quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Vertex divulga mortes de pacientes em tratamento de Hepatite C



A Vertex Pharmaceuticals anunciou que um número de pacientes morrereu de reações cutâneas graves depois de tomar Incivek (Telaprevir) como terapia da hepatite C.
A FDA - Food and Drug Administration dos EUA, adicionou hoje o alerta chamado "caixa preta" para o rótulo do Incivek (Telaprevir), dizendo que fatais e não-fatais reacções cutâneas graves foram relatadas em pacientes que tomam Incivek (Telaprevir) em tratamento combinado.
A empresa salientou a importância de deter a terapia depois que uma reação grave na pele é identificada, pois os casos fatais foram o resultado de permanecer em terapia mesmo depois de experimentar uma reação grave.
Reações na pele e erupções cutâneas graves são conhecidos efeitos secundários do Incivek (Telaprevir), e que tem sido previamente reportados. No entanto, esta é a primeira vez que a empresa reporta que tais reacções resultaram em mortes. A empresa não divulgou quantos pacientes morreram.
"A segurança das pessoas que tomam nossos medicamentos é a nossa prioridade, e estamos empenhados em garantir que pacientes e médicos estejam cientes da atualização do rótulo para ajudá-los a usar Incivek (Telaprevir) corretamente",  disse o Dr. Robert Kauffman,  Médico Chefe Oficial da Vertex. "Vamos continuar a orientar os médicos a seguir o plano de gestão de erupção cutânea enquanto o Incivek (Telaprevir) estiver em ensaios clínicos e as informações contidas no rótulo serão atualizadas."
Na Fase 3 de testes clínicos, menos de 1 por cento das pessoas que receberam tratamento combinado com Incivek (Telaprevir) experimentou uma reacção grave na pele. Durante os ensaios clínicos, alguns pacientes foram hospitalizados e todos os pacientes se recuperaram.


Tradução: Arair Azambuja – presidente da AMAPHET – Filiada ao MBHV

A HEPATITE C COMO DOENÇA SISTÊMICA


Escrito por Marilia Gaboardi
Seg, 12 de Dezembro de 2011 19:21

A prevalência global estimada da infecção pelo vírus da hepatite C (HCV) é de 2,2% , o que corresponderia a 130 milhões de pessoas infectadas em todo o mundo. Embora poucos estudos tenham avaliado a prevalência da infecção pelo HCV no Brasil, um inquérito realizado pela Sociedade Brasileira de Hepatologia revelou que dos 1.173.406 pré-doadores de sangue avaliados, 14.527 (1,23%)

foram reativos para o anti-HCV.

O HCV é ao mesmo tempo um vírus hepatotrópico e linfotrópico, e pode estar associado a doenças hepáticas e extra-hepáticas. A tabela 1 exibe uma classificação proposta para as manifestações extra-hepáticas do HCV onde estas são dividas em quatro categorias. As duas primeiras categorias (A e B) incluem as principais condições associadas ao HCV, para as quais existem evidências suficientes para justificar a investigação do HCV. As categorias C e D reúnem doenças cuja associação com o HCV ainda precisa ser mais bem caracterizada. Nestes casos, a investigação da infecção pelo HCV pode ser recomendada, especialmente nos pacientes que apresentarem outros fatores de risco (transfusão de hemocomponentes, uso de drogas intravenosas, etc), alteração de alanina aminotransferase ou outros indícios de doença hepática.

Devido à possibilidade destas manifestações extra-hepáticas ou inespecíficas, mas também à sua elevada prevalência, o diagnóstico da hepatite C deve ser considerado em uma série de situações fora do contexto do especialista em hepatologia. Este texto tem o objetivo de servir como fonte de informações aos não especialistas de uma forma geral e também aos especialistas de áreas, como nefrologia, reumatologia, angiologia, dermatologia entre outras.



Tabela 1. Classificação das manifestações extra-hepáticas do vírus da hepatite C



Associação definida por alta prevalência e patogênese
Crioglobulinemia mista



B. Associação definida por prevalência maior que em controles

Linfoma não Hodgkin de células B

Gamopatia monoclonal

Porfiria cutânea tarda

Líquen plano



Associação que ainda requer confirmação/melhor caracterização
Tiroidite auto-imune

Câncer de tireóide

Síndrome Sicca

Fibrose pulmonar

Diabetes mellitus

Nefropatias não-crioglobulinêmicas

Aterosclerose da aorta



Observações anedóticas
Desordens psicopatológicas

Psoríase

Neuropatia periférica/central (não relacionada à crioglobulinas)

Poliartrite crônica

Artrite reumatóide

Poliarterite nodosa

Síndrome de Behçet

Polidermatosite

Fibromialgia

Urticária crônica

Prurido crônico

Pseudossarcoma de Kaposi

Vitiligo

Cardiomiopatias

Úlcera de córnea de Mooren

Disfunção Erétil

Eritema acral necrolítico



Fonte: Zignego et al, 2007





Crioglobulinemia mista

A crioglobulinemia mista (tipo II ou III) é a manifestação extra-hepática mais bem documentada da infecção pelo HCV, com prevalência acima de 50% em algumas séries . A crioglobulinemia é caracterizada pela presença imunoglobulinas que se precipitam de forma reversível em baixas temperaturas (< 37º C).

Apenas 10% a 30% dos pacientes portadores do HCV com crioglobulinemia apresentam sintomas e são comuns as queixas de artralgia e astenia nestes casos. Alguns pacientes apresentam uma vasculite sistêmica de pequenos vasos na qual as principais estruturas acometidas são a pele, articulações, rins e nervos periféricos. Os achados específicos de cada órgão serão descritos nas seções abaixo.

Para o diagnóstico é importante a presença de crioglobulinas circulantes. No entanto, pacientes portadores do HCV podem apresentar um quadro clínico sugestivo de síndrome da crioglobulinemia mista, porém inicialmente sem a presença das crioglobulinas. Isso pode acontecer, pois a quantidade de crioglobulinas responsáveis pelo dano vascular é variável ao longo do tempo. Desta forma, é recomendada a repetição da pesquisa das crioglobulinas a cada 6 a 12 meses nos pacientes com sintomas leves e a cada 1 a 2 meses nos indivíduos com manifestações moderadas ou graves que apresentaram crioglobulinas negativas nos exames iniciais. Além disso, pela termolabilidade das crioglobulinas, fatores relacionados à coleta de sangue ou processamento da amostra podem interferir nos resultados e protocolos rígidos são recomendados para a execução deste teste diagnóstico.

Manifestações hematológicas

Trombocitopenia:

A redução do número de plaquetas é um achado freqüente em portadores do HCV e pode estar associada à maior risco de sangramento durante procedimentos invasivos ou limitar a indicação do tratamento antiviral nestes indivíduos . Apesar de usualmente estar associada ao desenvolvimento de formas mais avançadas de doença hepática, a trombocitopenia parece ser multifatorial nos pacientes infectados pelo HCV. O hiperesplenismo, a formação de anticorpos “antiplaquetas” (trombocitopenia auto-imune) e a diminuição da síntese de trombopoetina são mecanismos envolvidos na trombocitopenia dos portadores do HCV .

Linfoma:

Vários estudos descreveram a associação entre a infecção pelo HCV e o desenvolvimento de linfoma não-Hodgkin (LNH) de células B. Uma metanálise de 48 estudos concluiu que a prevalência de hepatite C nos portadores de LNH de células B foi de 15%, o que é significativamente maior do que o observado na população geral (ao redor de 1,5%). Um estudo caso-controle realizado posteriormente encontrou risco aumentado de linfoma difuso de grandes células B, linfoma da zona marginal e linfoma linfoblástico. É sugerido que a crioglobulinemia secundária ao HCV pode progredir para o LNH e isso foi demonstrado em estudos que avaliaram testes genéticos moleculares em células de medula óssea de portadores do HCV com crioglobulinemia clinicamente ativa. É provável, entretanto, que a crioglobulinemia ocorra em conseqüência de uma estimulação crônica do sistema imune pelo HCV e esta, por sua vez, predisporia a desordens linfoproliferativas.

Gamopatias monoclonais:

Entre as manifestações extra-hepáticas do HCV, uma gamopatia monoclonal, mais frequentemente do tipo IgM/k, tem sido descrita. Na maioria dos casos em portadores do HCV, as gamopatias monoclonais são consideradas no grupo das gamopatias de significado indeterminado (MGUS), as quais devem ser monitoradas com a finalidade de excluir a pequena possibilidade de evolução para mieloma múltiplo.

Manifestações renais

Doenças glomerulares podem ocorrer em pacientes portadores crônicos do HCV. Os padrões mais comuns são a glomerulonefrite membranoproliferativa (usualmente associada à crioglobulinemia mista) e, menos frequentemente, glomerulonefrite membranosa. Uma elevada prevalência de marcadores do HCV em pacientes com glomerulonefrite membranoproliferativa associada à crioglobulinemia tem sido observada. A patogênese parece estar relacionada à deposição de imunocomplexos contendo anti-HCV e HCV-RNA nos glomérulos.

Manifestações auto-imunes

Um significativo número de manifestações auto-imunes foi associado à infecção pelo HCV. Entre elas se destacam a formação de auto-anticorpos, a doença tireoidiana e a sialadenite.

Formação de auto-anticorpos:

Auto-anticorpos são comuns em pacientes cronicamente infectados pelo HCV. Fator antinúcleo (FAN), fator reumatóide, anticorpos anticardiolipina, anticorpos anti-músculo liso ou anticorpos antitireoidianos são encontrados em 40 a 65% dos pacientes. Estes anticorpos estão normalmente presentes em baixos títulos e não parecem influenciar o curso da doença ou a resposta ao tratamento. No entanto, a presença destes autoanticorpos é de difícil interpretação e podem dificultar o diagnóstico de doenças reumatólogicas associadas.

Doenças da tireóide:

As doenças da tireóide são comuns em pacientes com infecção crônica pelo HCV, especialmente nas mulheres mais idosas. De uma forma geral, anticorpos antitireoidianos estão presentes em 5% a 17% dos portadores do HCV, e doença tireoidiana, especialmente hipotireoidismo, ocorre em 2% a 13% dos pacientes. Além disso, as doenças tireoidianas (especialmente o hipotireoidismo), bem como outros fenômenos imunomediados podem ocorrer após o tratamento da hepatite C com interferon.

Sialadenite:

Uma sialadenite linfocítica sugestiva de Síndrome de Sjögren foi descrita em portadores do HCV. Um estudo com 137 pacientes com Síndrome de Sjögren e hepatite C demonstrou que os achados clínicos e imunológicos nestes indivíduos são indistinguíveis daqueles observados nos pacientes sem infecção pelo HCV. De forma semelhante, uma prevalência elevada de hepatite C tem sido observada em portadores da Síndrome de Sjögren.

Manifestações Dermatológicas

Porfiria cutânea tarda:

A porfiria cutânea tarda (PCT) é uma doença de pele causada pela redução da atividade da uroporfirinogênio descarboxilase e é caracterizada por fotossensibilidade, fragilidade da pele, hematomas e vesículas ou bolhas que podem se tornar hemorrágicas. Existe uma forte associação entre a forma esporádica da PCT e a infecção pelo HCV, porém o mecanismo preciso pelo qual o HCV age como gatilho na PCT ainda é desconhecido. Todos os pacientes com PCT devem ser rastreados com a sorologia para a hepatite C.

Vasculite leucocitoclástica:

A vasculite leucocitoclástica ocorre em conjunto com a crioglobulinemia mista, e é evidenciada por púrpura palpável e petéquias que usualmente acometem as extremidades inferiores. Biópsias de pele demonstram vasculite cutânea com destruição dos vasos da derme associada a infiltrado neutrofílico dentro e ao redor da parede do vaso.

Líquen plano:

O líquen plano (LP) é caracterizado por lesões achatadas, violáceas, e pápulas pruriginosas com uma distribuição generalizada. Pode acometer as mucosas, cabelo e unhas. O líquen plano pode ocorrer em uma série de doenças hepáticas, principalmente avançadas. Apesar da sorologia para hepatite C ser reagente em 10% a 40% destes pacientes, uma relação causa-efeito clara ainda é incerta.

Conclusões

A hepatite C está associada a um grande número de manifestações extra-hepáticas e atualmente pode ser considerada uma doença sistêmica. O reconhecimento destas manifestações pode permitir um manejo mais adequado dos pacientes, bem como a prevenção de complicações relacionadas ao atraso no diagnóstico. Apesar de não haver uniformidade nas recomendações, a investigação da hepatite C deverá ser realizada, especialmente no caso de doenças em que a associação com a infecção pelo HCV está mais bem definida (categorias A e B da tabela 1).



Fonte:

Sociedade Brasileira de Hepatologia

Dr.Leonardo de Lucca Schiavon

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Quais medicamentos são totalmente proibidos durante o tratamento com os inibidores de proteases?



A seguir uma relação de medicamentos identificados pelo seu principio ativo e sua principal indicação terapêutica (pode ter outras indicações) que são totalmente contraindicados quando o tratamento da hepatite C for realizado com os inibidores de proteases telaprevir ou boceprevir.

Existem muitos outros medicamentos que podem ter seu efeito aumentado ou diminuído quando do tratamento com boceprevir ou telaprevir.
 

Nunca, sob nenhuma hipótese o boceprevir ou o telaprevir devem ser utilizados com qualquer um dos seguintes medicamentos (principios ativos), sob grave risco para o paciente. 

Alfuzosina - é um medicamento utilizado para tratamento da próstata.
 

Bepridil - um bloqueador do canal de cálcio utilizado para o tratamento de angina. Não pode ser utilizado quando o tratamento é realizado com boceprevir ou telaprevir.
 

Carbamazepina - é utilizada no tratamento da epilepsia.
 

Cisaprida - é um medicamento utilizado para tratar o refluxo gastro-esofágico.
 

Dihidroergotamina - é usada no tratamento da dor de cabeça (enxaqueca).
 

Ergonovina - medicamento utilizado na obstetrícia.
 

Ergotamina - é usada no tratamento da dor de cabeça (enxaqueca).
 

Erva de São João (Hypericum perforatum) - é utilizada como medicamento natural antidepressivo.
 

Fenitoina - é usado no tratamento da epilepsia.
 

Fenobarbital - é o barbitúrico mais antigo, muito utilizado na atualidade.
 

Halofantrina - é um medicamento utilizado para tratar a malária.
 

Imatinib (Glivec) - é usado no tratamento de pacientes adultos com leucemia .
 

Lovastatina - é um medicamento utilizado para tratar o colesterol.
 

Lumefantrina - é um medicamento utilizado para tratar a malária.
 

Midazolan (oral) - ansiolítico indicado para o tratamento de curto prazo da insónia.
 

Pimozida - é um medicamento antipsicótico.
 

Rifampicina - antibiótico bastante utilizado no tratamento das diversas formas de tuberculose e hanseníase e, também, indivíduos que mantiveram contato com portadores de meningite meningocócica.
 

Sildefanil (Viagra®) - quando indicado para o tratamento da hipertensão arterial pulmonar.
 

Sinvastatina - é um medicamento utilizado para tratar o colesterol.
 

Sunitinib - é usado no tratamento do câncer.
 

Tadalafil (Cialis®) - quando indicado para o tratamento da hipertensão arterial pulmonar.
 

Triazolam - ansiolítico indicado para o tratamento de curto prazo da insónia.
 

Fonte: http://hep-druginteractions.org 


Agência de Notícias
das Hepatites

domingo, 16 de dezembro de 2012

Quebrando um mito - É rara de acontecer a transmissão sexual em casais monogâmicos


A conceituada revista "Hepatology" publica uma pesquisa sobre a transmissão sexual da hepatite C em casais, quando um dos dois parceiros se encontra infectado com hepatite C.

Um total de 500 casais, nos quais um dos parceiros se encontrava infectado com hepatite C, foram acompanhados durante oito anos, todos eles praticando sexo geralmente sem camisinha, monogâmicos, declaradamentes sem praticar sexo com outras pessoas, a não ser o parceiro único. Nenhum dos participantes estava infectado com HIV/AIDS.

Os casais eram entrevistados para fatores de risco de transmissão da hepatite C, praticas sexuais realizadas e compartilhamento de itens pessoais de higiene. Todos foram testados para anticorpos (anti-HCV), HCV/RNA (carga viral), genótipo e serotipo (o serotipo identifica a família do vírus dentro do genótipo, uma espécie do DNA do vírus determinando pela sequencia filogenética).

Estudos anteriores são controversos, mas todos mostram que a transmissão sexual é rara, obtendo resultados entre zero e 5% em casais heterossexuais estáveis, encontrado um risco maior em populações infectadas com HIV/AIDS, indivíduos com múltiplos parceiros sexuais e homens que fazem sexo com homens, pesquisas essas realizadas na década passada.

A pesquisa publicada no "Hepatology" tentou determinar a real possibilidade de transmissão sexual da hepatite C em casais heterossexuais monogâmicos identificando especificamente os tipos de pratica sexual associadas a esse risco. Os pacientes do estudo foram recrutados entre os anos de 2000 e 2003 no norte da Califórnia, nos Estados Unidos. A analise incluía casais com relação sexual entre 3 e 15 anos, resultando em uma média de oito anos de atividade sexual ativa no total do grupo. Não foram incluídos usuários de drogas nem pessoas com HIV/AIDS.

Resultados:

- Dos 500 casais participantes que no inicio do estudo o parceiro se encontrava indetectável, em 20 deles aconteceu um contagio com hepatite C, representando 4% do total de casais;

- Analisado o genótipo, em 11 desses casos de infecção o genótipo era diferente ao do parceiro, confirmando que a infecção não aconteceu pelo parceiro. Somente em 9 casos o genótipo era o mesmo, o que presumia a transmissão entre os parceiros em 1,8% dos participantes;

- Mas ao se realizar o exame de serotipo foi encontrado que o genótipo existente era de uma família diferente em seis desses infectados, restando somente 3 infectados nos quais pode se assegurar que a transmissão aconteceu desde o parceiro, representando somente 0,6% no total dos participantes do estudo.

- Com base nesses resultados os pesquisadores concluíram que ao acompanhar um total de 8.377 pessoas/ano, a prevalência de infecção da hepatite C entre os parceiros sexuais é no máximo de 1,2%, o que representa uma incidência máxima de transmissão sexual de 0,07% ao ano, ou uma nova infecção a cada 190.000 contatos sexuais.

- Além disso, a análise não conseguiu encontrar uma ligação entre a transmissão da hepatite C com qualquer atividade sexual específica.

Esclarecem os autores que a transmissão sexual pode acontecer quando fluidos do corpo infectados entram em contato com as mucosas, já que o vírus é encontrado em todos os fluidos do corpo humano, mas geralmente os níveis são pequenos e insuficientes para transmitir a doença. Um baixo nível de vírus no esperma ou nas secreções vaginais pode ser razão pela qual o vírus da hepatite C se transmite de forma menos eficiente que o vírus da AIDS ou da hepatite B.

Esclarecem, também, que os resultados são somente aplicáveis a casais heterossexuais monogâmicos, sem HIV/AIDS. Pessoas com múltiplos parceiros sexuais, HIV/AIDS positivos, gays, bissexuais e homens que fazem sexo com homens estão em maior risco de infecção pela hepatite C. Não existem estudos realizados em mulheres lesbianas.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Sexual Transmission of HCV among Monogamous Heterosexual Couples: the HCV Partners Study.- Terrault NA , Rodeio JL, Murphy EL, Tavis JE, Kiss A, Levin TR, R Gish, Busch M, Reingold AL, Alter MJ. - Hepatology (on-line). 2012 Nov 23. doi: 10.1002/hep.26164

Agência de Notícias
das Hepatites

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Hepatite C - Tratar agora ou aguardar por novos medicamentos?


Em curto e médio prazo, isto é, entre 3 e 6 anos, novos medicamentos para o tratamento da hepatite C chegarão ao mercado. Por enquanto existe a duvida se estarão disponíveis medicamentos 100% orais ou se o interferon continuará sendo necessário combinado com esses medicamentos, mas que novos medicamentos chegarão, quanto a isso ninguém mais duvida. 

Certamente os novos medicamentos serão mais eficazes, toleráveis e seguros, o tratamento terá duração menor e servirão para todos os genótipos da hepatite C. 

A perspectiva de novas terapias levanta a questão de saber se o tratamento deve ser realizado agora ou se se deve esperar a chegada de novos medicamentos. Uma decisão difícil já que são muitos os fatores que devem ser considerados na decisão, fatores esses que atuam com maior ou menor celeridade em cada indivíduo. 

Não existe uma formula matemática que possa assegurar com total certeza qual será o quadro de dano hepático ou gravidade de um paciente daqui a três, quatro ou mais anos. Cada caso é um caso totalmente diferente. Por isso o médico simplesmente sugere, sendo então o paciente que deve tomar a decisão de tratar ou aguardar, sob sua inteira responsabilidade. 

Mas algumas situações podem, sim, ser consideradas na tomada de decisão, vejamos quais: 

1 - TRATE AGORA: 

- Infectados com o genótipo 1, com cirrose (F4) ou fibrose avançada (F3) sejam pacientes nunca antes tratados ou pacientes não respondedores a um tratamento anterior; 

- Infectados com os genótipos 2, 3, 4, 5 e 6, com cirrose (F4) ou fibrose avançada (F3) nunca antes tratados; 

- Infectados com hepatite C que apresentam manifestações extrahepáticas causadas pelo vírus C. 


2 - AGUARDAR NOVAS TERAPIAS: 

- Infectados com o genótipo 1, com fibrose F0, F1 ou F2 com resposta NULO a um tratamento anterior; 

- Infectados com os genótipos 2 ou 3, com recidiva ou não respondedores a um tratamento anterior; 

- Infectados com intolerabilidade ou baixa adesão ao interferon peguilado ou a ribavirina; 

- Contraindicações ao interferon peguilado ou a ribavirina. 


3 - PARA AVALIAR COM MUITO CRITÉRIO: 

- Infectados com o genótipo 1, com fibrose F0, F1 ou F2 não respondedores ou recidivantes a um tratamento anterior; 

- Infectados com os genótipos 2, 3, 4, 5 e 6, com fibrose F0, F1 ou F2, nunca antes tratados; 

- Infectados com qualquer genótipo, com fibrose F3 ou F4, com resposta parcial ou nulos de resposta a um tratamento anterior. 


4 - FATORES PRINCIPAIS A SEREM CONSIDERADOS PARA TOMAR A DECISÃO: 

- O grau de fibrose e a gravidade da doença hepática; 

- A resposta anterior a um tratamento; 

- A tolerabilidade ao interferon peguilado e a ribavirina. 

- O genótipo; 

- A existência de comorbidades; 

- A vontade do paciente, as consequências no tipo de trabalho do paciente, o planejamento familiar, a situação econômica e outras questões pessoais; 

- A possibilidade nos infectados com o genótipo 1 de utilização dos inibidores de proteases, excluindo todas as contraindicações e interações medicamentosas; 

- O resultado do teste IL28B. 

Agência de Notícias
das Hepatites

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Jantar dos Muralistas





O Grupo Amarantes esteve presente ao tradicional jantar dos muralistas do SG ON LINE. Falamos muito de política, saude, educação e jornalismo é claro. Nosso fraterno abraço a todos, um Feliz Natal e Próspero Ano Novo.

Claudio Costa
Grupo Amarantes

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

AASLD 2012 - Existe alguma associação entre hepatite C, Diabetes e doenças cardiovasculares?

Já está comprovado que o vírus da hepatite C afeta o metabolismo provocando o aumento da resistência a insulina, levando em muitos casos ao aparecimento do diabete tipo 2. Pesquisadores dos Estados Unidos estudaram outras alterações metabólicas que possam ser aumentadas pela hepatite C, em especial a pressão arterial e doenças cardiovasculares. 
Foram analisados dados do NHANES (Instituto Nacional de Saúde e Nutrição) realizado pelo Centro de Estatísticas em Saúde dos Estados Unidos entre os anos de 1999 e 2010 de um total de 62.160 indivíduos para avaliar a associação do vírus da hepatite C com aqueles com pressão arterial sistólica acima de 140 ou, diastólica acima de 90, o uso de medicamentos hipertensivos, a glicose em jejum acima de 126 mg/dl, a utilização de medicamentos para diabetes, a resistência a insulina medida pelo índice HOMA acima de 3 e a historia clínica de cardiopatia isquêmica, insuficiência cardíaca e acidente vascular cerebral (AVC). 
Do total dos 62.16 históricos analisados foram selecionados por completar os critérios um total de 19.741 adultos. Entre eles 304 pacientes (1,54%) apresentavam resultados positivos de anticorpos para hepatite C e 179 pacientes (0,79%) um resultado positivo no PCR (carga viral).  
Entre os infectados com hepatite C foi encontrado que 44,1% apresentavam resistência a insulina medida pelo índice HOMA, superior a 3, contra 31,1% dos indivíduos sem hepatite C. A hipertensão, acima de 140 afetava 40,1% dos infectados com hepatite C e somente 28,9% dos não infectados. Entre os infectados com hepatite C 76,2% eram fumantes, contra somente 29,9% dos não infectados.  
Ao realizar a analise multivariada eliminando os fatores de risco conhecidos, os pesquisadores encontraram que os infectados com hepatite C ativa (carga viral positiva) apresentavam 220% maior possibilidade de ter resistência a insulina que entre os não infectados, que a prevalência de diabetes era 290% maior que na população sem hepatite C e a hipertensão com pressão acima de 140 era 220% superior que entre os indivíduos não infectados. Concluem os pesquisadores que a infecção com a hepatite C pode predispor os pacientes para complicações cardiovasculares.  
Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
AASLD 2012 - Abstract 962 - Association of Hepatitis C Virus (HCV) with Diabetes Mellitus (DM), Hypertension (HTN) and Cardiovascular Diseases (CVD) - Z. M. Younossi; M. Stepanova; C. Venkatesan; Z. Younoszai; M. Srishord; A. Mishra.

Agência de Notícias
das Hepatites

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Aspirina protege o fígado? Diminui a possibilidade de morrer por doença hepática? Consegue prevenir o aparecimento de câncer hepático?

Antes de ler o texto sobre a aspirina para proteger o fígado fique sentado, respire fundo para então poder meditar e avaliar com muita calma

O "Journal of the National Cancer Institute" publica pesquisa informando que antiinflamatórios não esteroides, principalmente aspirina, pode ajudar a prevenir problemas hepáticos graves, conforme um grande estudo observacional sugere. (Os anti-inflamatórios não esteroides (abreviadamente, AINEs ou NSAIDs, do inglês Nonsteroidal anti-inflammatory drugs) são medicamentos destinados a controlar a inflamação, reduzir a dor, e a febre).

O estudo foi realizado de forma observacional pelo Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos incluindo 300.504 homens e mulheres com idade entre 50 e 71 anos que relataram o uso de aspirina e antiinflamatórios não esteroides os quais foram acompanhados por um período entre 10 e 12 anos.

Pesquisas já demonstraram que a inflamação crônica do fígado é um dos processos que podem desenvolver o câncer de fígado. Outras pesquisas comprovam que o uso de aspirina e antiinflamatórios não esteroides, por causa das propriedades antiinflamatórias são amplamente utilizados para prevenção de doenças cardiovasculares e cerebrovasculares, do câncer colo retal e de outros canceres. Os pesquisadores do Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos estudaram então se a diminuição da inflamação do fígado utilizando aspirina ou antiinflamatórios não esteroides poderia ter algum efeito benéfico no fígado.

Analisando os dados históricos foi encontrado que usuários de aspirina ou antiinflamatórios não esteroides estavam 41% menos propensos a desenvolver câncer no fígado e 45% menos probabilidade de morrer por causa da doença hepática que os indivíduos que não faziam uso de aspirina ou antiinflamatórios não esteroides. Não entanto ainda não ficou clara a relação entre o uso de aspirina ou antiinflamatórios não esteroides e os prováveis benefícios relatados no estudo.

Ao analisar os dados por tipo de medicamento foi encontrado que os indivíduos que utilizavam aspirina obtiveram um beneficio superior que os que faziam uso dos antiinflamatórios não esteroides. Entre eles a probabilidade de desenvolver câncer no fígado era 51% menor e a probabilidade de morrer por problemas hepáticos 50% menor.

A associação, se confirmada, pode abrir novas perspectivas para prevenção do câncer de fígado e da sobrevida dos doentes de fígado em geral. Mas alguns especialistas alertam que enquanto a aspirina pode ser útil para proteger de problemas cardiovasculares ainda é cedo para se afirmar com segurança que pode proteger o fígado.

Os pesquisadores concluem que os resultados devem ser observados com cautela e que estudos retrospectivos são necessários para comprovar e validar os resultados.

MEU COMENTÁRIO

ATENÇÃO: Alerto que a aspirina e os antiinflamatórios não esteroides podem provocar hemorragias internas, motivo pelo qual devem ser evitados por aqueles que apresentam problemas de coagulação, contagem baixa das plaquetas, pacientes com cirrose descompensada, etc.. Aspirina e os antiinflamatórios não esteroides somente devem ser utilizados com recomendação medica, a automedicação pode ocasionar sérios problemas, inclusive a morte de quem possui uma doença que ataca o fígado.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Nonsteroidal Anti-inflammatory Drug Use, Chronic Liver Disease, and Hepatocellular Carcinom - Vikrant V. Sahasrabuddhe , Munira Z. Gunja , Barry I. Graubard , Britton Trabert ,Lauren M. Schwartz , Yikyung Parque , Albert R. Hollenbeck , Neal D. Freedman , Katherine A. McGlynn- Journal of the National Cancer Institute - 10.1093/jnci/djs452


Agência de Notícias
 das Hepatites

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Seu familiar está em tratamento com interferon?

Então prepare-se para sofrer as conseqüências, pois é provável que o estado de ânimo dele, suas reações e até a forma de atuar e pensar possam se modificar durante o tratamento. Até poderíamos afirmar que os efeitos colaterais são sentidos com maior intensidade pela família, os parceiros, os amigos e os colegas de trabalho.

As reações podem ser diferentes de tudo aquilo que você já conhecia da parte dele. Geralmente, um dos efeitos colaterais é deixar o paciente irritadiço, sem paciência, com o pavio curto, uma pilha de nervos prestes a explodir por qualquer motivo, descarregando sua intolerância em quem estiver por perto.

Coloque-se no lugar dele e imagine o que ele está passando pela frustração de não poder fazer tudo aquilo que fazia antes da doença devido à falta de energia e à fadiga, simplesmente pelo medo de ser portador de uma doença pouco conhecida e para a qual até o momento não existe a cura para todos os tratados, pior ainda, que tem uma evolução imprevisível. Some-se a isso a possibilidade de algum dia precisar realizar um transplante de fígado.

Tudo isso leva o portador a ficar irritado e de péssimo humor, e você será o alvo provável sobre quem ele descarregará seus sentimentos. Se você ama seu parceiro/a, não brigue com ele e compreenda a situação dele. Não pense que você está sendo injustiçado. Mais tarde, quando passar o golpe da descoberta, ele com certeza vai pedir perdão pelo comportamento que teve. Trate de estar junto a seu parceiro todo o tempo que puder e se possível fazendo tudo aquilo que sempre planejaram e nunca realizaram, e demonstre todo o seu amor e afeto neste momento tão difícil da vida de ambos.

Assim você vai preservar a amizade, o amor, o convívio, o emprego ou até o casamento. Tenha paciência, pois esta é uma fase passageira. 

Agencia de Notícias
das Hepatites

terça-feira, 27 de novembro de 2012

O tratamento da hepatite C impede o aparecimento de câncer no fígado


A hepatite C é uma das principais causas de câncer de fígado e outras doenças hepáticas e é a principal causa de transplantes de fígado. As mortes por causa da hepatite C tiveram aumento na última década e devem aumentar nos próximos anos.

Um estudo realizado na Universidade de Copenhague, na Dinamarca, publicado no "British Medical Journal" avaliou ensaios clínicos publicados sobre tratamento com interferon ou interferon peguilado e ribavirina em pacientes com hepatite C. A meta analise abrange os resultados de acompanhamento de mais de 1.156 pacientes tratados e são comparados a outros 1.174 infectados que não receberam tratamento.

Durante o período de acompanhamento (entre 6 e 8 anos) 81 pacientes que receberam tratamento antiviral desenvolveram câncer de fígado, a maioria estava entre os que não conseguiram sucesso e, entre os que não receberam nenhum tratamento o número de casos foi 47% superior, atingindo 129 infectados.

Nos pacientes que receberam tratamento e obtiveram a cura a probabilidade de desenvolver câncer no fígado foi 85% menor que nos que fracassaram ao tratamento, já os pacientes que não obtiveram sucesso com o tratamento apresentaram um risco 43% menor de desenvolver câncer que os pacientes que não receberam tratamento.

Ao analisar os dados conjuntos dos estudos observacionais os pesquisadores concluem que o tratamento da hepatite C com interferon e ribavirina reduz o risco de desenvolver câncer em 71% na comparação com pacientes que não recebem tratamento.

Os autores acreditam que os benefícios do tratamento antiviral para a prevenção do câncer de fígado é provável que seja menos pronunciada em pacientes infectados pela hepatite C sem cirrose ou fibrose já que apresentam menor inflação que pacientes com fibrose avançada ou cirrose.

MEU COMENTÁRIO:

Este é mais um dos tantos estudos que demonstram que o tratamento da hepatite C salva a vida de muitos infectados. Os números são de pacientes que receberam tratamento com interferon ou interferon e ribavirina. Se o tratamento fosse realizado com inibidores de proteases os quais apresentam uma possibilidade de cura muito superior, certamente os números encontrados seriam ainda muito mais favoráveis a necessidade de se tratar quanto antes todos os infectados.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Antiviral therapy for prevention of hepatocellular carcinoma in chronic hepatitis C: systematic review and meta-analysis of randomised controlled trials - Nina Kimer, Emilie Kristine Dahl, Lise Lotte Gluud, Aleksander Krag - BMJ Open 2012;2:e001313 doi:10.1136/bmjopen-2012-001313 

Agência de Notícias
das Hepatites

segunda-feira, 19 de novembro de 2012





CARTA DE SANTOS – 2012
“UMA IDENTIDADE PARA A HEPATITE C”

Aos dezessete dias do mês de novembro do ano de dois mil e doze, estiveram reunidos no Ville Atlântico Hotel, localizado em Santos/SP, Av. Presidente Wilson 01, na “PLENÁRIA FINAL” do X ENONG – ENCONTRO NACIONAL DE ONG DE HEPATITES VIRAIS E TRANSPLANTES HEPÁTICOS - 2012, os representantes das organizações da sociedade civil atuantes no enfrentamento das hepatites virais no Brasil e que esta subscrevem. Após encaminhamentos, avaliações e  debates, foram votadas e aprovadas, ponto a ponto, questões   concernentes ao atual cenário de prevenção e controle das Hepatites Virais e Transplantes Hepáticos no SUS. Sendo assim,  deliberaram emitir a presente “CARTA DE SANTOS”, que elenca as seguintes propostas, subdivididas por temas: 

DEVOLUTIVA

- Que, o Departamento de DST, AIDS e Hepatites Virais se digne a responder a todos os tópicos contidos na presente Carta de Santos, no prazo de noventa dias, contados desta data e apresente no mesmo prazo as diretrizes e planejamentos estabelecidos para execução dos itens abaixo discriminados, inclusive os mensurando quantitativamente.

CAMPANHAS

Que, o Departamento de DST, AIDS e Hepatites Virais:

-  proporcione e garanta às Hepatites Virais, visibilidade equivalente às campanhas feitas para AIDS;

- efetive convite  à sociedade civil  para participar  na elaboração e aprovação das campanhas, em tempo hábil; 

- realize anualmente duas campanhas nacionais de divulgação das HV, nos meses de maio e julho.

TRIAGEM SOROLÓGICA

Que seja realizada de imediato, rigorosa reavaliação quanto a efetividade dos resultados dos testes rápidos de anti-HCV, ora utilizados. Assegurar que todo o brasileiro, com mais de quarenta anos de idade, tenha a oportunidade de fazer o teste anti-HCV, pelo menos uma vez na vida. 

INTEGRAÇÃO DAS HEPATITES VIRAIS NO DEPARTAMENTO DE DST/AIDS

Passados três anos da chamada “INTEGRAÇÃO”, não se identificou no Departamento de DST, AIDS e Hepatites Virais, uma liderança na condução das hepatites virais. Em consequência, a sociedade civil organizada entende que os avanços foram modestos, com evidente desarticulação entre o Ministério da Saúde e os demais níveis de gestão. Portanto, não há integração e sim uma incorporação, muito aquém da complexidade e magnitude das hepatites virais. Desta forma, o movimento social demanda a efetiva integração com uma liderança identificada para gerir as hepatites virais.

CONTROLE SOCIAL

Que o Ministério da Saúde mantenha o movimento social das hepatites virais e transplantes hepáticos informado, de forma clara e transparente, acerca da produção laboratorial e terapêutica sobre as hepatites virais, incluindo a devolutiva sobre resultados de exames, desfechos terapêuticos e execução orçamentária sem que se faça necessário o trabalhoso processo de recorrer à base do DATASUS.

- INDICAÇÕES DO MBHV, para as respectivas alterações no momento das novas composições:

- Para CAMS (COMISSÃO DE ARTICULAÇÃO EM MOVIMENTOS SOCIAIS): BARTOLOMEU LUIZ DE AQUINO (Titular) e JORGE CRISTOVÃO GREVE (Suplente).

- Para CNAIDS (COMISSÃO NACIONAL DE DST E AIDS): SANDOVAL IGNACIO PEREIRA DA SILVA  (Titular) e HILSON SANTOS CORDEIRO  (Suplente)

- Para o COMITÊ TÉCNICO ASSESSOR DO DEPARTAMENTO DST, AIDS E HEPATIT-ES VIRAIS: ARAIR DE FREITAS AZAMBUJA (Titular) e JEOVÁ PESSIN FRAGOSO (Suplente)

- Quanto a Comissão de Transplantes, as indicações foram feitas de forma individual.

INDICAÇÕES DA AIGA, para as respectivas alterações no momento das novas composições:

- Para CAMS (COMISSÃO DE ARTICULAÇÃO EM MOVIMENTOS SOCIAIS): FAUSTINA AMORIN DA SILVA (Titular) e FRANCISCA AGRIMEIRE LEITE (Suplente)

- Para CNAIDS (COMISSÃO NACIONAL DE DST E AIDS): ANNA MARIA GOMES HAENSEL SCHMITT (Titular) e AFFONSO SYLVESTRE CORRÊA DA SILVA JUNIOR (Suplente)

- Para o COMITÊ TÉCNICO ASSESSOR DO DEPARTAMENTO DST, AIDS E HEPATITES VIRAIS: KYCIA MARIA DO Ó (Titular) e BENEDITO FERREIRA DE ALMEIDA (Suplente)

- Para a Comissão de transplantes:  OLGA LÚCIA VIÉGAS MARCONDES (Titular) e MARCIA FRAGA MAIA CHAVES (Suplente)

COM RELAÇÃO ÀS INDICAÇÕES PARA O CONSELHO NACIONAL DE SAÚDE, MBHV E AIGA FARÃO SUAS INSCRIÇÕES INDIVIDUALMENTE.

MANUSEIO CLÍNICO: DIAGNÓSTICO, MONITORAMENTO, TERAPIA MEDICAMENTOSA E DAS COMPLICAÇÕES

TERAPIA ANTIVIRAL

Acesso: ampliar acesso geográfico para utilização dos IPs e que todos os centros e médicos que utilizam Interferon Peguilado, sejam habilitados para a terapia com IP).

Justificativa: a prevalência de hepatite C é elevada em todas as regiões. Os centros de especialidade estão sobrecarregados (e estarão ainda mais com os IPs) para receber demandas externas. Deslocar pacientes tem implicações de ordem logística e, acima de tudo, físicas (os pacientes sob terapia ficam exauridos). A  população com cirrose e fibrose avançada (F3) é crescente e quanto maior a demora em tratar os contaminados, maior o risco de progressão, complicações (descompensação, HCC) e morte.

Ajustes:  assegurar EPO na apresentação de 40.000 UI e G-CSF em regime de compra centralizada em componente estratégico, incluindo os IPs, Peguilado e Ribavirina nessa modalidade. Assegurar retaguarda para hemoterapia e realizar capacitações pontuais aos profissionais.

Novos fármacos: assegurar incorporação efetiva e célere dos novos medicamentos em rápido desenvolvimento.

Justificativa: muitos pacientes ainda estão excluídos da terapia por razões médicas (contra-indicação ao interferon alfa) ou virológicas (falência de terapia anterior ou genótipo não contemplado pelas terapias pregressas).

NOTA: é necessária a EFETIVA participação do Movimento Social no processo decisório e na fiscalização da transparência. Reuniões dos Comitês Assessores em “petit comitê” ou agendadas de última hora/ “por oportunidade” não devem ser realizadas e são repudiadas! 

TERAPIA DE SUPORTE & MANUSEIO DAS COMPLICAÇÕES DA HEPATOPATIA CRÔNICA.

Transplante hepático: assegurar contínua ampliação dos programas de captação de órgãos (CIHDOTT E  OPOS) e centros transplantadores. Em apenso pauta detalhada sobre transplante.

Hepatocarcinoma: assegurar prioridade para rastreamento por imagem (USG, TC e RM) e marcadores tumorais (alfafetoproteína); assegurar prioridade para terapia conservadora quando o transplante não está indicado (medidas locais por radiologia intervencionista, radiofrequência ou ressecção cirúrgica) e; assegurar exames para rastreamento metástases (TC, cintilografia) e exames pré-transplante (avaliação cardiológica, respiratória, clínica, nutricional, etc).

Hipertensão Portal:

Tubo Digestivo: assegurar treinamento básico para manuseio e aconselhamento nutricional para manuseio da ascite e profilaxia da PBE; assegurar terapia para Síndrome Hepatorrenal, incluindo compra centralizada de vasopressores (Terlipressina) no componente estratégico; assegurar acesso a Centros de Endoscopia habilitados para diagnose e manuseio de varizes esofágicas e gástricas, incluindo ligadura elástica. 

Hematologia e outras: assegurar treinamento em manuseio de citopenias, centros de referência para medidas terapêuticas invasivas (hemodinâmica, estimulantes da hematopoiese) e de complicações de parede abdominal (ex.hérnias). 

URGÊNCIAS E EMERGÊNCIAS:

Assegurar capacitação dos profissionais que atuam nos Centros de Urgência e Emergência para manuseio de alterações neurológicas (encefalopatia) e metabólicas (alterações eletrolíticas, renais, digestivas). Compra centralizada em componente estratégico dos medicamentos de suporte como Aspartato de Ornitina nas apresentações parenteral e oral (de uso crônico) e  que o Ursacol seja incorporado aos medicamentos previstos no Protocolo.

LINHA DE CUIDADO DAS HEPATITES

Efetiva utilização dos diversos níveis de assistência nas três esferas de gestão com ênfase para o envolvimento concreto dos níveis de atenção básicos ampliando a gama de assistência e minimizando a sobrecarga dos centros de especialidade e de alta complexidade:

Diagnose: Atenção Básica

Estadiamento: Atenção Básica e Média Complexidade (Endoscopia, Imagem, Anátomo-Patológico, Laboratório de Análises Clínicas, Biologia Molecular e Métodos Não-Invasivos).

Seguimento:

Pacientes sem indicação para terapia: seguimento na Atenção Básica.

Pacientes com indicação à terapia: seguimento na Média Complexidade (médicos e ambulatórios especializados) ou de Alta Complexidade.

Pacientes com doença hepática avançada: seguimento nos Centros de Alta complexidade.

NOTA:

Que o Ministério da Saúde mapeie a “Carga da Doença” efetiva das hepatites virais no prazo de seis meses e monte uma REDE DE ASSISTÊNCIA, em parceria com Estados e Municípios, atendendo o disposto na Linha de Cuidado e demandas assistenciais no prazo de 12 meses. Deve assegurar-se que cada município tenha inserido as ações mínimas relacionadas à Atenção Básica e uma referência de maior complexidade num raio não inferior ao compatível com a preservação da qualidade de vida e condições econômicas do portador, salvo regiões de reconhecida complexidade geográfica. Na impossibilidade de atender a essa prerrogativa o MS deve induzir a estruturação de uma rede de assistência mínima à hepatopatia preservando a vida do portador.

Finalizando, seguem anexo a esta Carta de Santos, três Moções, sendo respectivamente: 

- Moção  endereçada  à Agência Nacional de Saúde, a fim de  que determine aos Planos de Saúde o fornecimento dos Inibidores de Protease aos portadores de Hepatite C que dele necessitem para fazer seus tratamentos;

- Moção endereçada ao Ministro de Estado da Saúde, Dr. Alexandre Padilha, a fim de que sejam adotadas medidas no sentido aprimorar o processo de doação e transplantes de órgãos no Brasil; e
- Moção endereçada à Federação Brasileira de Gastroenterologia para que expresse formalmente a confirmação dos fatos nela contidos.

domingo, 18 de novembro de 2012

X Encontro Nacional de ONG’S DE HEPATITES VIRAIS – SANTOS – SÃO PAULO













O Grupo Amarantes participou do X Encontro Nacional de Ong’s de Hepatites Virais em Santos – SP. O evento foi realizado nos dias  15, 16 e 17 de novembro. Sabe-se hoje, segundo o Presidente da AIGA Carlos Varaldo, que somente 10% dos infectados tem conhecimento de sua doença . O I Encontro  de Ong’s aconteceu também em Santos em 2002, daí a importância de 10 anos depois nos reencontrarmos e ver o quanto avançamos, e propormos mudanças a fim melhorar a Assistência.

Claudio Costa
Grupo Amarantes

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

O tratamento da hepatite C impede o aparecimento de câncer no fígado


A hepatite C é uma das principais causas de câncer de fígado e outras doenças hepáticas e é a principal causa de transplantes de fígado. As mortes por causa da hepatite C tiveram aumento na última década e devem aumentar nos próximos anos. 

Um estudo realizado na Universidade de Copenhague, na Dinamarca, publicado no "British Medical Journal" avaliou ensaios clínicos publicados sobre tratamento com interferon ou interferon peguilado e ribavirina em pacientes com hepatite C. A meta analise abrange os resultados de acompanhamento de mais de 1.156 pacientes tratados e são comparados a outros 1.174 infectados que não receberam tratamento. 

Durante o período de acompanhamento (entre 6 e 8 anos) 81 pacientes que receberam tratamento antiviral desenvolveram câncer de fígado, a maioria estava entre os que não conseguiram sucesso e, entre os que não receberam nenhum tratamento o número de casos foi 47% superior, atingindo 129 infectados. 

Nos pacientes que receberam tratamento e obtiveram a cura a probabilidade de desenvolver câncer no fígado foi 85% menor que nos que fracassaram ao tratamento, já os pacientes que não obtiveram sucesso com o tratamento apresentaram um risco 43% menor de desenvolver câncer que os pacientes que não receberam tratamento. 

Ao analisar os dados conjuntos dos estudos observacionais os pesquisadores concluem que o tratamento da hepatite C com interferon e ribavirina reduz o risco de desenvolver câncer em 71% na comparação com pacientes que não recebem tratamento. 

Os autores acreditam que os benefícios do tratamento antiviral para a prevenção do câncer de fígado é provável que seja menos pronunciada em pacientes infectados pela hepatite C sem cirrose ou fibrose já que apresentam menor inflação que pacientes com fibrose avançada ou cirrose. 

Nossos Comentários: 

Este é mais um dos tantos estudos que demonstram que o tratamento da hepatite C salva a vida de muitos infectados. Os números são de pacientes que receberam tratamento com interferon ou interferon e ribavirina. Se o tratamento fosse realizado com inibidores de proteases os quais apresentam uma possibilidade de cura muito superior, certamente os números encontrados seriam ainda muito mais favoráveis a necessidade de se tratar quanto antes todos os infectados.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Antiviral therapy for prevention of hepatocellular carcinoma in chronic hepatitis C: systematic review and meta-analysis of randomised controlled trials - Nina Kimer, Emilie Kristine Dahl, Lise Lotte Gluud, Aleksander Krag - BMJ Open 2012;2:e001313 doi:10.1136/bmjopen-2012-001313 

Agência de Notícias 
das Hepatites

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Outros vírus que atacam o fígado


Não somente os vírus das hepatites B, C ou D atacam e podem destruir o fígado. Existem muitos outros vírus com os quais devemos ter cuidado, em especial se o indivíduo já está infectado com um vírus das hepatites. Faremos um breve resumo dos principais vírus para os quais devemos ficar alerta.

- Adenovirus - Os adenovírus são vírus de DNA que normalmente causam infecções leves envolvendo o trato respiratório superior ou inferior, o trato gastrointestinal, ou conjuntivo. A hepatite é uma rara manifestação de adenovírus e é mais comum em pacientes com imunidade suprimida.

- Citomegalovírus - Ataca em especial indivíduos com baixa imunidade, em geral não causa sintomas ou pode provocar um leve estado gripal com mononucleose discreta e elevação dos níveis de transaminases, raramente levando a um quadro de hepatite grave em pacientes que não estão infectados com alguma das hepatites. Em infectados com as hepatites B, C ou D a transaminase GGT sabe ficar elevada e pode levar a uma hepatite fulminante.

- Enterovírus - Os enterovírus são pequenos vírus de RNA e proteína. A hepatite A é um entereovírus. Na maioria das pessoas, a infecção por um enterovírus causa sintomas leves do trato respiratório superior ou sintomas de febre. No entanto, em recém-nascidos e em indivíduos com doenças crônicas e baixa imunidade, a infecção por um enterovírus pode causar hepatite fulminante.

- Epstein-Barr (EBV) - Herpes - Em geral o contagio acontece na infância e 90% dos adultos estão infectados, sem causar danos no fígado. É estimado que o vírus do herpes pode causar danos no fígado em até 10% dos adultos jovens e 30% dos idosos. O vírus é causa importante de morbilidade e mortalidade em indivíduos transplantados de fígado.

- Dengue - O vírus da dengue pertence a família Flaviviridae, com 4 sorotipos diferentes, é transmitida aos seres humanos pelo mosquito Aedes. Perigoso vírus para pessoas com doenças hepáticas as quais devem tomar extremos cuidados para não serem infectadas.

- Febre amarela - A febre amarela ou febre viral hemorrágica apresenta elevada taxa de mortalidade causada pela disfunção hepática, insuficiência renal e coagulopatia. Perigoso vírus para pessoas com doenças hepáticas as quais devem tomar extremos cuidados para não serem infectadas. Existe uma vacina eficaz para evitar ser infectado com a febre amarela.

- Hepatite E - A hepatite E ocorre de formas epidêmica ou esporádica, principalmente em países ou áreas com saneamento básico inadequado. É altamente perigosa em mulheres gravidas e em pessoas infectadas com as hepatites B ou C.

- Paramixovírus - Os paramixovírus são uma grande família de vírus que inclui o sarampo, papeira e o vírus sincicial respiratório. A doença hepática é geralmente leve e transitória, resolvendo completamente em todos os casos.

- Varicela - A varicela (também conhecida no Brasil como catapora) é uma doença infecciosa aguda, comum na infância dos seres humanos, altamente transmissível e causada pelo vírus varicela-zóster, também conhecido como HHV3 (human herpes virus 3). O zóster é uma doença da velhice, uma forma reincidente tardia dos vírus da varicela que permanece dormente nos gânglios nervosos.

- Vírus do herpes simples-1 e 2 - A maioria da população mundial está infectada devido a fácil transmissão que acontece por contato próxima de uma pessoa infectada que está espalhando o vírus pela pele, na saliva e nos órgãos genitais.
O herpes é uma doença viral recorrente, geralmente benigna, causada pelos vírus Herpes simplex 1 e 2, que afeta principalmente a mucosa da boca ou região genital, mas pode causar graves complicações neurológicas. Não tem cura, mas alguns remédios podem ser utilizados para diminuir os sintomas.

- Vírus da Rubéola - A rubéola é geralmente considerada uma infecção viral aguda benigna em crianças. Síndrome da rubéola congênita pode ser uma causa de cirrose na infância. Problemas hepáticos causados pela rubéola em adultos é relativamente raro de acontecer.

Ainda podemos citar outros vírus perigosos que podem atacar o fígado, mas que possuem menor incidência e que se encontram localizados em regiões específicas do mundo, entre eles os vírus Ebola, Marburg, Bunya, vírus da febre do Nilo, Crimeia-Congo-vírus, Febre de Lassa, etc.

Assim, vemos que além dos vírus que causam hepatite viral em humanos, como os vírus das hepatites A, B , C, D e E existem uma serie de vírus que também podem causar danos ao fígado, os quais são especialmente importantes para os indivíduos que já estão afetados por uma hepatite e são infectados por outro que também ataca o fígado, quando então se potencializa e acelera a destruição do órgão. 

Agência de Notícias
das Hepatites

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Hepatite C - A bomba já está explodindo!


O Grupo Otimismo utilizando a internet perguntou a seus associados qual o comprometimento do fígado por causa da hepatite C, solicitando que informassem se o dano hepático pelo grau de fibrose é moderado (F2), avançado (F3) ou cirrose (F4). A fibrose inexistente ou leve (F0 e F1) não foi considerada já que conforme o protocolo do SUS esses pacientes não são incluídos no tratamento. 

Recebemos 560 respostas com os seguintes resultados: 

- Com fibrose moderada (F2) um total de 237 pacientes, representando 42,32% do total; 

- Com fibrose avançada (F3) um total de 148 pacientes, representando 26,43% do total; 

- Com cirrose (F4) um total de 175 pacientes, representando 31,25% do total. 

Uma simples analise dos dados mostra um quadro altamente preocupante em relação à possibilidade de sucesso com o tratamento utilizando interferon peguilado e ribavirina, sabido é que com maior dano hepático menor é a possibilidade de cura. 

O levantamento mostra que mais da metade dos pacientes em acompanhamento no sistema de saúde, exatamente 57,68% dos pacientes, se encontram com fibrose avançada (F3) ou já com cirrose (F4). 

É necessário discutir o porquê de se chegar a um quadro assim alarmante, mas é muito provável que isso seja resultado do diagnostico tardio dos infectados, os quais somente chegam aos ambulatórios já com a doença em estagio avançado. 

Seria interessante que as sociedades de hepatologia e infectologia solicitassem a seus membros para realizar um levantamento semelhante para poder traçar um quadro de como estamos em cada região do Brasil. É fácil de realizar, pois os dados constam dos prontuários. 

Se também fosse possível identificar pelos prontuários qual era a situação do total de pacientes acompanhados em anos anteriores, por exemplo, em 2006 ou 2007, teríamos como resultado poder conhecer com que velocidade está avançando a cada ano no agravamento dos pacientes e assim seria possível calcular o que acontecerá nos próximos anos, permitindo traçar estratégias na luta contra a epidemia de hepatite C. 

Em 20/05/2002 fui entrevistado pela revista Newsweek (http://www.hepato.com/port_divulgacao.htm#nw ), quando alertei que estávamos sentados acima de uma bomba viral prestes a explodir. Passados 10 anos posso agora afirmar que a bomba viral já está explodindo.


Agência de Notícias
das Hepatites

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Admissão em concursos - Como solucionar a exigência de testes das hepatites



Muitos editais de concursos públicos exigem a apresentação de exames das hepatites, alguns os colocando caso resultados positivos, como excludentes para os candidatos.

Veja a seguir como proceder para evitar tal arbitrariedade totalmente discriminatória.

1 - Com o resultado de seu exame positivo para as hepatites B ou C procure um posto do INSS e entre com um pedido de aposentadoria por doença ou incapacidade.

2 - Você será chamado para uma perícia médica, a qual certamente vai atestar que você está totalmente apto para o trabalho e a aposentadoria está sendo negada. Guarde muito bem este laudo.

3 - Faça o concurso publico normalmente e, se passar em tudo, e sua admissão for negada por ser portador de qualquer uma das hepatites, procure imediatamente o Judiciário para solicitar por meio de uma "Ação Cautelar" em caráter de urgência (é fácil de conseguir) o seu direito a ser admitido, alegando que:
- O INSS atestou que você é apto para o trabalho e,
- Nos editais, por Lei proibindo a exigência não é necessária a apresentação do exame da AIDS e os casos positivos podem ser selecionados para admissão, assim, solicitar somente o exame das hepatites e o mesmo se positivo ser excludente se configura em clara e inequívoca discriminação.
Seguindo tal procedimento o Juiz emitirá a Ordem Judicial e você estará sendo admitido, fazendo valer seu direito cidadão.

Agência de Notícias
das Hepatites

sábado, 27 de outubro de 2012

Governo aprofunda crise e libera recursos destinados à AIDS para outras ações em saúde.


O Ministério da Saúde (MS) está prestes a publicar uma portaria que liberará Estados e Municípios a utilizarem para "fins gerais da saúde" recursos que eram repassados pela União para uso exclusivo da AIDS e que, por inoperância, descompromisso ou falta de atenção, não foram utilizados até dezembro de 2011.
Desde o ano passado a sociedade civil vem denunciando que tais recursos estavam estagnados sem justificativa há meses e - em alguns casos há anos - nos cofres dos Estados e Municípios em todo o país e vinha pressionando o MS para que criasse mecanismos que evitassem a estagnação deste dinheiro que, em setembro de 2012 representava um montante acumulado da ordem de 135 milhões de reais.

Ao contrário do que foi demandado, a recente decisão da Comissão Intergestores Tripartite é um atestado público do desmonte da política de Aids no Brasil que retrocedeu nos últimos anos em função também da não aplicação dos recursos destinados ao seu enfrentamento e da não priorização por parte dos governos municipais e estaduais que pouca ou nenhuma importância dão para a epidemia.
Além de liberar os recursos parados para fins diversos, para agravar o problema, foi anunciado na reunião de Gestores de Programas estaduais e municipais de AIDS, COGE, na última segunda feira, 22, em Brasília, a revogação completa da Política de Incentivo a partir de 2014. Para AIDS isso significa o fim da portaria 2313[1] criada em 2002 exatamente pela “necessidade de recursos específicos para o financiamento do combate à epidemia, dada a complexidade de ações a serem permanentemente desenvolvidas e ofertadas, abrangendo um largo espectro de atividades (..); para garantia de novos avanços e continuidade do padrão de qualidade e de resultados que vêm sendo alcançados”.

Com o fim da política de incentivo e de recursos carimbados, a política de AIDS no Brasil sofre um golpe duro, numa decisão tomada pelo governo Dilma sem discussão com a sociedade civil. Sofrerão mais ainda as populações afetadas – já são quase 700 mil casos registrados – que, como se sabe, têm alto histórico de exclusão social e irão agora disputar recursos com centenas de outros agravos. Se os recursos transferidos via política de incentivo já não eram utilizados apropriadamente mesmo quando específicos a este fim, é difícil crer que os mesmos gestores, passem a priorizar a AIDS e, certamente será ainda mais difícil para a sociedade civil monitorar o seu uso.

Uma morte anunciada–  O pano de fundo deste desmonte está baseado em dois pilares interdependentes: um deles, o mais evidente e grave, é a progressiva privatização do SUS, com repasses cada vez maiores para compras de serviços ao setor privado, aquisição de tecnologias, na maioria das vezes obsoletas ou que se quebram ao primeiro uso, e de insumos laboratoriais e farmacêuticos nem sempre direcionados a real necessidade dos problemas de saúde local; o segundo, a mudança progressiva e lenta do modelo de atenção, aliás a retomada ao modelo hospitalocêntrico, agora travestido de um modelo que elege a atenção primária como porta de entrada de um sistema de saúde, que se diz universal e público, mas cujas vedetes são as Unidades de Pronto Atendimento que são, contraditoriamente, administradas como privadas.
Vale ressaltar que tal decisão ocorre no momento em que as ONGs e a academia têm acirrado, dentro e fora do país, as críticas ao Ministério da Saúde denunciando graves retrocessos na política de AIDS brasileira que já foi, em décadas anteriores, considerada a melhor do mundo, e que agora encontra-se refém de influências religiosas e conservadoras e busca colocar as ONG AIDS em antagonismo com o SUS e o movimento de saúde. Uma cartada de má-fé que só evidencia a tentative óbvia da diminuição do controle público e da participação pessoas vivendo com AIDS na construção da resposta de AIDS, principais estratégias de um movimento articulado como o de AIDS que historicamente foi fundamental na consolidação do princípio do direito à saúde e da universalidade do SUS.

Agenda:

Nos dias 30 e 31 de outubro lideranças do movimento AIDS de todo o país estarão em Brasília para uma séria de reuniões com o Departamento Nacional de AIDS; e no dia 08 de novembro o tema é pauta do Conselho Nacional de Saúde. Demanda-se que que o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, estabeleça conjuntamente com a sociedade civil, uma solução verdadeiramente eficaz para a política de incentivo no Brasil que promova a erradicação da AIDS, não da política nacional de combate ao problema.

Claudio Costa
Grupo Amarantes