qual pode ser a relação entre a hepatite C e a diabetes.

2 - Também e sabido que não todas as hepatites apresentam a mesma característica, já que hepatites A e B não aumentam a possibilidade do infectado desenvolver diabetes, mais uma evidencia que as hepatites A, B e C são doenças diferentes, tendo em comum somente o fato de afetar o fígado.

3 - Também já é conhecido que o genótipo 3 da hepatite C e o que apresenta maior possibilidade de desencadear o distúrbio metabólico, desenvolvendo esteatoses e por conseqüência levando mais rapidamente ao diabetes tipo 2.

4 - Também é consenso que a resistência a insulina e o fator que influi no desenvolvimento do distúrbio metabólico em todos os genótipos, levando ao aparecimento da diabetes tipo 2.

Os quatros conceitos acima são aceitos por médicos e pesquisadores, sendo consenso quanto a tais afirmações, mas também sempre se acreditou que a resistência a insulina seria ocasionada pelas células do fígado afetadas pelo vírus da hepatite C, teoria essa contestada por um estudo de pesquisadores australianos que acaba de ser publicada em Gastroenterology.

Ao estudar 29 pacientes infectados com os genótipos 1 e 3 da hepatite C com níveis altos de resistência a insulina, eles observaram, assombrados, que a resistência a insulina não estava sendo provocada no fígado, sendo que a origem dela se encontrava nos músculos.

A resistência a insulina não foi encontrada nos fígados nem sequer naqueles que também apresentavam esteatose (gordura no fígado). Os 15 pacientes com níveis elevados de esteatose apresentaram o mesmo nível de resistência a insulina dos 14 pacientes sem esteatoses.

Os pacientes infectados com o genótipo 3 apresentavam três vezes mais gordura no fígado que os pacientes infectados com o genótipo 1, mas os níveis de resistência a insulina não eram diferentes entre os dois genótipos.

Os pesquisadores aplicavam glicose intravenosa nos pacientes, incentivando dessa forma a secreção de insulina, ficando demonstrado que a secreção de insulina não era prejudicada nos pacientes infectados com hepatite C ao fazer a comparação com o grupo controle, sem hepatite C. A observação desse fato demonstra que os infectados com hepatite C que desenvolvem diabete tipo 2 provavelmente desenvolveriam diabetes de qualquer forma, sem necessidade de serem infectados com a hepatite C, pois possuem no seu organismo células susceptíveis a produção de insulina.

Concluem os pesquisadores que a resistência a insulina não está relacionada com a gordura depositada no fígado, sendo ocasionada pela gordura periférica, isto é a depositada no tecido adiposo e nos músculos. Recomendam também a realização de novos estudos para uma melhor compreensão da doença e a resistência a insulina ocasionada nos músculos e tecidos adiposos.

EXPLICAÇÃO SIMPLES SOBRE A INSULINA:

A insulina e fabricada pelo pâncreas e a glicose e produzida pelo fígado para alimentar os músculos que fornecem energia ao organismo. Um fígado saudável produz glicose de forma controlada, mas quando aparece a resistência a insulina passa a fabricar uma maior quantidade de glicose e, como os músculos não podem absorver o excesso o nível de açúcar no sangue fica elevado podendo então levar o indivíduo para desenvolver o diabetes tipo 2, mas e necessário esclarecer que a diabete tipo 2 não necessariamente será ocasionada pela resistência a insulina.

O diabete tipo 2 aparece em geral na fase adulta do individuo. O diabete possui um forte fator genético, assim sempre é conveniente averiguar se a família teve parentes com diabete tipo 2, pois nesses casos a probabilidade de desenvolver o diabete e maior. Existindo parentes diabéticos será necessário ter cuidados com a dieta, manter o peso ideal e praticar exercícios aeróbicos regularmente, sendo recomendada uma consulta médica anual para acompanhamento.

EXPLICAÇÃO SIMPLES SOBRE A RESISTENCIA A INSULINA:

O grau de resistência a insulina e calculado por o método HOMA-IR, sendo útil na avaliação da diabetes e para caracterizar a síndrome metabólica, entre outras aplicações. O índice de HOMA (Homeostatic Model Assessment) é um cálculo de execução simples, calculado nas dosagens da insulina e da glicemia, ambas de jejum.

O Laboratório Fleury explica que a estimativa da resistência à insulina pode ser determinada por meio de várias formas, tais como medida de peso, altura e índice de massa corpórea (IMC), medida da circunferência abdominal e testes laboratoriais. O cálculo do HOMA-IR, do inglês, homeostatic model assessment, é feito com base nas dosagens de insulina e glicose de jejum. Esse índice apresenta boa correlação com os exames considerados padrão-ouro para tal finalidade, como o clamp hiperinsulinêmico. No Fleury, sempre que se realiza a dosagem simultânea de insulina e glicose em jejum, o HOMA-IR é automaticamente calculado. Os valores de referência baseiam-se em estudo realizado no próprio Fleury, o qual envolveu 1.860 adultos brasileiros que tiveram seus resultados expressos em função do IMC.

Valores de referência do HOMA-IR:

Índice de Massa Corporal até 25 kg/m²: 0,4 a 2,9

Índice de Massa Corporal entre 25 e 30 kg/m²: 0,4 a 4,3

Índice de Massa Corporal acima de 30 kg/m²: 0,7 a 8,2

A calculadora do HOMA-IR pode ser encontrada em:
http://www.atalaia.com.br/apoio_laboratorios_calculos.php

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Chronic Hepatitis C Is Associated With Peripheral Rather Than Hepatic Insulin Resistance - Volume 138, Issue 3, Pages 932-941.e3 (March 2010) - Kerry-Lee Milner, David van der Poorten, Michael Trenell, Arthur B. Jenkins, Aimin Xu, George Smythe, Gregory J. Dore, Amany Zekry, Martin Weltman, Vincent Fragomeli, Jacob George, Donald J. Chisholm

Carlos Varaldo
Grupo Otimismo

sexta-feira, 19 de março de 2010

Poder Público deve custear medicamentos e tratamentos de alto custo a portadores de doenças graves, decide o Plenário do STF

O Plenário do Supremo Tribunal Federal indeferiu nove recursos interpostos pelo Poder Público contra decisões judiciais que determinaram ao Sistema Único de Saúde (SUS) o fornecimento de remédios de alto custo ou tratamentos não oferecidos pelo sistema a pacientes de doenças graves que recorreram à Justiça. Com esse resultado, essas pessoas ganharam o direito de receber os medicamentos ou tratamentos pedidos pela via judicial.

O ministro Gilmar Mendes foi o relator das Suspensões de Tutela (STA) 175, 211 e 278; das Suspensões de Segurança 3724, 2944, 2361, 3345 e 3355; e da Suspensão de Liminar (SL) 47. No seu voto ele disse que se tem constatado a crescente controvérsia jurídica sobre a possibilidade de decisões judiciais determinarem ao Poder Público o fornecimento de medicamentos e tratamentos - decisões nas quais se discute, inclusive, os critérios para o fornecimento.

Gilmar Mendes afirmou que no âmbito do Supremo é recorrente a tentativa do Poder Público de suspender decisões judiciais nesse sentido. "Na Presidência do Tribunal existem diversos pedidos de suspensão de segurança, de suspensão de tutela antecipada e de suspensão de liminar com vistas a suspender a execução de medidas cautelares que condenam a Fazenda Pública ao fornecimento das mais variadas prestações de saúde - como fornecimento de medicamentos, suplementos alimentares, órteses e próteses, criação de vagas de UTIs e de leitos hospitalares, contratação de servidores da Saúde, realização de cirurgias e exames, custeio de tratamento fora do domicílio e inclusive no exterior, entre outros", exemplificou.

O ministro contou que ouviu diversos segmentos ligados ao tema na audiência pública sobre a saúde, ocorrida em abril de 2009. "Após ouvir os depoimentos prestados por representantes dos diversos setores envolvidos, ficou constatada a necessidade de se redimensionar a questão da judicialização do direito à saúde no Brasil, isso porque na maioria dos casos a intervenção judicial não ocorre em razão de uma omissão absoluta em matéria de políticas públicas voltadas à produção do direito à saúde, mas tendo em vista uma necessária determinação judicial para o cumprimento de políticas já estabelecidas", sublinhou.

Cautela

Apesar de julgar favoravelmente aos pacientes que precisam de medicamentos e tratamentos de alto custo, o ministro Gilmar Mendes foi cauteloso para que cada caso seja avaliado sob critérios de necessidade. Ele disse que obrigar a rede pública a financiar toda e qualquer ação e prestação de saúde existente geraria grave lesão à ordem administrativa e levaria ao comprometimento do SUS, de modo a prejudicar ainda mais o atendimento médico da parcela da população mais necessitada.

Mendes diferenciou, por exemplo, tratamentos puramente experimentais daqueles já reconhecidos, mas não testados pelo sistema de saúde brasileiro. No caso daqueles, ele foi enfático em dizer que o Estado não pode ser condenado a fornecê-los.

"Quanto aos novos tratamentos ainda não incorporados pelo SUS, é preciso que se tenha cuidado redobrado na apreciação da matéria. Como frisado pelos especialistas ouvidos na audiência pública, o conhecimento médico não é estanque, sua evolução é muito rápida e dificilmente acompanhável pela burocracia administrativa", citou, lembrando que a aprovação de novas indicações terapêuticas pode ser muito lenta e, como resultado disso, pacientes do SUS podem ser excluídos de tratamentos já oferecidos há tempos pela iniciativa privada.

"Há necessidade de revisão periódica dos protocolos existentes e de elaboração de novos protocolos. Assim não se pode afirmar que os protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas dos SUS são inquestionáveis, o que permite sua contestação judicial", completou.

Outros votos

O ministro foi acompanhado, em seu voto, por todos os demais presentes à sessão. O ministro Ricardo Lewandowski entendeu que os agravantes (União e estados) não demonstraram a potencialidade danosa à saúde, à economia e à ordem pública do fornecimento dos medicamentos ou tratamentos referentes às nove ações.

Já o ministro Celso de Mello julgou que a Justiça precisa agir quando o poder público deixa de formular políticas públicas ou deixa de adimpli-las, especialmente quando emanam da Constituição. "O direito à saúde representa um pressuposto de quase todos os demais direitos, e é essencial que se preserve esse estado de bem-estar físico e psíquico em favor da população, que é titular desse direito público subjetivo de estatura constitucional, que é o direito à saúde e à prestação de serviços de saúde", completou.

O relatório completo do Ministro Gilmar Mendes pode ser lido em http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/noticiaNoticiaStf/anexo/STA175.pdf

sexta-feira, 5 de março de 2010

FAAP E SBH alertam: Muitos atletas das décadas de 60, 70 e 80 estão infectados pelo vírus da Hepatite C.

Os números apresentados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) são alarmantes: No mundo, cerca de 200 milhões de pessoas estão infectadas pelo vírus da hepatite C. No Brasil, entre dois e três milhões são portadores dos tipos B e C, sendo os atletas das décadas de 60, 70 e 80, uma dos principais grupos de risco.
Com o objetivo de chamar a atenção da população, em especial os atletas, para o problema, o presidente da Federação das Associações de Atletas Profissionais (FAAP), Wilson Piazza, estará reunido nesta quinta-feira (4), com o presidente da Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH), Raymundo Paraná, para tratar de campanha nacional de conscientizaçã o visando alertar os atletas que atuaram entre os anos 60 e 80 para o risco de estarem contaminados pelas hepatites virais, principalmente a Hepatite C. A campanha contará com a participação dos tricampeões da Copa do Mundo de 1970.
Segundo pesquisas do serviço de Gastro-Hepatologia da UFBA, referendado por outros centros Brasileiros, muitos atletas daquela época estão contaminados pelo vírus da Hepatite C. Eles não buscam tratamento por não saberem que estão doentes, já que o vírus evolui silenciosamente por décadas, chegando a fases avançadas de insuficiência hepática ao longo de 20 a 40 anos, perdendo assim a chance de diagnóstico e do tratamento em fases reversíveis da doença.

O fato de tantos atletas estarem contaminados pelo vírus da Hepatite C se deve à forma de serem tratados à época. Era comum a utilização de seringas de vidro mal esterilizadas na aplicação de medicamentos. Os ex-atletas, principalmente jogadores de futebol, foram vítimas desta prática não só para aplicação de vitamínicos e estimulantes 9Gluconergan, Energizan, Vitamina B, ect), como também para as famosas infiltrações de corticóide para conter as dores articulares, fruto do desgaste. Neste contexto também foram expostos uma legião de atletas amadores.
Para o presidente da FAAP, Wilson Piazza, lider da seleção brasileira na década de 70, o número de portadores da hepatite é surpreendente. “A impressão que temos é que só não está doente quem não fez o exame e ainda não sabe. Por isso, o trabalho de conscientizaçã o é fundamental para que os ex-atletas procurem as unidades de saúde, façam os exames e, se necessário, o tratamento”, ressaltou Piazza.

Claudio Costa
Grupo Amarantes

segunda-feira, 1 de março de 2010

Por quanto tempo sobrevive o vírus da hepatite C fora do organismo?

Uma pesquisa apresentada semana passada no ''17th Conference on Retroviruses and Opportunistic Infections (CROI)'' apresentou um resultado assustador sobre o tempo de vida do vírus da hepatite C fora do organismo. O estudo foi realizado porque a transmissão da hepatite C continua muito alta entre usuários de drogas injetáveis. Diversas pesquisas mostram taxas de infecção entre 30% e 90% nesses grupos, um índice muito superior à prevalência do HIV.

As ações de redução de danos nos Estados Unidos com o fornecimento e troca de seringas entre usuários de drogas reduziu drasticamente a transmissão do HIV/AIDS, mas o impacto na redução da hepatite C foi muito pequeno.

Devemos considerar ainda que a transmissão da hepatite C durante um acidente biológico apresenta uma possibilidade de infecção dez vezes maior que a transmissão do HIV.

O estudo encontrou que em determinadas condições de temperatura e dependendo do tamanho da amostra de sangue foram encontrados vírus ativos em instrumentos contaminados até dois meses após o instrumento ter sido utilizado.

É importante esclarecer que essa situação se deu em seringas com agulhas de injeção mais grosas e em condições de temperatura de 4 graus, o que pode acontecer se um instrumento foi guardado numa geladeira ou no inverno de regiões frias.

Os pesquisadores utilizaram seringas de diferentes calibres de agulhas e as infectaram com sangue positiva para hepatite C. Todas as seringas foram lavadas e depois armazenadas em três temperaturas diferentes, a 4 º C (semelhante a uma geladeira domestica), a 22 º C considerada a temperatura ambiente (em um clima temperado) e a 37 º C, a temperatura do corpo (ou um clima muito quente).

Em seringas pequenas, como as utilizadas para insulina, o vírus ''morre' rapidamente a temperatura de 37 graus, não se encontrando vírus ativos dentro da agulha após 24 horas. Já se a temperatura for de 22 graus os vírus somente desaparecem após três dias. Se a temperatura de armazenamento for de 4 graus o vírus foi encontrado ativo em 33% das seringas após 24 horas, em 25% após três dias e em 5% foi encontrado após uma semana.

Já em seringas com agulhas de maior diâmetro os resultados mostraram que na temperatura de 4 graus quase todas as seringas tinham ativo o vírus após uma semana, a metade após um mês e em uma parte significativa continuava ativa após dois meses. Na temperatura de 22 graus 70% das seringas permaneciam transmissoras do vírus após sete dias, 40% após um mês. Na temperatura de 37 graus a metade das seringas permanecia com vírus ativos após 7 dias, praticamente a mesma proporção assim permanecia após um mês e uma pequena parte continuava infecciosa após dois meses.

Concluem os pesquisadores que a sobrevivência do vírus da hepatite C aumenta em função do tamanho do diâmetro da agulha, sendo essas as de maior probabilidade de transmitir a hepatite C. Recomendam ainda à realização de novos estudos na transmissão da hepatite C entre usuários de drogas já que a possibilidade de transmissão varia em climas quentes e frios e do tipo mais comum de agulhas e seringas utilizadas.

MEU COMENTARIO

Pessoalmente acho um absurdo ainda existirem seringas de injeção que podem ser reutilizadas. As seringas que travam após sua utilização, não permitindo a reutilização, existem em todos os países, mas por serem um pouco mais caras os governos não decretam por lei seu uso obrigatório, continuando a permitir uma seringa mais barata, mas que continuam a transmitir doenças. Ate quando?

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Paintsil E et al. Survival of HCV in syringes: implication for HCV transmission among injection drug users. Seventeenth Conference on Retroviruses and Opportunistic Infections, San Francisco, abstract 168, 2010.

Carlos Varaldo
Grupo Otimismo