quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Medicamento para reverter à fibrose

A empresa "FibroGen" informou que deu inicio a fase 2 do ensaio clínico para avaliar a eficácia do medicamento FG-3019, um anticorpo monoclonal humano com o propósito de atuar contra o fator de crescimento do tecido conectivo (connective tissue growth factor - CTGF).

O estudo, com duração de dois anos está sendo realizado em Hong Kong, inclui 144 pacientes infectados com hepatite B que apresentam fibrose moderada ou grave, que nunca receberam qualquer tipo de tratamento antiviral. Todos os pacientes serão tratados com Entecavir, sendo que dois terços deles receberão também o FG-3019 e um terço receberão o Entecavir e um placebo.

O Entecavir já demonstrou que consegue reduzir o grau de fibrose nos infectados pela hepatite B. Após 48 semanas de tratamento entre 35 e 40% dos pacientes tratados com Entecavir conseguem reduzir a fibrose em 1 ponto, quando avaliada pela escala de Ishak, fato que foi uma descoberta importantíssima, pois não se esperava que um medicamento antiviral também apresentasse tal benefício no tratamento da hepatite B.

Os autores do estudo com o FG-3019 pretendem estudar a possibilidade de aumentar a regeneração do fígado, aumentando a velocidade de regeneração das células hepáticas durante o tratamento com o Entecavir. Acreditam que ao inibir a ação do fator de crescimento do tecido conectivo (connective tissue growth factor - CTGF) a regeneração do fígado será acelerada e poderá beneficiar todos os pacientes em tratamento da hepatite B, em especial nos pacientes que apresentam fibrose avançada ou cirrose.

Entendendo o CTGF:

O fator de crescimento do tecido conectivo (connective tissue growth factor - CTGF) é encontrado em níveis reduzidos em pessoas adultas sadias, porém níveis elevados do CTGF são encontrados em indivíduos que apresentam fibrose ocasionada por qualquer doença que esteja atacando o fígado. Os níveis elevados do CTGF são encontrados no tecido hepático e no sangue dos pacientes com fibrose hepática crônica.

Estudos clínicos já demonstraram que ao bloquear geneticamente o CTGF é possível prevenir e reduzir a fibrose hepática. O-3019 conseguiu reduzir o processo de fibrose pulmonar induzida por radiação.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Press release of FibroGen, Inc. - San Francisco, CA - October 14, 2010 - www.fibrogen.com

Carlos Varaldo
Grupo Otimismo

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Alerta europeu sobres às hepatites B e C

Conferencia realizada por médicos, pesquisadores e grupos de pacientes de toda Europa resultou na recomendação de um alerta a comunidade européia denunciando que muitos países não aplicam políticas efetivas de prevenção, detecção, vigilância epidemiológica e programas de diagnostico precoce que possam deter a epidemia. É estimado que existam 23 milhões de pessoas que vivem em Europa infectadas com as hepatites B e C.

O professor Massimo Colombo, da Universidade de Milão explicou que existe o conhecimento e as ferramentas disponíveis para realizar a prevenção, o diagnostico e oferecer os tratamentos, mas que falta aos governos aplicar corretamente os instrumentos necessários para enfrentar a situação.

Foram colocados como as principais causas para não conseguir uma gestão eficaz nas hepatites B e C, a falta de diagnostico precoce dos já infectados e a informação inadequada e equivocada sobre formas de prevenção.

Colocam como exemplo que a maioria dos profissionais da saúde não sabem reconhecer os primeiros sintomas de problemas hepáticos e desconsideram possíveis situações de risco para indicar o teste de detecção. Em relação à vacinação da hepatite B muito se avançou em relação a crianças, mas falta muito a ser feito em relação a adolescentes e adultos.

Alertam sobre a prevenção secundaria, isto é, diagnosticar os que já estão infectados, como a maior deficiência em toda Europa, a exceção de Francia e Escócia, os quais estão realmente trabalhando seriamente no diagnostico precoce.

Nadine Piorkowsky, presidente da ELPA - Associação Européia de Pacientes Hepáticos - fez um chamado aos governos para que sejam realizadas propostas concretas de forma imediata, como única ação para evitar uma tragédia.

O artigo completo, em inglês, é encontrado em
http://www.medicalnewstoday.com/articles/204813.php

Carlos Varaldo
Grupo Otimismo

sábado, 23 de outubro de 2010

Medicina Biotecnológica

Participei ontem do Seminário organizado pelo Comitê de Saúde da Britcham - Centro Brasileiro Britânico - com o objetivo de discutir as tendências da regulamentação do registro de produtos biológicos no Brasil.

Mês passado a ANVISA - Agencia Nacional de Vigilância em Saúde - realizou consulta pública na internet para regulamentar o registro de medicamentos biológicos, sejam eles medicamentos inovadores (novos medicamentos) ou medicamentos biosimilares (similar ao medicamento original), um assunto que está gerando muita e acalorada discussão devido às conseqüências e problemas que uma regulamentação muito liberal pode resultar em relação à segurança e efetividade se o processo de registro não for corretamente avaliado.

O seminário contou com a presença de expertos dos Estados Unidos, México e Colômbia, países que colocaram sua experiência, teve também dois especialistas brasileiros e uma representante da ANVISA.

A maior apreensão da sociedade civil é em função da forma como as consultas públicas da ANVISA estão sendo realizadas, podendo ser consideradas como uma verdadeira "caixa preta" em relação à apreciação das contribuições realizadas. As consultas são colocadas no site da ANVISA e democraticamente qualquer interessado pode colocar suas contribuições ao texto apresentado como sugestão inicial, a seguir a ANVISA consolida as contribuições recebidas e redige o texto final.

Falei em "caixa preta" porque as contribuições não são disponibilizadas publicamente na internet, assim, não existe uma resposta especifica para cada contribuição sobre os motivos pelos quais foi considerada, ou não, por parte da ANVISA, tornado então o processo que em princípio parecia democrático em um processo de via única, totalmente antidemocrático. Pior ainda, nem sequer existe certeza se serão realizadas audiências publicas para discutir o texto final antes da sua publicação.

O Grupo Otimismo participou da consulta publica contribuindo com informações referentes ao Interferon Peguilado e aos Fatores de Crescimento, solicitando que, por se tratar de medicamentos que atuam sobre a imunomodulação do organismo podem "despertar" uma seria de doenças auto-imunes, inclusive câncer, conseqüências essas que podem acontecer muito tempo (anos em alguns casos) após a utilização de tais medicamentos.

Por isso achamos que em hipótese alguma medicamentos com tais características farmacocinéticas deveriam poder solicitar o registro pelas vias da comparabilidade ou da não inferioridade, devendo em todos os casos serem considerados, para efeito do registro, como medicamentos inovadores, com a devida exigência da realização de todas as etapas do respectivo ensaio clínico que assegure a sua segurança.

Na discussão durante o seminário coloquei para a representante da ANVISA tais preocupações, referendadas por muitos dos presentes. A representante da ANVISA informou que irão existir limitações para o registro de determinados grupos de medicamentos biosimilares, mas confesso que não senti muita firmeza na resposta.

Em geral todas as colocações dos expertos e dos presentes no seminário é que não existe possibilidade de comparabilidade nos medicamentos biológicos, ficando praticamente unânime que sempre, em especial em relação à segurança, deveria ser exigida a realização das três fases do ensaio clínico para que o medicamento seja aprovado.

Bom, a ANVISA é soberana e possui o poder da caneta, mas se o texto final for redigido com o objetivo de facilitar o registro de medicamentos biológicos biosimilares com o intuito puro e simples de reduzir o preço, sem atentar rigorosamente para a segurança dos pacientes, o caminho será o Judiciário e o Ministério Público, caminho que o Grupo Otimismo conhece muito bem e pelo qual sempre se obtém sucesso.


Carlos Varaldo
Grupo Otimismo

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Boa notícia na hepatite B! - Entecavir aprovado para tratamento da hepatite B em pacientes descompensados

Ontem, o FDA - Food and Drug Administration, agencia dos Estados Unidos que controla os medicamentos, aprovou o Entecavir para o tratamento da hepatite B em pacientes com função hepática descompensada ou insuficiência hepática.

A aprovação foi referenciada em função do ensaio clinico em fase 3 comprovando que o Entecavir foi mais eficaz que o Adefovir no tratamento de pacientes descompensados, considerados os mais difíceis de tratar.

Após 48 semanas de tratamento, 57% dos pacientes tratados com Entecavir se encontravam com carga viral indetectável, contra 20% dos pacientes tratados com Adefovir.

O ensaio clínico foi realizado empregando a dosagem de um comprimido de Entecavir de 1 mg ao dia.

Aqui faço um parêntesis para meu protesto, alertando sobre o absurdo desperdiço do dinheiro público no Brasil. Os pacientes tratados pelo SUS com recomendação de dosagem de 1 mg devem tomar dois comprimidos ao dia. Inexplicavelmente o ministério da saúde somente compra os frascos com comprimidos de 0,5 mg, sendo que o frasco de 1 mg custa exatamente igual que o frasco de 0,5 mg, ambos os frascos com o mesmo número de comprimidos, assim, os pacientes que recebem a dosagem de 1 mg recebem dois frascos e o governo gasta exatamente o dobro do dinheiro para tratar os pacientes. Isso já foi denunciado, mas como o dinheiro é do povo o programa nacional de hepatites e o ministério da saúde continuam desperdiçando o dinheiro que pagamos com os impostos.

O Press Release completo, divulgado ontem, se encontra em http://www.bms.com/news/press_releases/pages/default.aspx?http://www.businesswire.com/news/bms/20101018006266/en&t=634230203543756986

Claudio Costa
Grupo Amarantes

Campanha Nacional de alerta contra a Hepatite C - Vários atletas da década de 60. 70 e 8o foram contaminados pelo vírus da hepatite c

Os números apresentados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) são alarmantes: No mundo, cerca de 200 milhões de pessoas estão infectadas pelo vírus da hepatite. No Brasil, três milhões são portadores dos tipos B e C, sendo os atletas das décadas de 60, 70 e 80, uma das categorias mais afetadas.

Com o objetivo de chamar a atenção da população, em especial dos atletas, para o problema, o presidente da Federação das Associações de Atletas Profissionais (FAAP), Wilson Piazza, capitão da seleção brasileira campeã da Copa do Mundo da década de 1970 está a frente da campanha nacional de conscientização contra as hepatites virais, juntamente com a Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH).

Segundo o presidente da SBH, Raymundo Paraná, a maioria dos atletas daquela época está contaminada e não busca tratamento por não saber que corre o risco de estar doente, já que o vírus evolui silenciosamente por décadas, chegando a fases avançadas de insuficiência hepática ao longo de 20 a 40 anos, perdendo assim a chance de diagnóstico e do tratamento em fases reversíveis da doença.

O fato de tantos atletas estarem contaminados pelo vírus da Hepatite C se deve à forma de serem tratados à época. Era comum a utilização de seringas de vidro mal esterilizadas na aplicação de medicamentos. Os ex-atletas, principalmente jogadores de futebol, foram vítimas desta prática não só para aplicação de vitamínicos e estimulantes, como também para as famosas infiltrações de corticóide para conter as dores articulares, fruto do desgaste. Neste contexto também foram expostos uma legião de atletas amadores.

Para o presidente da FAAP, Wilson Piazza, o número de portadores da hepatite é surpreendente. “A impressão que temos é que só não está doente quem não fez o exame e ainda não sabe. Por isso o trabalho de conscientização é fundamental para que os ex-atletas procurem as unidades de saúde, façam os exames e, se necessário, o tratamento”, ressaltou Piazza.

ENTIDADES SE UNEM EM ALERTA CONTRA A HEPATITE C

A Federação das Associações de Atletas Profissionais (FAAP) e a Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH) estão à frente da campanha nacional de alerta contra a Hepatite C que deverá ser levada a termo até 19 de maio deste ano, dia mundial da Hepatite C.
Por mais de uma década o Brasil tem dedicado especial atenção à AIDS e tem demonstrado que é um país capaz de responder às suas demandas por meio do departamento DST/AIDS, motivo de orgulho para todos os brasileiros. Agora, sabiamente, este departamento do Ministério da Saúde aumentou o seu escopo de ação tornando-se o departamento DST/AIDS/Hepatites Virais, em reconhecimento a importância do tema. Infelizmente as Hepatites Virais, embora como problema de saúde pública de impacto inigualável, ainda não conseguiu ter a sua visibilidade no limite da sua importância.

A Organização Mundial da Saúde reconhece que no mundo existem 300 milhões de portadores do vírus da hepatite B e 200 milhões do vírus da Hepatite C. No Brasil. Os dados são escassos, mas a maioria dos estudos demonstra heterogeneidade na distribuição do vírus da Hepatite B que se situa mais nas pequenas cidades localizadas, sobretudo, nas regiões mais pobres do país (Norte e Nordeste), enquanto que o vírus da Hepatite C tem uma distribuição mais homogênea.

A partir destes estudos, pode se definir que mais de dois milhões de brasileiros estão infectados, mas a maior parte deles se encontra fora da rede SUS, até porque esta é uma doença que evolui silenciosamente por 2 a 4 décadas.

A Hepatite C lota os ambulatórios de Hepatologia do país. É responsável pela indicação de mais de 80% das Biopsias de fígado na Bahia e por cerca de 60% dos transplantes de fígado no país. Apesar dos números alarmantes, poucos brasileiros alcançam a rede de saúde para tratar a doença. Também há a necessidade de mais programas de Educação Médica Continuada aliados à programas de educação a esclarecimento à população. No caso particular da Hepatite C, temos peculiaridades no Brasil que justificam campanhas de esclarecimento com elevadas chances de sucesso na introdução de muitos pacientes portadores do Vírus na rede pública de saúde.

A Hepatite C tem cura e controle se tratada a tempo. O Ministério da saúde oferece o caríssimo tratamento cuja duração varia de 24 a 48 semanas. Falta detectar os pacientes que estão fora da rede de assistência.

MEMÓRIA

Em 1999, o ambulatório de doença de fígado do Hospital Universitário Professor Edgard Santos da UFBA, em Salvador-BA, observou um elevado número de ex-jogadores de futebol da Bahia frequentando o ambulatório. Um deles me referiu à perda de muitos colegas contemporâneos do seu time da região de Feira de Santana/BA.

Naquele momento, foi solicitado ao este paciente que convocasse todos os seus colegas, doentes ou não, para uma avaliação. Para surpresa de todos, quatro deles atenderam ao pedido e foram avaliados. Todos tinham Hepatite C, embora três deles não tivessem qualquer sintoma. Realizada a análise genética do Vírus percebeu-se que se tratava da mesma fonte. Este artigo foi publicado em 1999 na conceituada revista médica internacional American Journal Gastroenterology.

A partir de então, vários hepatologistas do Brasil se manifestaram no intuito de confirmar que tinham exatamente esta mesma experiência nos seus ambulatórios em São Paulo, Mato Grosso, Ceará e Rio Grande do Sul. Posteriormente, um dos médicos do Rio Grande do Sul apresentou no Congresso da Associação Européia para o Estudo do Fígado – EASL, o acompanhamento de 71 ex-jogadores de futebol da década de 70 e 80 portadores de Hepatite C.

Na Bahia, em 2007, uma campanha de esclarecimento capitaneada pelo ex-craque de futebol do esporte clube Bahia, Douglas, permitiu a avaliação de mais de 50 ex-jogadores de futebol do estado. Na avaliação dos fatores de risco desta época, percebeu-se que estes indivíduos eram expostos a sucessivas injeções de complexos vitamínicos e estimulantes endovenosos (tiaminose, complexo B com vitamina C, glicose, glucanergam, energizam e etc.). Além disso, sofriam sucessivas infiltrações articulares para conter os desgastes das suas articulações pela maratona de jogos.

As seringas utilizadas eram de vidro, com pouco tempo para esterilização, por isso a transmissão se dava entre todos os companheiros, muitas vezes nos vestiários dos seus clubes de futebol. Esta prática não era só dos jogadores profissionais. Muitos clubes amadores das ligas das pequenas cidades do interior do país a utilizavam também, seguindo o espelho dos ídolos dos clubes maiores. Ainda segundo a SBH, esta prática também era comum, principalmente no Nordeste, entre os foliões do carnaval e das micaretas, os quais recorriam às farmácias para tomar glicose no imaginário de que estariam protegendo os seus fígados dos males causados pelo excesso de álcool. Assim, esta forma de contaminação se tornou o principal fator de risco para Hepatite C no país, entre homens, que atualmente chegam aos ambulatórios e que têm idade superior a 45 anos.

Esta é uma peculiaridade brasileira que precisa ser muito bem esclarecida, uma vez que nas campanhas habitualmente implementadas pelos órgãos competentes, fala-se muito nos usuários de drogas ilícitas, todavia os pacientes contaminados pelos vírus da Hepatite C não se expuseram ao uso venoso de droga ilícita como aconteceu na Europa e nos Estados Unidos. Este contraste é nítido. Na Europa, 70% dos pacientes masculinos nessa faixa etária, portadores de Hepatite C, têm o uso de drogas ilícitas como causa da sua contaminação. No Brasil, menos de 5% dos pacientes tem como causa drogas ilícitas, contudo o uso de medicamentos lícitos, mas com manipulação inadequada de seringas de vidro e agulhas foi o grande risco de contaminação.

CAMPANHA

Em face à essa questão, a FAAP e a SBH buscam, por meio de campanha nacional, alertar os atletas sobres estes riscos. O envolvimento dos ex-jogadores de futebol é oportuno no país do futebol no ano da Copa do Mundo. Não só ajudará a quebrar preconceitos como também proporcionará um grande impacto alcançando os objetivos de informação e educação da população.

Maiores informações:

Federação das Associações de Atletas Profissionais
Setor Bancário Sul - Qd. 02 - Lote 15 - Bl. E
Ed. Prime - Salas 801/805 - CEP: 70070-120

Assistam o vídeo: "Atletas da década de 60 70 e 80 são contaminados pelo vírus da hepatite c"
http://www.youtube.com/watch?v=GZCRbSWaQJs
Brasília - DF – (61) 3034-9400
http://www.faapatletas.com.br/

ACESSO À SAÚDE - PROGRAMA VIA LEGAL

Os problemas envolvendo questões ligadas à saúde são o tema o tema de boa parte dos quase 90 milhões de processos que aguardam decisão da Justiça em todo o país. É gente que briga pelo tratamento correto, por uma vaga de UTI e, principalmente, por remédios. Um quadro atribuído à omissão do Estado que obriga o cidadão a recorrer aos tribunais até mesmo para garantir direitos básicos.

Assista na TV o programa na integra:

TV Justiça:
Domingo 17 de outubro - 18h00hs

TV Cultura:
Segunda-Feira 18 de outubro - 7h30

TV Brasil:
Domingo 17 de outubro - 6h00

ASSISTA NA INTERNET UM RESUMO DO PROGRAMA EM:

http://programavialegal.blogspot.com/2010/10/acesso-saude.html

Claudio Costa
Grupo Amarantes

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Quais vacinas são necessárias na prevenção das hepatites A, B e C?

Para evitar as hepatites A e B existem vacinas seguras e altamente eficazes

HEPATITE A

A forma mais eficaz de prevenção da hepatite A é vacinar todas as crianças ao completar 12 meses de idade. Alguns países recomendam a aplicação de uma segunda dose de reforço seis meses após a primeira aplicação.

Indivíduos que na infância não foram infectados com a hepatite A e que não foram vacinados e, que viajam ou vivem em áreas onde a Hepatite A é muito freqüente, como o norte do Brasil e países tropicais não desenvolvidos, ou que, eventualmente, consomem água não tratada, devem ser vacinados.

Grupos de alto risco como crianças e adultos que vivem em creches, asilos ou prisões, homo e bissexuais, usuários de drogas, pacientes com doença hepática crônica, portadores de hepatite B, de hepatite C e do HIV/AIDS ou com doenças da coagulação também devem ser vacinados para prevenir a hepatite A.

Também devem ser vacinados contra a hepatite A os homens que fazem sexo com homens, indivíduos que utilizam drogas injetáveis ou inaladas, pessoas que receberam transplantes de órgãos.

A hepatite A em geral é benigna e sem conseqüências em crianças, mas em adultos sem proteção pode ser muito perigosa, podendo levar a morte. Nos países que já instituíram a vacinação de todas as crianças ao completar 12 meses de vida a necessidade de transplantes de fígado por hepatite fulminante praticamente acabou.

Se você tem filhos com mais de 2 anos de idade consulte seu médico sobre a conveniência de vacinar as crianças para evitar a hepatite A.

HEPATITE B

A vacinação para prevenção da hepatite B deve ser realizada em três doses, sendo a segunda após 30 dias da primeira e a terceira aos 180 dias da primeira aplicação.

Devem receber a primeira, das três doses da vacina da hepatite B, todas as crianças ao nascer, nas primeiras 12 horas após o parto.

A vacina da hepatite B também outorga imunidade para evitar a hepatite D.

A vacina da hepatite B já demonstrou ser eficaz para reduzir a mortalidade por causa do câncer de fígado.

Correm maior risco de se infectar com hepatite B os familiares de pessoas infectadas, os parceiros sexuais de infectados, indivíduos que praticam relações sexuais com mais de um parceiro a cada seis meses, indivíduos com comportamento sexual de risco ou com múltiplos parceiros e todas as pessoas que estejam em tratamento de qualquer doença de transmissão sexual.

Indivíduos portadores de hepatite C e de HIV/AIDS devem, obrigatoriamente, aplicar a vacina para prevenir a hepatite B. Todos os usuários de drogas também devem ser vacinados. Transplantados de órgãos, pacientes de hemodiálise, hemofílicos e doenças crônicas devem procurar ser vacinados para evitar a hepatite B.

Se você está pretendendo viajar a regiões de alta endemicidade de hepatite B, como a região amazônica ou países da Ásia é prudente aplicar as três doses da vacina antes da viagem.

HEPATITE C

Não existe vacina para prevenção da hepatite C

OUTRAS MEDIDAS DE PREVENÇÃO

A vacinação é somente uma parte na prevenção das hepatites, a qual deve incluir a pratica do sexo seguro (sempre use o preservativo) e não devem ser compartilhados objetos que possam ter estado expostos ao sangue, como instrumentos perfuro cortantes, alicates e instrumentos de manicure e pedicure, aparelhos de barbear e escovas de dente.

Se você não pode deixar de usar drogas, não compartilhe seringas, agulhas, canudos de aspiração ou qualquer outro material.

Lembre que os vírus das hepatites B e C sobrevivem por vários dias em um instrumento contaminado.

Carlos Varaldo
Grupo Otimismo

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Reportagem sobre requisição de remédios através da justiça

A hepatite foi causadora do maior volume de ações na Justiça para conseguir o direito de receber tratamento gratuito no SUS. Pacientes de outras doenças também necessitam recorrer ao judiciário para evitar o agravamento da saúde ou até a morte.

O Judiciário passou a ser um dos melhores hospitais públicos, muito mais sensível ao sofrimento do povo que alguns gestores do sistema público.

Vale a pena ver à reportagem. Algum dia você poderá ter que recorrer a Justiça!

TV JUSTIÇA - Dia 13 de outubro - 21.30 hs.
Programa Via Legal - Programa da Justiça Federal em parceria com o Superior Tribunal de Justiça (STJ), o Conselho da Justiça Federal (CJF) e os cinco Tribunais Regionais Federais (TRFs) do País.

Reprises: Sexta-feira - 18.00 hs / Domingo - 18.00 hs / Terça-feira - 12.00 hs

TV BRASIL - Dia 13 de outubro - 6.00 hs.

TV CULTURA - Dia 16 de outubro - 8.30 hs. Programa Via Legal

Claudio Costa
Grupo Amarantes

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Pesquisa Datafolha e Associação Paulista de Medicina confirma pressões de planos de saúde que inviabilizam o exercício da medicina e colocam em risco

O livre exercício da medicina está ameaçado, tirando-se como base os resultados de inédita pesquisa do Datafolha realizada a pedido da Associação Paulista de Medicina (APM). Ataques à autonomia dos médicos, interferência descabida na relação com os pacientes, pressões para redução de internações, de exames e outros procedimentos são problemas detectados em todo o estado de São Paulo.

O levantamento tem o intuito de conhecer a opinião dos médicos de São Paulo sobre a atuação das empresas de saúde suplementar. Foram entrevistados médicos cadastrados no Conselho Federal de Medicina (CFM), da ativa, que atendam a planos ou seguros de saúde particulares e tenham trabalhado com, no mínimo, 3 planos ou seguros saúde nos últimos 5 anos.

O campo ocorreu entre os dias 23 de junho e 18 de agosto de 2010. Houve 403 entrevistas, sendo 200 na capital e 203 no interior ou outras cidades da região metropolitana. A margem de erro máxima, para mais ou para menos, considerando um nível de confiança de 95%, é de 5 pontos percentuais para o total da amostra e 7 pontos percentuais para capital e interior.

Principais conclusões

Tirando-se como base uma escala de zero a dez, o médico paulista atribui nota 4,7 para os planos ou seguros saúde no Brasil. Considerando apenas as empresas com as quais tem ou tiveram algum relacionamento nos últimos cinco anos, a avaliação é similar: nota média de 5,1 em escala de zero a dez.

Mais de 90% dos médicos denunciam interferência dos planos de saúde em sua autonomia profissional. No levantamento Datafolha/APM, em uma escala de zero a dez, é atribuída nota 6,0 para o grau de interferência dos planos de saúde. Nota maior é dada pelos médicos que atuam na capital. Para cerca de três em cada dez médicos, glosar procedimento ou medidas terapêuticas é o tipo de interferência que mais afeta a autonomia médica. Outros tipos de interferência muito apontados são quanto à solicitação de exames e procedimentos; atos diagnósticos ou terapêuticos mediante a designação de auditores; restrições a doenças preexistentes.


Confira a seguir alguns resultados relevantes da Pesquisa Datafolha/APM


Pior plano de saúde

** Há um empate entre os piores planos do Estado. Medial, Intermédica, Amil e Cassi são os mais citados.

Piores honorários

** Medial e Intermédica dividem o primeiro lugar como os planos que pagam os piores honorários médicos.

Procedimentos burocráticos

** Quando o assunto é burocracia há pulverização dos resultados. Oito planos dividem a primeira colocação como o mais burocrático. Três em cada dez médicos paulistas percebem que todos os planos ou seguro saúde são burocráticos.

Interferência na autonomia

** Cerca de nove em cada dez médicos declaram que há interferência dos planos ou seguros saúde que trabalham ou trabalharam, na autonomia técnica do médico. 52% afirmam que esta prática é comum a todos/maioria dos planos.

Maior interferência em tempo de internação

** Na opinião dos médicos, Amil Sul América, Cassi, Medial e Bradesco são os planos que mais interferem no tempo de internação.

Interferência no período de internação pré-operatório

** A opinião dos médicos da capital e interior difere quanto ao plano que mais interfere no período de internação pré-operatório. E, 31% acham que todos os planos interferem na mesma intensidade.

Glosas e medidas terapêuticas

** Amil, Sul América e Medial são os planos que mais glosam procedimento e medidas terapêuticas, segundo a pesquisa.

Interferência número de exames e procedimentos

** Amil, Medial, Intermédica e Sul América destacam-se como os que mais interferem no número de exames e procedimentos.

Interferência em atos diagnósticos e terapêuticos mediante designação de auditores

** Os mais citados são Amil, Medial e Sul América

Interferência dos planos ou seguros na autonomia técnica do médico, por tipo de serviço:

- Glosar procedimentos ou medidas terapêuticas 79%

- Número de exames ou procedimentos 77%

- Atos diagnósticos e terapêuticos mediante designação de auditores 71%

- Restrições a doenças pré-existentes 71%

- Tempo de internação a pacientes 56%

- Prescrição de medicamentos de alto custo 47%

- Período de internação pré-operatório 46%


Divulgação da assessoria de imprensa da Associação Paulista de Medicina

Claudio Costa
Grupo Amarantes

domingo, 3 de outubro de 2010

Testagem para Hepatite C em São Gonçalo














No dia 01/10/2010 o Grupo Amarantes de Apoio a Portadores de Hepatites de São Gonçalo, numa parceria com a Secretaria Municipal de Saúde, Programa de Saúde da Família (PSF) e apoio da Refrigerantes Flexa/Mineirinho (empresa de São Gonçalo) realizou uma testagem para hepatite c. Num ambiente descontraído foi servido Mineirinho, pipoca e algodão doce a todos que participaram do evento. Tivemos a presença de nosso Secretário Municipal de Saúde, Dr Daniel Jr e testamos cerca de 500 pessoas. Nossos agradecimentos:
• Ao Dr Daniel Jr – Secretario Municipal de Saúde
• A Kátia Codesso - Coordenadora do PSF incansável na organização do evento
• Ao Dr Kleiton, médico do PSF responsável pela testagem
• As enfermeiras que trabalharam na testagem
• A Refrigerantes Flexa/Mineirinho pela doação dos refrigerantes
• Aos Voluntários do Grupo Amarantes
• A população que compareceu em massa

HEPATITES VIRAIS – SÃO GONÇALO ESTA ATENTO!!!

Saudações Fraternas

Claudio Costa
Grupo Amarantes

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Dietas de maior risco em pessoas com menor imunidade

Pesquisadores do Colégio Universitário de Cork na Irlanda descrevem, em um trabalho recente (1), como as bactérias utilizam diferentes truques que ajudam a sua sobrevivência dentro do organismo o que ajuda a explicar por que as intoxicações alimentares são imprevisíveis. Os resultados da pesquisa foram apresentados na reunião da Sociedade de Microbiologia Geral realizada em Nottingham, Reino Unido.

O trabalho pode ajudar a identificar e eliminar da dieta os alimentos de maior risco em pessoas suscetíveis, como grávidas, idosos e pacientes com baixas defesas, como transplantados, infectados com AIDS ou em tratamento da hepatite C ou câncer.

Uma dos desafios maiores que confrontam as bactérias que proliferam nos alimentos é sobreviver aos ambientes ácidos, em particular no estômago e os intestinos, onde morrem a maioria de micróbios que se encontram na comida contaminada.

O trabalho, dirigido pelo Dr. Colin Hill, revela que a bactéria Listeria, que se encontra nos queijos de massa mole e os alimentos preparados para consumo, como embutidos de carne e alimentos preparados, congelados ou enlatados, podem sobreviver nas duras condições ácidas encontradas no estomago. As bactérias da Listeria que sobrevivem podem causar infecções graves e algumas vezes mortais em indivíduos com baixa imunidade.

O papel do glutamato

Certos elementos da comida como o aminoácido glutamato (glutamato monossódico) pode ajudar às bactérias a neutralizar o ácido, o que permite às bactérias passar através do estômago sem serem destruídas.

O Dr. Hill assinala, em relação a isto, que as pessoas que consomem alimentos que estão poluídos com a Listeria e têm alto nível de glutamato, como no caso dos queijos brandos ou os produtos de carne, como os frios, têm uma maior probabilidade de desenvolver uma infecção grave que alguém que coma a mesma quantidade de bactérias em um alimento baixo em glutamato. O pesquisador assinala que isto se complica se um alimento contaminado, com pouco glutamato se ingere em combinação com outro alto neste elemento como o suco de tomate e muito outros alimentos industrializados, o que poderia também aumentar o risco de infecção.

A Listeria pode também aproveitar-se para sobreviver do processamento dos alimentos e das condições de armazenamento. "As bactérias que estão expostas a um pH baixo antes de entrar no organismo poderiam tornar-se mais tolerantes ao ácido e por isso estar mais bem equipadas para confrontar as condições ácidas do organismo. Por exemplo, a Listeria que contamina alimentos ácidos por natureza como o queijo, poderia ser mais propensa a provocar uma infecção que aquela que se encontra em água ou alimentos com um pH mais neutro".

Hill explica como o trabalho de seu grupo poderia ajudar a reduzir a incidência das infecções da Listeria. "O número de casos de listeriosis quase dobrou na última década na Europa. Isto se deve a que a bactéria é muito boa em superar as provocações presentes na comida e o organismo".

Para o pesquisador, o trabalho de seu grupo mostra que o consumo da Listeria em um alimento poderia ser bastante seguro, porém se ao mesmo tempo consumir a mesma quantidade em outro alimento poderia ser letal. "Ao conhecer o conteúdo da preparação do alimento poderemos identificar e eliminar os alimentos de maior risco da dieta das pessoas suscetíveis".

Ao ler a matéria tomei ao mesmo tempo conhecimento de uma pesquisa que acaba de ser publicada no Hepatology, realizada na Holanda (2) a qual estudou a neutropenia (diminuição dos glóbulos brancos do sangue, diminuindo as células de defesa do organismo e colocando o paciente em risco de infecções) durante o tratamento da hepatite C com a utilização do interferon peguilado em 321 pacientes, encontrando que a média de neutrófilos no grupo de pacientes antes do tratamento era de 3.420 células/ml. Durante o tratamento 29,7% dos pacientes apresentaram neutropenia, com um nível de neutrófilos inferior a 750 células/ml, com moderado risco de infecção e, 5% chegaram a níveis inferiores a 375 células/ml, com elevado risco de infecções.

Juntando as duas pesquisas, por simples e livre suposição, achei que seria interessante alertar sobre os cuidados que pacientes com baixas defesas, seja por doenças, transplantes ou, por tratamentos como o do câncer ou da hepatite C devem observar em relação à alimentação, evitando ingerir alimentos que por uma inadequada preparação ou conservação podem provocar infecções intestinais, as quais serão de difícil tratamento.

Conhecendo o Glutamato:

O glutamato monossódico é usado em uma ampla variedade de alimentos saborosos para criar um sabor suave, rico e de maior concentração. Pode ser adicionado em carnes preparadas, peixes, frangos, vegetais e frutos do mar e, em muitos países, é usado como condimento de mesa. Em muitos países, o glutamato monossódico é a base para os populares molhos para salada.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
(1) - Articulo redigido com informações retiradas de matéria publicada por JANO.es em 06 Setembro de 2010
(2) - Risk factors for infection during treatment with peginterferon alfa and ribavirin for chronic hepatitis C. - Roomer R, Hansen BE, Janssen HL, de Knegt RJ. - Departments of Gastroenterology and Hepatology, University Medical Center Rotterdam, Rotterdam, The Netherlands. - Hepatology. 2010 Jul 29. (on line)

Carlos Varaldo
Grupo Otimismo

terça-feira, 14 de setembro de 2010

A aderência ao tratamento será fundamental no aumento da possibilidade de cura na hepatite C com a chegada dos inibidores de proteases

O tratamento da hepatite C depende de uma serie de fatores que aumentam ou diminuem a possibilidade de sucesso no tratamento com interferon peguilado. Alguns desses fatores não podem ser alterados, mas muitos deles dependem da aderência do paciente e da realização do tratamento por uma equipe multidisciplinar.

Quando os novos medicamentos chegarem ao mercado, já em 2011, uma nova era na historia da cura da hepatite C estará sendo iniciada. Os novos medicamentos estarão aumentando a possibilidade de cura, mas para conseguir isso o tratamento passará a ser realizado com três medicamentos ao mesmo tempo, o interferon peguilado, a ribavirina e os inibidores de proteases, cada qual com seus efeitos colaterais e adversos, o que obrigatoriamente vai necessitar de um acompanhamento médico muito mais de perto.

O tratamento multidisciplinar será de fundamental importância e deveria passar a ser praticamente obrigatório. O tratamento multidisciplinar está sendo colocado nos congressos internacionais como o fator chave para aumentar a resposta terapêutica, lamentavelmente tenho que criticar uma pequena parte do novo consenso da Sociedade Latino-americana para Estudo do Fígado (ALEH) já que não contemplou o tratamento multidisciplinar nas suas recomendações.

A falta de adesão do paciente quando tratado por um único médico apresenta um considerável número de fracassos, seja pela necessidade de interrupção do tratamento devido à detecção tardia dos efeitos adversos, chegando a resultar na interrupção do tratamento de entre 12 e 15% no total de pacientes que iniciaram o tratamento ou, por falta de adesão aos horários e dias recomendados para aplicação ou ingestão dos medicamentos. Estudos realizados nos Estados Unidos chegam à constatação que até 60% dos pacientes não aplicam o interferon no dia programado ou esquecem-se de tomar a ribavirina todos os dias. A maioria desses pacientes respeita o dia de aplicação do interferon peguilado, mas não respeita seguir rigorosamente os horários da ribavirina. São esses pacientes que acabam indetectáveis e nos seis meses seguintes ao final do tratamento o vírus recidiva.

Por exemplo, no genótipo 1 foi comprovado que pacientes que completaram o tratamento com boa aderência conseguiram 51% de cura, já os que desleixavam nos horários, dias de aplicação ou dosagens, conseguiram somente 34% de cura. Isto é, se você tiver aderência ao tratamento a possibilidade de cura é 50% maior que se não tiver aderência. Depende de você!

Com a chegada dos inibidores de proteases a falta de aderência ao tratamento poderá provocar resistência aos medicamentos devido a mutações que acontecem com o vírus e, nesses casos, muito provavelmente o paciente será um não respondedor, perdendo o tratamento.

Assim, um novo fator será fundamental: A educação do paciente!

Educar um paciente leva tempo e paciência, já que a hepatite C e seu tratamento são altamente complicados, mas está mais que comprovado que os pacientes bem informados são os que apresentam as maiores possibilidades de cura.

Veja os fatores que influem na maior ou menor possibilidade de um paciente conseguir sucesso com o tratamento:

Entre os fatores do próprio paciente (hospedeiro) que influem na possibilidade de sucesso com o tratamento temos a raça (cor da pele), o índice de massa corporal (peso do paciente), a idade, o sexo (masculino ou feminino) e o consumo de bebidas alcoólicas.

Nos fatores ligados ao vírus que influem na possibilidade de sucesso com o tratamento se encontram o genótipo (1 e 4 respondem menos que os genótipos 2 e 3) e a Carga Viral (alta ou baixa no início do tratamento).

Existem fatores da doença que influem na possibilidade de sucesso com o tratamento como o grau de fibrose e a co-infecção HIV/HCV.

Entre os fatores da aderência que influem na possibilidade de sucesso com o tratamento temos a educação do paciente, o tratamento personalizado conforme a resposta, o tratamento dos efeitos adversos, a dosagem da ribavirina e, finalmente o tratamento multidisciplinar.

Vemos então pelos fatores acima que o paciente muito pode fazer para aumentar a sua possibilidade individual de cura, cuidando daqueles fatores que são da sua absoluta responsabilidade. Se o paciente estiver acima do peso é conveniente perder o excesso antes de iniciar o tratamento, já que paciente magro responde melhor que paciente gordo, se a glicose estiver acima do normal o tratamento dela vai ajudar, assim, como o controle da resistência a insulina por um médico endocrinologista. Uma visita ao dentista para evitar que surjam problemas durante o tratamento, o que poderá ocasionar uma indesejada intervenção com a utilização de antibióticos e antiinflamatórios é fundamental. Esquecer das bebidas alcoólicas totalmente e passar a ter uma dieta balanceada muito ajudam, lembrem da importância da alimentação. Iniciar a prática rotineira de exercícios físicos aeróbicos, umas quatro ou cinco vezes por semana é altamente recomendável.

Se você se identifica como ansioso ou depressivo, por favor, procure antes do tratamento um bom psiquiatra, inclusive para acompanhá-lo durante todo o tratamento. O psiquiatra deve se comunicar com o médico que cuida da hepatite C e discutir qual medicamento é melhor. O mais recomendado atualmente é o Citalopram.

Ter persistência em seguir as recomendações sobre educação do paciente é fundamental, pois nas primeiras semanas do tratamento todos os pacientes cumprem praticamente tudo o acordado, mas com o passar das semanas muitos descuidam das regras estabelecidas podendo colocar tudo a perder.

CONCLUSÃO:

A cura da hepatite C com a chegada dos novos medicamentos vai ser conseguida pela grande maioria dos infectados, isso é muito bom, mas não tudo são flores, pois os efeitos colaterais e adversos dos tratamentos serão maiores que os atuais, alguns muito desagradáveis. Um número elevado de pacientes vai sentir prurido ou diarréia, duas condições que diminuem a qualidade de vida e poderão aumentar a depressão causada pelo interferon. Isso poderá diminuir a adesão ao tratamento se o paciente não tiver um acompanhamento, de preferência semanal, por uma equipe multidisciplinar.

Com a chegada dos novos tratamentos todos os pacientes que nos últimos 10 anos não responderam ao tratamento estarão querendo ser tratados imediatamente. Se a isso sumamos os novos pacientes é fácil concluir que a capacidade de atendimento nas clinicas e hospitais deverão ser o triplo da atual, isso já para o final de 2011 e 2012, mas sabendo disso, alguém está se preparando para tal crescimento? Não vejo tal movimentação no mundo, a exceção de algumas medidas que estão sendo implementadas pelo governo Frances.

Considero que a internet pode ajudar muito na educação do paciente (esse é um dos programas principais do Grupo Otimismo) e, também, as associações de pacientes poderão contribuir com a educação do paciente, mas quando vemos que existem milhões e milhões de infectados com a hepatite C devemos compreender que o problema é de saúde pública e que os governos de todo o mundo devem criar programas próprios para hepatite C.

Colocar a hepatite C subordinada a AIDS é desaconselhável para qualquer governo poder enfrentar a epidemia com uma política firme. É ilógico que a própria Organização Mundial da Saúde tenha orientado na sua resolução que todos os esforços devem ser orientados a primeiramente tratar quem esta infectado com AIDS e hepatite C, deixando em segundo plano aqueles que somente têm hepatite C.

Como isso é possível de aceitar se existem cinco vezes mais infectados com hepatite C que com AIDS? Simples, o lobby da AIDS é muito mais forte e agressivo. Até no consenso da Sociedade Latino-americana para Estudo do Fígado (ALEH) conseguiram se impor. Consta no consenso que entre 9 e 30% dos infectados com hepatite C também estão infectados com a hepatite B. Já quando colocam a co-infecção HIV/HCV colocam que aproximadamente 25% dos infectados com AIDS tem também hepatite C. Não é estranho que a forma como foi colocada a questão tenha sido invertida?

Na hepatite B o percentual é sobre os infectados com hepatite C, na AIDS o percentual é sobre os infectados com AIDS, que são em número cinco vezes menor. Se tivessem seguido o mesmo parâmetro que o utilizado na hepatite B, deveriam ter colocado que somente 6% dos infectados com hepatite C também estão infectados com AIDS, mas dessa forma estaria mostrando que os esforços principais deveriam ser direcionados a mono infecção. O lobby da AIDS mais uma vez conseguiu triunfar sobre a hepatite C!

Carlos Varaldo
Grupo Otimismo

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Ministério da Saúde faz guias de tratamento para o SUS e para planos

Órgão optou por não fazer esforço único, o que pouparia recursos e evitaria desigualdades no tratamento

AE - Agência Estado

O Ministério da Saúde financia duas iniciativas paralelas para definir tratamentos de doenças, uma para usuários de planos de saúde e outra para o Sistema Único de Saúde (SUS), o que, segundo a pasta, é necessário porque os trabalhos têm metas diferentes. O órgão optou por não fazer um esforço único, o que, na opinião de especialistas, pouparia recursos e evitaria desigualdades no tratamento. Decidiu também não aproveitar orientações já produzidas por grupos de médicos que trabalham voluntariamente para o governo.

Uma das iniciativas é um convênio de R$ 598,4 mil assinado no início do ano passado entre a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e entidades médicas, com recursos do ministério. Prevê a formulação de pelo menos 80 diretrizes terapêuticas para o sistema de saúde suplementar e faz parte do chamado PAC da Saúde, o programa Mais Saúde. Já estão prontas e em processo de implantação diretrizes sobre partos e tabagismo, por exemplo.

Por outro lado, em iniciativa com hospitais privados filantrópicos de excelência, e investimento de R$ 1 milhão por ano, a pasta elabora cerca de 90 diretrizes para doenças que exigem do SUS tratamentos caros, como hepatite B e anemias graves. Segundo o secretário de Atenção à Saúde do ministério, Alberto Beltrame, enquanto as diretrizes para os planos são amplas, as do SUS visaram só o que o governo pagará e a área de alto custo.

"São coisas diferentes: na ANS são mais gerais, recomendações; as nossas, mais normativas", afirmou, destacando em seguida que, por enquanto, não houve sobreposição de temas. "Se houver, não há impedimento que se trabalhe com a ANS, a orientação técnica geral é igual." Porém, existem ainda orientações de tratamento já produzidas por outros órgãos da pasta. Exemplo é uma orientação para tratar tabagismo feita em 2001 pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca).

Objetivos

O diretor de Normas e Habilitação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Alfredo Cardoso, destacou ontem que o Ministério da Saúde é o pagador único dos projetos de criação de diretrizes terapêuticas e que as políticas de saúde devem ser as mesmas para o SUS e a saúde suplementar.

"Se existe isso, me comprometo a agir para andar junto", declarou ao ser questionado sobre a existência das duas iniciativas de elaboração de guias de tratamento. "Até o momento, o objetivo é diferente, mas nada impede esforços conjuntos que otimizem os recursos", disse Cardoso.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Claudio Costa

Grupo Amarantes

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Deficiência de Vitamina D pode estar associada com doenças auto-imunes e alguns tipos de câncer

Pesquisa publicada na revista Genome Research confirma suspeitas que evidenciam que a Vitamina D pode proteger contra as doenças auto-imunes e alguns tipos de câncer.

A pesquisa, realizada na Universidade de Oxford por analise genética identificou que a Vitamina D interage com genes específicos do DNA responsáveis pelo aparecimento dessas doenças. Diversas regiões dos genes previamente identificados com diversas doenças, como o câncer colorretal, esclerose múltipla, Doença de Crohn, lúpus, artrite reumatóide e leucemia linfática crônica e doenças auto-imunes apresentaram ligações com a ação da Vitamina D. O próximo passo será tentar compreender como essa regulação dos genes pela interação da Vitamina D pode levar a desenvolver as doenças.

No momento o papel do uso suplementar de Vitamina D para prevenir as doenças não é totalmente compreendido, pelo que se recomendam novos estudos, tal qual está acontecendo com a utilização da Vitamina D no tratamento da hepatite C com interferon peguilado e ribavirina conforme comentamos em artigos anteriores.

A exposição ao sol é um caminho eficiente para elevar os níveis de Vitamina D no organismo, assim como a alimentação com leite e derivados, peixes com gordura como o salmão ou a sardinha e outros alimentos que contem cálcio.

Lamentavelmente com a recomendação de utilizar protetor solar para evitar o câncer de pele, a concentração de Vitamina D no organismo é prejudicada. Um estudo recente mostrou que metade da população dos Estados Unidos apresenta níveis inferiores aos recomendados de Vitamina D no organismo, situação que não acontecia na década passada.

As recomendações internacionais de suplementação diária de Vitamina D é de 200 IU para pessoas com menos de 50 anos; de 400 IU para pessoas entre 51 e 70 anos e de 600 IU para pessoas com mais de 70 anos, mas muitos especialistas criticam tais dosagens por considerá-las muito baixas.

O pesquisador chefe do estudo publicado em Genome Research, Dr. Sreeram V. Ramagopalan acredita que para prevenir as doenças estudadas na pesquisa seria necessária uma suplementação de até 2.000 IU ao dia de Vitamina D.

O nível de vitamina D no sangue é medido por um exame de sangue chamado 25-hidróxi-vitamina D. É considerado um normal nível de 25 ng/mL. Níveis inferiores a 20 ng/mL indicam deficiência de Vitamina D. Os pesquisadores indicam que o ideal seria manter um nível entre 30 e 40 ng/mL para reduzir o risco de aparecimento das doenças estudadas.

Um novo estudo será iniciado com 20.000 pacientes que estarão tomando 2.000 IU de Vitamina D ao dia durante cinco anos no Brigham and Women's Hospital de Boston, Estados Unidos, o qual irá contribuir significativamente na confirmação, ou não, dos possíveis benefícios da Vitamina D. O mesmo estudo também vai pesquisar os efeitos o Omega 3.

É importante destacar que os pesquisadores alertam que antes de recomendar altas doses de Vitamina D é necessária uma melhor compreensão da dose ideal e do melhor nível no sangue, com o qual se evitarão possíveis riscos ainda não verificados.

Resumindo, ainda faltam respostas para muitas perguntas, mas o caminho parece ser interessante por ser a Vitamina D um principio ativo barato e até encontrado fartamente em alimentos.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
A ChIP-seq defined genome-wide map of vitamin D receptor binding: Associations with disease and evolution - Sreeram V. Ramagopalan, Andreas Heger, Antonio J. Berlanga, et al. - Genome Research - Published in Advance August 24, 2010, doi: 10.1101/gr.107920.110

Carlos Varaldo
Grupo Otimismo

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Uma notícia muito boa! O Judiciário continua do lado do paciente

Poderes devem garantir o direito à saúde

"Mesmo sendo franqueado ao Poder Judiciário, não existe separação entre os Poderes para garantir o direito à saúde, por meio de fornecimentos de medicamento ou de tratamento imprescindível para o aumento de sobrevida e a melhoria da qualidade de vida de determinado paciente". Essa é a opinião do ministro Gilmar Mendes do Supremo Tribunal Federal ao falar sobre o controle judicial das parcerias do Estado com as entidades do terceiro setor durante o II Seminário sobre o Terceiro Setor e Parcerias na Área da Saúde, que aconteceu em São Paulo.

Nesse sentido, "uma última preocupação que surgiu recentemente é que no quadro de medicamentos sofisticados pra doenças crônicas e doenças raras nós, brasileiros, pagamos por esses medicamentos duas vezes mais que os dinamarqueses. A intenção do Poder Judiciário é facilitar o acesso dos menos desprovidos a esses medicamentos", declarou o ministro.

Para ele, o problema não é apenas do sistema, mas sim de uma judicialização dos temas que envolvem a saúde. "No entanto, em geral, o Judiciário não tem fugido de discutir e decidir sobre o tema", finalizou.

A discussão entre agentes públicos, gestores hospitalares e juristas ocorreu nesta segunda e terça-feira (30 e 31/8) durante o II Seminário Terceiro Setor e Parcerias na Área de Saúde. O evento foi promovido pelo Instituto Brasileiro de Direito Público (IDBP).

Claudio Costa
Grupo Amarantes

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Entrevistas para enquete referente à reportagem do Jornal Folha de São Paulo

Introdução -
Recentemente, o jornal Folha de São Paulo, maior veículo impresso do Brasil, publicou uma matéria intitulada “Hepatite C é ligada a jovens que fazem sexo com muitas pessoas” . A notícia informava que um estudo realizado pela USP - Universidade de São Paulo sugere que homens jovens e promíscuos são as vítimas preferenciais da Hepatite C. Esta noticia gerou especulações acerca da possibilidade da transmissão sexual do Vírus da Hepatite C ter sido subestimada ao longo dos anos dedicados ao estudo desta doença.
O assunto é controverso, mas existe farta documentação cientifica contrária à importância da transmissão sexual do Vírus C, exceto em situações peculiares.
Ademais, o tópico apresenta serias dificuldades para a sua avaliação científica. È necessário controlar nos estudos os fatores que chamamos, na linguagem da metodologia científica, de “confundimento.” No caso da Hepatite C, o vírus pode ser transmitido por diversas vias parenterais, ou seja, partilha de instrumentos perfuro-cortantes ou abrasivos, mesmo objetos de uso pessoal como tesoura de unhas e escova de dente. Não raro, indivíduos com comportamento sexual de risco, partilham estes instrumentos. Isso pode levar o investigador a falsamente aceitar a transmissão sexual se o estudo não tiver mecanismos para controlar estes “ fatores de confundimento”.
Além disso, deve-se ter o máximo cuidado quando incluímos na amostra usuários de drogas intravenosas. Ademais, quando a amostra é pequena (poucos pacientes incluídos no estudo) como é o caso do estudo que levou a esta controversa conclusão.
Esta é uma população particularmente difícil de estudar, não só pela dificuldade de informações seguras, assim como pela abundancia de fatores de confundimento.
Reconhecendo ser este um tema de importância, a SBH ouviu expertos em Hepatite C do Brasil e do exterior, todos com reconhecida experiência no assunto, pois são formadores de opinião e trabalham em centros de referencia para Hepatite C.
Para tanto, solicitamos os serviços da assessoria de comunicação da Texto&Cia. Esta, por sua vez, teve total independência para entrevistar expertos em Hepatologia, todos especialistas formadores de opinião.
A Entrevista aconteceu durante o Evento da SBH “Hepatologia do Milênio” em Salvador, de 14 a 17 de Julho de 2010. Todos os entrevistados foram convidados do evento para proferir conferencias, participar de mesas redondas e discutir casos clínicos complexos.
A Sociedade Brasileira de Hepatologia tem por objetivo contribuir para esclarecer a população, mormente os mais de 2.000.000 de brasileiros portadores de Hepatite C e aos seus familiares.
Este é um papel social das sociedades de especialidades médicas e também da imprensa.

Raymundo Paraná
Presidente da SBH
Professor Livre-Docente de Hepatologia Clinica da UFBA
Chefe do Serviço de Gastro-Hepatologia do Hospital Universitário da UFBA

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Cientistas criam células hepáticas

Reuters

Por Kate Kelland

LONDRES (Reuters) - Cientistas criaram pela primeira vez células hepáticas humanas a partir de células cutâneas reprogramadas, abrindo caminho para o possível desenvolvimento de novos tratamentos para doenças do fígado, que matam milhares de pessoas por ano.

Cientistas da Universidade de Cambridge divulgaram os resultados na quarta-feira na revista Journal of Clinical Investigation, e relataram também que conseguiram evitar as polêmicas éticas e políticas em torno das pesquisas com células-tronco embrionárias.

"Esta tecnologia contorna a necessidade de usar embriões humanos", disse Tamir Rashid, do laboratório de medicina regenerativa de Cambridge, coordenador do estudo. "As células que criamos eram tão boas quanto se estivéssemos usando células-tronco embrionárias."

As células-tronco são uma espécie de "manual de instruções" do organismo, capazes de dar origem a qualquer tipo de tecido, o que pode no futuro levar à cura de diversas lesões e doenças degenerativas.

As células-tronco retiradas de embriões são consideradas mais maleáveis e poderosas, mas muitos se opõem às pesquisas com esse material por causa da necessidade de destruir os embriões.

Nesta semana, um juiz federal dos EUA concedeu liminar proibindo o uso de verbas públicas em pesquisas com células-tronco embrionárias.

As doenças hepáticas são a quinta principal causa de mortes nas nações desenvolvidas. Só nos EUA, são cerca de 25 mil óbitos anuais, e na Grã-Bretanha pesquisadores afirmam que a incidência entre jovens e pessoas de meia idade aumenta 8 a 10 por cento ao ano.

Rashid disse que, apesar de 40 anos de tentativas, os cientistas nunca haviam conseguido desenvolver células hepáticas em laboratório, o que tornava extremamente difícil as pesquisas sobre as doenças do fígado.

Devido à escassez de doadores de fígado, é urgente encontrar alternativas aos transplantes, disse Rashid.

O novo estudo aponta a possibilidade do desenvolvimento de novas drogas, ou de uma terapia à base de células - em que as células dos pacientes com doenças genéticas são "curadas" e transplantadas de volta para o organismo.

As doenças hepáticas podem ser herdadas, ou causadas por abuso do álcool ou infecções como a hepatite.

Para o estudo, a equipe de Rashid pegou amostras da pele de sete pacientes que sofriam de várias doenças hepáticas genéticas, e três de pessoas saudáveis, que serviram como comparação.

Eles reprogramaram as células cutâneas para se transformarem nas chamadas células-tronco pluripotentes induzidas, e então as reprogramaram para gerar células hepáticas que imitavam diversas doenças do fígado dos pacientes. Os cientistas usaram a mesma técnica para criar células hepáticas saudáveis a partir do grupo de comparação.


Claudio Costa
Grupo Amarantes

domingo, 22 de agosto de 2010

REDUZINDO A VELOCIDADE DE EVOLUÇÃO DA CIRROSE ENQUANTO SE PROCURA SUA REVERSÃO

Liver Health Today - Julho / Setembro 2010.

Pode a cirrose ser revertida? Pesquisadores têm declarado que atualmente mudanças fibróticas podem ser revertidas em laboratório e em estudos com animais, mas testes com drogas em humanos estão todavia muito distantes. Como com as drogas existentes que desaceleram a fibrose, pacientes com cirrose em estado avançado podem não ser capazes de tolerar as drogas na dosagem necessária. Todavia, pode ser possível para pacientes com cirrose avançada diminuir seus processos fibróticos utilizando as substâncias disponíveis existentes

Novas Ferramentas Diagnósticas.

O processo de formação de cicatrizes no fígado pode ser descrito como uma resposta à inflamação constante. Células hepáticas (radiadas, em forma de estrela) são ativadas e agem com a matriz extracelular (área entre as células) para começar o processo. Este processo é complexo e possui uma variedade de causas, mas basicamente, as células radiadas invadem a área entre as células com uma variedade de agentes de engrossamento. Este processo fibrogénico é dinâmico, e a fibrose pode ser revertida. A terapia para doenças específicas do fígado é uma medida anti-fibrótica, o tratamento para hepatites B ou C, por exemplo, podem levar à reversão da fibrose. Todavia, numerosos compostos anti-fibróticos desenvolvidos especificamente para reversão têm falhado em proporcionar alívio significativo.

O tratamento da fibrose deve focar em intervenções precoces, desde que pacientes com fibrose avançada têm menos chances de tolerar intervenções intensas, tendo índices de resposta menores. A biópsia é ferramenta padrão para determinar alterações na fibrose, mas a biópsia hepática é invasiva e acarreta maiores riscos para pacientes que mais precisam da intervenção. A biópsia também pode errar na leitura do nível de fibrose porque a amostra retirada de uma área pode não ser representativa do fígado como um todo.

Estamos aguardando o advento de novas tecnologias para acessar a cirrose hepática sem termos que confiar somente nas biópsias A elastografia transiente, tecnologia baseada em ultra-som, pode proporcionar uma alternativa não invasiva. Ela também cobre uma área cem vezes maior do que uma biópsia de fígado padrão. Embora a elastografia por ultra-som e a elastografia MRI (esta última mais acurada e mais custosa) ainda têm problemas a serem resolvidos, elas proporcionam a primeira oportunidade real de conduzir um teste não invasivo de possíveis tratamentos para a cirrose.

Tratamentos Atuais

Por no mínimo uma década, os pesquisadores têm tem procurado o “cálice sagrado” de um “gatilho” para a reversão da cirrose. Embora os pesquisadores tenham isolado caminhos mais específicos da inflamação que leva o fígado a formar cicatrizes a conversão de tal conhecimento em testes com uma droga piloto tem sido difícil.
Há dois anos, pesquisadores na Califórnia descobriram um ponto específico de ativação no processo de cirrose e utilizaram com sucesso um peptídeo (tipo de proteína) para bloquear a cirrose hepática. O peptídeo teve tanto sucesso que sujeitos que receberam o peptídeo quase não tinham mais cirrose. Logo a mídia divulgou amplamente que tínhamos descoberto a cura para cirrose, deixando de mencionar que os sujeitos do estudo eram ratos. Os pesquisadores consideraram começar testes clínicos em humanos, mas até agora o que nós temos são estudos exitosos sobre o peptídeo com ratos.

Existe atualmente um leque de possíveis tratamentos para diminuir o ritmo da fibrose, como documentado em resenha do Instituto Nacional de Saúde (NIH). Conforme o Dr. Dan C. Rockey, a colchicina mostrou ser bastante efetiva na inibição da síntese de colágeno, o que pode desacelerar a fibrose, mas os testes não exibiram um efeito significativo. O Interferon gama e angiotensin bloqueadores de receptor têm efeito sobre as células radiadas (stellate cells), diminuindo a ativação. O Interferon gama também pode ser muito efetivo para alguns subtipos de pacientes. O uso de “PPAR ligands” impacta as células radiadas por supressão de ativação, mas isto pode ser revertido quando a terapia é suspensa. A droga, Pirfenidona, pode reduzir a velocidade do processo fibrótico, mas tem efeitos colaterais significativos.

A resenha do Dr. Rockey também abrange alguns tratamentos fitoterápicos. Conforme a medicina chinesa, o ácido salvianólico B contido na sálvia pode desacelerar mudanças fibróticas. O mesmo extrato de sálvia tem demonstrado proteger o fígado e outros órgãos de uma variedade de agressões, e não há relatórios existentes de dano hepático provocado por ácido salvianólico. Todavia, o pesquisador ainda aconselha os leitores a evitar as ervas por causa de preocupações com a hepato-toxicidade. Suas preocupações sobre a possibilidade de hepato-toxicidade para aqueles realizando testes fitoterápicos com ervas desconhecidas são bem fundamentados. (Os pacientes devem verificar com seus médicos antes de ingerir qualquer remédio natural).
A única exceção que o Dr. Rockey faz entre as ervas é para a Silimarina (leite de cardo), que tem exibido efeito anti-fibrótico em múltiplos estudos com animais, mas precisa ser usado mais para prevenir a fibrose, mais do que para reverte-la. Ácidos ursodeoxicólicos (sais de bílis) também podem ser usados na prevenção, e seu uso extensivo no início da cirrose pode auxiliar a evitar fibrose.

Medicamentos Amplamente Disponíveis

A análise do Dr. Rockey de agentes preventivos da fibrose não se estendeu aos estudos com ratos. É curioso que um grande número de estudos com animais tem exibido reversão da fibrose com uma variedade de substâncias sem receber maior atenção da mídia. Muitas destas substâncias se encontram comumente disponíveis aos pacientes e têm demonstrado possuir outros efeitos benéficos no corpo humano. Os seguintes estudos sobre o fígado são baseados em animais, mas as substâncias são comumente usadas por humanos para outras propostas, dando a clínicos e pacientes um quadro estabelecido de efeitos colaterais.

1. N-acetyl cysteine (NAC): É um antioxidante usado por pacientes com fibrose cística crônica e para pacientes com overdose aguda de acetaminofeno. Um estudo recente mostrou que o NAC bloqueou o dano oxidante ao fígado e especificamente um agente pro-fibrótico. Na triagem, o grupo de controle tinha sete vezes mais cicatrizes do que o grupo tratado com NAC. Os pesquisadores recomendaram começar testes de controle de NAC para pacientes com cirrose.

2. Extrato de Alho Envelhecido: É freqüentemente utilizado por sua possível proteção contra doença cardiovascular. Topicamente, o extrato de alho envelhecido tem exibido a capacidade de aumentar o crescimento de vasos sanguíneos. Um estudo japonês sobre o extrato de alho envelhecido revelou que o mesmo teve um desempenho tão bom quanto o NAC contra a fibrose, com um terço de dosagem.

3. Extratos de Chá Verde: Testes para prevenir câncer oral se encontram em fase II, e os pacientes podem estar ingerindo chá verde para uma variedade de outros tipos de câncer, ou para benefícios cardiovasculares. A pesquisa do chá verde demonstra a prevenção de mudanças na fibrose hepática, seja química (envenenamento) ou mecanicamente (fechamento do duto biliar) induzida.

4. Resveratrol (extrato de semente de uvas) e curcumina (cúrcuma) têm demonstrado desacelerar as mudanças fibróticas em animais. . Mais amplamente, proantocianidinas, compostos achados em frutas e vegetais, tem amplos efeitos antiinflamatórios e funcionam para reduzir a ativação das células hepáticas radiadas.

5. Alcaçuz (Glycyrrhiza glabra): Pode provocar sérios efeitos colaterais, mas permanece amplamente disponível como alimentos. Os pacientes com freqüência não a associam com suas propriedades medicinais, a despeito de seu uso como medicamento por mais de 2000 anos. Uma ingestão alta de alcaçuz deve ser considerada como parte de um histórico amplo de saúde. O amor por alcaçuz pode ser associado com estresse crônico elevado, desde que o alcaçuz auxilia a manter níveis de cortisol altos no corpo, proporcionando aos que o ingerem energia aumentada. Pesquisadores japoneses têm utilizado um composto com alcaçuz por 60 anos como ingrediente ativo no tratamento de hepatite, oferecendo aos indivíduos que participaram nos testes um histórico de boa segurança clínica. As pesquisas apontam para uma possível participação do alcaçuz na prevenção de hepatite ativa e na conversão a câncer hepático.
Em outra nota, a planta de lúpulo (sem álcool) traz benefícios na prevenção de mudanças hepáticas em animais. Contrariamente, o uso de maconha, parece aumentar as chances de fibrose hepática. Muitas outras plantas têm demonstrado prevenir dano hepático em modelos animais e estão em triagens preliminares para humanos, para outras doenças.
A conversão de estudos em animais para testes reais em humanos está comprometida pela velocidade do desenvolvimento da fibrose e a dosagem das substâncias discutidas em esta secção. Os animais são “fibrosados” muito rapidamente em laboratório, e os compostos são ministrados em doses muito altas para deter a fibrose. Para testes em humanos, a dosagem requerida para obter um benefício significativo deve no mínimo aproximar o mesmo nível de dosagem, levando a substância fora da classificação de droga para o âmbito de alimento em termos de quantidade. Os animais são freqüentemente alimentados com as substâncias experimentais como um pequeno percentual de sua ingestão total de alimentos. Ou então eles recebem de 20 a 50 miligramas por quilograma do seu peso. Os médicos podem precisar considerar gramas em lugar de miligramas de substâncias para testes humanos e a dosagem dependendo do peso do paciente, mais do que aplicar uma dosagem padrão para pacientes gordos e magros, ou grandes e pequenos. Esta super-dosagem seria insustentável a curto prazo, sem um bom perfil de segurança. Adicionalmente, doses maiores podem ser insustentáveis do ponto de vista de custo em longo prazo, sem benefícios significativos.
O advento de um equipamento diagnóstico não invasivo auxiliará a tornar testes clínicos mais breves e definitivamente possíveis. A capacidade de acessar diretamente a fibrose hepática permitirá um monitoramente ativo de diversas intervenções clínicas. Enquanto testes com drogas continuarão sendo limitados a graus moderados de cirrose, o uso de agentes botânicos, particularmente aqueles dentro do setor de alimentos, guarda o potencial ainda não utilizado de auxiliar indivíduos com cirrose em estado mais avançado.

Texto traduzido pela Ong Transpática - SP

Claudio Costa

Grupo Amarantes






domingo, 15 de agosto de 2010

Falta medicamentos no RJ

Com previsão para outubro de chegada, os portadores de Hepatite C que foram aprovados para tratamento pela Câmara Técnica da SES, aguardam ansiosamente a sua medicação. "A falta de planejamento do MS aliada a subnotificação são os grandes causadores desta caótica situação", afirma Claudio Costa Presidente do Grupo Amarantes.

Claudio Costa
Grupo Amarantes